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Esportivamente por Daniel Ottoni
15 de Março - Quarta-feira - 12:54

Em xeque

Clube prefere omitir informações que acabam vindo a público horas depois; último caso foi garantir presença de Fabiana antes informar que retorno não tem previsão

 

 


Fabiana já vinha sentindo dores nas últimas semanas antes de ver situação piorar contra o Rexona (crédito: Divulgação Praia Clube)



A informação da ausência de Fabiana, central do Dentil Praia Clube, nas quartas de final da Superliga, poderia ser mais bem trabalhada pelo time de Uberlândia, que teve na jogadora sua principal contratação para a temporada 2016/2017.

Após o jogo da última rodada da fase de classificação, no dia 10 de março, contra o Rexona-Sesc-RJ, Fabiana deixou a quadra durante o tie-break com dores no pé. Não demorou para que uma fascite plantar fosse constatada. A reportagem de O Tempo entrou em contato com o supervisor Bruno Vilela, no sábado, dia seguinte ao confronto, para saber a gravidade da lesão. Na oportunidade, Bruno garantiu que tratava-se de um problema simples e que Fabiana estaria presente nas quartas de final.

A tentativa de contato com outro profissional do Praia, especializado na área médica, não foi possível. Somente Bruno responderia pelas questões. Nesta terça-feira, Bruno atendeu aos jornalistas e, questionado, mudou seu discurso, já ciente de que a informação passada em um primeiro momento, viria a ser desmascarada em breve. A lesão de Fabiana é mais grave do que o divulgado. Segundo o clube, a recuperação agora depende de como Fabiana vai reagir ao tratamento.

"Vamos ver se ela vai estar conosco nas quartas, na semi, final. Não tem como eu falar se ela vai ficar 15 dias, um mês ou 60 dias fora, depende do tratamento e do organismo dela", declarou o supervisor.

Antes garantida para o confronto de sábado, contra o Brasília, Fabiana dificilmente estará em quadra no primeiro jogo das quartas de final. "Ainda temos mais cinco ou seis dias até esta partida. Ela vai estar em tratamento 24h, com bota, fisioterapia em dois períodos aqui no Praia, tomando remédios. Vamos fazer uma análise para ver o que vai acontecer. É uma lesão chata, machuca muito, dói, é como uma faca entrando no pé. No lance ela forçou muito e acabou estirando. Agora é tratamento, a chance que temos de ela jogar no sábado é de 50%", recuou. Não seria mais fácil falar a verdade desde o começo? Não teria nenhum problema informar que ainda não era possível precisar o tempo em que Fabiana ficaria de fora. Talvez fosse melhor consultar o departamento médico para saber a real gravidade antes de garantir que a jogadora estaria em totais condições de atuar.

Preferiram agir de uma forma, no mínimo, estranha. Não entendo qual seria o problema em informar que uma jogadora X ou Y estaria ou esteve de fora de determinada partida. Entendo o lado de clube de não querer divulgar algumas informações, mas não vejo que este é um caso necessário. 

O histórico do clube de preferir não passar para imprensa e torcedores as informações corretas não vem de hoje. Quando Alix se lesionou em um dos jogos da Superliga e ficou de fora, o clube preferiu omitir a informação no release que costuma ser enviado somente no dia após as partidas. Questionada, a assessoria de imprensa informou se tratar de uma 'opção interna'. Não consigo ver qual o problema em informar algo que será de conhecimento público em poucas horas. 

Preferem esconder até o final, de todas as formas possíveis.

Ainda no primeiro turno da Superliga, Fabiana e Alix ficaram de fora de algumas rodadas. O clube afirmou que as duas estavam sendo poupadas, mas a ausência de ambas se deu em mais de um jogo.

O caso de Fabiana mostra uma postura desnecessária do clube de Uberlândia, que prefere omitir informações ao invés de falar a verdade e ter uma atitude mais profissional. Mais cedo ou mais tarde, o que se tentava esconder é descoberto e o clube acaba agindo contra si mesmo. Para piorar, em um futuro próximo, o que for passado pelo clube não terá a mesma credibilidade em virtude de um histórico recente. Duvidar será a primeira regra quando o assunto for informações vindas do Praia.  

02 de Março - Quinta-feira - 17:59

Valeu a pena

Alta temperatura não fez falta, ao contrário de uma maior presença do público em torneio realizado bem no meio do Carnaval





Sada Cruzeiro teve maior dificuldade na final; resultado garantiu sexta participação seguida do time no Mundial de clubes (crédito: Fredson Souza)



O Sul-Americano terminou com um final esperado (Sada Cruzeiro campeão), assim como os dias que antecederam a decisão tiveram confirmada a previsão de muito trabalho. Nada que nos surpreendesse em uma cobertura de um campeonato internacional. Mas, preciso ser sincero em relação a alguns pontos. Longe de mim querer apontar culpados.

Há anos, não só eu, como muitas pessoas que acompanham o vôlei nacional sabem da força da torcida de Montes Claros. Pude sentir isso de perto, ao vivo, estando presente no ginásio Tancredo Neves. Quem compareceu, fez seu papel muito bem feito, empurrando o time do começo ao fim, gritando o nome da equipe e dos jogadores. Não conheço outra torcida que grita os nomes dos titulares antes de começar a partida, assim como acontece no futebol.

Mas admito que esperava uma presença maior de público no poliesportivo. Talvez eu tenha ido com uma expectativa alta demais. Creio que o período do ano escolhido para o torneio não tenha sido o ideal. Com capacidade para 7.500 pessoas, o ginásio é grande e possui boa estrutura. Quando recebe 2.000 pessoas, por exemplo, parece estar vazio. Situação parecida com a do Mineirinho, quando recebeu o Mundial de clubes. Achei que veria mais gente prestigiando o maior evento esportivo da história da cidade. O time de vôlei participava do principal torneio da sua história e acreditava que o ginásio estaria lotado na maior parte dos dias. O melhor público, de cerca de 5.000 pessoas, apareceu na quarta-feira, superando a marca do dia da final de 1.500 torcedores. Percebam que estou me referindo à quantidade de torcedores e não qualidade da torcida que compareceu, que fez bem seu papel.

O calor pegou, mas só no último dia, quando os jogos aconteceram no início da tarde. Fomos poupados de um desgaste maior no início da competição, quando as partidas aconteciam no final da tarde e início da noite.

A recepção na cidade foi boa e tive oportunidade de conhecer pessoas que só acompanhamos de longe. Estar ali muda tudo e nos faz ver a realidade local com outros olhos. A organização tentou nos ajudar da melhor forma e o saldo foi bastante positivo. Foi legal ver uma cidade do interior mostrando condições e capacidade para sediar uma competição do nível de um Sul-Americano. 

Lamento só a falta de personagens para matérias que saíssem das quatro linhas. Achei que encontraria mais pessoas diferentes, curiosas e chamativas. Talvez tenha faltado um olhar mais cuidadoso do repórter, que ficou mais preocupado com o que acontecia dentro de quadra. O bom é que as coisas boas e ruins ficam de lição, a gente sempre sai de uma cobertura dessa com uma bagagem maior e mais bem preparado para o que está por vir.

 

 

 

 

 

16 de Fevereiro - Quinta-feira - 14:32

Pra guardar

Temperatura em Montes Claros deve ser ainda mais alto no ginásio, que pode ter recorde de público no sábado, dia da decisão valendo vaga no Mundial


Marilyn Triantáfilo, técnica do San Martín, rendeu uma das matérias mais prazerosas na última edição do Sul-Americano, em Taubaté (SP) (crédito: Douglas Magno)

 

Mais um Sul-Americano que se aproxima. A certeza é de boas disputas dentro de quadra, principalmente nos confrontos diretos entre brasileiros e argentinos. Quando os rivais se encontrarem nas semifinais, os jogos prometem ser bons, valendo vaga na final. No dia da decisão, sábado, prevejo um Tancredo Neves lotado e um calor daqueles. Ócios do ofício. Será que temos a chance de recorde de público por lá? Já ouvi que a turma da cidade é fanática com vôlei e torcida organizada é o que não falta. Uma delas coloca seus participantes para usar perucas coloridas. Deve ser algo, no mínimo, curioso.

Claro que os jogos de alto nível estão entre as maiores atrações do torneio. Mas o que mais chama minha atenção é a possibilidade de encontrar personagens diferentes e interessantes, com histórias atrativas para contar. Normalmente, essa turma aparece nos times de menor expressão, em que os jogadores são amadores e a relação com o vôlei é distinta. Os atletas do San Martin, da Bolívia, por exemplo, estão tirando do bolso US$ 650 para disputar o Sul-Americano, já cientes de que dificilmente vão se classificar. Os registros com os astros de times como o Sada Cruzeiro fazem os bolivianos serem fãs antes de adversários.

Lembro de entrevistar um jogador do Bohemios, do Uruguai, no Sul-Americano realizado no Minas Tênis Clube. O cara era jogador nas horas vagas e sua principal função era ser caminhoneiro. Vivia viajando e nem sempre podia treinar com os companheiros. No ano passado, em Taubaté, sem muitas pretensões, descobri que a técnica do San Martin sofria de uma doença degenerativa. Ela não podia acompanhar o time, nos jogos, de pé, por muito tempo. As orientações eram poucas e vinham mais durante os tempos técnicos.

São personagens que aparecem do nada e ficam marcados. Suas histórias não podem ser ignoradas, merecem um texto legal, do nível da sua determinação e exemplos. Dariam, sem muito problema, matérias especiais.

Tenho certeza que muita coisa legal vai aparecer e espero estar atento a tudo para fazer o melhor material possível. Seria muito legal ver Sada Cruzeiro e MOC na final e sentir de perto o Tancredo Neves pulsar. A expectativa é de temperaturas acima dos 30 graus. Isso, fora do ginásio. 

Com encomendas de carnel de sol já feitas, parto com a prioridade de fazer um bom trabalho e tentar conhecer um pouco do Norte de Minas, região em que minha família possui raízes. Mais um evento que surge com expectativa de boas lembranças. 

 

06 de Fevereiro - Segunda-feira - 19:03

Lado a lado

Marco Antônio Queiroga, que está a frente das seleções infanto e juvenil, foi o responsável por apresentar projeto de continuidade ao técnico campeão mundial de clubes

 


Marco Queiroga fez primeiro contato com Luizomar, que já conhecia representantes da federação peruana (crédito: Divulgação - Minas Tênis Clube)


O técnico do Vôlei Nestlé-SP, Luizomar de Moura, terá a presença de um compatriota para desenvolver bem seu trabalho no comando da seleção feminina de vôlei adulta do Peru. Por lá, desde setembro de 2015, está Marco Antônio Queiroga, que levou o time do Minas até a semifinal da Superliga na temporada 2014/2015.

Queiroga coordena as categorias de base do país, sendo treinador da seleção infanto e juvenil. Ele também é técnico do Geminis, equipe que lidera a liga local.

O comando do time adulto era do também brasileiro Mário Marasciulo, que treinou equipes da Itália por muitos anos, além da seleção da Colômbia entre 2012 e 2013. O final de mandato do antigo presidente, em dezembro, coincidiu com a vontade de Mário em estar perto da sua família nos Estados Unidos. A nova gestão, comandada por uma mulher, é do mesmo grupo do presidente anterior e o maior interesse era trazer alguém de respaldo internacional.

"O Luizomar era um antigo conhecido do pessoal da Federação. O Peru sedia cerca de cinco eventos internacionais por ano e os contatos entre ele e representantes peruanos vem de alguns anos.", comenta Queiroga, responsável por fazer o primeiro contato com Luizomar e apresentar o projeto. O nome do ex-técnico do Minas chegou a ser cogitado para assumir a seleção nacional, mas a vontade maior era por um treinador de mais renome.

Em visita a Lima, Luizomar conheceu melhor a equipe de trabalho e acabou fechando o acordo. A proposta é que a seleção adulta recupere o prestígio perdido recentemente. "O trabalho de base não foi bem feito nos últimos anos e isso acabou afetando o time adulto. Agora estamos retomando este processo. Fomos vice-campeões do Sul-Americano infanto realizado no Brasil, perdendo a final para as donas da casa. Temos uma boa geração infanto e juvenil e queremos que estas gerações se desenvolvam para integrar a equipe adulta. O foco principal é a Olimpíada de Tóquio em 2020", pontua Queiroga. 

Antes disso, outros torneios se tornarão prioridades, caso do Mundial de 2018 e do Pan de 2019. Queiroga será assistente de Luizomar quando a agenda permitir, o fazendo ter uma função ainda maior dentro do vôlei feminino peruano. "A ideia é de continuidade. As coisas estão caminhando bem e boa parte das atletas da minha equipe fazem parte da seleção", completa.

 

 

03 de Fevereiro - Sexta-feira - 14:45

Oceano separando

Exposição de patrocinadores e video-check são apenas algumas das situações que poderiam ser aproveitadas, há alguns anos, pela CBV

 

 

Marca na rede é uma das alternativas que foi encontrada pelos italianos para dar retorno a um dos patrocinadores (crédito: Legavolley.it - Divulgação)



Vendo as semifinais e a final da Copa Itália, em Bolonha, foi inevitável não pensar nas diferenças que existem no país da Bota para o nosso Brasil. A quadra é repleta de patrocinadores, o espaço dentro e fora dela é muito bem usado comercialmente. As empresas que têm seu nome e sua marca expostos ali devem sorrir de orelha à orelha ao ter a certeza da ampla divulgação e de como o retorno está acontecendo, na prática.

Nas arquibancadas, todas as cadeiras ocupadas com uma torcida fanática, com animadores de costas para a quadra usando megafones para animar os outros torcedores. Dentro das quatro linhas, times que existem há anos representando suas cidades, fazendo parte da liga italiana e das principais competições do país há decadas, ininterruptamente. Nada de dúvidas após uma temporada. A prefeitura apoia e o time tem a garantia de participação ano após ano, realidade que não é muito comum por aqui.

Para fechar a conta, o video check, ferramenta que permite o replay de lances duvidosos e que á é usada nos campeonatos locais há alguns anos. Tirando, em partes, a comparação com o ginásio cheio, uma vez que o Taquaral recebeu bom público nas edições masculina e feminina da Copa Brasil, as diferenças de lá para cá são grandes e me fazem pensar nas condições que temos de fazer algo parecido.

As possibilidades existem, mas seguem sendo mal aproveitadas. O video check já foi usado em algumas oportunidades por aqui, mas parece que o alto investimento faz com que ele seja ignorado. Na minha visão, deveria ser uma das prioridades da CBV, que recebe uma boa quantia dos patrocinadores todos os dias. Isso traz credibilidade para o campeonato e 'força' os jogadores a admitirem toques no bloqueio, algo bastante raro no Brasil. Se a imagem vai pegar o lance, o jogador, quase que imediatamente, reconhece que a bola resvalou em sua mão. Já que não vai por bem, vai por mal.

Apenas para adicionar mais um detalhe. Discordo veementemente de quem diz que temos por aqui o melhor campeonato do mundo. Na Itália, quase todos os times contam com representantes das seleções de nível um e dois do mundo. Os dez primeiros colocados mostram um nível de jogo bem superior se comparados com os de mesma posição dentro do Brasil. Em nossas terras, o alto nível aparece de forma mais frequente nos quatro primeiros colocados e para por aí.

Se formos comparar a segunda divisão de lá com a daqui então. Muitos brasileiros não pensam duas vezes antes de jogar a série B italiana, sabendo da oportunidade de crescimento pessoal e profissional que terão fora do país. É melhor atuar em um time da divisão de acesso de lá do que em uma equipe de elite, mas de meio de tabela no Brasil.

Longe de mim querer fazer com que nossa liga tenha todas as características da italiana de uma hora pra outra. Mas muita coisa pode ser usada e não vejo boa vontade para isso. Algumas mudanças poderiam aparecer aos poucos para outras aparecerem posteriormente. A cada ano, não vemos modificações, nos obrigando a pensar nos motivos de tantas diferenças, que poderiam ser diminuídas. Este deve ser a 18ª que escrevo sobre o assunto. Ainda tentando entender o sentimento de estarmos parados no tempo.

Mascotes com marcas de patrocinadores, que também aparecem na quadra, são uma sugestão possível de ser usada na Superliga brasileira (crédito: Legavolley.it - Divulgação)



 

 

27 de Janeiro - Sexta-feira - 17:24

Para ir além

Vice de Carlão desde 2013, Tomás Mendes chega para o maior compromisso da sua carreira





Carlão passou o 'bastão' para Tomás no último dia 26 (crédito: Poliana Serra)


Depois de mais de duas décadas, a Federação Mineira de Vôlei terá um novo comandante. Um respiro aparece com a juventude de Tomás Mendes, de apenas 31 anos, que assume a entidade para um mandato de quatro anos. Tomás era vice de Carlos Rios, o Carlão, desde 2013 e terá Marco Túlio Teixeira, da Confederação Sul-Americana, lhe dando um importante apoio na nova caminhada. 

A história de Tomás mostra sua dedicação. Entrou na FMV pedindo uma vaga de estágio para Carlão, que estendeu a mão ao jovem que teria um longo caminho pela frente.

Depois de trabalhar no departamento técnico da federação, Tomás passou pelo Olympico antes de ganhar experiência no futebol como gerente do Mamoré na campanha do acesso à elite em 2009. Tomás também ganhou experiência na função pública ao ficar por três anos como secretário municipal de esportes de Itaúna.

Seu vínculo com o vôlei nunca cessou e voltou com todo vapor em 2013. Nos últimos anos, a FMV, na maioria dos eventos, teve Tomás como seu representante. A impressão que tive foi que Carlão permitiu que Tomás ganhasse mais visibilidade e reconhecimento por parte dos filiados. Autorizou que ele marcasse presença para mostrar seu valor, fazer contatos e começar a trilhar seu caminho, que atinge agora um grande momento. 

A posse de Tomás aconteceu na tarde de 26 de janeiro e Carlão, em seu último ato, conseguiu segurar a emoção. Limitou-se a agradecer pelo apoio e parceria dos últimos anos, quando conseguiu manter a entidade com lisura, tornando-a uma das principais do país em um Estado apaixonado pelo vôlei.

A realização de eventos de relevância como o Mundial de clubes e os títulos dos times mineiros trouxeram uma responsabilidade e um orgulho a mais para a FMV.

Carlão sai feliz por nunca ter visto seu nome ou a federação envolvida em algum tipo de escândalo, que faz a credibilidade de décadas ir por água abaixo em segundos. Mesmo com as dificuldades de sempre em um esporte que poderia ter mais investimento, Carlão conseguiu fechar as contas e fazer a coisa andar.

Um dos grandes desafios de Tomás será fazer o Mineiro de vôlei feminino adulto reaparecer. Nos dois últimos anos, ficou pelo caminho, pela diferença técnica entre os favoritos Praia e Minas para os demais times interessados. "É preciso uma terceira força", afirma o novo presidente.

O que posso fazer é desejar sorte para os novos desafios que já aparecem para Tomás e Marco Túlio. Terão muito trabalho pela frente, mas a motivação de ambos faz com que a expectativa seja positiva. Claro que manter os caminhos de Carlão seria bom, mas o maior objetivo deve ser ir além. Não se podem dar por satisfeitos pelo que foi feito. Ainda há mais por vir e é preciso correr atrás para alcançar novos patamares.

Antes dividido com a FMV e a presidência da COBRAV (Comissão Brasileira de Árbitros de Vôlei), Carlão agora ficará encarregado, somente, da instituição responsável pelos árbitros do vôlei nacional.

 


 

17 de Janeiro - Terça-feira - 14:32

Desafio

Apesar de já ter feito bons trabalhos, Renan Dal Zotto não foi unanimidade entre boa parte dos amantes da modalidade




Renan está há oito anos sem treinar um time profissional (crédito: CBV - Divulgação)


A era Bernardinho pela seleção brasileira masculina de vôlei chegou ao fim. Para ele, já era hora de ter novas prioridades. A divisão entre o time feminino
de vôlei do Rio de Janeiro e a seleção exigia demais. Foram anos seguidos com uma rotina que o impediu de acompanhar de perto o crescimento das filhas como
gostaria. Fernanda Venturini certamente sentiu falta do marido em diversas ocasiões.

Agora, ele terá um pouco mais de tempo para sua família. Melhor será quando a Superliga acabar. Enquanto estiver em andamento, a competição exige viagens e
treinos, mas o tempo de Bernardo em casa, após a decisão divulgada recentemente, será maior. Bernardinho deve ter respirado aliviado ao saber do tempo extra
que terá para aproveitar a vida fora da quadras. Longe dele ter sido infeliz na seleção, onde ganhou tudo, mais de uma vez. Bernardinho foi o cara da seleção
nos últimos anos. Dificilmente o time chegaria onde chegou sem ele.

Agora aparece o momento de um substituto tomar o lugar e ter o grande desafio de manter tudo que foi feito. Renan Dal Zotto foi o escolhido. Fui pego de
surpresa, mas não achei a decisão errada ou absurda. Alguns nomes poderiam ter sido escolhidos, caso de Marcelo Mendez, técnico do Sada Cruzeiro ou de
Rubinho, assistente de Bernardinho nos últimos anos. Acredito que o último seria uma aposta natural.

Mas parece que outros fatores influenciaram para a decisão por Renan. Há oito anos sem treinar um time, ele precisará de um período de adaptação. Capacidade ele já demonstrou possuir, treinando times de dentro e fora do Brasil. Acredito na sua competência para seguir o caminho de vitórias do vôlei brasileiro. Material humano ele terá nas mãos, pelo menos em boa parte das posições. Caberá a Renan fazer algumas apostas já pensando em renovações.

Bernardinho poderá fazer o papel de conselheiro nos primeiros meses, mostrando atalhos para se chegar ao objetivo final com menos sofrimento. Depois de algum tempo, será hora de Renan conduzir o trabalho com as próprias pernas, podendo calar muitos que criticaram sua escolha.

Ao mesmo tempo, ele poderá decepcionar tantos outros que estão com expectativa de que tudo que Bernardinho construiu seja repetido. Isso eu acho que dificilmente irá acontecer. Se o Brasil se manter entre as potências do vôlei mundial, não deixando de ganhar importantes títulos e mostrando um vôlei de alto nível, o papel inicial de Renan estará sendo bem cumprido. O desafio será grande.

Renan está no meio há décadas, conhece os jogadores e o que é preciso para fazer um time vitorioso. Prefiro esperar, observar e torcer para depois falar
isso ou aquilo. 'Soltar os cachorros' agora é fácil e pode ser prematuro. Evito tomar posições definitivas para não ter que me reposicionar lá na frente,
dando algumas justificativas para reconhecer o erro. O melhor agora é aguardar. Renan pode dar certo ou não, mas não vejo como incabível sua escolha, mesmo com os critérios dando mostras de não terem sido puramente técnicos.

09 de Janeiro - Segunda-feira - 12:15

Finalmente

Com recursos do CBC, Mackenzie inaugurou novo piso do seu ginásio em evento que contou com participação de presidentes de clubes e de Bebeto de Freitas, novo secretário municipal de esportes de BH



 Novo piso foi elogiado por quem teve o priviléio de testá-lo no último sábado (crédito: Divulgação - Mackenzie)

A longa carreira dentro do mundo esportivo não impede que Bebeto de Freitas, novo secretário municipal de esportes de Belo Horizonte, continue vendo fatos inéditos. O mais recente deles aconteceu no último sábado (7), no Mackenzie, um dos clubes mais tradicionais da capital mineira. Assim como presidentes de vários outros clubes de BH, Bebeto esteve presente para acompanhar a inauguração do novo piso do ginásio e também do elevador do Mackenzie.

Os R$ 402.000 usados no piso, que foi bastante elogiado por quem já teve o privilégio de inaugurá-lo, vieram do Comitê Brasileira de Clubes (CBC), uma entidade desconhecida por muitos, mas que faz um importante trabalho para que recursos federais cheguem aonde devem.

"É a primeira vez que vejo uma verba como esta chegar exatamente onde deveria. Muitas vezes, no Brasil, quando as coisas acontecem de cima para baixo, elas param no meio. O caso aqui foi diferente, com o recurso chegando no seu destino final. Tenho mais de 40 anos de esporte e não me lembro de ter visto algo parecido. Este novo piso é um simbolismo deste trabalho, que eu não acreditava mais que fosse possível de acontecer", admitiu Bebeto.

Inauguração contou com presença de presidentes de vários clubes e também do mandatário da CBC, Jair Pereira (crédito: Wagner Liberato)


Com experiência dentro e fora do Brasil, ele sabe bem as dificuldades que muitos clubes passam no cenário nacional. "É fundamental que todos tenham conhecimento destas iniciativas, isso precisa ser salientado. Poucos sabem, a fundo, a crise que o esporte no Brasil atravessa. A chegada destes recursos possibilita, ao menos, que os clube respirem, tendo condições de obter novos equipamentos e materiais. Temos que enaltercer o que O CBC faz, é algo excepcional", elogia.

Recentemente, outros clubes foram beneficiados com a descentralização dos recursos, caso do Olympico, que usou a verba para pagar seus funcionários e do Minas Tênis Clube, que receberá R$ 5 milhões para "viabilizar a contratação de equipes técnicas e multidisciplinares por um período de quatro anos, já cobrindo o próximo ciclo olímpico. Com isso, o clube conseguirá subsidiar os salários de 28 profissionais entre técnicos, preparadores físicos e fisioterapeutas", como cita o site da entidade presidida por Jair Alfredo Pereira, um dos presentes no Mackenzie no último sábado. De todo o valor arrecadado com os jogos de loteria no Brasil, 0,5% são destinados ao CBC. 

 



Carlos Rocha, presidente do Mackenzie, ao lado de Bebeto de Freitas, que enalteceu a chegada da verba para benefício do esporte mineiro (crédito: Wagner Liberato)

 

19 de Dezembro - Segunda-feira - 11:49

Inevitável

Primeiras utilizações mostraram-se confusas, apesar do grande potencial de contribuição para resultados mais justos


(Novo presidente da FIFA, Gianni Infantino, mostrou mente aberta para uso de instrumentos no futebol. Crédito: Roslan Rahman - AFP)



O futuro, próximo ou não, fará com que quase toda modalidade esportiva que não tenha a tecnologia envolvida de alguma forma, torne-se obsoleta e alvo de críticas por fechar os olhos para algo tão essencial. A cada ano, a presença de instrumentos que possam ajudar no decorrer da partidas vai se mostrar necessária. E, por favor, sem esse papo de que as discussões sobre lances duvidosos fazem a graça do esporte. A graça é no mérito, na justiça. E, para isso, a tecnologia será fundamental.

No tênis já acontece com frequência, assim como no basquete (para ver se a bola saiu antes do fim do tempo das mãos de um jogador), na natação e até no vôlei. Neste último, caminha em passos lentos dentro do Brasil, já tendo sido vista em finais de Superliga e com mais frequência em países como Itália e Polônia.

A bola da vez é no futebol. Mal começou a ser usada e já apresenta problemas e polêmicas. Para começar, não sei se a utilização dentro do Campeonato Mundial de clubes foi uma opção acertada. Há de se saber, ainda, se houve uma preparação adequada antes desta competição. O ideal seria em campeonatos menores, de menos repercussão.

Os incidentes que aconteceram no Japão mostraram que o treinamento não foi o ideal. No primeiro caso, o árbitro tomou a decisão acertada, mas dois minutos após o lance ter acontecido. Ele não poderia nunca ter sido avisado tanto tempo depois da jogada. Se é para ser justo, que se aguarde o tempo que for necessário (mesmo com um período curto sendo o ideal) para evitar o constrangimento de voltar atrás. E se algum outro lance, como expulsão ou gol tivesse acontecido neste meio tempo? Seria anulada a decisão? Ia ficar feio demais. A sincronia com os árbitros de vídeo é essencial para o bom funcionamento. 

A tecnologia no futebol tem tudo para ser uma verdadeira 'mão na roda' e ajudar em lances duvidosos, como impedimentos, bolas que entraram ou não no gol, bolas que saíram ou não pelas linhas laterais e de fundo e, até mesmo, em lances dignos de cartões. A ideia é muito boa e será útil, mas precisa ser bem implementada. É necessária uma preparação intensa para, quando for ativada, mostre todo seu potencial, sem interrupções excessivas que possam colocar em xeque algo tão valioso.

O uso precoce ou incorreto gera falta de credibilidade, que pode afetar a boa vontade para que sua permanência siga em aberto. O bom disso tudo é o interesse do novo presidente da FIFA, o suíço Gianni Infantino, em contar com a tecnologia. Isso já mostra uma mentalidade diferente, algo que ainda não é muito comum de se ver no futebol, principalmente no Brasil. Será necessário algum tempo para que os torcedores se acostumem com lances que deverão 'voltar atrás' para que a melhor decisão seja tomada.

Oportunidades não faltarão para que a tecnologia no futebol seja testada e aprovada. Não vejo outro caminho.

 


 

16 de Dezembro - Sexta-feira - 17:05

Pedindo passagem

Comparação com o vôlei tornou-se inevitável em transmissão ao vivo; diferenças abrangem informações em tempo real e ações com patrocinadores





  (Equipe que trabalha nos bastidores dos jogos transmitidos pela internet vai além de narrador, repórter e comentarista. Crédito: Arquivo pessoal)


Participar da transmissão de um jogo ao vivo nos faz perceber de uma outra forma coisas que já sabíamos há algum tempo. Na última quinta-feira (15), fui convidado pela Liga Nacional de Basquete (LNB) para comentar o jogo do NBB entre Minas e Mogi das Cruzes-Helbor-SP. A transmissão da partida aconteceu pela internet, na página da LNB no Facebook. Fui como convidado para comentar o jogo ao lado do ex-jogador Cadum Guimarães. A narração é de Gerson Júnior e a reportagem de Giovanna Terezzino. A recepção foi muito legal e a experiência valiosa.

Não é todo dia que se está ao lado de um cara que participou de quatro Olimpíadas e dois Mundiais. Cadum foi, ainda, campeão do Pan-Americano de 87, ao lado de Oscar, em uma das vitórias mais importantes da história do basquete brasileiro.

O belo trabalho da Liga aparece e não é de hoje. Desde que assumiu o maior torneio do país, a evolução é nítida e os responsáveis mostram boa capacidade para saber aproveitar as oportunidades que aparecem. Estatísticas dos jogos em tempo real, a realização do Jogo das Estrelas e a própria transmissão de vários jogos dão mostras de como a coisa é bem conduzida.

No intervalo de cada transmissão, por exemplo, uma espécie de quizz com jogadores de um determinado time sai do lugar comum. O quadro leva o nome de um patrocinador, assim como jogadas de destaque dos jogos.

As ideias mostram que a Liga consegue trabalhar bem com as alternativas que têm à disposição. Isso em uma realidade de entrada e saída de patrocinadores, que não desanimam quem sabe que está no caminho certo. O basquete nacional tem evoluído dentro e fora de quadra e segue no caminho certo para ser o segundo esporte nacional.

Este posto ainda é do vôlei, na minha avaliação. Já escrevi sobre isso e ainda não consigo entender como a Superliga, com todo seu potencial, não realiza ações parecidas e disponibiliza serviços mais atrativos para a torcida e imprensa. A diferença é grande. Poucos jogos chegaram a ser transmitidos pela internet há poucas temporadas, mas a ideia não deu certo. Tenho certeza que os patrocinadores do vôlei nacional adorariam intervenções, com suas marcas sendo expostas em alternativas diferentes e atrativas. A coisa parece não sair do lugar.

As diferenças aparecem, também, nas informações dos jogos em tempo real e o Jogo das Estrelas. Só fico imaginando como seria legal realizar um evento como este no võlei com tantos campeões olímpicos por aqui. É muita coisa boa para se abrir mão.

Não é a primeira vez que falo isso e acredito que nem será a última. Mas, enquanto estiver vendo tudo isso de tão perto, não vejo algum em apontar e tentar entender os motivos. O potencial é enorme dos dois lados, mas parece que segue em ritmo bastante diferente.



Presença em várias praças do basquete brasileiro faz trabalho da Liga crescer a cada jogo (crédito: Arquivo pessoal)