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Meu Japão
Por Karina Almeida


Faz uma semana que estou de volta ao Brasil, mas só agora comecei a contar que cheguei. Como escrevi no post anterior, eu estava tão cansada que só queria dormir.

É claro que quero (re)ver meus amigos, passear pela cidade, pegar um cineminha, andar de bicicleta ao redor da Lagoa da Pampulha etc e tal. Mas sem colocar o sono em dia, ajustar o relógio biológico e curtir o sofá da minha mãe, seria impossível!

Peço desculpas pelo sumiço m(_ _)m

Saí de casa apenas para ir a um internet café do bairro e a uma agência bancária no centro da cidade. Foi muito divertido, me senti uma turista na minha terra natal!

A primeira “quase-gafe” foi quase ter usado uma nota de 1 real. Por sorte, paguei o uso da internet com moedas e só descobri que as notas de 1 real estão fora de circulação, ao entregá-las ao meu irmão.



- Uai, onde você conseguiu essas notas?
- Uai, são de três anos atrás. Eu guardei o que sobrou da última vez que estive no Brasil.
- “Você pode vender para um colecionador”, brincou.

CORREÇÃO: as notas ainda são válidas, porém, é difícil encontrá-las já que deixaram de ser fabricadas :p


Rimos muito! Eu, da cara de espanto dele. E ele por eu ter as extintas notas de 1 real.

Minha ida ao centro, de ônibus, foi ainda mais divertida. Eu estava morrendo de medo! Mas não ia dar o braço a torcer e pedir alguém para me acompanhar. Fui!

Sem relógio, sem anel, sem pulseiras. De acessórios, só o cinto e os brincos bem pequenos e discretos. Queria usar meus óculos de sol – o verão daqui está demais! – mas fiquei com medo deles ser em roubados, acreditam?

Também deu medo levar a carteira. Na minha bolsa, não havia praticamente nada! Só a carteira de identidade, o relógio – já que eu não podia colocá-lo no pulso – e um porta-níquel com moedas e uma nota de 20 reais. “Se me roubarem, o prejuízo não vai ser grande”, pensei.

O primeiro e acho que único susto foi com a cor do ônibus: uai, não era vermelho? Por que agora é verde? Sei lá, coisas da prefeitura...



Por dentro nenhuma mudança e a minha sensação era de recordações, muitas recordações. Tive de me policiar para não ser indiscreta. Eu observava as pessoas, o ônibus e a paisagem do lado de fora, assim como no dia em que peguei um metrô no Japão pela primeira vez.

Tive medo de ter perdido o sotaque belorizontino, mas depois de dois dias e meio na casa da Naomi, nos Estados Unidos, – ela também é de Beagá –
acho que voltei ao normal. Até agora, ninguém reclamou. Tô falando até uai! No Japão, acabei incorporando paulistês, carioquês, nordestino e cia.

Por isso, acho que nem o cobrador do ônibus, nem o vendedor de uma loja de sapatos perceberam que eu era “de fora”. Ou melhor, uma nativa meio fora de forma. Para um perguntei se aquele ônibus parava em tal ponto. Para o outro, perguntei onde era o banco. Eu não sabia mesmo!

Nesse percurso, conversei com meia dúzia de pessoas. A moça sentada ao meu lado no ônibus, a outra no banco, a outra que me ajudou a pegar a senha da fila – eu nunca tinha usado aquela máquina! – a outra que me serviu água, a senhora que me pediu ajuda para ler o número no papel dela...

E acho que me comportei diretinho, como uma belorizontina da gema! Não queria ficar com cara de turista :p



Achei o maior barato aquele monte de gente gritando “foto na hora, fota na hora, foto na hora.” E a mulher na porta das Lojas Americanas repetindo sem parar “mata barata, mata formiga e... (não entendi), é o giz chinês! Quatro pilhas, 1 real!”

Também tive de segurar o riso, quando ouvi uma mulher no celular, andando pelo centro. Ela falava alto, muito alto! “Deixa só eu chegar aí! Eu vou te beijar na frente dela! Aí eu quero ver!”

Pois é, pessoal. Belo Horizonte vai render – e já rendeu – muitas histórias! Não conto mais porque não cabe num post só. Eu volto logo, prometo (^_^)v

Fotos? Tenho duas câmeras digitais, mas não tive coragem de usá-las. Queria fotografar os ônibus, o povo no centro da cidade, mas primeiro preciso tomar coragem.
Postado por Karina Almeida em 03/02/2010 - 22:50:00
Sayoonara (tchau), Japão! - parte 2
POST EDITADO!



Ir embora - depois de 6 anos - dá um trabalhão! Quando chegar ao Brasil, estarei tão cansada que pretendo passar uma semana dormindo!

Trabalho, prefeitura, banco, malas, caixas, contas, compras, passeios, viagem, gripe, dor de ouvido, despedidas etc e tal. É por isso que o blog anda abandonado. Mil desculpas!

Logo, logo eu volto. Quero responder todos os comentários e, é claro, tenho muitos "causos" novos para contar!

Aguardem (^_^)v

ps: não, não é casamento! Hihihi... E o gatinho não vai agora para o Brasil. Snif, snif.

ps2: a foto não é de Tóquio. É da cidade onde estou agora, a caminho de casa. Alguém reconhece?

Postado por Karina Almeida em 22/01/2010 - 02:03:00
ano novo, vida nova



Não ia contar agora, mas tive medo de ser injusta. "Os leitores têm direito de saber antes", pensei.

Pessoal, a decisão foi tomada há 3 anos (sim, faço planos a longo prazo!) e chegou a hora de voltar de mala e cuia para o Brasil.

Janeiro é o meu último mês aqui. Mas, é claro, um dia eu pretendo por os pés no Japão de novo. Mesmo que seja como turista, estudante, sei lá...

Afinal, não é segredo. Sou apaixonada por este país!

A ideia era escrever um post de FELIZ ANO NOVO, mas andei tão ocupada que não foi possível. Gomenasai! SAP: Desculpa!

Ocupada de trabalho, mas também de preparativos, passeios e despedidas. Estou em Tóquio, eba!, e quero passear muito, antes de entrar no avião.

(na primeira foto, eu e o gatinho num passeio na Torre de Tóquio. Na segunda, Akira, eu, Carlos e Ewerthon. Saiba mais sobre a torre aqui e aqui).



O blog não vai acabar, mas obviamente não vai ser mais de uma brasileira que mora no Japão. Vai ser de uma mineira de volta a Beagá (SAP: Belo Horizonte), depois de 6 anos no lado de cá do planeta.

Vou continuar estudando japonês e escrevendo sobre isso na coluna Aprendendo Japonês, da Revista Alternativa (publicada no Japão).

E vocês, vão continuar "me lendo"? Espero que sim (^_^)v

Perguntas, pedidos e sugestões de posts sobre o Japão/japoneses continuarão sendo aceitos :p

Postado por Karina Almeida em 06/01/2010 - 08:19:00
SAP: Feliz Natal, em japonês!

(Leia: Méri Kurissumassu. Ou se achar mais fácil, fale em inglês que os japoneses entendem: Merry Christmas)




Os dias 24 e 25 de dezembro são úteis aqui, ou seja, temos de trabalhar no Natal. Por sorte, estou de folga. Mas só vou comemorar amanhã, dia 26, com os amigos e o gatinho.

Pena que a minha família não está aqui. No próximo ano, espero comemorar com eles! Natal é família, não acham?

Desejo a todos os leitores um Natal cheio de paz, fartura e felicidade!

É cedo para desejar Feliz Ano Novo. Eu volto antes ; )
Postado por Karina Almeida em 25/12/2009 - 09:18:00
austrália



Uma dica de leitura para quem pensa em estudar fora do país: a edição especial da Viagem e Turismo - Cursos no Exterior 2010 (clique aqui).

Tem até uma fotinho minha lá, com um depoimento sobre o intercâmbio que eu fiz na Austrália. Espero que gostem!

Prometi deixar aqui também o link da reportagem sobre blogs publicada dia 24 de novembro no Jornal O Tempo. Sim, porque o Meu Japão foi citado (^o^)/

Aí vai (clique aqui).

p.s.: publiquei a foto beeeem grande para facilitar a leitura do textinho ao lado. Se estiver ruim de ver/ler assim, por favor me avisem que eu diminuo.

Postado por Karina Almeida em 22/12/2009 - 22:02:00


No Brasil, golfe é esporte de gente chique. Ou não é mais? No Japão, não necessariamente. O esporte é um dos mais populares do país!

É meio caro para aqueles que praticam toda semana, mas nem tanto. Há campos de golfe por todo lado e o preço varia bastante. Pelo que me contaram, um dia de jogo custa de 6 mil a 14 mil ienes (66 a 154 dólares), incluindo refeição. Portanto, é preciso pesquisar!

Eu não fui jogar. Fui trabalhar. Não como caddie (mocinha que ajuda os jogadores), mas como repórter. Acompanhei um grupo de brasileiros que joga golfe toda semana aqui no Japão, há anos. Resultado: deu muita vontade de aprender!



Até tentei uma tacada e vi o quanto é difícil. O melhor foi descobrir que não é impossível - se treinar, eu chego lá! -, nem chato. Quanto mais aprendemos sobre o jogo, mais interessante ele fica.

A paisagem é linda, afinal, jogamos nas montanhas. Como disse um dos meus entrevistados, estresse zero! Outra vantagem é que não é preciso reunir um grupo grande para jogar. Basta levar uma pessoa!



Também gostei de ver o carrinho que anda sem motorista! Nem todos os campos têm essa tecnologia, mas no que visitei sim. A caddie aperta um botão do controle remoto e o veículo anda sozinho, seguindo o caminho asfaltado. Faz curva e tudo.



Alguém aí já pensou em jogar golfe? Parece chato, eu sei. Aliás, eu também achava este esporte muito sem graça. Mas garanto que não é! Experimentem, se puderem, e depois me contem (^_^)v

Leia também: O Príncipe do Golfe Japonês, matéria publicada em 2008 na revista Made in Japan (clique aqui).
Postado por Karina Almeida em 18/12/2009 - 23:51:00
(post editado!)


Nunca tive cachorro. Aliás, tive por um dia. Ganhei quando era criança, mas morri de medo dele e meus pais resolveram devolvê-lo. Afinal, eles também não tinham menor afinidade com o pobre coitado.

Mas, hoje, confesso que sinto vontade de ter um cãozinho. E como o gatinho adora (leia o namorado), acabo sendo influenciada por ele.

Ontem, passeando num shopping, ficamos sei lá quantas dezenas de minutos brincando com um filhote de Akita Shiba, aquele fofíssimo cão japonês. Uma espécie de miniatura do Akita.  



O gatinho queria comprá-lo de qualquer jeito, mas sabemos que a decisão de ter um animal de estimação deve ser muito bem pensada (espaço, despesas, tempo etc). E ele continua pensando :p

O Akita Shiba Inu é a coisa mais fofa do mundo! E aquele filhote branquinho, então, era a sensação da pet shop. Difícil não levá-lo para casa!

Para quem não conhece o Akita Shiba, vale a pena dar uma olha neste site aqui. E para os curiosos, o preço do tal filhotinho de um mâs é 200 mil 240.000 ienes ou cerca de 2.250 2.690 dólares. Com desconto!

No Brasil, quanto seria um filhote tão fofo? Alguém tem ideia?

CORREÇÃO: eu entendo tanto de cachorro que confundi o Akita com o Shiba! Hahaha... Só me toquei com o comentário do leitor Gugs. Obrigada, Gugs! Pensei: gente, acho que era Shiba Inu. Liguei para o gatinho e confirmado: esse fofíssimo cão aí é Shiba. Mil desculpas, pessoal m(_ _)m. Segundo ele, o Akita é mais barato. Ou melhor, menos caro :p
Postado por Karina Almeida em 12/12/2009 - 02:15:00
futebol



Na sexta à noite (horário do Brasil), liguei para o meu pai e ele me disse: Estou vendo o Globo Repórter sobre o Japão!

No dia seguinte, o gatinho me ligou: Está vendo TV? Coloque no canal 4! Está mostrando "Berorizonti"!

Que legal, pensei. O Japão na tevê brasileira e o Brasil na tevê japonesa. E o melhor: Belo Horizonte!

Felizmente, deu tempo de ver grande parte da reportagem e ouvir muitas falas em português.

Quem gosta de futebol e acompanha as copas mundiais deve ter ouvido falar do Yuji Nakazawa, o zagueiro camisa 22 da seleção japonesa.

Pois, acreditam que ele começou a carreira no América de Belo Horizonte, na minha terrinha?



O Nakazawa justificou: Meu sonho era jogar na seleção japonesa. Sei que o Brasil é o melhor do mundo no futebol, por isso eu quis treinar lá.

Morou em Beagá durante um ano. Treze anos atrás! Não sei se aprendeu português, mas sei que adorou o nosso país.

O ídolo dele é o Gilberto Silva. Afinal, além do camisa 17 da seleção brasileira ser um dos melhores do planeta, ele também começou no América.
 
O japonês e o brasileiro se conheceram em Belo Horizonte e se reencontraram na Copa do Mundo de 2002.

Nakazawa ficou feliz por Gilberto Silva ter se lembrado dele. E mais ainda no final da reportagem, quando foi presenteado com o e-mail (não uma mensagem, mas o endereço) do jogador brasileiro!

Fiquei curiosa: será que eles vão se corresponder em português ou inglês? Em japonês eu duvido :p

Confiram um pedacinho do que a tevê japonesa exibiu, no vídeo acima.

Postado por Karina Almeida em 06/12/2009 - 10:35:00


O Natal vem aí e eu gostaria de divulgar uma campanha muito bacana dos Correios (do Brasil): adote uma cartinha do Papai Noel!

É simples. A gente escolhe uma ou mais das milhares de cartas enviadas para o imaginário Papai Noel e faz o papel dele, atendendo o pedido da criança.

Não é preciso ser rico. Há pedidos para todos os bolsos e é possível ler as cartas antes de escolher.

O legal é saber que temos o poder de realizar o desejo de uma criança e fazê-la feliz neste Natal.

No Japão, praticamente não há crianças tão pobres, mas quem está aqui pode ajudar as do Brasil. Mesmo morando no lado oposto do planeta!

Soube desta campanha por meio da minha amiga e colega de profissão Cristiane Prado. O site da empresa dela tem mais detalhes. Confiram aqui aqui.

Se quiserem participar, entrem em contato com a Cristiane pelo e-mail cristiane@a2bh.com.br ou acessem o site dos Correios aqui.

E depois me contem se viraram Papais/Mamães Noeis, seja nesta campanha ou em outra qualquer (^_^)v

Eu ainda não adotei uma cartinha, mas fiquei feliz da vida por ter feito algo parecido no Dia das Crianças. Espero fazer sempre e muito mais!
Postado por Karina Almeida em 04/12/2009 - 12:15:00


Dizem que no Japão é assim. Namorada só conhece os sogros quando o namoro é sério. Alguns só são apresentados no dia do casamento!

O gatinho não fez nenhum pedido (risos), mas me levou para jantar na casa da sogrinha e do sogrão. Seria um sinal?

Brincadeira à parte, tô feliz porque o gatinho, finalmente, voltou da Austrália (^_^)v

Fui buscá-lo no aeroporto - claro! - e de lá fomos passear na cidade de Narita (onde fica o aeroporto internacional de Tóquio). É outono aqui no Japão e a paisagem estava linda!



E acreditem: comi unagi (leia unagui), ou seja, enguia. É uma delícia! Sempre achei que fosse horrível m(_ _)m

Também experimentei sashimi de carpa! Ou seja, carpa crua (viva não!)





Depois de dois dias em Narita, fomos para a casa da sogrinha. De cara, ela me serviu chá verde (eca!) e eu quase tive um treco. Tinha certeza de que o Akira havia avisado que eu e chá verde não nos entendemos.

Mas no final deu tudo certo. Eles foram super simpáticos, tinha outro chá para eu tomar, jantamos sukiyaki, tomamos vinho chileno e café moído na hora.

O café da manhã também foi à moda japonesa, com misoshiro (aquela sopinha de pasta de soja) e tudo mais.

A sogrinha até me deu mexerica - da terra do sogrão! - para eu levar pra casa.

Depois conto mais ; )

ps: no vídeo, vejam como matam e limpam as pobres coitadas das enguias. Isso foi no restaurante típico, onde comi a famosa unagi pela primeira vez. Recomendo!
Postado por Karina Almeida em 28/11/2009 - 12:17:00



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