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Esportivamente por Daniel Ottoni
08 de Agosto - Terça-feira - 10:59

Caindo de para-quedas

Aprendizados foram constantes na primeira vez fazendo um jogo de modalidade que ainda se apresenta para público e mídia brasileiros


Má intenção dos jogadores do Flamengo foi criticada por atleta do Cruzeiro (crédito: Lincoln Zarbietti)


Mesmo fazendo o que gosto, nem sempre as coberturas que nos são apresentadas colocam esportes que somos familiarizados no caminho. No último sábado, tive o desafio de cobrir, pela primeira vez, um jogo de futebol americano, esporte que havia visto poucas vezes na TV.

Claro que dúvidas apareceram, uma vez que não sou especialista no assunto e precisaria evitar que essa impressão fosse passada ao leitor. No jogo entre Sada Cruzeiro e Flamengo Imperadores, já me chamou atenção o fato de cada time ter mais de 30 jogadores. A primeira coisa que imaginei foi nos altos custos de viagens com alimentação e transporte pra tanta gente em um esporte que ainda não é dos mais populares em nosso país. A narração e o comentário, que aconteciam ao vivo, para todos os presentes acompanharem (com a presença do colega Josias Pereira na cabine) contribuíram para que eu tivesse uma melhor noção do que acontecia.

A previsão de um jogo de 2h30 se extendeu e a partida durou quase três horas, algo que eu não esperava nem estava acostumado. Ócios do ofício. Sabia que estava diante de um novo aprendizado e creio que foi até melhor do que eu pensava. Não foi tão difícil quanto imaginava e creio que consegui dar uma geral na vitória cruzeirense, sem entrar em detalhes para não me complicar. Aos poucos, vou tendo novos conhecimentos e me sentindo à vontade para usar termos e ser mais específico.

Mesmo diante do novo (nunca imaginei que faria um jogo de futebol americano ao vivo), preferi olhar pelo lado positivo e aproveitar a oportunidade. Na entrevista, pós jogo, um jogador do Sada Cruzeiro relatou algo que eu não havia percebido: na maldade dos jogadores adversários, que pareciam estar mal intencionados, sedentos por machucar um colega de profissão. De longe, vi os choque constantes como algo normal, mas não foi bem assim em algumas das ocasiões, mostrando a necessidade de um olhar clínico mais apurado. De qualquer forma, foi uma experiênca válida para quem 'caiu de para quedas' em mais um esporte que chega e pede passagem para a mídia e torcida brasileiras.

 

 

02 de Agosto - Quarta-feira - 19:00

Nem assim

Depois de se classificar pela primeira vez aos play-offs, time da Zona da Mata viu recursos se reduzirem para a temporada que se inicia


Presença do JF Vôlei na temporada 2017-2018 só foi possível graças a continuidade da parceria com Sada Cruzeiro (crédito: Divulgação)


Por mais contradizente que possa parecer, a primeira pessoa da lista que diria que o Juiz de Fora Võlei enfrentaria ainda mais dificuldades nesta temporada, após o melhor resultado da sua história, é o diretor do time Maurício Bara.

Maurício, que foi treinador do time nas suas primeiras participações na Superliga, conhece bem o contexto que a equipe veria meses após se classificar, pela primeira vez, aos play-offs e terminar a temporada com a sétima melhor campanha do país, mesmo com um orçamento bem abaixo dos principais clubes. "Não me surpreendi com tudo que encontramos novamente. Apesar do resultado que tivemos ter sido tão expressivo, mostrando o crescimento do projeto, sabia bem que isso não significaria um aumento do apoio", lamenta Bara.

Para a temporada que se inicia, o JF Vôlei, assim como ano passado, não ficou de fora por muito pouco. A diretoria não teve outra opção a não ser 'enxugar' a folha e os custos para que as condições mínimas de participar acontecessem. "Neste ano, o risco foi maior. Levamos em consideração a possibilidade de não colocar o time em quadra. Estudamos a situação com calma, tivemos parceiros que fecharam de última hora, no meio de julho. O jeito que encontramos foi jogar com este modelo", analisa.

Uma única contratação foi feita, ao contrário da última temporada, quando a equipe trouxe nomes experientes como do oposto Renan, que acabou retornando à seleção após ser um dos maiores pontuadores do campeonato e do levantador Rodrigo. O elenco segue com 11 jogadores, com um número abaixo do ideal, que são 12 ou 14 à disposição. Todos os outros 10 atletas foram cedidos pelo Sada Cruzeiro mantendo a parceria que estreou no ano passado.

Sem este suporte, o JF precisaria ver Mineiro e Superliga de fora, lamentando por uma situação que se arrasta e que não faz os resultados serem suficientes para uma melhora mínima na condição financeira. Se uma outra classificação aos play-offs da Superliga vier, o mérito será ainda maior dos jogadores e do técnico Henrique Furtado, outro cedido pelo time celeste. Creio que trata-se de uma tarefa difícil, mas não impossível.

 

Confira parte da engenharia financeira realizada pelo JF Vôlei

- Menos contratações

- Redução de salários da preparação física e fisioterapia

- Jogos com seu mando contra o Sada Cruzeiro, em Contagem, e contra o Montes Claros Vôlei, serão realizados na casa do adversário, que arcará com despesas

de alimentação e hospedagem. Deslocamento será custeado pelo próprio JF.

- Salário dos 10 atletas que foram emprestados pelo Sada Cruzeiro é pego pelo time de Belo Horizonte

Veja a lista de atletas anunciados pelo JF Vôlei

Levantadores: Henrique Adami e Felipe Hernandez
Ponteiros: Felipi Rammé, Vítor, Raphael Marcarini e Leozinho
Centrais: Bruno, Franco e Matheuzão
Líberos: Juan Mendez e Athos

 


 

21 de Julho - Sexta-feira - 12:37

Escola boa

Brasileiro foi treinador do cubano que marcou história no Minas Tênis Clube

 

Escobar treina no antigo rival Sada Cruzeiro, aproveitando a estrutura do CT do Barro Preto (crédito: Lincoln Zarbietti)


O potencial do oposto cubano Escobar, mostrado nas duas temporadas em que defendeu o Minas, foi comprovado na sua primeira passagem pelo Suntory Birds, do Japão. Recém profissionalizado no time de Belo Horizonte, ele foi o maior pontuador das duas Superligas que disputou e quase repetiu a dose na terra do sol nascente, terminando na segunda posição no ranking dos melhores atacantes. O bom desempenho que ajudou o time a terminar a liga na quarta posição enche Escobar de motivação. 

Boa parte dos seus ataques tinham o dedo de um conhecido personagem do vôlei brasileiro: Gilsão Mão de Pilão, ex-oposto da seleção brasileira na década de 1990. Depois de marcar seu nome na história do Suntory, com seguidos títulos japoneses, Gilson virou treinador, comandando Escobar na equipe nipônica. Depois de três anos no banco de reservas, Gilson está se despedindo do clube. 

"Aprendi muito com ele, principalmente para saber que não precisava ser tão 'ignorante' para atacar. Aquela ideia de 'cabeça baixa e mão pesada' não funciona tão bem por lá. Era preciso saber cadenciar, explorar o bloqueio, dar uma pingada. No começo, eu tinha dificuldade nas viradas de bola e ficava louco. Os japoneses defendem muito bem e precisei me virara", conta Escobar. O cubano está de passagem por BH, durante um mês, mantendo a forma no CT do Sada Cruzeiro.

Antes de ir para o Japão, o oposto chegou a escutar que o nível na liga local não tinha um nível tão alto. "Falaram que os jogadores de lá não eram muito altos, o que não procede. Fiquei surpreso ao chegar lá, eles gostam do vôlei e sabem jogador. Uma das coisas que mais aprendi foi a ter disciplina tática", pontua.

O estrago feito no Japão fez a torcida do Suntory criar uma faixa em homenagem a 'Jan', algo parecido com seu primeiro nome (Yadrian). No dia 15 de agosto, ele parte para Cuba, onde ficará cinco dias ao lado da esposa e da filha de três anos. De lá, retorna para o Japão, que o acolheu bem.  "Osaka é uma cidade bonita e tranquila. Minha filha se adaptou muito rapidamente, eu e minha mulher que tivemos um pouco mais de dificuldade. Ela, principalmente, com a alimentação. Mas, aos poucos, as coisas vão se ajeitando", comenta.

No Japão, é autorizado apenas um estrangeiro por equipe. Por lá, Escobar foi bem recebido e mantém boa relação com os companheiros. Morando em uma casa de dois andares (seu tradutor vive no primeiro), ele está do outro lado da rua do ginásio onde acontecem os treinos diários, em um ritmo um pouco menor do que o brasileiro. "O time trata muito bem seus atletas, eles foram incríveis comigo", esclarece. 

Sem Gilson, que foi demitido, Escobar precisará se virar por conta própria para virar as várias bolas que recebe na saída de rede. A ausência do treinador será sentida, mas os ensinamentos aprendidos na temporada seguirão vivos na memória do cubano.

 


 

12 de Julho - Quarta-feira - 12:08

Mais do mesmo

Ciente de que pouca coisa interessante sairia do jogador, concentrei meus esforços nos anônimos cheios de histórias pra contar





Times do Líbano e Egito mostraram descontração mesmo eliminados e longe de casa (crédito: Daniel Ottoni)



Um encontro internacional, unindo jogadores de 53 países, com a intenção indo muito além de fazer gols e ser campeão. Um campeonato como o Neymar Jrs Five, que leva o nome do craque brasileiro, reuniu jovens de todos os continentes sedentos por ver o jogador de perto. O sonho de muitos se realizou no último sábado (8), dia da decisão que teve os romenos como vencedores. Estes sim serão invejados, já que ganharão viagem de uma semana para Barcelona, onde darão um rolê inesquecível com o jogador do Barça.

Na competição que aconteceu pelo segundo ano consecutivo no Instituto Neymar, na Praia Grande, a ideia de uma 'pelada' a cada vez que um jogo começava, podia até aparecer, mas logo ia por água abaixo quando os primeiros toques na bola apareciam. Dentro das quadras, que tinham pequenos gols como centro das atenções, muita competitividade para seguir adiante. Sem méritos, não se ia longe.

Com tantos jogadores à disposição, o que não faltaram foram histórias interessantes. O campeonato ajudou para que elas aparecessem mesmo com Neymar sendo o personagem principal. 

Enquanto os romenos tentavam parar Neymar dentro de quadra, quem havia sido eliminado mostrava ter esquecido a derrota de minutos atrás com um sorriso no rosto e um celular apontando na direção do atacante do Barcelona. Estar tão perto de Neymar fez a alegria dos jogadores, que tinham alguns poucos anos a menos que o ex-santista. Momento único para eles, certamente.

Claro que Neymar era a grande atração do evento, fazendo os jornalistas se espremerem na zona mista (cuidado com as cotoveladas!), sedentos por conseguir uma breve palavra do craque. Não tinha como a maior atenção ser outra. Mas dali eu sabia que não ia sair muita coisa de interessante. Prefiro, em eventos como este, concentrar meus esforços para tentar descobrir histórias e personagens interessantes, curiosos e diferentes. O que me move como jornalista é encontrar relatos de anônimos com depoimentos que poucos conhecem e muitos querem ouvir e/ou ler. Sinto um prazer extra quando encontro uma turma como Daniel Matsunaga, brasileiro que mora nas Filipinas e é, no país asiático, uma celebridade, com passagens por time da primeira e segunda divisão. Times da Eslovênia, Jordânia e Malásia foram com boa parte da sua seleção de futsal para o Brasil. O time do Catar era formado por jogadores da seleção do exército nacional. Os angolanos, que pararam na semifinal e ganharam minha torcida, tinha um gordinho que foi apelidado, por alguns, de Walter durante o torneio. O moleque era bom com a bolas nos pés. E por aí foi...

Do Neymar, de curioso, não saiu nada, isso eu lhes garanto. O cara é uma fenômeno de mídia, mas a acessibilidade para falar com ele faz com que o grande esforço seja quase em vão. Feliz fiquei de ter a liberdade de não focar somente no jogador do Barcelona e partir para me concentrar no que mais gosto. O que não faltavam ali era personagens de países como Jordânia, Omâ e Hong Kong. So fã da bola do Neymar, mas ele como personagem, pra mim, nem se compara aos desconhecidos boleiros de final de semana que se reuniram na Praia Grande (SP).


 

06 de Julho - Quinta-feira - 12:06

Atendidos

Final em três jogos é a principal novidade, indo contra os interesses da entidade e da emissora que detém os direitos de transmissão

 
 
Reunião contou com presidente Toroca, que cedeu aos pedidos dos clubes (Divulgação)



Após um período de férias, estamos de volta. Enquanto estive fora, pude acompanhar o noticiário esportivo. Entre as notícias que me mais me deram alegria, está um novo passo dado pelos clubes que mostram a consolidação da Associação de Clubes de Vôlei (ACV).

Como é bom ver, na prática, a força dos clubes gerar resultados. Cansados de algumas decisões no formato da Superliga, os clubes, por meio da associação que foi criada há alguns anos, viram seus esforços serem recompensados com a confirmação de alterações que, há muito, eram pedidas. Uma pequena queda-de-braço que foi vencida contra a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A intenção dos times de montar uma liga independente parece que fez com que a entidade repensasse suas decisões e cedesse aos pedidos de quem é o maior responsável pelos status que o campeonato nacional possui hoje.

É digno de elogios a CBV ter se mostrado aberta para que mudanças aparecessem, mesmo que com algum custo. O que a entidade diz fazer (ouvir os clubes, considerar suas posições) saiu do papel, finalmente. Para isso, foi necessário um tom de ameaça dos clubes, que investem pesado para fazer o campeonato acontecer.

Os pedidos dos clubes foram atendidos na sua plenitude, deixando claro a insatisfação que existia nas últimas temporadas. A final em jogo único sempre foi criticada. Agora, finalmente, foi pro espaço. Três jogos serão necessários para se conhecer o novo campeão, premiando o time pelo mérito e regularidade. Quem acompanha o vôlei sabe dos riscos do melhor time não terminar no lugar mais alto do pódio em decisão de jogo único. O calendário foi extendido, aumentando a visibilidade dos patrocinadores. A gestão compartilhada comprova um novo momento do vôlei nacional, mesmo que muito ainda possa melhorar.

Graças a uma iniciativa particular do presidente do Sada Cruzeiro, Vittorio Medioli, o tão desejado Desafio pode chegar á Superliga. Precisou que o dirigente fosse até a Itália e conversasse com dirigentes locais para tentar acelerar o processo. A impressão que tenho é que demoraria anos para que a necessária tecnologia chegasse à Superliga se dependessemos da CBV. Para ela, um investimento que não está entre as prioridades. Se estivesse, já teríamos notado uma mudança significativa nos últimos anos em relação a este assunto, sempre postergado. Ano após ano, o assunto era debatido e logo esquecido. Fez muito falta e continuará fazendo enquanto não entrar em ação.

Na minha visão, seria muito bom termos uma liga independente, para que as decisões fossem tomadas de forma mais ágil e prática, sem depender dos interesses não somente da CBV como da emissora responsável pelos direitos de transmissão. Sabemos bem como algumas situações dependem de acordos comerciais, negociações e outros fatores. Com os clubes no comando, as coisas ficariam mais fáceis e a CBV poderia se preocupar, exclusivamente, com a seleção. Até lá, costuras entre a entidade e os clubes seguirão acontecendo. Agora, definitivamente, os clubes subiram alguns degraus na escada rumo à sua independência.

22 de Maio - Segunda-feira - 15:58

Pelo caminho

Fiscalização sobre o Red Bull Minas Riders aponta para possível ação isolada; mesmo critério não foi visto em provas similares em períodos anteriores




Polícia Florestal marcou presença em três diferentes pontos logo no primeiro dia de disputa (crédito: Daniel Ottoni - Webrrepórter)



O que era para ser um evento para fincar raízes em Minas Gerais e movimentar a economia das cidades por onde passa se transformou em imprevisto, decepção e lamentações. O Red Bull Minas Riders chegou ao Estado pelo segundo ano consecutivo, com status de uma das principais competições de Hard Enduro do planeta.

Quem conhece a empresa, que organiza eventos de diversas modalidades, dentro e fora do Brasil, sabe do seu nível de capacidade, comprometimento e envolvimento. Com um ano de antecedência, todas as licenças necessárias foram buscadas. Não é do nada que uma competição deste porte, com pilotos subindo e descendo por entre montanhas, florestas, rios e cachoeiras aconteceria. Todo o cuidado foi tomado para que tudo estivesse dentro da legalidade. E foi assim que a competição foi confirmada, com a presença de pilotos nacionais e gringos, com um alto investimento e grande estrutura.

Mas parece que a divulgação do evento e as aceleradas de dezenas de motos por Ouro Preto e região incomodaram algumas pessoas. A disputa terminou após o segundo dos quatro dias de provas. Tudo por conta de uma denúncia anônima que fez com que a Polícia Florestal aparecesse em alguns pontos logo no primeiro dia de prova.

O registro de vídeo por parte dos policiais mostrava que algo de estranho estava acontecendo. Pra pior, a prepotência tão comum em muitos militares, não passou batida e apenas comprovou o tipo de que postura que costuma aparecer quando se veste uma farda. Algo que muitos cidadãos já se acostumaram a ver no dia-a-dia.

A informação de que a prova estava embargada pegou todos de surpresa. A organização não teve outra opção a não ser suspender a prova depois que garantias de última hora foram solicitadas. Não seria possível deixar os pilotos esperando por novidades, uma vez que mais dias seriam necessários para que tudo fosse comprovado. A opção foi terminar a prova antes da hora, comprometendo a participação do evento nos anos seguintes. O risco em 2018, certamente, aparecerá em virtude da experiência deste ano. 

“Estamos há um ano conversando com todas as autoridades ambientais e definindo o trajeto da prova e temos autorizações de todos os órgãos responsáveis. Infelizmente, no último momento, a polícia pediu para fazer mais algumas análises de risco e optamos por cooperar e antecipar o final da competição já que os pilotos não podem aguardar”, afirmou o romeno Martin Freinamedetz, da empresa Xventure, responsável pela organização da prova. Para piorar as coisas, várias motos foram apreendidas, com a justificativa de que não possuíam placas, setas e faróis. Mais uma ação que se mostrou 'exclusiva' no Minas Riders. 

O triste disso tudo é ver que a fiscalização apareceu somente quando uma prova bem organizada e com diversas garantias surgiu. No dia a dia, as mesmas trilhas contam com várias motos passando por ali sem que nada aconteça. No mínimo, uma falta de critério por parte das autoridades, que não parecem ter a mesma atenção com outras ações que degradam o meio-ambiente na região.

Sem contar que a prova foi realizada sem imprevistos no último ano, além das edições anteriores que já haviam acontecido em outros lugares do mundo como Romênia, Áustria e Turquia. Coisas do nosso Brasil, que insiste em não aproveitar oportunidades, fechando os olhos para o potencial que uma prova como esta possui.

A impressão que ficou é que tentou-se aproveitar a realização da prova em andamento para 'mostrar serviço'. A disputa já estava confirmada há um bom tempo mas esperaram o início da competição para que novos pedidos fossem feitos. Certamente, não seriam muitos, uma vez que contatos com autoridades e órgãos competentes já haviam sido feitos há meses.

Com boa vontade, poderiam fazer pedidos e terem atendidas as exigências, permitindo que a economia de toda a região fosse movimentada. Se o mesmo cuidado com outras ações fosse tomado com frequência, poderíamos até entender. A mim, pareceu algo abusivo e desnecessário, que fará com que organizadores pensem duas vezes antes de escolher Ouro Preto como sede de provas deste tipo.

Alguns números que o Red Bull Minas Riders iria movimentar em 2017

300 acomodações em Ouro Preto

250 acomodações em Barão de Cocais

200 acomodações em BH

Promoção da rede hoteleira | Total movimentação - R$250.000,00

Promoção do comércio | Restaurantes e estabelecimentos comerciais - R$1.500.000,00 nas quatro cidades (advém dos participantes, equipe de apoio, organização e seguidores do esporte).

Promoção segmento Off Road - R$150.000,00 em peças e equipamentos utilizados durante a prova

R$300.000 em motocicletas Off Road comercializadas para o evento

Contratação de fornecedores e materiais para a realização do prólogo e epílogo - R$250.000,00

Investimento em mídia / divulgação R$170.000,00

Aquisição/ locação de veículos, máquinas e equipamentos para realização da prova - R$50.000,00

 

09 de Maio - Terça-feira - 17:08

Fazendo história

Equipe mais vencedora do país tem trabalho duro e diário por trás de tantas conquistas




Sada Cruzeiro mantém trabalho duro a cada dia para ser premiado com status de favorito e maior time brasileiro de todos os tempos (crédito: i7)



A sequência de títulos do Sada Cruzeiro faz pouca coisa mudar no cenário do vôlei masculino brasileiro. Entra ano, sai ano, o time do técnico Marcelo Mendez segue conquistando boa parte dos títulos que aparecem no seu caminho.

Para a torcida, um gosto especial de gritar campeão com tanta frequência. Para quem gosta de vôlei, um prazer de ver um time de tão alto nível se manter imparável por tantas temporadas.

Para quem vê tudo isso de muito perto, posso dizer que trata-se de um privilégio. Há seis anos no jornal O Tempo, tive a chance de acompanhar, in loco, o primeiro título da Superliga em São Bernardo do Campo (SP). Tinha acabado de ser contratado e mal imaginava em tudo que estava por vir. Experiências de vivenciar como o time se comporta dentro e fora de quadra apareceram também em Campinas, Taubaté, Rio de Janeiro e Montes Claros. 

Um outro tipo de visão aparece na cobertura nos treinos, algo que poucos veem. É ali que a rotina do dia-a-dia se mostra mais presente, quando as brincadeiras podem ser vistas, assim como a dedicação em atividades que fazem a diferença para que tudo saia conforme o planejado nas partidas.

Fico feliz de ver o esforço desse time ser recompensado. Ter essa chance de acompanhar de perto os treinos e jogos não deixa dúvidas de como os jogadores e comissão são merecedores. Marcelo trabalha sério demais, exige dos atletas a cada toque na bola. Faz questão de acompanhar tudo a poucos metros e corrigir as falhas de todos, mais jovens e experientes. O treinador faz questão que suas atividades tenham o máximo de concentração, sem muitas distrações. Já vi fotógrafo tomar um 'puxão de orelhas' daquele porque estava falando alto demais na arquibancada. 

Observar tudo que acontece e saber parte do que essa turma passa para chegar ao lugar mais alto me faz ver como o buraco é 'embaixo'. É preciso muito para voar tão longe. Sei que muitos gostariam de estar no meu lugar para poder acompanhar, diariamente, uma trajetória tão bonita, que ainda promete mais conquistas. Apenas tento aproveitar a chance que tenho neste início de carreira.

Lá na frente, poderei olhar para trás e dizer que fiz parte de tudo isso, de alguma forma. Ter visto os treinos e jogos de perto, ter mantido uma relação saudável com os jogadores, comissão e torcedores e saber que acompanhei alguns dos momentos mais históricos do vôlei brasileiro. Algo para poucos. Mesmo com a consciência do privilégio, a ficha só vai cair daqui a alguns anos. Nunca imaginei que teria minha história profissional tão ligada a um time. Por uma questão profissional, foi esse o caminho que surgiu. Apenas tento aproveitar e agradecer pela chance que aparece e pela tentativa de fazer por onde para continuar vendo tudo isso de tão perto pelo maior tempo possível.

 

 

27 de Abril - Quinta-feira - 16:18

Retrógrado

Aceitação do Cruzeiro para Mineirão com duas torcidas foi 'deixa' para time alvinegro, que fez questão de insistir em opção que agrada a poucos



              Mentalidade dos dirigentes faz com que potencial do clássico seja desperdiçado




De uns anos pra cá, parece que a máxima de que 'o que vale é o resultado final a qualquer custo' ganhou proporções ainda maiores, deixando de lado alguns fatores que sempre foram essenciais. Em clássicos pelo Brasil, entre eles Atlético e Cruzeiro, a formação dos times, desfalques, boa ou má fase, costuma não receber os mesmos holofotes nos dias que antecedem os jogos. 

Tudo por conta da decisão das partidas acontecerem com torcida única, ignorando os anseios de torcedores que precisam se contentar em viver uma realidade distante de outras épocas. Torcida dividida, que chegou a ser tão comum, hoje é coisa rara no futebol brasileiro. 

Um dos argumentos que se usa é a segurança. Os acessos no Horto são complicados, as ruas são estreitas e o trabalho da Polícia seria maior ainda. Se tivessem boa vontade e um bom planejamento, seria possível termos duas torcidas no estádio do Horto, nem que fosse com 90% de atleticanos e 10% de cruzeirenses. Era só querer, mas parece que falta não só interesse como capacidade.

No Mineirão, as desculpas são outras. Depois de algum tempo contra a ideia, o Cruzeiro aceitou fazer os dois jogos das finais do Mineiro no Gigante da
Pampulha com torcida dividida, coisa que o Atlético insiste em se recusar. Prefere jogar a volta no Horto, onde tem um bom aproveitamento. Os resultados favoráveis que fizeram a torcida atleticana chamar o Mineirão de 'salão de festas' são insuficientes para a diretoria do clube aceitar fazer dois jogos no estádio. Seria interessante pensar em fatores além da pressão da torcida como fator fundamental.

Quem cansou de ir em clássicos no Mineirão com torcida dividida custa a entender a mentalidade dos dirigentes. É compreensível o raciocínio da diretoria atleticana, mas discordo da sua posição. O que vale, no final, para ela, é o resultado. As chances no Horto podem ser maiores do que no Mineirão. Podem, mas não se trata de uma regra e as últimas derrotas para o Cruzeiro, na Arena Independência, são prova disso.

Não seria melhor para todos, incluindo os torcedores, fazer os dois jogos com torcida dividida e deixar o desempenho dentro de campo fazer a diferença? A vontade da torcida, nessa hora, é pouco considerada. A impressão que passa é que fazem questão de tentar conturbar o ambiente ao invés de facilitar as coisas.

Uma grande oportunidade para os dois times entrarem em acordo e fazerem a alegria dos torcedores, sedentos por ver as arquibancadas divididas, foi
desperdiçada. Pedidos da imprensa também foram em vão. Preferem ver, única e exclusivamente, o lado do resultado. Que a beleza do espetáculo fora
das quatro linhas fique em segundo plano. Pra que beleza nas arquibancadas quando o que fala mais alto é vencer a taça sobre o arquirrival? O resultado final
poderá justificar (ou não) a decisão.

Um atraso de pensamento que insiste em permanecer, mesmo que o Atlético esteja dentro dos seus direitos. Este fato não é suficiente para evitar críticas e
discordâncias. Pior ainda é o clube afirmar, com alguma prepotência, que não precisa justificar suas decisões. A torcida não agradece por tal posição. O Atlético tem

condições de vencer jogo de ida e volta contra o Cruzeiro no Mineirão. A torcida pulsa no Horto, mas é a bola que fará a diferença para o resultado final, seja em qualquer lugar. Uma pena deixar de lado uma maior presença da própria torcida atleticana no palco que é merecedor. Punem muitos que não se cansam de lamentar tal decisão.

Souberam muito bem diminuir o valor do confronto, tanto antes como no dia do próprio duelo. Com boa vontade, seria possível chegar em um acordo. Mas preferem bater o pé e insistir em uma ideia retrógrada e desnecessária.

Não seria porque o Atlético 'cedeu' e aceitou jogar os dois jogos na Pampulha que o título vai escapar, podem ter certeza. Uma pena precisarmos conviver com isso e deixar o potencial da realização do clássico no Mineirão ser perdido para dois jogos com uma festa bem diferente da que seria possível. Melhor nem ver os vídeos do Mineirão dividido ate os anos 90 para não lamentarmos ainda mais a decisão. 

Torço para que, daqui alguns anos, esse raciocínio fique para trás, assim que uma nova geração de diretores tomar as rédeas dos clubes. Vamos olhar para o
passado, já com os clássicos acontecendo como sempre deveriam, lamentando decisões e tentando entender com foi possível que algo assim fosse realidade por
tanto tempo.
 

21 de Abril - Sexta-feira - 18:44

Mais justo

Zagueiro do São Paulo foi criticado ao impedir cartão para o adversário, deixando benefício do seu time em segundo plano


Rodrigo Caio teve atitude que é rara de se ver no futebol brasileiro (crédito: Rubens Chiri)
 
São vários os fatores recorrentes no futebol brasileiro que nos mostram como ainda precisamos amadurecer. Precisamos todos. Dirigentes, jornalistas, jogadores, técnicos e outros envolvidos. Ainda estou tentando entender como o lance de Rodrigo Caio causou tanta polêmica.

Talvez pelo fato de não estarmos acostumados a um jogador se acusar e priorizar ser sincero do que a punição do adversário. No Brasil, é cultural enganaro outro, é algo que vemos todos os dias. O que vale é chegar na frente. Quando algo tão natural apresenta uma possibilidade de desvio de rota, logo criam-se barreiras para reconhecer o lado certo da história. É mais fácil deixar do que jeito que está, sempre foi assim...

Rodrigo Caio fez o que muitos não fariam. No futebol brasileiro, não me lembro de caso similar. Na Europa, já vi um ou outro. Noticiou-se que jogadores do São Paulo e até o técnico Rogério Ceni repreenderam o zagueiro. Afinal, o cartão que iria para Jô deixaria o atacante suspenso do próximo jogo. Isso nem passou pela cabeça do são-paulino, que fez somente o que era o mais correto, independentemente das consequências. 

Como um possível prejuízo para o São Paulo aconteceu, logo tratou-se de deixar o ato em si em segundo plano para priorizar os interesses do clube. Ainda há um longo caminho para percorrermos enquanto discussões como estas seguirem ativas.

Fico imaginando como deve ter ficado a cabeça do jogador, que viu uma atitude louvável ser criticada. Certamente, pode ter dúvidas na próxima chance de fazer algo parecido Não só ele, como outros. Atletas não costumam ser fãs de serem o centro das atenções em uma situação como esta. Mesmo com o bom exemplo, podem pensar que não compensa. Fingir que não viu nada, ficar calado e deixar o juiz se virar podem parecer as melhores opções. A que ponto chegamos? 

Enquanto não encararmos a honestidade como algo necessário e que precisa ser praticado por todos no dia-a-dia, vamos ter dificuldades para assimilar como natural lances como o ocorrido. No futebol, a ética em primeira plano faria um espetáculo mais justo e belo. Quem disse que isso rende valores e títulos? O que vale é, a qualquer custo, chegar à vitória, mesmo que a consciência pesa por pouco (ou muito) tempo.

São muitos os casos em que o jogador poderia apontar para o árbitro o que, de fato aconteceu. Sabendo do julgamento que receberá assim que pisar fora do gramado, prefere se abster.

Seria interessante ver que tal lance serviu de inspiração para outros e que ações parecidas acontecessem. Acho que só assim poderemos ver como natural uma situação como esta. Os jogadores fazendo questão de que isso seja uma parte recorrente é uma das melhores maneiras de dar exemplos, um dos papéis dos profissionais da bola.

Rodrigo Caio teve personalidade e isso falta em grande escala em boa parte dos profissionais. O pensamento é de que a obrigação do juiz é acertar tudo e que nada precisa ser feito assim que seu time puder correr algum risco. No dia em que a ética falar mais alto que o interesse, com alguma frequência, começaremos a evoluir. Lances de grande exemplo, mas escassos, podem ser insuficientes.

 


 

27 de Março - Segunda-feira - 11:56

Ideia válida

Depois de tantas polêmicas nos últimos anos, iniciativa poderia fazer com que CBV percebesse como realidade seria pouco afetada dentro das quadras


Marcos Pacheco achou injusto critério usado no ranking da Superliga feminina (crédito: Gaspar Nóbrega-Inovafoto - CBV)




Votados recentemente, os rankings da Superliga masculina e feminina seguirão gerando polêmica. Para a próxima temporada, mais mudanças apareceram. Entre as mulheres, somente as jogadoras de sete pontos entram na lista. Todas as outras serão zeradas, assim como as estrangeiras.

No masculino, porém, todos os jogadores seguem com pontuação. Entra temporada, sai temporada, o assunto gera muita discussão. A ideia, criada há mais de 20 anos pela CBV, é tentar gerar um equilíbrio dentro do maior campeonato do país. Na prática, isso pouco aconteceu.

O que mais pesa é a força econômica de alguns clubes. Quem tem mais recursos, monta um time mais forte e, quase sempre, chega na frente. Dificilmente, o ranking vai interferir tanto a ponto de permitir que clubes de menor expressão consigam fazer frente às potências como Rexona, Sada, Sesi e Taubaté. Sem grandes recursos, os times de menor força econômica terão poucas chances de arcar com os salários de jogadores que podem fazer a diferença.  Essa realidade seguirá presente. 

Aproveitei o jogo entre Minas e Sesi, em BH, para conversar com o técnico Marcos Pacheco. Ele me revelou uma ideia que faz algum sentido e que já havia passado pela minha cabeça: abolir o ranking.

"Acho que pode ser interessante fazermos uma tentativa de uma temporada sem ranking. Aí vemos no que vai dar, como o mercado vai se mexer, se vai mudar muito ou pouco. Eu, como treinador, e pessoa fisica, sou a favor desta ideia", comenta Pacheco. No entanto, como funcionário do clube, Pacheco não pode afirmar que é contra a decisão do time que paga seu salário. Quase todos os clubes são a favor do ranking.

"Acho muito injusto o que foi feito no feminino ao ranquear somente as jogadoras de sete pontos. Se isso for feito no masculino, o Simón, que é um cara que merece pontuação máxima, ficaria zerado", afirma. Menos mal que dias depois a votação do ranking masculino foi diferente e colocou o central cubano do Sada Cruzeiro como sete pontos. 

De qualquer forma, acho que seria muito interessante fazer um teste e ver o que aconteceria. Na minha visão, o contexto seria bem parecido com o das últimas temporadas. Times de mais verba contratando melhor e tendo os jogadores de maior qualidade à sua disposição. Quase a totalidade dos jogadores são contra o ranking e ouvi-los seria, no mínimo, prudente. Dificilmente, as mudanças que apareceriam seriam tão drásticas a ponto de interferir diretamente no resultado final.

Para a CBV e todos os envolvidos perceberem que a abolição pode ser o melhor caminho, custa pouco. Tentativas como estas não afetariam a realidade que está presente há mais de duas décadas no vôlei nacional. Os jogadores são as principais estrelas e precisam não só serem ouvidos, mas terem uma voz ativa ainda maior.