Recuperar Senha
Fechar
Entrar
Esportivamente por Daniel Ottoni
19 de Fevereiro - Segunda-feira - 11:40

Vai ou fica?

Jogador garante que vai esperar final da temporada para, só então, começar a negociar com clubes interessados

Leal pode fazer com que o Sada Cruzeiro tenha que ir ao mercado para repôr sua perda; efeitvação de Rodriguinho no time titular também é opção (crédito: Renato Araújo)



As especulações em torno do futuro do ponta Leal, do Sada Cruzeiro, crescem a cada dia. Veículos estrangeiros já dão como certa a proposta de equipes de fora do país, que podem fazer com que o cubano-brasileiro repense sobre sua sequência no vôlei brasileiro. Após o jogo contra o JF Vôlei, na última sexta-feira, aproveitei a presença do jogador para saber o que existe de real nesta história toda. Sondagens não são novidades para ele, mesmo na época em que seu contrato estava longe de se encerrar com o time cruzeirense. A boa relação que existe com a diretoria azul pode ajudar para a permanência de Leal, além do ambiente favorável que o cerca, dentro e fora de quadra, em Belo Horizonte.

Mudar para a Rússia, por exemplo, implicaria em uma nova rotina para o jogador, que precisaria se adaptar a uma série de fatores diferentes. Nada de outro mundo, mas uma novidade que seria motivada por um salário de se fazer pensar bem na decisão a ser tomada. 

"Não estou sabendo de nada, estou apenas concentrado no Sada Cruzeiro. Após o final da temporada, começo a pensar no meu futuro", afirmou. Tentei insistir, mas Leal mostrou-se relutante para falar pouco sobre o assunto. "Estou disposto a ouvir propostas para tomar a melhor decisão, seja ela ficar ou ir embora", resumiu.

No Sada Cruzeiro há seis temporadas, Leal é uma das principais peças do elenco, tendo sido fundamental na trajetória de sucesso com as conquistas de três Mundiais, quatro Sul-Americanos e cinco Superligas. O Sada Cruzeiro já deve estar atento á situação para sair na frente e ganhar tempo. Meu palpite é 50% de chance de permanência. As cifras milionárias e um novo desafio podem mexer com a cabeça e o bolso do jogador, que teria uma oportunidade de jogar em um outro campeonato para seguir evoluindo e comprovando porque é um dos melhores do mundo na sua posição.

 

08 de Fevereiro - Quinta-feira - 15:59

Além do mau futebol

Atitude intempestiva de Oswaldo de Oliveira pode criar pressão ainda maior em uma temporada que mal começou

 

   Oswaldo de Oliveira afirma nunca ter sido ofendido na carreira como na noite desta quarta-feira (crédito: Reprodução)


Admito que fiquei surpreso com a atitude de Oswaldo de Oliveira. Por mais que alguns incidentes anteriores já tenham acontecido, o perfil do treinador carioca é outro, de um cara educado, cortês e até boa praça. Por maior que seja o poder para que um incidente mude toda a impressão que temos de uma pessoa, não será este o caso comigo.

No entanto, isso não impede o repúdio sobre o acontecido na noite desta quarta-feira após a classificação suada do Atlético em Rio Branco (AC). Mesmo se Léo tenha mencionado um palavrão, Oswaldo precisaria ter o sangue frio necessário para evitar o vexame que foi visto e divulgado. O jornalista afirma ter apenas dito que estava fazendo seu trabalho.

Gomide é um dos poucos que possui uma postura corajosa de fazer perguntas que poucos querem ouvir. É uma exceção entre tantos que cobrem o futebol mineiro. Sabemos bem como isso incomoda. A ponto do assessor do clube chamá-lo de babaca para tentar 'amenizar' os ânimos exaltados do técnico. Uma atitude longe da ideal para aquele momento de tensão. Oswaldo chegou a ser avisado sobre o perfil de Léo quando chegou ao Atlético, como se fosse alguém perigoso que marcasse presença diária no CT. Se fosse para apenas termos as perguntas desejadas em coletiva, a presença da assessoria seria suficiente. O papel da imprensa passa por contestar e Léo faz isso como poucos, por mais que esta seja a obrigação de todos.

O que se viu do treinador foi algo bem pior do suposto xingamento proferido. Ele abandonou a entrevista por alguns instantes para partir pra cima, provocar,insultar e quase ir para as vias de fato. 'Só você que ouviu isso', retrucou Gomide. Não creio que ele falaria o que Oswaldo acha que ouviu. A assessoria do treinador afirma que o xingamento foi algo pior do que se vê nas arquibancadas. Quanto exagero...

O próprio assessor do clube, que estava ao lado, tomaria alguma atitude naquele momento, creio eu. Oswaldo pode muito bem ter se confundido. Talvez tenha sido traído e tomou uma ação intempestiva e desnecessária. Até agora nada foi provado sobre a palavra que Gomide teria proferido. Foi apenas a gota d´água de um incômodo que começou há alguns meses e seguiu durante a coletiva. Sua postura aguerrida, com perguntas fora do padrão, incomodam. Léo nem havia terminado sua pergunta quando foi interrompido pela falta de paciência do treinador. Como o jornalista mesmo disse, ele tem o direito de embasar sua opinião em suas próprias impressões. Oswaldo contestou e deixou claro que o profissional deveria apenas fazer perguntas. Errou neste argumento.

Faltou bom senso a Oswaldo para contar até 10 e responder qualquer coisa que fosse, mas de forma educada, mesmo não concordando com tudo que havia acabado de ouvir. Uma cena que ganhou o mundo e que serviu apenas para deixar o ambiente no Atlético, em má fase mesmo no começo de temporada, ainda mais conturbado.

Em uma decisão arbitrária, o Atlético proibiu Gomide de acessar o CT até segunda ordem. Se for impedir cada um que cause incômodo de entrar na Cidade do Galo, é possível que tenhamos situações parecidas em um futuro não muito distante. Isso não resolverá nada, pelo contrário. Não é esta a forma de se tentar remediar situações como a ocorrida recentemente.

Mesmo com toda a proteção que o clube tenta dar ao treinador, sua situação não será favorável daqui pra frente. O time, que não mostra evolução alguma na temporada, precisará de uma nova postura para impedir que uma pressão, que parece inevitável, se torne ainda maior. Será neste ambiente, criado por ele mesmo, que Oswaldo precisará fazer o time começar a jogar, antes que sua condição torne-se insustentável. O desejo de Oswaldo e Léo, para que uma pedra seja colocada sobre o assunto, também é o meu. Espero que o incidente sirva de lição para se entender o papel do jornalista e para que quem convive neste meio ter a ciência da sua obrigação de apenas responder, sem o direito de agredir repórteres verbal e fisicamente, evitando demonstrações de destempero com quem apenas realiza seu trabalho.


 

29 de Janeiro - Segunda-feira - 15:26

Chance perdida

Entidade pretende retomar conversar com responsáveis por comandar partidas somente quando novo presidente da COBRAV for conhecido

 

Árbitros de Minas Gerais não entraram na briga contra a CBV (crédito: Orlando Bento)

Não são somente torcedores (as), jogadores, técnicos e clubes que têm suas reclamações contra a CBV. Para completar o hall de participantes diretos da Superliga que sabem que podem ter um outro tipo de retorno e tratamento da entidade que organiza a Superliga, os árbitros também entraram nesta lista. Nos últimos meses de 2017, duas reuniões (a primeira em outubro) foram realizadas entre representantes da arbitragem de São Paulo com a Confederação. Eles solicitavam uma nova remuneração, tendo apoio da Federação Gaúcha de Vôlei. Árbitros de outros Estados preferiram não aderir ao protesto.

A ideia era que os árbitros pudessem receber parte do valor de R$ 1,5 milhão que a CBV recebe da Sky. A operadora de TV é uma das patrocinadoras da Superliga e sua marca é estampada no uniforme dos árbitros, que não recebem nada em relação a direito de imagem e pedem um reajuste que não aparece há três anos. Já na temporada passada, os árbitros pediram um retorno da CBV sobre o assunto e foram ignorados. "Pedimos, por escrito, uma cópia do contrato. Os atletas cedem seu direito de imagem e isso não é feito com os árbitros. Não temos conhecimento do teor e do que diz o contrato da CBV com a Sky. Se isso não pode se tornar público, ok, mas internamente não vejo motivo para não sabermos o que está escrito. Fica parecendo que existe algo estranho e obscuro, a gente fica tentando entender o motivo disso. Os atletas são as figuras principais de um jogo de vôlei, mas o mínimo que deve ser feito é respeitar a figura do árbitro", afirma Carlos Cimino, presidente da Federação Gaúcha de Vôlei. "Mesmo existindo cláusulas de confidencialidade, a CBV demonstrou aos árbitros o percentual referente a publicidade nas camisas", garante Radamés Lattari, diretor de competições de CBV. A informação é sumariamente negada pelos árbitros, que garantem que tiveram somente uma informação verbal, que não acabou sendo comprovada nos documentos pedidos. Se a CBV fez questão de não informar de forma oficial, abre-se a suspeita sobre o que foi passado. 

Após as duas reuniões (a segunda, inclusive, contou com representante da parte comercial da CBV), foi prometido um retorno oficial até 31 de dezembro, o que não aconteceu. A desculpa para o novo atraso foi o recesso de final de ano, o que não convenceu os representantes da arbitragem. Na minha visão, custava pouco dar um retorno, mas não foi a primeira vez que a entidade preferiu 'empurrar com a barriga' e ganhar tempo. A situação parece que vai persistir, apesar de algumas ameaças dos árbitros, que chegaram a afirmar que usariam a tradicional camisa branca, sem a logo da SKy, caso não tivessem os pedidos atendidos. 

Há duas temporadas, os árbitros foram surpreendidos quando a CBV recolheu as camisas, que foram retornadas com a logo da Sky, sendo informados que aquele seria o uniforme padrão da arbitragem dali em diante. O acordo de um contrato de exploração comercial na camisa dos árbitros fez a classe se sentir no direito de ser ressarcida de alguma forma. Nenhum tipo de autorização foi dada neste sentido. Depois de uma temporada inteira sem nada acontecer, situação semelhante aconteceu no campeonato seguinte. Três meses antes da atual temporada começar, os árbitros informaram à CBV de que tal prática era irregular, solicitando que providências fossem tomadas. "Quando a CBV nadava em águas tranquilas, nada foi feito. Agora, a desculpa é sobre a crise econômica. Estamos apresentando um leque de reinvidicações que foi esquecida com o passar dos anos", pontua Cimino.

Fiquei na esperança de ver a coisa ser colocada em práticas mas as últimas informações que tive foi que uma nova reunião entre as partes estava prestes a acontecer. Acompanhando de perto, admito que fiquei desapontado quando soube que os árbitros estavam esperando a presença de representantes da CBV, a exemplo do seu presidente Walter Toroca, para que novas negociações acontecessem. Em uma semana, a parte da CBV estava viajando, na outra não tinha agenda, e por ai vai. Se forem depender da boa vontade e interesse da CBV para sentar, conversar e ter os pedidos atendidos, acho que pouca coisa vai sair do lugar.

Acredito que seria necessária uma atitude mais drástica, como a que foi divulgada em nota assinada por Dalmir Medeiros, presidente da Associação de Árbitros de São Paulo e membro da Comissão Brasileira de Árbitros de Vôlei (COBRAV). Acabou que nada se concretizou e a CBV ganhou um tempo precioso. Uma das solicitações que defendo é da atualização dos árbitros. Sabemos que eles possuem outras profissiões e não costumam passar por cursos e palestras para estarem mais bem preparados. A CBV insiste em dizer que a arbitragem brasileira (e também a sua liga) está entre as melhores do mundo. No entanto, erros seguidos em quase todas as rodadas e melhorias que sempre estão por vir me fazem ver a situação com outros olhos.

Concordo também com o pedido para que o novo presidente da COBRAV seja um ex-árbitro internacional de renome. Carlos Rios, ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (FMV) teve seu nome contestado pelos paulistas e gaúchos. Não demorou para que ele entregasse seu cargo. A CBV ainda procura por um novo nome. Até lá, Carlão segue no posto. Esta é uma outra situação que também não deve apresentar pressa para ser solucionada, servindo de argumento pela entidade para que tudo se mantenha como está. "Assim que for definido o novo nome da Cobrav, as conversas vão ser retomadas", afirma Radamés. "Não temos nada contra a pessoa do Carlão, mas sua presença na CBV é meramente política. Ele não tem condições de exercer o cargo pelo simples fato de nunca ter sido árbitro, por isso o nosso pedido", comenta Cimino.

Com passos de tartaruga, seguimos caminhando lentamente neste assunto, que tinha tudo para gerar uma pressão maior sobre a CBV, despertando novidades necessárias. A impressão é que os representantes da arbitragem preferiram esperar e dar um passo atrás, quando tinha quase tudo engatilhado para bater de frente.

Até quando? Claro que eu não poderia deixar de perguntar à CBV sobre o desafio. A resposta foi clara e longe do que gostaríamos de ler. Talvez tenhamos mais alguns anos de erros e retrocesso pela frente. "O desafio é uma ferramenta muito importante nos dias de hoje, mas devido ao seu custo elevado se torna inviável para a maioria dos países. Em outros campeonatos do mundo, só existe o desafio em dois: no italiano e no polonês. Porém, nestes países, cada clube compra o seu. Se conseguíssemos fazer o mesmo aqui, com cada clube brasileiros participante comprando o seu, o problema estaria resolvido", sinaliza Radamés.


 

08 de Janeiro - Segunda-feira - 14:25

Pano pra manga

Jogadora tem se destacado após três rodadas na Superliga; autorização pode ser revista em breve

 
 
Tiffany teve atuação acima da média nos seus três primeiros jogos na Superliga; elá já havia atuado no vôlei italiano antes de jogar no Brasil (crédito: Divulgação - Vôlei Bauru) 
 
 

Muitos foram os comentários e postagens nas últimas semanas, dentro do vôlei, sobre a presença da transsexual Tiffany, mais nova contratada de Bauru. Depois
de apenas três jogos pelo time, ela assumiu a liderança no ranking de jogadoras com melhor média de ponto. Já a colocaram num patamar muito alto e é preciso
calma para batermos o martelo para dizer x ou y. Pra começar que os adversários enfrentados por Bauru (Fluminense, Pinheiros e São Caetano) não estão na prateleira de cima do cenário nacional. Talvez pode ser interessante esperarmos um pouco mais para ver seu desempenho, inclusive, contra times de maior qualidade, investimento e experiência. Se ela continuar bem, vai merecer ainda mais aplausos.

Em segundo lugar, alguns falam que ela parece levar vantagem sobre as atletas pelo fato do seu porte atlético ser privilegiado. Pelas pesquisas que fiz e textos que li, minha visão é que o nível de testosterona ser diminuído não me parece ser algo suficiente para ela estar no mesmo nível da maioria das adversárias. Ao que parece, seria necessário um tempo maior neste período de redução dos hormônios para que uma igualdade fosse mais nítida.

Gostaria muito de vê-la jogando inloco para ter uma posição mais bem definida, essa oportunidade deve aparecer em breve e espero aproveitá-la. Quem é a favor
dos LGBT´s costuma criticar quem não aprova a presença de Tiffany. A regra afirma que o nível de hormônio a permite jogar na competição e isso basta
para sua participação. No entanto, esta regra pode não estar totalmente correta, talvez precise de algumas adaptações. Os próprios médicos que a liberaram
pensam em reconsiderar a posição. "Talvez a regulamentação tenha de ser revista, ser um pouco mais criteriosa", comentou o médico Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Unifesp em entrevista à Revista Veja. O coração e outros órgãos de Tiffany possuem o tamanho que aparecem em homens, o que pode fazer com que ela tenha vantagem sobre as oponentes em muitos momentos.

Resumir sua participação somente ao nível de hormônio me parece pouco. Longe de mim ser especialista. E para isso, é preciso conversar com quem
entende do assunto. "Ela passou boa parte da vida com uma produção hormonal muito maior do que uma produção hormonal feminina. Isso acaba influenciando no tamanho dos órgãos, coração, pulmões, a parte óssea, ou seja, as alavancas do aparelho locomotor. Então, isso cria diferenças em relação às mulheres e faz com que ela tenha um desempenho melhor. Não é pura e simplesmente o controle de testosterona na circulação. É evidente que tem vantagem sobre as outras.", analisa Zogaib. "Ela tem uma capacidade de transporte de oxigênio muito maior do que uma mulher, porque ela tem um coração maior e tem mais sangue do que uma mulher. Os pulmões são maiores, a própria estrutura do aparelho locomotor é diferente, a largura dos quadris, o tamanho dos ossos. Isso é o que diferencia um homem de uma mulher e por isso o desempenho físico do homem é maior do que o da mulher. Não é somente pela concentração de testosterona", completa. Independentemente de muitos concordarem ou não, vou contra a linha de que a comunidade LGBT deve apoiar sua participação somente pelo fato de uma transsexual estar ganhando espaço.

Acho essa abertura muito válida e positiva, mas ela precisa ser feita da forma correta. E opções e preferências sexuais precisam ser deixadas de lado em favor da regra e da análise física e científica. Seria muito legal vermos mais Tiffanys no vôlei, desde que as regras estejam de acordo e que o princípio da igualidade possa falar mais alto. Reforço que ainda é cedo para tirarmos conclusões, mas a impressão inicial que tenho é de uma ligeira vantagem sobre as adversárias. O tempo irá dizer se estou certou ou errado. E quem venham as críticas e afirmações de 'homofóbico' e 'preconceituoso' de quem tem como base somente a opção sexual.






 

28 de Dezembro - Quinta-feira - 17:23

Vez ou outra

Apesar do resultado do Sada Cruzeiro, experiência mostrou novidades e diferenças que nos fazem ver tudo com outros olhos no retorno


Ponta Léón esteve especialmente inspirado para levar Zenit ao primeiro título mundial (crédito: FIVB - Divulgação)

Claro que, do outro lado do Atlântico, tudo seria novidade na cobertura de mais um Mundial de clubes. A começar por estar sozinho, em um ambiente estranho, com frio, neve, chuva e precisando recorrer a mim mesmo em caso de qualquer problema. Nada como poucos dias para se adaptar, entrar na rotina e no modo automático para começar uma produção para impresso, portal e rádio de tudo que pudesse ser interessante. Isso com aquele 'tira e põe' de agasalhos, blusas, toca, luva, gorro e cachecol. Sobe no ônibus, desce, hotel, ginásio, entrevista, fone, microfone, escuta, tira aspas, redige, relê e envia. No outro dia, tudo se repete, com os jogos dando um adento especial na jornada.

Na verdade, eu não via a hora do campeonato começar. Estar inloco em uma atmosfera que muito ouvi falar e que bastaram poucos segundos dentro da arena lotada para sentir tudo aquilo. A torcida polonesa é diferente mesmo, acompanha e joga junto. Mas tudo depende do desempenho do time da casa. Começou a vacilar, eles murcham quase que de imediato.

Minha maior torcida era para que o Sada Cruzeiro vencesse o primeiro jogo. Se isso acontecesse, seria provável a liderança do grupo e um encontro menos complicado na semifinal. Infelizmente, isso não aconteceu e um embate contra um embalado Zenit jogou por terra as pretensões do time celeste. O grupo sabe que poderia ter sido diferente. Ganhar um Mundial fora de casa é algo bem mais difícil do que estar diante da sua torcida, em um ginásio que fez os adversários sofrerem com o calor e a pressão. Lições não faltaram para o elenco, que voltou fortalecido com um terceiro lugar, apesar da distância para o lugar mais alto.

Aquele frio básico pra gente ter ainda mais certeza de como está longe de casa (crédito: Arquivo pessoal)


A experiência seria proveitosa em muitos sentidos. A chance de conhecer um palco como a Tauron Arena foi única, assim como ver de perto talentos como Juantorena, Christenson e Sokolov. Aquele perrengue básico com a turma da Polônia que mal arranha o inglês era esperado, mas tudo se saiu bem, no final das contas. Foi bom para ver de perto um outro nível de organização e estrutura, algo que a gente dificilmente vai se acostumar a ter. Ainda estamos distante em tantos aspectos...

Acho que consegui dar conta de tudo e o saldo foi positivo. Não via a hora de chegar em casa e retomar a rotina, por mais que, durante o ano, a gente reclame dela e torça pra algo um pouco mais agitado acontecer. Às vezes a gente é feliz com o que tem e precisa sair do modo normal para dar valor. Mesmo que saibamos que estamos diante de um privilégio daqueles, que costumam aparecer vez ou outra. A hora de voltar sempre chega e na bagagem a gente traz de volta experiências, lições e um agradecimento especial por ter feito parte de algo diferente do que já tinha vivenciado até então.

 

 Estar perto de referências internacionais, todos os dias, me fez ter a certeza de como estava no lugar que muitos desejavam (crédito: Arquivo pessoal)

06 de Dezembro - Quarta-feira - 13:03

Agora vai!

Já conformado em acompanhar a competição de longe, precisei correr para deixar tudo pronto para fazer o melhor em oportunidade inédita


Em breve, devemos ter momentos como este; agora, do outro lado do Atlântico (crédito: Uarlen Valério)


Claro que eu pensava em cobrir um Mundial de clubes fora do país, mas era mais como um sonho distante e, talvez, improvável. Sabia bem das dificuldades para que tudo desse certo para estar perto da maior competição de clubes do planeta.

Sabia também que não custava tentar e correr atrás, acionar alguns contatos e tentar fazer a minha parte. Cheguei a ter o não como resposta definitiva, quando tudo parecia bem encaminhado. Conformei-me em ter que cobrir o campeonato de longe, lamentando por isso e tentando ver algum ponto positivo (?) em não ir para a Polônia. Não teria que gastar poucas centenas de reais com roupa de frio, não teria que encarar temperaturas abaixo de zero e...ficou nisso.

Uma reviravolta dias depois confirmou minha presença. Claro que não acreditei até os cartões de embarque chegarem por email. Só aí a ficha caiu. Menos mal que fui precavido para deixar um extenso material pronto, graças ao contato antecipado que fiz com todos os times, conseguindo depoimentos de muitos atletas e treinadores.

Estarei cobrindo o Mundial de clubes de vôlei masculino na Polônia, campeonato que acontece entre os dias 12 e 17 de dezembro. Embarco nesta quinta, encontro com a delegação do Sada Cruzeiro na Cracóvia antes de partirmos, juntos, para Opole, uma das cidades-sede da primeira fase. Se tudo der certo, o time se classifica e parte para a Cracóvia, sede das semifinais e da grande decisão. A tarefa celeste será mais complicada do que nos anos anteriores. Cada jogo na primeira fase será diante de um time de alto nível, sem azarão pela frente. Duas vitórias serão necessárias para se classificar para, aí sim, começar a pensar no tetracampeonato.

Mesmo já tendo trabalhado nos quatro últimos Mundiais, será algo diferente estar longe de casa, passando 'sozinho' por alguns perrengues e ter, agora, uma novidade pela frente. Enviar boletins diários para a rádio Super Notícia, entrar ao vivo durante a programação e não me esquecer de portal e impresso. Só torço para dar conta de tudo e conseguir aproveitar todas as coisas que estarão passando diante dos meus olhos. Peço para estar atento a tudo e que as pautas já planejadas possam sair do papel.

Será a vez de ver de perto Juantorena, Sokolov, Sander, Stankovic, Grebennikov e Christenson, todos do atual campeão italiano Lube Civitanova. Toniutti, Lisinac e Mariusz Wlazly estarão nos times poloneses e esta será a primeira vez que poderei ver essa turma em ação inloco. Quem sabe conseguirei um tempo para passear e conhecer algumas atrações, coberto de duas calças, quatro camisas, meias, gorro, cachecol, luva e o que mais for necessário. Sei bem que minha prioridade é outra. Certo que será uma experiência única e inesquecível, já parto com o desejo de retornar com tudo dando certo, não somente para mim como para o Sada Cruzeiro. Um título mundial fora de casa seria algo formidável para este elenco.


Tabela (com horários de Brasília, jogos em Opole e Lodz)

12 de dezembro

14h30 - Zaksa (POL) x Sarmayeh Bank (IRA)

14h30 - Zenit Kazan (RUS) x Bolívar (ARG)

17h30 - Sada Cruzeiro x Lube Civitanova (ITA)

17h30 - Belchatow (POL) x Shangai (CHI)

13 de dezembro

14h30 - Zaksa (POL) x Lube Civitanova (ITA)

14h30 - Zenit Kazan (RUS) x Shangai (CHI)

17h30 - Sada Cruzeiro x Sarmayeh Bank (IRA)

17h30 - Belchatow (POL) x Bolívar (ARG)

14 de dezembro

14h30 - Zaksa (POL) x Sada Cruzeiro

14h30 - Bolívar (ARG) x Shangai (CHI)

17h30 - Lube Civitanova (ITA) x Sarmayeh Bank (IRA)

17h30 - Belchatow (POL) x Zenit Kazan (RUS)

16 de dezembro (todos em Cracóvia)

14h30 - 1º grupo A x 2º grupo B

17h30 - 1º grupo B x 2º grupo A

17 de dezembro

14h30 - decisão 3º lugar

17h30 - final

 

 

21 de Novembro - Terça-feira - 14:37

Mais passos necessários

Proibição para propagandas de parceiros é um dos principais impeditivos para que participantes da Superliga possam levar jogos aos torcedores

 

Dos 12 clubes da Superliga masculina, 10 mostram-se desinteressados no atual modelo proposto pela CBV; Sada Cruzeiro é apenas um deles (crédito: Pedro Vilela - agência i7)


A autorização da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para que os clubes possam transmitir seus jogos da Superliga foi comemorada, mas a alegria não durou muito. Afinal, exigências por parte da entidade precisariam ser cumpridas para que um público sedento por ver várias partidas fosse atendido. Caso um clube tenha o interesse, precisará contratar os serviços de uma empresa para fazer a transmissão. Uma forma de tornar a ideia viável seria buscar patrocinadores. Esta ideia é impedida pela CBV, que preza pelo contrato com seus patrocinadores. "A CBV tem contratos de patrocínio que envolvem visibilidade nesta competição e precisa garantir exclusividade para estes parceiros", informou o superintendente Renato D´Ávila, em nota. A presença de narradores, comentaristas e repórteres é proibida também. Afinal, um destes membros poderia, durante a transmissão, fazer uma propaganda qualquer, o que cairia nos ombros da CBV. "O cuidado se deve principalmente porque esse conteúdo é transmitido nas nossas redes sociais, o que nos responsabiliza pelo o que será dito e exposto", reforça.

As transmissões, também, precisam acontecer dentro do facebook da CBV, tendo a qualidade da imagem como um outro pré-requisito. Ao mesmo tempo em que pede 'qualidade', a CBV autoriza transmissão de jogos por meio do Keemotion, sistema de câmeras de monitoramento com sensores de movimento. A transmissão torna-se possível, mas longe do que estamos minimamente acostumados a ver, com replays, imagens mais fechadas, etc. Nem mesmo um operador é necessário para usar esta ferramenta. Ginásios como do Minas, do Tijuca (RJ) e do Pinheiros (SP) possuem o sistema. Mesmo com ele, o Minas preferiu realizar transmissões de seis jogos da Superliga e um do Novo Basquete Brasil (NBB) contratando uma empresa especializada em transmissões. No primeiro deles, contra o Sada Cruzeiro, o pico de pessoas vendo o jogo simultaneamente foi de 2.900, com mais de 70.000 visualizações acontecendo no dia e 90.000 contando os dois dias seguintes. Uma brecha que se abre é transmitir o jogo por meio de uma TV comunitária, algo que o Bauru fez em dois jogos até aqui.

Por mais que as intenções sejam as melhores, sabemos bem da dificuldades para que isso seja colocado em prática. Dos times que disputam a Superliga, apenas o Minas e o Maringá transmitiram jogos. A proibição por não poder divulgar outras marcas é uma restrição importante, que deixa os clubes de mãos atadas. "Como está proposto atualmente, é totalmente inviável. Com a inserção de propagandas, eu poderia vender cotas para anunciantes e possíveis parceiros. Da maneira como a CBV quer, não tem como, não temos retorno, estaríamos apenas bancando uma transmissão para eles. Além disso, o ideal, no nosso caso, seria poder transmitir pela nossa página e usar a Corinthians TV, onde teríamos um alcance muito maior. O clube gasta pra fazer uma transmissão sem graça e sem retorno", conta o ex-jogador Joel Monteiro, supervisor do Corinthians Guarulhos-SP. A fala do dirigente mostra como o caminho até um consenso é longo. 

Fui atrás de todos os 12 clubes da Superliga masculina e os outros 10, tirando Minas e Maringá, disseram que não devem transmitir suas partidas, mesmo com o aval da CBV. Creio que tivemos um avanço, mas um pouco mais ainda precisa ser feito. Uma negociação merece ser aberta entre as partes para um acordo comum. O primeiro passo foi dado, mas ele pode ser pequeno demais diante de entraves burocráticos e acertos comerciais. "Desde o ano passado, com a demanda crescente por este formato de transmissão, a CBV tem trabalhado incessantemente para flexibilizar o contrato de exclusividade com as emissoras parceiras e isto foi conseguido", coloca D´Ávila. Uma flexibilização ainda maior talvez seja um caminho mais próximo, mas sabemos que pode não ser tão simples assim.

Em contato com empresa que atua na área, a informação é que é necessário um valor mínimo de R$ 5.000 para a transmissão de um único jogo. Apenas para se ter uma noção da estrutura, são necessários um cinegrafista, um diretor de imagem, um editor e um auxiliar para uma equipe mínima. Até que novos passos sejam dados, seguiremos na dependência das emissoras, correndo riscos de transmissões serem interrompidas no meio das partidas, em um grande desrespeito a torcedores, ao esporte, patrocinadores e à própria CBV.

 

 

08 de Novembro - Quarta-feira - 11:01

Caminho sem volta

Iniciativa da Rádio Inconfidência deu oportunidade para que Isabelly Morais comandasse transmissão de jogo da série B, não deixando dúvidas de que as mulheres ocupam um lugar cada vez maior dentro e fora dos gramados

 

Frio na barriga deve ter sido inevitável para a mais nova narradora do futebol nacional (crédito: Marcelo Neves)

Chegou um dia que eu nunca esperava que fosse acontecer. Não por falta de esperança, mas porque nunca havia passado pela minha cabeça que uma mulher seria narradora de um jogo de futebol. Preconceitos inconscientes que aparecem em nossa mente em virtude de anos enraizado dentro de um padrão burocrático e retrógrado.

Na última terça-feira (7), justamente no dia do Radialista, o jogo entre América e ABC foi narrado por Isabelly Morais, de apenas 20 anos e ainda estudante de jornalismo. Imagino o frio na barriga que ela deve ter sentido quando veio a confirmação e também nas horas antes de entrar no ar para transmitir uma partida oficial. Tive a oportunidade de ouvir os gols narrados por ela e fiquei bem impressionado. Claro que ainda é estranho para muitos escutar uma mulher narrando um jogo de futebol, mas bastaram poucos segundos para ver seu potencial. Na minha visão, ao mesmo tempo em que ela foi bem, ainda há muito para crescer. Falo isso mais como um torcedor e apreciador de transmissões do que um especialista na nova atividade da mineira de Itamarandiba.

Os méritos devem ser dados a ela, que teve a coragem de encarar o desafio e treinar em casa, sozinha, por quatro meses, além da Rádio Inconfidência, que tem no colega José Augusto Toscano o capitão da náu esportiva e condutor da nova missão, que foi muito bem sucedida. A tendência é de evolução, não há dúvidas. Iniciativas como esta merecem os aplausos e reconhecimento, principalmente por sair do lugar comum e quebrar paradigmas que foram construídos ao longo do tempo em nossas cabeças. Sinto-me um tanto envergonhado de nunca ter pensado nessa possibilidade.

Isabelly não foi a primeira, mas certamente terá seu nome marcado como uma das responsáveis por quebrar mais essa barreira no mundo do futebol, tão machista e ainda com dificuldades de aceitar a presença feminina. Aos poucos, as coisas vão mudando. Já temos mulheres comentando jogos e até atuações de árbitros. Apresentadoras são várias, que mostram sua competência como fator primordial para estar ali. Só a beleza não é suficiente para exercer tal função.

Nas redes sociais, foram várias as mensagens aprovando e comemorando a ideia. Muitas jornalistas fizeram questão de compartihar e comentar a ação, entusiasmadas pela novidade, que vem para quebrar barreiras que pareciam, antes, intransponíveis.

Fico abismado como muitos ainda não conseguem ver algo de positivo nesta nova e bem-vinda transgressão. O que não faltaram foram comentários preconceituosos, que já estamos acostumados a ouvir e ler, afirmando que lugar de mulher não é ali e que trata-se de algo que nunca dará certo. Para o descontentamento, creio que já deu e começamos a trilhar um caminho sem volta. Torço muito para que novas Isabellys apareçam nos próximos anos e que a ideia da Inconfidência ganhe repercussão e inspire atitudes parecidas. Passou o tempo em que futebol, dentro e fora de campo, era lugar somente para os homens.

 

Confira a narração de Isabelly Morais

24 de Outubro - Terça-feira - 17:06

Além da coragem

Estar presente na última etapa no Chile mostrou boa parte dos bastidores do Mundial de salto em penhasco, que conta com histórias e personagens que fizeram valer a pena uma viagem de apenas quatro dias

 


O frio que até os profissionais passaram com a água gelada me fez ter a certeza de que tomei a decisão correta ao agradecer o convite da organização para saltar de plataforma de cinco metros (crédito: Dean Treml)



Dos quatro dias fora, dois foram passados viajando desde as primeiras horas da manhã até as últimas horas da noite. Sendo assim, restaram somente dois dias para acompanhar de perto a sexta e última etapa do Red Bull Cliff Diving, o Campeonato mundial de salto em penhasco, em Lago Ranco, no Chile.

Um atraso na conexão, na ida, nos fez perder um jantar de boas vindas logo no primeiro dia, com a presença da diretoria, dos atletas e de toda a imprensa convidada. Nada poderíamos fazer diante do imprevisto. 

As informações prévias que tínhamos eram de frio, chuva, vento e de uma água com temperatura abaixo dos 10 graus. Em condições normais, eu pouco me importaria com a água gelada, que seria útil apenas como uma ou outra pauta. Mas eu havia feito o favor de aceitar o convite para saltar de uma altura de cinco metros nas mesmas águas que os atletas encarariam. A ideia era relatar parte do que os profissionais sentem na pele, mesmo de uma distância bem menor. Um atleta brincou comigo que eu teria hipotermina, mas acabei levando a sério. Não só na pele, mas senti na cabeça a pressão psicológica para se saltar de quase 30 metros após um mortal pra trás e três piruetas e meia pra frente antes de explodir na água. 

Antes mesmo de chegar ao local da competição, já recebi a informação do 'gelo' que me esperava. Só pensava em como falaria para a minha editora e para a assessora de imprensa que eu gostaria de mudar de ideia. A aceitação da minha desistência aconteceu de uma forma bem mais tranquila do que esperava.

No lugar do evento, não havia como não se impressionar com as quedas das cachoeiras Riñinahue, que fizeram os atletas redobrarem a concentração ao lado do forte barulho. Mais legal ainda foi ver os vários saltos de 20m e 27m que aconteciam em direção a uma água que fez gritos ecoarem assim que os participantes colocavam a cabeça para fora d´água. Várias fotos mostravam como eles estavam sofrendo com a temperatura.

Respirava aliviado cada vez que lembrava que não precisaria entrar nessa jogada, mesmo ciente da experiência inesquecível. Depois que duas atletas se contundiram ao se chocarem com a água, os homens preferiram adiar suas apresentações para o segundo e último dia. Foi a deixa para eu e todos os outros que haviam aceitado o convite pensar duas vezes e deixar o traje de banho. Querendo ou não, havia algum risco envolvido e preferi evitar.



O mexicano Sergio Guzman também sofreu com a água de Lago Ranco na casa dos oito graus (crédito: Dean Treml)


Corajosos saltadores


Para compensar, os personagens que sempre busco e suas histórias que saem um pouco do lugar comum apareceram e renderam boas pautas. Mesmo não fazendo um bom ano, não poderia deixar de falar com o colombiano Orlando Duque, uma das maiores referências da modalidade. Praticando o esporte desde 1997, ele está prestes a se aposentar e foi simpático e muito solícito. A brasileira Jaki Valente também foi atenciosa e competiu até onde era possível. Um quinto lugar ficou de bom tamanho após chegar na final. Ela não deixou de lembrar da diferença de realidade para outros atletas que contam com mais de um patrocinador, podendo focar exclusivamente na sua evolução.

Jaki ainda corre atrás deste privilégio e as dúvidas são constantes na sua cabeça sobre até onde sua paciência e seu esforço podem compensar. Pode ser que uma hora abrir mão da família por tanto tempo não valha mais a pena. Torço muito para que ela consiga um apoio que a deixe focada no que sabe fazer de melhor e no que a deixa feliz. O título de Jonathan Paredes não estava na conta. Com ajuda de uma nota zero do favorito Gary Hunt, que fez o salto final diferente do inicialmente informado, o mexicano aproveitou a brecha que apareceu. A australiana Rhiannan Iffland não deu chances para as adversárias para conquistar o bi.

Em um dos poucos momentos de folga, fui com a reportagem da TV Record até a cidade de Futrono, onde estávamos hospedados. Nada demais em um município de 10 mil habitantes. Mas foi legal pra ver um lugar pacato, de gente tranquila e hospitaleira, incravada bem nos pés nos montes andinos. De perto, pude acompanhar a apreensão de familiares do lado de fora nos segundos antes e depois das apresentações. Até mesmo os adversários não escondiam o nervosismo ao ver os colegas se apresentarem. Na plateia, eles pareciam torcedores normais que se impressionavam com a coragem de quem estava na plataforma.

Tentei aproveitar bem a oportunidade, fosse na cobertura ou no contato com outros membros da imprensa, atletas e direção da prova. Deu pra treinar o espanhol, portunhol e inglês com alemães, chilenos, norte-americanos, mexicanos, colombianos e gente de tantos outros países. Mais uma viagem pra conta que me faz ter a certeza de que aceitar o convite foi uma decisão acertada. Chances como esta não podem ser perdidas.

A organização mostrou-se precisa para que nada fugisse do controle. A festa de encerramento mostrou os atletas longe da apreensão de uma competição que exige precisão e coragem. Uma família existe no Red Bull Cliff Diving, um esporte em que os impressionantes saltos são o carro-chefe, mas onde histórias e personagens mostram como muito aparece por trás de cada apresentação a muitos metros de altura.



Confira vídeo de um dos saltos

 

11 de Outubro - Quarta-feira - 16:51

Desnecessário

Incômodo de oposta, antes garantido, se transforma em lesão, evidenciando postura precipitada da diretoria


Jogadora terá que aguardar por um período maior antes de fazer sua estreia pelo novo clube (crédito: Divulgação - Praia Clube)

O Praia Clube parece não ter aprendido com os erros recentes. Na reta final da última temporada, uma lesão da central Fabiana foi desmentida pelo clube por vários dias até a situação se tornar insustentável. Depois da última rodada da fase de classificação, Fabiana deixou a quadra chorando com dores na sola do pé.

A fascite plantar fez com que Fabiana se tornasse desfalque para a maior parte dos play-offs, momento mais decisivo do campeonato. A direção do clube, no entanto, garantiu que o quadro não era preocupante e que ela estaria em quadra nas quartas de final. O que se temia, foi confirmado. Fabiana não jogou as quartas e só entrou em quadra no último jogo da semifinal, quando o Praia foi eliminado, sentindo falta de sua capitã. O incidente me fez escrever aqui no Esportivamente.

Não seria mais fácil o clube abrir o jogo? Ou informar que não se tinha uma informação precisa? Pior do que bancar, foi mentir. O tiro no pé foi inevitável dias depois quando ficou claro que a situação não era tranquila como o clube desejava. 

Há poucos dias, situação similar acontece. A lesão na panturrilha da oposta norte-americana Nicole Fawcett vai além do 'incômodo' que a diretoria fez questão de garantir. A ausência da jogadora das últimas rodadas do Mineiro não aconteceu em vão. Além de pequenas dores, a jogadora está em tratamento intensivo na fisioterapia, fazendo o técnico Paulo Coco ser pessimista em relação a sua presença na estreia da Superliga, contra o Valinhos, na próxima terça-feira. Segundo o globoesporte.com, o clube não quis, informar, se a lesão seria na panturrilha direita ou esquerda, algo sem relevância alguma e que só mostra a conduta precipitada na condução do assunto.

O episódio similar faz lembrar a atitude recente e desnecessária da direção, que só trouxe arranhões para imagem do clube quando o assunto é a condição física das suas atletas. A perda de credibilidade foi apenas um dos pontos perdidos. Como vamos acreditar no que for passado quando novas lesões apareceram? 

Queria entender o motivo de esconder uma situação que virá à tona mais cedo ou mais tarde. Não que seja obrigação do clube passar a informação precisa. Pode-se fazer como os clubes de futebol e não comentar sobre a expectativa de recuperação. Sou contra esse tipo de postura, mas ela é menos prejudicial do que seguidas derrapadas sobre assuntos de interesse dos torcedores. Um dia, talvez, o Praia aprenda a ter uma postura mais profissional.