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Cristina Moreno de Castro
24 de Abril - Segunda-feira - 08:00

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Vivemos num mundo de mudança econômica dramática, constatam Vitor Gaspar e Luc Eyraud num artigo publicado na última quinta-feira (20) pelo Fundo Monetário Internacional que pode ser lido AQUI em inglês. Traduzindo livremente, tento resumir o artigo, que me parece contraditar a política econômica do governo Temer. Os autores não citam o caso do Brasil. Eles devem ter motivos para isso, eu não – e vou colocando minha colher de pau, entre colchetes.

[Vitor Gaspar foi ministro das Finanças de Portugal e desde fevereiro de 2014 dirige o Departamento de Assuntos Orçamentários do FMI. Luc Eyraud é chefe adjunto do Departamento de Assuntos Fiscais da entidade. Sabem do que estão falando].

As condições atuais no mundo requerem novas e mais inovadoras soluções, às quais o FMI chama de “smart fiscal policies”, que são aquelas políticas fiscais inteligentes que facilitam mudanças, utilizam seu potencial de crescimento e protegem as pessoas que mais sofrem.

Ao mesmo tempo, reconhecem os autores, empréstimos excessivos e níveis recordes de dívida pública têm limitado os recursos financeiros disponíveis para o governo. Assim, a política fiscal precisa fazer mais com menos. Por sorte, muitos começam a compreender que o kit de ferramentais fiscais é maior e mais poderoso [do que a equipe econômica do governo Temer imagina].

Cinco princípios orientadores esboçam os contornos dessas políticas fiscais inteligentes que estão descritas no capítulo primeiro do “Fiscal Monitor” de abril de 2017 do FMI. São elas:  

1.      A política fiscal deve ser contracíclica.

Em tempos ruins, as taxas de juros são reduzidas e o dispêndio do governo é aumentado para pôr mais dinheiro no bolso das empresas e dos consumidores; nos bons tempos, reduzem-se os gastos e elevam-se as taxas. A política fiscal tem papel maior a ser exercido hoje na estabilização do que no passado, porque os bancos centrais em muitos países desenvolvidos cortaram os juros para bem perto de zero e os limites da política monetária estão sendo testadas.

Em tempos normais, uma política fiscal contracíclica poderia se basear em “estabilizadores automáticos”, ou seja, em gastos e arrecadação que se ajustam aos altos e baixos da economia. O seguro desemprego é um exemplo. Numa recessão econômica, as pessoas que perdem seus empregos são automaticamente elegíveis aos benefícios governamentais. Mas esses estabilizadores podem ser insuficientes em países que estão sofrendo de queda prolongada e cujas taxas de juros não podem baixar ainda mais, como o Japão. Numa situação assim, um estímulo fiscal temporário pode quebrar a espiral de baixo crescimento, baixa inflação e dívida elevada.

No outro lado do espectro, em economias com crescimento econômico fraco, o governo deveria, em geral, retirar o suporte fiscal. Por exemplo, os Estados Unidos, que estão perto do pleno emprego, poderiam começar a reduzir o déficit orçamentário no próximo ano, para pôr a dívida pública, firmemente, numa trajetória descendente.

No entanto, usar a política fiscal para aplainar o ciclo de negócio nem sempre é possível. Alguns países podem ter que focar na redução dos déficits públicos apesar das condições cíclicas. Por exemplo, países exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita, foram duramente atingidos por um declínio de mais de 50% no preço do petróleo desde o pico de 2011. Esses países devem reduzir o gasto para alinhá-los com a queda da renda e já começaram a fazer o ajuste. Espera-se que seus déficits coletivos caiam cerca de 150 bilhões de dólares em 2017 e 2018.

[Não é o caso do Brasil, frise-se].

2.      A política fiscal deve almejar um crescimento amigável.

Taxas e gastos públicos podem ser usados para apoiar os três mecanismos de crescimento econômico em longo prazo: capital (tais como máquinas, estradas e computadores), trabalho e produtividade.

Capital. Em muitos países, é o caso de aumentar fortemente o investimento público, dado o baixo custo de financiamento [internacional, claro; aqui é caríssimo, como bem sabe o Itaú] e a importante deficiência em infraestrutura.

Trabalho. Os países deveriam continuar a encorajar a criação de trabalho e a participação no mercado de trabalho. Economias desenvolvidas poderiam reduzir a taxação sobre a folha de pagamento onde ela for alta, fazer uso mais intenso de políticas, como assistência na busca de emprego e treinamento, e adotar medidas seletivas de gastos para grupos vulneráveis, como trabalhadores de baixa habilitação e os mais velhos. Mercados emergentes e economias em desenvolvimento poderiam implementar acesso à rede de saúde e  educação. [Não é o se faz hoje no Brasil].

Produtividade. Uma série de políticas pode promover a produtividade, incluindo melhorias do sistema de tributação.

3. A política fiscal deve promover a inclusão.

Mais de um bilhão de pessoas saíram da extrema pobreza desde o começo dos anos 1980, a maioria na China e na Índia. Ao mesmo tempo, a desigualdade de renda aumentou dentro de muitos países. Nas economias avançadas, as rendas do topo 1% da população cresceram numa taxa anual quase três vezes mais alta que o da restante população nas últimas três décadas.

Impostos e gastos públicos são meios poderosos de garantir que países compartilhem o dividendo do crescimento com a população. Por exemplo, transferência condicional de dinheiro (tais como a transferência para famílias pobres, fazendo que os benefícios estejam condicionados à frequência das crianças às clínicas de saúde e às escolas) foi usada com sucesso para reduzir a desigualdade num número de países da América Latina. [O Brasil, entre eles, nos governos Lula e Dilma].

A política fiscal deveria também ajudar as pessoas a participar integralmente e se adaptar a uma economia em mudança. Melhor acesso à educação, treinamento e serviços de saúde, bem como ao seguro social, pode facilitar os trabalhadores a recuperar-se da perda de trabalho ou da doença. [Bem ao oposto da “reforma” da Previdência, diga-se].

4. A política fiscal deve estar baseada numa forte capacidade tributária.

Governos precisam ter forte capacidade de tributar, para que possam executar essas políticas. A tributação permite uma fonte estável e ajustável de receita orçamentária que pode ser mobilizada, se necessário. É também elemento central na determinação da capacidade de um país de pagar suas dívidas.

Isso é particularmente importante para países de baixa renda. Verifica-se que quase metade desses países tem um percentual de tributação/PIB abaixo de 15%. E o pagamento de juros frequentemente consome uma grande parcela de sua arrecadação no pagamento de impostos. Em países de baixa arrecadação, construir capacidade de cobrar  impostos [dos ricos, claro] é uma prioridade ao desenvolvimento sustentável.

5. A política fiscal deve ser prudente.

A crise financeira global mostrou que as finanças públicas estão expostas a grandes riscos que são geralmente subestimados. Resgates de bancos falidos e uma profunda recessão econômica levam a dívida pública em economias avançadas a níveis sem precedentes em tempos de paz. [Só a dos Estados Unidos supera US$ 1 trilhão].

Os governos necessitam compreender melhor os riscos a que estão expostos e adotar estratégias para administrá-los. [Leu, Temer?]

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18 de Abril - Terça-feira - 08:00

Texto escrito por José de Souza Castro:

O manifesto do Projeto Brasil Nação, coordenado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas Luiz Carlos Bresser-Pereira, veio a público há cinco dias, com 180 signatários originais. Aos poucos, vai se tornando conhecido, apesar de pouco divulgado pelos grandes meios de comunicação. Não deve cair no vazio. Precisa ser discutido com seriedade, pois aponta caminhos para que o Brasil possa sair da crise sem sacrificar mais ainda a maioria dos brasileiros.

Segundo a revista Carta Capital, ao longo “dos últimos meses, economistas, empresários, advogados, sociólogos, embaixadores, artistas e políticos discutiram a dramática situação do País e propostas para a retomada do crescimento consistente, com inclusão e independência. Das conversas nasceu o manifesto Projeto Brasil Nação”.

Entre os signatários originais, não encontrei nenhum que se identificasse como empresário. São 31 economistas, 25 jornalistas, 10 advogados, 9 sociólogos, 8 cientistas políticos, 5 professores, 5 engenheiros e 5 médicos, entre outras profissões, mas nenhum empresário. Há ainda cinco políticos, incluindo dois deputados (nenhum senador) e um possível candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes.

Cadê os empresários que, segundo a revista de Mino Carta, um dos jornalistas signatários originais, teriam participado das reuniões? Bem, muitos apareceram depois, quando o manifesto foi aberto para as adesões, aqui. Até as 19h30 desta segunda-feira (17), havia 90 empresários signatários. E 207 jornalistas, inclusive eu.

Dou-me ao trabalho de destacar alguns pontos, sabendo das dificuldades que muitos leitores têm para ler manifestos na íntegra.

Foto: Wikimedia

“O Brasil vive uma crise sem precedentes”, começa o manifesto. Após descrever alguns sintomas dessa crise, afirma que a desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. “A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito”, registra.

O retrocesso, acrescenta, “tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em deficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual”.

Foto: Wikimedia

O ataque de que somos vítimas “foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington”. Em que o país “construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado”.

“Para o governo”, acrescenta o manifesto, “a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são ‘naturais’, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012)”.

Como venho denunciando tais juros altíssimos, não tive dificuldade em assinar embaixo. Mas também porque concordo com o que se segue:

“Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional. Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”.

Foto: Wikimedia

Mas não foi para denunciar o que a maioria já sabe que se redigiu o manifesto. Sua proposta é “o resgate do Brasil, a construção nacional”, até mesmo porque “temos todas as condições para isso”. Ao contrário do “governo reacionário e carente de legitimidade”, que não tem um projeto para o Brasil e nem pode tê-lo, “porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária”.

O texto prossegue apontando caminhos, em 547 palavras. Se você se interessou até aqui, não preciso mais resumir. Vou direto aos cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação:

  1. Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde
  2. Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil
  3. Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva
  4. Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade
  5. Reforma tributária que torne os impostos progressivos

“Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas”, resume o manifesto do Projeto Brasil Nação.

Espero que ele inspire outros a ajudarem a refundar a nação brasileira. “Não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano.”

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12 de Abril - Quarta-feira - 23:03

O ministro do Supremo Federal Edson Fachin. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Texto escrito por José de Souza Castro:

Depois de passar muitas horas, desde a tarde de terça-feira, lendo e ouvindo notícias sobre a já famosa lista de Fachin, eu continuava com a sensação de que estava faltando alguma coisa. Só às quatro da tarde de quarta-feira, li aqui a pergunta que faltava, talvez a mais importante de todas: por que não há nenhum juiz na lista de Fachin?

Ou, conforme o título escolhido por Kiko Nogueira, diretor adjunto do Diário do Centro do Mundo, para seu artigo, aquele em que encontrei aquilo que deveria, eu próprio, estar me perguntando: “A ausência gritante do Judiciário na Lista do Fachin”.

Como jornalista, venho me ocupando da questão do Judiciário brasileiro há muito tempo. Pelo menos, desde meados da década de 1970, quando comecei a juntar material para meu livro “Injustiçados – o caso Portilho”, disponível de graça na biblioteca deste blog.

Por isso, não tenho qualquer dificuldade em compreender o que disse no final do ano passado, conforme Kiko Nogueira, a ex-ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, em entrevista a Ricardo Boechat: seria impossível levar a sério a delação da Odebrecht, “caso não mencione um magistrado sequer”.

Para Kiko, é difícil que a Odebrecht, que teria corrompido nove ministros de Estado, três governadores, 24 senadores e 37 deputados federais (números inicialmente divulgados) que serão investigados por ordem do ministro Fachin, tenha operado “esse tempo todo sem desembolsar um tostão por, digamos, uma sentença favorável”.

Kiko cita outra entrevista de Eliana Calmon, dessa vez ao jornal "Tribuna da Bahia", em que ela diz: “Nessa república louca que é o Brasil, temos aí o Executivo e o Legislativo altamente envolvidos nas questões da Odebrecht, de acordo com as delações no âmbito da Operação Lava Jato. Tem-se aí pelo menos uns 30 anos em que a Odebrecht ganha praticamente todas as ações na Justiça.”

É pena que não se possa levar a sério, conforme leu até aqui, essa lista originada das delações de donos e executivos da Odebrecht.

No começo, eu havia me animado ao ver listados por Fachin alguns nomes de políticos que, até então, pareciam blindados pelo Ministério Público e pelo Judiciário, quando estes se ocupavam de investigar e julgar a corrupção no Brasil. Por exemplo: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves...

Se eu não posso levar a sério tal lista, como encarar as investigações sobre a construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais? Além de “elefante branco”, como escrevi em 2009 e reafirmei em 2012, terá sido a maior obra do governo Aécio Neves uma fonte de corrupção, como suspeita Fachin com base nas delações da Odebrecht?

Seria preciso confiar muito em Ministério Público, Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal para esperar que o atual presidente nacional do PSDB seja condenado por uma obra que já custou muito aos contribuintes mineiros. E que deve custar muito mais, dependendo do destino que o governador Fernando Pimentel, outro político na lista de Fachin, pretende dar à Cidade Administrativa.

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05 de Abril - Quarta-feira - 08:00

Texto escrito por José de Souza Castro:

Caiu, ao que parece, a última barreira para a entrega de uma parcela do pré-sal à francesa Total a preço de banana. No dia primeiro de abril, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), um órgão regulador, aprovou sem restrições a venda de 22,5% da área de Iara, na Bacia de Santos.

“Mais um crime de lesa-patria”, afirma a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em nota intitulada “O Parente é da Total”.

Esse Parente é o presidente da Petrobras nomeado no atual governo, sobre o qual já escrevi aquiaqui aqui. E a Total S.A. é o quarto maior grupo privado explorador de petróleo e de gás natural mundial.

A entrega do pré-sal à Total se deu mediante um acordo de colaboração chamado de Aliança Estratégica e assinado no dia 28 de fevereiro deste ano.

Segundo a FUP, “a gestão Pedro Parente deu de mão beijada à petrolífera francesa um tesouro de 675 milhões de barris de petróleo (o bloco todo tem reservas provadas de três bilhões de barris)”, equivalente a 33,7 bilhões de dólares a preços de hoje.

A Total se comprometeu a pagar 2,2 bilhões de dólares à vista e o restante “em suaves prestações”. Por esse valor, “muito abaixo dos preços de mercado”, a petrolífera francesa levará também 35% do campo de Lapa, cujo ativo já havia sido depreciado em R$1,238 bilhão, “para facilitar a sua venda”, e metade da Termobahia, “incluindo duas termoelétricas e o acesso ao terminal de regaseificação”.

Não para aí essa venda “de pai para filho”, segundo a FUP:“Além disso, a multinacional se beneficiará de toda infraestrutura e logística já desenvolvidas pela Petrobrás, o que reduzirá significativamente os seus custos”.

Não se diga que não há motivos para comemorar. Não pelos brasileiros, sim pelos investidores franceses. “Analistas de mercado”, conforme a FUP, “chegaram a calcular que a Total aumentará em 1 bilhão de barris de petróleo as suas reservas ao se apropriar destas duas áreas do Pré-Sal brasileiro. Tudo isso a um custo estimado entre US$ 1,75 e US$ 2,4 o barril, segundo divulgou a imprensa francesa na época do fechamento do acordo”.

A FUP informou, erroneamente, que a aprovação pelo CADE se deu no dia 3 de abril. Na verdade, essa foi a data da publicação no "Diário Oficial da União". À maior agência de notícias do mundo, com sede em Londres, a Reuters, não passou em branco que a aprovação ocorreu antes, no dia primeiro de abril.

Sim, no Dia da Mentira. Faz sentido, pois o que se mente sobre o pré-sal não está no gibi.

Conforme a Reuters, a “concessão, no pré-sal da Bacia de Santos, inclui os campos de Berbigão, Sururu e Atapu Oeste, segundo documentos enviados pelas empresas ao Cade” e, na defesa do negócio envolvendo Iara junto ao Cade, “as empresas disseram que os campos envolvidos nesta operação estão em fase de desenvolvimento e não apresentam produção”. Acrescenta: “Quando a produção for iniciada, e considerando o pico de produção dos campos, estima-se que esse valor representará menos de 7 por cento da produção nacional de petróleo”, disseram elas em documento.

Ah, bom...

No mesmo dia, a Reuters informou que a produção de petróleo no Brasil em fevereiro somou 2,676 milhões de barris por dia, sem contar o gás natural. Somando este, foram aproximadamente 3,346 milhões de barris de óleo equivalente por dia em fevereiro.

Sete por cento desse total significa 234.220 barris por dia. O petróleo do tipo extraído do pré-sal estava cotado nesta terça-feira, às 16h30, a US$51,04 o barril. E subindo 1,55%...

Pobres investidores franceses!

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31 de Março - Sexta-feira - 08:00

Já escrevi sobre o Tritono Blues em post de 2012. Volto hoje para dar uma superdica: eles estão com um CD novinho em folha, recém-lançado, só com músicas de Ray Charles.

Desde que ganhei o álbum, que é o terceiro da banda, ele ainda não saiu do meu som. Fico ouvindo, toda feliz, a clássicos como Hit the Road Jack, I Got a Woman e Hallelujah I Love Her So.

Você pode ouvir todo o CD no Soundcloud:

 

Você pode também comprar o CD no iTunes, Spotify, Deezer, Google Play, Napster e na Amazon.

Ou CLICAR AQUI para encomendar direto no site da banda, que também tem muitas fotos, vídeos e informações bem legais sobre o belo trabalho que eles vêm realizando desde 2007, com agenda lotada de shows.

Seja como for, fica a dica para começar o fim de semana com um sonzão de primeira ;)

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29 de Março - Quarta-feira - 08:00

Como contei no post de ontem, andei turistando por Beagá, em companhia de amigas vindas do Rio. Além de levá-las para o passeio obrigatório no Mercado Central, com direito a almoço delicioso no Casa Cheia, também fomos à feira hippie, ao Parque Municipal, ao CCBB e, por fim, paramos no Museu das Minas e do Metal, também na Praça da Liberdade, que eu ainda não conhecia.

Como é bom turistar na própria cidade! Você também quer fazer isso? Baixe agora, gratuitamente, o Guia Turístico com 90 dicas de passeio em BH e região ;)

Como eu ia dizendo, acabei conhecendo junto com as turistas um dos museus do circuito cultural da Praça da Liberdade, que eu ainda nunca tinha visitado.

De cara, fiquei impressionada: um museu que trata de um assunto tão pouco popular -- pedras e metais -- estava BEM CHEIO no último domingo. Movimentadíssimo mesmo!

Fiquei feliz por constatar que é mesmo um espaço muito bacana e que bom que esteja sendo bem aproveitado pela população. Afinal, é gratuito!

O que vi lá? Dezenas de pedras preciosas lindas, com várias explicações a seu respeito, além de obras interativas, como o scanner que aponta quantos gramas de metal existem hoje no meu corpo (mais de 1 kg!).

Fiz bem poucas fotos do passeio, só para ilustrar:

CLIQUE AQUI para ver as fotos da galeria em tamanho real.

Como se pode ver, o prédio é uma maravilha à parte.

As fotos não ficaram muito boas, feitas com celular, mas é possível explorar bem melhor NESTE LINK.

Não deixe de conhecer também, vale a pena!

Serviço:

  • Funcionamento: terça a domingo das 12h às 18h, sendo quinta-feira das 12h às 22h
  • Endereço: Praça da Liberdade, s/n, prédio rosa
  • Gratuito
  • Mais informações AQUI

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28 de Março - Terça-feira - 08:00

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em entrevista publicada domingo pela "Folha de S.Paulo", o presidente da Andrade Gutierrez, Ricardo Sena, cospe no prato em que comeu. Melhor dizendo, cospe em Aécio Neves: “Não tenho o menor apreço”, diz, mas votou nele em 2014: “Votei no Aécio porque eu achava ele menos ruim que a Dilma. Mas sou do Aécio? Sou nada!”.

Esse trecho da entrevista feita pela repórter Renata Agostini foi suprimido pela edição impressa do jornal. O portal parece ter sido menos prudente – ou não deu a devida atenção à pretensa força de Aécio junto aos Frias, donos da Folha/UOL.

O mais interessante é que o próprio presidente do Conselho de Administração do Grupo Andrade Gutierrez, Ricardo Sena, que assumiu o cargo em 2015, depois que seu antecessor foi preso pela Lava Jato, parece também ter-se esquecido de como Aécio foi importante para a empresa, quando governador de Minas. No mínimo, o governador não pôs obstáculo a que a AG comprasse, em 2009, 32,96% do capital votante da estatal mineira adquiridos sem licitação, durante o governo do também tucano Eduardo Azeredo, pelo consórcio formado pelas americanas AES e Mirant e pelo Banco Opportunity. Mais informação sobre isso AQUI e AQUI.

Logo no começo da reportagem, afirma-se que Ricardo Sena não está envolvido nas irregularidades confessadas pela empresa às autoridades, mas “seu nome já apareceu na Lava Jato”. Diz que numa troca de mensagens entre executivos do grupo, ele aparece reclamando da vitória da petista Dilma Rousseff em 2014, quando derrotou o tucano Aécio Neves. Reportagem anterior da “Folha” sobre o tema cita Ricardo Sá – e não Sena.

Um erro. Ricardo Sena não desmentiu, quando Renata Agostini fez a seguinte pergunta: “ O senhor tem birra do PT? O senhor aparece na Lava Lato numa troca de mensagens com outros executivos da Andrade reclamando da vitória de Dilma Rousseff em 2014.” Resposta:

“Meu comentário foi: "vergonha de ser mineiro". Se eu gosto do PT? Não gosto. Porque não gosto desses esquerdismos populistas, aqui e em lugar nenhum. Não gosto de ninguém que entra por esse lado. Não tenho interesse político, mas acho que não constrói país. Não tenho nada contra a agremiação PT. Não sou partidário. Não gosto é do jeito de pensar. Mas eu tinha mesmo uma birra homérica da Dilma. É só ver ela falar francês. Eleger um troço desse não dá. Eu tinha que ficar com vergonha da minha terra [Minas Gerais]. Aí você vai me perguntar se eu gosto do Aécio [Neves]. Não tenho o menor apreço.”

Comparado com o desrespeito com que o entrevistado tratou a ex-presidente, destacada pela “Folha” no título da reportagem (“Tenho 'birra homérica' de Dilma, diz presidente da Andrade Gutierrez”), Ricardo Sena foi até gentil com Aécio Neves...

Não fosse o desejo de ”homenagear” Dilma, outras frases poderiam ter sido escolhidas para o título. Por exemplo:

“Sou da turma dos decepcionados” (ao ser perguntado se gosta do Temer).

“Você ficou pelado no meio da rua. Fomos pegos assim” (ao dizer que o principal erro da Andrade Gutierrez foi não ter percebido que o país havia mudado e continuou assinando contrato, para depois resolver).

“O Brasil está muito confuso” (ao afirmar que a empresa já pagou R$ 300 milhões do acordo de leniência em troca de “absolutamente nada”).

“Pública, pública é zero” (sobre as obras que a AG ainda toca).

“Esses pobres coitados dos estrangeiros vão se danar” (sobre os leilões de aeroportos).

“Trabalhar com o governo é muito perigoso”.

Sem dúvida. Mas foi trabalhando com governos que a Andrade Gutierrez cresceu muito. Desde o início. A empresa foi fundada em 1948 por Flávio Gutierrez e Gabriel Andrade, seu colega no curso de Engenharia da UFMG. Os dois convidaram Roberto Andrade, irmão de Gabriel e formado na mesma escola 10 anos antes. Roberto morava na capital do país, o Rio de Janeiro, onde tinha muitos amigos no meio político. Mais tarde, foi morar em Brasília para fazer o lobby da AG no governo militar.

Flávio Gutierrez e JK, em trator da empresa.

As primeiras obras da construtora foram contratadas pelo governo. Em 1952, Flávio Gutierrez foi fotografado com o governador Juscelino Kubitschek num trator da empresa. O deputado Maurício Andrade, irmão mais velho de Gabriel, era líder do governo na Assembleia Legislativa e arranjou para que a empresa do irmão fosse contratada para construir o campo de aviação de Bambuí. Com isso, a AG pôde comprar dois caminhões e o segundo trator. O primeiro foi o “Soberano”, cenário da foto de Flávio e JK. Nos governos de JK, em Minas e no Brasil, a empresa ganhou grande impulso.

E a escalada continuou. Já no governo João Goulart, a Andrade Gutierrez fez a terraplanagem para a construção da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, planejada ainda no governo JK. Foram terraplanados dois milhões de metros quadrados, movimentando seis milhões de metros cúbicos de terra. Em seguida, foi contratada pela Petrobras para construir a barragem de Ibirité e garantir a água a ser utilizada pela Regap. Foi a primeira de muitas barragens, boa parte dela nos governos militares.

Em 1979, iniciou a construção, no Rio Grande do Norte, da barragem do Açu – a maior da história do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), com 2.553 metros de comprimento e altura de até 41 metros acima do leito do rio Piranhas. Ela estava praticamente pronta, quando em dezembro de 1981 ocorreu escorregamento de aproximadamente 1,5 milhão de metros cúbicos de material do talude de montante. A perícia constatou que a falha era do projeto, não da execução. Depois do projeto refeito, a Andrade Gutierrez reiniciou os trabalhos e a barragem ficou pronta em 1983. Ufa!

Bons tempos. Percalços como este eram pouco noticiados e não sofriam processos do Ministério Público, como neste de 2007, quando sete pessoas morreram no acidente nas obras da Estação Pinheiros da Linha 4-Amarela, em São Paulo.

A AG foi pioneira na construção de linhas de metrô no Brasil. Trabalhou na Linha Norte-Sul do Metrô da capital paulista, o primeiro do país. Em pouco tempo, suas obras se espalhavam por vários Estados. Em 1972, iniciou a construção de uma rodovia asfaltada de 900 quilômetros para ligar Manaus a Porto Velho. E concluiu-a em 1976.

Finda a ditadura, a filha mais velha de Flávio, Ângela Gutierrez, foi nomeada pelo governador Newton Cardoso, do PMDB, secretária de Cultura. Newton era amigo de Tancredo Neves.

Com o pai, Ângela Gutierrez juntou durante anos um acervo de 2.200 peças que doou para o Museu de Artes e Ofícios, inaugurado em dezembro de 2005, no governo Aécio Neves. Está instalado no prédio da antiga estação ferroviária, no Centro de Belo Horizonte, numa área de 9.000 metros quadrados.

Integrante do Conselho de Administração da AG, Ângela estava, em 2013, na lista da Forbes como uma das 21 mulheres bilionárias do Brasil. Sua fortuna era calculada em R$ 2,8 bilhões.

Ao contrário do que sugere a entrevista de Ricardo Sena, os fundadores da Andrade Gutierrez sempre souberam como é bom trabalhar para o governo.

Qualquer governo.

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24 de Março - Sexta-feira - 08:00

Texto escrito por José de Souza Castro:

Manifesto assinado no dia 20 de março pelo arcebispo metropolitano, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, e por dez bispos da Província Eclesiástica de Belo Horizonte, sobre a reforma da Previdência, não teve acolhida na imprensa, o que é uma pena. Pesquisa feita às 11h de quinta-feira no Google mostrou que nenhum jornal se interessou. Passados três dias, o único na Internet que havia publicado o manifesto, o Conversa Afiada, o fez com um título forçado: “Bispos de BH excomungam reforma da Previdência!”

Não se fala em excomunhão no manifesto, mas são muitas as críticas ao projeto enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Michel Temer, cujo nome não é mencionado. No tempo em que eu trabalhava em jornais, as considerações dos bispos teriam, certamente, sido publicadas com algum destaque.  Quero crer que não o foram por culpa, não dos sempre atentos editores, mas da assessoria de imprensa da Arquidiocese que talvez tenha se limitado a divulgá-lo AQUI. Porém, se é assim, como Paulo Henrique Amorim, que nem mineiro é, soube desse manifesto? Eu soube pelo Conversa Afiada e vou tentar resumir os principais pontos do manifesto.

“A Igreja não substitui e nem se identifica com políticos ou interesses partidários. Contudo, não pode se eximir da sua vocação de ser incansável advogada da justiça e dos pobres (Documento de Aparecida p.278). Em razão disso, nós, bispos da Igreja Católica, na província de Belo Horizonte, somos instados a promover a reflexão sobre a reforma da Previdência (PEC 287/2016), que tramita no Congresso Nacional”, justificam os bispos.

Depois de lembrar que a Constituição Federal de 1988 estabeleceu a Seguridade Social, destinada a garantir saúde, previdência e assistência social, o manifesto reconhece que várias reformas são indispensáveis à democracia brasileira, mas adverte: “Nenhuma reforma, contudo, pode operar em sentido contrário, trazendo o risco de aumentar as desigualdades que historicamente já caracterizam a sociedade brasileira.”

E afirma que é contraditório e perigoso impor reformas constitucionais num momento “de intensa crise de representatividade e de legitimidade das instituições, pela ausência de autoridade moral que agrava a falta de credibilidade dos legisladores e governantes”.

Segundo os bispos, a reforma da Previdência, tal como proposta, “terá impactos para todos os cidadãos brasileiros: tanto para os que vivem neste tempo presente, quanto para as gerações futuras. É indispensável que a sociedade seja ouvida e que se criem mecanismos de participação dos cidadãos nesse processo de reforma previdenciária”.

Portanto, na opinião dos bispos, isso não foi feito, e nem houve transparência das informações veiculadas na imprensa. “É indispensável que se apresentem com clareza todas as fontes de financiamento e o verdadeiro destino dos recursos da Previdência e, de forma mais ampla, da Seguridade Social”, dizem.

A Previdência Social, observam, é uma das políticas sociais de maior abrangência exercidas pelo Estado, sendo arriscado analisá-la apenas sob a ótica de receitas e despesas, esquecendo-se de seu papel essencial na redistribuição de renda. “A Previdência Social representa, para os cidadãos empobrecidos, a única diferença entre o desamparo e uma velhice minimamente segura. Além disso, num País de tão intensas desigualdades regionais, há muitos municípios cuja economia local depende dos recursos dos aposentados.”

É inaceitável, dizem os bispos, “uma reforma que se assenta na redução dos direitos dos mais pobres, assim como é inadmissível estabelecer benefícios abaixo do salário mínimo, com valores insuficientes para garantir as condições básicas de sobrevivência, enquanto certos grupos continuam sendo privilegiados.”

Há uma profunda contradição, continua o manifesto, em um modelo que pretende reduzir os benefícios pagos ao cidadão sem que antes sejam cobrados os débitos dos sonegadores e reavaliadas as isenções, para que estas apenas se justifiquem pelo serviço que prestam aos pobres. Do mesmo modo, é necessário um reordenamento nas finanças e no orçamento públicos, com vistas a impedir que recursos da Seguridade Social sejam utilizados para outros fins.

O documento condena a extinção da diferença entre mulheres e homens em seu acesso, por direito, à Previdência. Sobrecarregam-se as mulheres nas atividades domésticas e nos cuidados familiares, além da disparidade salarial que as atinge com maior força. Com efeito, prossegue, não há justiça em tratar de forma igual situações que são eminentemente desiguais. “Nesse sentido, é inaceitável o estabelecimento de uma idade mínima universal. A idade de 65 anos para se aposentar e o tempo de 49 anos de contribuição para se obter o benefício integral são injustos para os trabalhadores, especialmente os do meio rural e aqueles submetidos a condições penosas e extenuantes. Uma idade mínima elevada sacrifica os pobres, que começam a trabalhar mais cedo e têm uma expectativa de vida menor”, dizem os bispos.

E concluem conclamando “os católicos, todos os cidadãos, mulheres e homens, a se empenharem na luta por uma previdência social que cumpra sua função de proteção social para os mais empobrecidos, conforme assegurado na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”.

Além de Dom Walmor, o manifesto é assinado pelo arcebispo coadjutor eleito de Montes Claros, Dom João Justino de Medeiros Silva, que era bispo na capital, e por cinco bispos e bispos auxiliares de Belo Horizonte: Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, Dom Edson José Oriolo dos Santos, Dom Otacílio Ferreira de Lacerda, Dom Geovane Luís da Silva e Dom Vicente de Paula Ferreira. E pelos bispos diocesanos de Sete Lagoas, Dom Guilherme Porto; de Luz, Dom José Aristeu Vieira; de Divinópolis, Dom José Carlos de Souza Campos; e de Oliveira, Dom Miguel Ângelo Freitas Ribeiro.

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23 de Março - Quinta-feira - 08:00

De cara, já confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar do coletivo cubano Los Carpinteros.

Nem mesmo tinha lido na imprensa sobre a exposição que está no CCBB desde o início de fevereiro.

Foi por acaso, ao decidir mostrar o lado turístico de Beagá para a amiga carioca que estava hospedada em casa, que fui parar nesta exposição interessantíssima que mistura carpintaria, arquitetura e design.

Lá, vi violões simulando as fases da lua, vi outros instrumentos musicais derretendo, vi referências políticas, frases bem-humoradas, duas camas de solteiro entrelaçadas como se fossem um viaduto, e mais uma porção de objetos reinventados de maneira, acima de tudo, irreverente. Mas também imaginativa e instigante. Em tempos de tanto mau humor, achei essa exposição cheia de um frescor muito bem-vindo.

Aí estão algumas poucas fotos que fizemos durante o percurso de uma hora:

CLIQUE AQUI para ver as fotos da galeria em tamanho real.

Quer saber mais sobre Los Carpinteros? CLIQUE AQUI e boa leitura! ;)

Serviço:

  • Até quando? 3 de abril
  • Funcionamento: quarta a segunda, das 9h às 21h
  • Gratuito
  • Endereço: Praça da Liberdade, 450
  • Mais informações AQUI

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22 de Março - Quarta-feira - 08:00

Texto escrito por José de Souza Castro:

O blogueiro Eduardo Guimarães foi acordado na manhã desta terça-feira em sua residência em São Paulo por agentes da Polícia Federal que receberam do juiz Sérgio Moro a ordem para que fizessem condução coercitiva dele à delegacia e a apreensão de seu computador, notebook e celular – inclusive o de sua mulher. O juiz da Lava Jato, que já abrira um processo contra o blogueiro por se sentir ameaçado por ele, queria a confirmação do nome da fonte do Blog da Cidadania que há um ano deu o furo sobre a condução coercitiva de Lula.

Ao ser liberado, depois de prestar depoimento, sem confirmar ou negar o nome da fonte já identificada pela Lava Jato, Eduardo Guimarães estava acompanhado por seu advogado, Felipe Hideo, para quem a iniciativa buscava ilegalmente “violar o sigilo da fonte”. Eles foram entrevistados ali pelo site Jornalistas Livres, que divulgou um vídeo que se espalhou rapidamente pela blogosfera [nota da Kika: o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas também emitiu nota oficial se posicionando. Leia AQUIMais tarde, a jornalista Laura Capriglione também gravou vídeo de Eduardo Guimarães sobre o ocorrido. Assista AQUI].

O deputado Paulo Teixeira (PT-S) perguntou a Sérgio Moro sobre a legalidade de exigir do blogueiro o nome da fonte e ouviu do juiz o seguinte: “Ele não é jornalista”. O juiz parece desconhecer que no Brasil não se exige o diploma de jornalista e que Eduardo Guimarães, formado em Direito, criou o blog há 12 anos, onde faz jornalismo.

O comportamento do juiz foi muito criticado por blogueiros, aos quais me alio, e seu gesto interpretado como uma tentativa de calar os críticos da Lava Jato na Internet. Como exemplo, transcrevo trecho do artigo de Luís Nassif, para quem o caso Eduardo Guimarães, “torna-se um divisor de águas – da mesma maneira que o episódio da condução coercitiva de Lula”, que “expõe de forma inédita o uso do poder pessoal arbitrário de Moro para retaliar adversários. Não se trata mais de luta política, ideológica, de invocar as supinas virtudes da luta contra a corrupção para se blindar: da parte de Sérgio Moro, a operação atende a um desejo pessoal de vingança”, afirma Nassif. E prossegue:

“Com seu Blog Cidadania, Eduardo é um crítico implacável da Lava Jato. E autor de uma representação contra Sérgio Moro junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Em represália, Moro entrou com uma ação contra Edu, baseada em uma frase mal construída. Na frase, Edu diz (para o leitor) que as ações da Lava Jato irão ameaçar “seu emprego e sua vida”, referindo-se ao emprego e vida do leitor.

Um Blog de ultradireita da Veja interpretou que “seu emprego e sua vida” referia-se a Moro. Cada vez mais ligado às milícias da ultradireita, Moro aproveitou a deixa para processar Edu.

O Tweet remetia para um artigo onde Edu praticava seu esporte predileto: brigar com outros grupos de esquerda (https://goo.gl/UvpKWo), e mostrar a situação de caos na economia, na qual seriam destruídas o emprego e a vida das pessoas.

Moro atropelou completamente a lei, que diz que um juiz não pode julgar um adversário.”

Não passa despercebido o apoio que Moro vem recebendo de tribunais e do próprio Supremo Tribunal Federal. Nassif destaca: “Depois de sofrer ataques da direita, o Ministro Luís Roberto Barroso resolveu se blindar: tornou-se o principal avalista do Estado de exceção de Curitiba, alegando que a Lava Jato enfrenta um quadro de exceção. Caminha para se tornar o Ministro símbolo do MBL e congêneres, assim como Moro e os procuradores da Lava Jato.”

E Nassif indaga do ministro Barroso se irá se pronunciar agora, justificando:

"A prisão e humilhação de um cidadão brasileiro, a invasão injustificada de seu lar, não obedeceu sequer à real politik da Lava Jato. Foi um ato de vingança pessoal, que atropela normas fundamentais de direitos civis.

Moro se comportou como um imperador, acima das leis, porque, no episódio do vazamento dos grampos, foi tratado acima das leis.

Sua atitude, agora, mostra um sujeito desequilibrado, utilizando o pesadíssimo poder conferido pelo apoio da mídia e de Ministros descompromissados com direitos civis, para exercer o arbítrio em causa própria.

Se fosse contra um jornalista da Rede Globo, o Ministro Barroso permaneceria calado? Certamente, não. Se fica calado agora, endossa a tese do direito penal do inimigo.

No final, fica-se sabendo que a sombra projetada por Barroso é infinitamente maior do que seu verdadeiro tamanho. Se não for contido agora, se a imprensa se calar – porque a vítima é um adversário – estará em marcha definitivamente a escalada do arbítrio."

Nassif citou a Rede Globo. Fui lá no G1, o portal de notícias do Grupo Globo, e até as 18h não havia em sua página de abertura qualquer menção a Eduardo Guimarães. Ao contrário do UOL, portal da “Folha de S.Paulo”, no qual a coluna Mônica Bergamo deu a notícia com algum destaque, sem esconder as críticas a Sérgio Moro feitas pelo advogado do blogueiro e pelo deputado petista Paulo Teixeira. Até as 19h, havia 120 comentários. Entre eles, o de Paulo C. Petraski:

“O Moro endoidou de vez. Abusa de sua autoridade o tempo todo, e sempre diante de alguém ligado ao PT. Nada de imparcialidade e nada de respeitar a lei. Juiz megalomaníaco. Parece que anda com medo de algo. Seria pressão dos golpistas para achar ao menos uma única prova que incrimine Lula e impeça ele de ser mais uma vez presidente do Brasil?”

Uma boa pergunta, e encerro com ela. Sou ignorante em psiquiatria e não sei se Moro endoidou de vez. Mas sei que, se não for contido, ele continuará fazendo mal ao Brasil. E, a partir de agora, aos blogueiros de esquerda.

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