Depois da Bossa nova japonesa, os invasores bárbaros tazem mais um fenômeno oriental em língua portuguesa: o J-pagodji.
O grupo Y-no foi formado em novembro de 2006. Inspirados pelos grupos Revelação, Fundo de quintal e Art Popular, esses japoneses resolveram fazer pagode. Em 2008, ganharam um concurso e vieram apresentar suas músicas em português em território brasileiro, mas precisamente, no Rio de janeiro.
Para se divertir tanto quanto eu com a banda, assista abaixo o vídeo de "Querido, meu amor" e confira o site oficial http://grupo-yno.cocolog-nifty.com/blog/, que tem a opção de língua portuguesa, traduzido pelo google.
Nossos agradecimentos a Guilherme Almeida, nosso designer, que descobriu esta pérola.
Assim como outras lendas, cantor argentino vive na pele de seus imitadores
por Tiago Capixaba
Cliquei o cartaz acima enquanto caminhava pelas ruas de Guayaquil, Equador, na semana passada. É impressionante como a morte do cantor argentino Sandro (falecido no dia 4 de janeiro) repercute também pelos países vizinhos, como foi possível perceber em território peruano e equatoriano. A popularidade do "cigano", considerado por muitos o pai do rock da Argentina, é muito grande.
Shalo ou Ricardo Plúas é conhecido no Equador como filho de Sandro, mas na verdade não existe qualquer parentesco entre os dois. A semelhança física e as imitações realizadas por Shalo, há mais de dez anos, valeram o título. “Ele já é uma lenda. Se destacou por sua simplicidade e paixão pela música. Prestei essa homenagem a ele em vida e vou continuar com as apresentações", afirmou o "filho" ao site Estrellas Ecuatorianas.
O que dizer dos top 10 e 20 construídos pelo mundo afora? As músicas mais votadas e veiculadas em rádios, canais de TV e sites também representam um termômetro interessante dentro da pesquisa do Invasões Bárbaras. Antes do nosso gosto pessoal, ou análise qualitativa, nos interessa entender a representatividade que cada ritmo e artista tem dentro do contexto musical local.
E a opinião popular cumpre um papel interessante neste sentido, mesmo que as tais listas estejam repletas de canções um tanto comerciais, que por várias vezes são executadas a exaustão para vencer a resistência de muitos ouvidos desprevinidos (ou nem tanto).
Como entender e falar de música brasileira sem citar axé, pagode e funk? O que dizer aos (e dos) milhões de brasileiros que gostam, ouvem e consumem essas canções? Seria honesto apresentar aos amigos estrangeiros uma cena musical composta somente por Buarques, Velosos e Toms?
Pesquisamos para mostrar, e mostramos o que encontramos. Assim é possível esbarrar com ritmos considerados "bregas" em nossas mídias: disco polo, cumbia villera, manele... E também, obviamente, não vivemos só deles. Assim como a música é dinâmica, o dinamismo da pesquisa tem que estar preparado para dar conta da diferença, de buscar o alternativo, o que está fora dos holofotes. Afinal, a cena subterrânea também está repleta de representatividade. A ideia é buscar uma análise completa, mesmo sabendo que ela não é possível.
A lógica de nossas pesquisas quase sempre é muito mais apurada que a lógica dos textos que aqui apresentamos.
Estive no Peru durante a maior parte deste mês de janeiro e observando os top 10, 20 e as listas de vendas de álbuns, foi fácil perceber que os cantores românticos e a cúmbia dividem, por vezes mesclados, as preferências locais.
Mas dois estranhos me chamaram a atenção neste ninho. Um deles, a banda estadunidense Metallica, impulsionada pelo show que realizaram em Lima no último dia 19. Bem, mas aqui ficaremos com um pouco do trabalho do segundo estranho: Miki Gonzales (foto acima). Com Espanha e Peru como nacionalidades, Miki juntou ambos para realizar o álbum Landó por Bulerías e se tornar o som diferente ecoando por Lima. O novo trabalho do músico une flamenco e ritmos afroperuanos.
Abaixo conferimos um vídeo/matéria sobre o álbum, e em seguida, a canção En la Cocina para ilustrar
A República da Coréia do sul é a parte meridional da península mais militarizada do mundo. Devido a um passado de guerras, a fronteira entre as duas Coréias, tem o maior contingente militar estacionado do que qualquer outra fronteira do mundo.
Além disso, a Coréia do Sul é conhecida também por ser um dos tigres asiáticos. É a quarta maior economia do continente asiático e, por causa disso, apresenta um fenômeno interessante conhecido como Hallyu, ou Korean wave. Esse fenômeno começou na década de 90 e foi perdendo sua força com o passar dos anos, mas ainda persiste numa escala menor.
O Hallyu consiste na exportação dos produtos culturais coreanos para seus vizinhos, devido a alta qualidade das produções e o baixo custo. Isso preocupou muito o governo chinês, que chegou a proibir que filmes coreanos fossem exibidos em cinemas chineses.
Mas não eram só os filmes que os sul-coreanos exportavam. Havia também a exportação de músicas. Muitas bandas da coréia acabam fazendo sucesso nos vizinhos, inclusive gravando canções em chinês ou japonês. Um exemplo dessas bandas é o Shinhwa.
O Shinhwa é uma boy band. Ela existe desde 1998 e continua fazendo sucesso. O nome é a palavra coreana para lenda. A banda já fez diversos tours pela Ásia, sendo a primeira banda sul-coreana a ter permissão de tocar na Coréia do norte. Abaixo, você assite a Once in a Lifetime, um dos clipes do álbum State of the art (2006).
Em duas ocasiões, fizemos menção a Daler Mehndi aqui no Invasões Bárbaras. A primeira foi falando do mapa da música asiática, a outra foi coroando o novo rei do pop. Agora, é o momento de falar um pouco sobre a carreira do cantor indiano e do ritmo do qual ele é Rei.
Índia e Paquistão já foram um único estado. Separaram-se em 1947 e atualmente disputam a região da Caxemira. Mas duas coisas ainda unem esses países: Uma língua, o punjabi e um ritmo musical, o Bhangra.
O Bhangra tradicional é um estilo dançante utilizado pelos indianos e paquistaneses para celebrar as colheitas, a pátria ou falar de seus problemas sociais. O som é composto por um tambor duplo chamado Dhol, um instrumento de corda único chamado Ektara e um instrumento de percusão parecido com um xilofone chamado Chimta.
O Bhangra moderno é uma fusão desses elementos tradicionais com os ritmos que conhecemos. Alguns exemplos são o Bhangragga (bhangra fundido ao reggae) e o Dance Bhangra (fundido a música eletrônica). Atualmente, um homem é considerado por muitos na região do Punjabi, como o Rei do Bhangra. Esse homem é Daler Mehndi.
Mehndi é o cantor que mais discos vendeu na história da Índia. Ele canta um pop Bhangra, bem dançante. Dois episódios marcam a vida dele: o primeiro é a história por trás do clipe da música Tunak Tunak Tun. Esse vídeo foi o primeiro a usar a tecnologia de Chroma Key, na história da Índia. Nele, Mehndi contracena com mais três cópias suas. Ele fez esse clipe em resposta às criticas que vinha sofrendo que afirmavam que ele só fazia sucesso por causa das modelos que participavam de seus outros vídeos. O melhor de tudo é que Mehndi ficou conhecido no ocidente justamente por causa deste clipe.
O segundo episódio não é tão divertido. Em 2004, Mehndi foi acusado de ser o chefe de um esquema de imigração ilegal para o Canadá. Na realidade, o culpado era o irmão do cantor, Mika Singh. Por isso, Daler acabou ficando 3 anos sem lançar discos.
Um dos últimos trabalhos videográficos de Daler Mehndi foi o clipe Raula Pai Gaya, do álbum de mesmo nome, lançado em 2007. O resultado, você confere aqui embaixo.
"Colgando en Tus Manos" embala os corações dos mochileiros apaixonados
por Tiago Capixaba De Guayaquil, Equador
Uma rápida análise da lista de sucessos do verão em nossos vizinhos sul-americanos mostra a força de reggaeton e cúmbia por aquí. Da Argentina ao Equador, onde me encontro agora, Daddy Yankee e companhia dão as cartas nas boates, com o reforço de hits locais, que ainda incluem salsa, merengue e outros ritmos.
Algumas canções surgem no verão europeu e continuam fortes em terras latino-americanas seis meses depois - ou fazem o caminho contrário. Um bom exemplo de "hit-grudento-impossível-de-ignorar" que bombou dos dois lados do planeta é a música Colgando en Tus Manos, cantada pelo venezuelano Carlos Baute e pela espanhola Marta Sánchez.
Na canção, bem romântica, sobram referências a amores distantes, paixões que ficaram na areia de alguma praia, ou que foram interrompidas por mochilões e viagens. Não por acaso, ela acerta em cheio os corações dos viajantes, seja nas montanhas de Cusco ou junto às ondas de Máncora.
Alguns até torcem o nariz, mas a letra está na ponta da língua. O vídeo vocês conferem abaixo.
Bem, depois de um período de calmaria aqui no blog, voltamos a pingar alguns textos com mais frequência. Do Périplo Invasor, que agora continua apenas comigo em vôo solo, vocês terão notícias em todas as quintas-feiras.
Uma terra que, pra quem ouve o invasões, nem é assim tão longe
Por Vetrô Vetromille
Situado na Europa Oriental e fazendo fronteira com a Terra de Borat, o Uzbequistão foi inóspito para a pesquisa do Invasões Bárbaras. Uma curiosidade com relação a esse país, que poucas pessoas sabem como falar o nome, é que na tradução de suas palavras, não encontramos a letra C. Talvez seja por isso que na semana dedicada a esse país, não tocamos nenhum rock.
Fora as piadas, o Uzbequistão me impressionou por apresentar diferenças num estilo que eu achava ser igual em todo o mundo, o Hip Hop. O hip hop uzbeque, por misturar conceitos religiosos e instrumentos típicos da cultura árabe, causa uma impressão positiva. Na cadeia produtiva da União Soviética, um dos produtos de exportação do Uzbequistão foi o Hip hop.
Com anos aprimorando o produto, a fim de entregar qualidade, mas sem deixar de lado suas influências históricas. Um exemplo desse ritmo, vem do grupo ASR. Essa palavra, que significa a tradicional prece vespertina dos muçulmanos já deixa transparecer a fusão que ali existe. Nos primeiros anos de sua carreira, suas letras giram em torno dos excluídos e das dificuldades que o Uzbequistão enfrenta.
Hoje, com uma transformação total do estilo, o ASR está mais pop, mas ainda mantém sua batida árabe. Abaixo, segue um clipe da nova fase do grupo. A música se chama Uzun armonlar.
#josémayerfacts O romance com a ninfeta Anita foi embalado por uma das músicas mais românticas e apaixonadas (e cafajestes) da chanson francesa.
por Marina Borges Jacques Brel nunca teve um romance quente e proibido com uma ninfeta, como José Mayer. Mas pode-se dizer que ele foi figura central na identificação dos brasileiros com o romance de Anita.
Brel, assim como Mayer, era um galã. E, diferente do brasileiro, interpretava de forma arrebatadora e intensa. Não foi à toa que Ne me quitte pas (não me deixe), um hino exagerado de perdão/idolatria a uma mulher, o lançou ao sucesso em 1958 na França e, bem depois, no Brasil.
Apesar de fazer chanson française, Brel era belga. Nasceu em Bruxelas, dia 8 de abril de 1929, numa família de industriais. Começou em cabarés e eventos familiares, mas as letras e interpretações fortes não agradaram.
Contra a vontade de todos, se mudou para Paris (e abdicou da ajuda de custo da família). Sozinho na cidade, viveu tempos duros. Sucessivas audições renderam apresentações em cabarés obscuros, com recepção morna do público e piadas maldosas sobre seu jeito bruxelense. A sorte começou a mudar quando a cantora Juliette Gréco cantou uma de suas músicas em um show no Olympia, o templo da chanson francesa. Pouco tempo depois o próprio Brel teve seu début na casa, mas sem fazer barulho.
Do comunismo ao capitalismo
Uma influência importante foi François Rauber, pianista clássico que se tornou seu acompanhante nas gravações. Por compreender bem o universo de Brel, ele dá ao cantor formação musical e se torna o orquestrador privilegiado de todas as suas composições.
Em 57, depois da parceria, Jacques lançou seu segundo 33 rotações com a música Quand on n’a que l’amour e recebeu o Grande Prêmio da Academia Charles Cros. No ano seguinte tem sua segunda chance no Olympia – abrindo os shows de Philippe Clay. Aprovado pela massacrante maioria do público, ele é reconhecido como um verdadeiro homem dos palcos.
No início dos anos 60 ele se apresenta na então URSS, nos Estados Unidos e também no Oriente Médio. Das terras francesas, não fica um único lugar de fora. Mas a vida que levava era muito desgastante: turnês, noites brancas, conquistas femininas, álcool e, claro, muitos cigarros. Ao mesmo tempo, Jacques Brel já começa a pensar na idéia de largar a chanson.
Ne me quitte pas
A súplica do mundo da música não fez efeito. Em 69 Brel decretou que não tinha mais nada a dizer e compor e se declarou extremamente cansado das turnês sem fim. Disse, ainda, que tinha muitos projetos que queria realizar e não encontrava tempo. FBastou honrar os contratos firmados para que ele largasse a vida de chansonnier. O Grand Jacques, que inflamava as salas, dava vida aos personagens de suas canções, gesticulava, suava, que fazia de seus espetáculos verdadeiras maratonas, deixava os palcos da chanson.
Há quem diga que raramente um cantor vai conseguir exprimir novamente suas raivas e paixões com tanta sinceridade e gravidade quanto Jacques Brel. Exuberante, mas pudico, o cantor forçou a afeição de um público que foi por muito tempo severo com ele.
Recomeço e fim
A aposentadoria era apenas da música. Brel se dedica a montar uma comédia musical e se lança como ator, consagrando-se no cinema. Teve algumas decepções na sétima arte, como realizador.
No início dos anos 70, descobriu um câncer de pulmão. Aproveitou o tempo que lhe restava para curtir a vida na Polinésia Francesa e gravar um último disco, dedicado à chanson. Gravado na França em 77, o disco não teve nenhuma iniciativa de publicidade a pedido do próprio cantor, mas sua lista de espera era imensa antes mesmo do lançamento. Jacques Brelmorreu no dia 9 de outubro de 1978. Em seu museu, na Bélgica, esta é uma das datas de visitação gratuita, juntamente com o dia do seu aniversário de nascimento.
Curiosidades
* Em 1955, quando ainda buscava o sucesso, Brel cantava para organizações cristãs, o que o rendeu o apelido de “Abade Brel” por parte do amigo chansonnier Georges Brassens.
* Jacques sempre chamava cantores jovens e desconhecidos para abrirem seus espetáculos. Era sua forma de retribuir as chances que teve quando jovem.
* Em 1963, ele foi cantar no Olympia com a cantora Isabelle Aubret abrindo seu show. Pouco depois, ela foi vítima de um grave acidente. Por isso, ele deu a ela os direitos vitalícios da canção La Fanette.
* Outra das paixões de Brel era a aviação. Suas aulas se iniciaram em 1963 e se seguiram pelos anos. Quando ele se mudou para as ilhas Marquises, na Polinésia Francesa, ele usava seu avião para fazer o transporte dos moradores entre as ilhas.
* Brel nunca fazia “bis” em seus shows. Manteve o hábito até na sua despedida, mas voltou ao palco para agradecer o público sete vezes seguidas.
* O artista também dedicou tempo e fundos na pesquisa contra o câncer e no auxílio às crianças hospitalizadas. O disco L’enfance teve toda a sua renda e os direitos vitalícios de autor dedicados à Fundação Floco de Neve de Lino Ventura, em benefício de crianças com deficiência. Em 1981, depois de sua morte, sua filha France criou a Fundação Jacques Brel, destinada a difundir a obra do cantor e também a sustentar a pesquisa contra o câncer e o auxílio às crianças hospitalizadas.
A equipe do Invasões deseja a todos um Natal bem Bárbaro!
O Invasões Bárbaras inédito vai ao ar toda sexta, às 22h, na rádio UFMG Educativa (104,5fm). No domingo, ouça a reprise da semana anterior, a partir das 18h.