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Esportivamente por Daniel Ottoni
22 de Maio - Segunda-feira - 15:58

Pelo caminho

Fiscalização sobre o Red Bull Minas Riders aponta para possível ação isolada; mesmo critério não foi visto em provas similares em períodos anteriores




Polícia Florestal marcou presença em três diferentes pontos logo no primeiro dia de disputa (crédito: Daniel Ottoni - Webrrepórter)



O que era para ser um evento para fincar raízes em Minas Gerais e movimentar a economia das cidades por onde passa se transformou em imprevisto, decepção e lamentações. O Red Bull Minas Riders chegou ao Estado pelo segundo ano consecutivo, com status de uma das principais competições de Hard Enduro do planeta.

Quem conhece a empresa, que organiza eventos de diversas modalidades, dentro e fora do Brasil, sabe do seu nível de capacidade, comprometimento e envolvimento. Com um ano de antecedência, todas as licenças necessárias foram buscadas. Não é do nada que uma competição deste porte, com pilotos subindo e descendo por entre montanhas, florestas, rios e cachoeiras aconteceria. Todo o cuidado foi tomado para que tudo estivesse dentro da legalidade. E foi assim que a competição foi confirmada, com a presença de pilotos nacionais e gringos, com um alto investimento e grande estrutura.

Mas parece que a divulgação do evento e as aceleradas de dezenas de motos por Ouro Preto e região incomodaram algumas pessoas. A disputa terminou após o segundo dos quatro dias de provas. Tudo por conta de uma denúncia anônima que fez com que a Polícia Florestal aparecesse em alguns pontos logo no primeiro dia de prova.

O registro de vídeo por parte dos policiais mostrava que algo de estranho estava acontecendo. Pra pior, a prepotência tão comum em muitos militares, não passou batida e apenas comprovou o tipo de que postura que costuma aparecer quando se veste uma farda. Algo que muitos cidadãos já se acostumaram a ver no dia-a-dia.

A informação de que a prova estava embargada pegou todos de surpresa. A organização não teve outra opção a não ser suspender a prova depois que garantias de última hora foram solicitadas. Não seria possível deixar os pilotos esperando por novidades, uma vez que mais dias seriam necessários para que tudo fosse comprovado. A opção foi terminar a prova antes da hora, comprometendo a participação do evento nos anos seguintes. O risco em 2018, certamente, aparecerá em virtude da experiência deste ano. 

“Estamos há um ano conversando com todas as autoridades ambientais e definindo o trajeto da prova e temos autorizações de todos os órgãos responsáveis. Infelizmente, no último momento, a polícia pediu para fazer mais algumas análises de risco e optamos por cooperar e antecipar o final da competição já que os pilotos não podem aguardar”, afirmou o romeno Martin Freinamedetz, da empresa Xventure, responsável pela organização da prova. Para piorar as coisas, várias motos foram apreendidas, com a justificativa de que não possuíam placas, setas e faróis. Mais uma ação que se mostrou 'exclusiva' no Minas Riders. 

O triste disso tudo é ver que a fiscalização apareceu somente quando uma prova bem organizada e com diversas garantias surgiu. No dia a dia, as mesmas trilhas contam com várias motos passando por ali sem que nada aconteça. No mínimo, uma falta de critério por parte das autoridades, que não parecem ter a mesma atenção com outras ações que degradam o meio-ambiente na região.

Sem contar que a prova foi realizada sem imprevistos no último ano, além das edições anteriores que já haviam acontecido em outros lugares do mundo como Romênia, Áustria e Turquia. Coisas do nosso Brasil, que insiste em não aproveitar oportunidades, fechando os olhos para o potencial que uma prova como esta possui.

A impressão que ficou é que tentou-se aproveitar a realização da prova em andamento para 'mostrar serviço'. A disputa já estava confirmada há um bom tempo mas esperaram o início da competição para que novos pedidos fossem feitos. Certamente, não seriam muitos, uma vez que contatos com autoridades e órgãos competentes já haviam sido feitos há meses.

Com boa vontade, poderiam fazer pedidos e terem atendidas as exigências, permitindo que a economia de toda a região fosse movimentada. Se o mesmo cuidado com outras ações fosse tomado com frequência, poderíamos até entender. A mim, pareceu algo abusivo e desnecessário, que fará com que organizadores pensem duas vezes antes de escolher Ouro Preto como sede de provas deste tipo.

Alguns números que o Red Bull Minas Riders iria movimentar em 2017

300 acomodações em Ouro Preto

250 acomodações em Barão de Cocais

200 acomodações em BH

Promoção da rede hoteleira | Total movimentação - R$250.000,00

Promoção do comércio | Restaurantes e estabelecimentos comerciais - R$1.500.000,00 nas quatro cidades (advém dos participantes, equipe de apoio, organização e seguidores do esporte).

Promoção segmento Off Road - R$150.000,00 em peças e equipamentos utilizados durante a prova

R$300.000 em motocicletas Off Road comercializadas para o evento

Contratação de fornecedores e materiais para a realização do prólogo e epílogo - R$250.000,00

Investimento em mídia / divulgação R$170.000,00

Aquisição/ locação de veículos, máquinas e equipamentos para realização da prova - R$50.000,00

 

09 de Maio - Terça-feira - 17:08

Fazendo história

Equipe mais vencedora do país tem trabalho duro e diário por trás de tantas conquistas




Sada Cruzeiro mantém trabalho duro a cada dia para ser premiado com status de favorito e maior time brasileiro de todos os tempos (crédito: i7)



A sequência de títulos do Sada Cruzeiro faz pouca coisa mudar no cenário do vôlei masculino brasileiro. Entra ano, sai ano, o time do técnico Marcelo Mendez segue conquistando boa parte dos títulos que aparecem no seu caminho.

Para a torcida, um gosto especial de gritar campeão com tanta frequência. Para quem gosta de vôlei, um prazer de ver um time de tão alto nível se manter imparável por tantas temporadas.

Para quem vê tudo isso de muito perto, posso dizer que trata-se de um privilégio. Há seis anos no jornal O Tempo, tive a chance de acompanhar, in loco, o primeiro título da Superliga em São Bernardo do Campo (SP). Tinha acabado de ser contratado e mal imaginava em tudo que estava por vir. Experiências de vivenciar como o time se comporta dentro e fora de quadra apareceram também em Campinas, Taubaté, Rio de Janeiro e Montes Claros. 

Um outro tipo de visão aparece na cobertura nos treinos, algo que poucos veem. É ali que a rotina do dia-a-dia se mostra mais presente, quando as brincadeiras podem ser vistas, assim como a dedicação em atividades que fazem a diferença para que tudo saia conforme o planejado nas partidas.

Fico feliz de ver o esforço desse time ser recompensado. Ter essa chance de acompanhar de perto os treinos e jogos não deixa dúvidas de como os jogadores e comissão são merecedores. Marcelo trabalha sério demais, exige dos atletas a cada toque na bola. Faz questão de acompanhar tudo a poucos metros e corrigir as falhas de todos, mais jovens e experientes. O treinador faz questão que suas atividades tenham o máximo de concentração, sem muitas distrações. Já vi fotógrafo tomar um 'puxão de orelhas' daquele porque estava falando alto demais na arquibancada. 

Observar tudo que acontece e saber parte do que essa turma passa para chegar ao lugar mais alto me faz ver como o buraco é 'embaixo'. É preciso muito para voar tão longe. Sei que muitos gostariam de estar no meu lugar para poder acompanhar, diariamente, uma trajetória tão bonita, que ainda promete mais conquistas. Apenas tento aproveitar a chance que tenho neste início de carreira.

Lá na frente, poderei olhar para trás e dizer que fiz parte de tudo isso, de alguma forma. Ter visto os treinos e jogos de perto, ter mantido uma relação saudável com os jogadores, comissão e torcedores e saber que acompanhei alguns dos momentos mais históricos do vôlei brasileiro. Algo para poucos. Mesmo com a consciência do privilégio, a ficha só vai cair daqui a alguns anos. Nunca imaginei que teria minha história profissional tão ligada a um time. Por uma questão profissional, foi esse o caminho que surgiu. Apenas tento aproveitar e agradecer pela chance que aparece e pela tentativa de fazer por onde para continuar vendo tudo isso de tão perto pelo maior tempo possível.

 

 

27 de Abril - Quinta-feira - 16:18

Retrógrado

Aceitação do Cruzeiro para Mineirão com duas torcidas foi 'deixa' para time alvinegro, que fez questão de insistir em opção que agrada a poucos



              Mentalidade dos dirigentes faz com que potencial do clássico seja desperdiçado




De uns anos pra cá, parece que a máxima de que 'o que vale é o resultado final a qualquer custo' ganhou proporções ainda maiores, deixando de lado alguns fatores que sempre foram essenciais. Em clássicos pelo Brasil, entre eles Atlético e Cruzeiro, a formação dos times, desfalques, boa ou má fase, costuma não receber os mesmos holofotes nos dias que antecedem os jogos. 

Tudo por conta da decisão das partidas acontecerem com torcida única, ignorando os anseios de torcedores que precisam se contentar em viver uma realidade distante de outras épocas. Torcida dividida, que chegou a ser tão comum, hoje é coisa rara no futebol brasileiro. 

Um dos argumentos que se usa é a segurança. Os acessos no Horto são complicados, as ruas são estreitas e o trabalho da Polícia seria maior ainda. Se tivessem boa vontade e um bom planejamento, seria possível termos duas torcidas no estádio do Horto, nem que fosse com 90% de atleticanos e 10% de cruzeirenses. Era só querer, mas parece que falta não só interesse como capacidade.

No Mineirão, as desculpas são outras. Depois de algum tempo contra a ideia, o Cruzeiro aceitou fazer os dois jogos das finais do Mineiro no Gigante da
Pampulha com torcida dividida, coisa que o Atlético insiste em se recusar. Prefere jogar a volta no Horto, onde tem um bom aproveitamento. Os resultados favoráveis que fizeram a torcida atleticana chamar o Mineirão de 'salão de festas' são insuficientes para a diretoria do clube aceitar fazer dois jogos no estádio. Seria interessante pensar em fatores além da pressão da torcida como fator fundamental.

Quem cansou de ir em clássicos no Mineirão com torcida dividida custa a entender a mentalidade dos dirigentes. É compreensível o raciocínio da diretoria atleticana, mas discordo da sua posição. O que vale, no final, para ela, é o resultado. As chances no Horto podem ser maiores do que no Mineirão. Podem, mas não se trata de uma regra e as últimas derrotas para o Cruzeiro, na Arena Independência, são prova disso.

Não seria melhor para todos, incluindo os torcedores, fazer os dois jogos com torcida dividida e deixar o desempenho dentro de campo fazer a diferença? A vontade da torcida, nessa hora, é pouco considerada. A impressão que passa é que fazem questão de tentar conturbar o ambiente ao invés de facilitar as coisas.

Uma grande oportunidade para os dois times entrarem em acordo e fazerem a alegria dos torcedores, sedentos por ver as arquibancadas divididas, foi
desperdiçada. Pedidos da imprensa também foram em vão. Preferem ver, única e exclusivamente, o lado do resultado. Que a beleza do espetáculo fora
das quatro linhas fique em segundo plano. Pra que beleza nas arquibancadas quando o que fala mais alto é vencer a taça sobre o arquirrival? O resultado final
poderá justificar (ou não) a decisão.

Um atraso de pensamento que insiste em permanecer, mesmo que o Atlético esteja dentro dos seus direitos. Este fato não é suficiente para evitar críticas e
discordâncias. Pior ainda é o clube afirmar, com alguma prepotência, que não precisa justificar suas decisões. A torcida não agradece por tal posição. O Atlético tem

condições de vencer jogo de ida e volta contra o Cruzeiro no Mineirão. A torcida pulsa no Horto, mas é a bola que fará a diferença para o resultado final, seja em qualquer lugar. Uma pena deixar de lado uma maior presença da própria torcida atleticana no palco que é merecedor. Punem muitos que não se cansam de lamentar tal decisão.

Souberam muito bem diminuir o valor do confronto, tanto antes como no dia do próprio duelo. Com boa vontade, seria possível chegar em um acordo. Mas preferem bater o pé e insistir em uma ideia retrógrada e desnecessária.

Não seria porque o Atlético 'cedeu' e aceitou jogar os dois jogos na Pampulha que o título vai escapar, podem ter certeza. Uma pena precisarmos conviver com isso e deixar o potencial da realização do clássico no Mineirão ser perdido para dois jogos com uma festa bem diferente da que seria possível. Melhor nem ver os vídeos do Mineirão dividido ate os anos 90 para não lamentarmos ainda mais a decisão. 

Torço para que, daqui alguns anos, esse raciocínio fique para trás, assim que uma nova geração de diretores tomar as rédeas dos clubes. Vamos olhar para o
passado, já com os clássicos acontecendo como sempre deveriam, lamentando decisões e tentando entender com foi possível que algo assim fosse realidade por
tanto tempo.
 

21 de Abril - Sexta-feira - 18:44

Mais justo

Zagueiro do São Paulo foi criticado ao impedir cartão para o adversário, deixando benefício do seu time em segundo plano


Rodrigo Caio teve atitude que é rara de se ver no futebol brasileiro (crédito: Rubens Chiri)
 
São vários os fatores recorrentes no futebol brasileiro que nos mostram como ainda precisamos amadurecer. Precisamos todos. Dirigentes, jornalistas, jogadores, técnicos e outros envolvidos. Ainda estou tentando entender como o lance de Rodrigo Caio causou tanta polêmica.

Talvez pelo fato de não estarmos acostumados a um jogador se acusar e priorizar ser sincero do que a punição do adversário. No Brasil, é cultural enganaro outro, é algo que vemos todos os dias. O que vale é chegar na frente. Quando algo tão natural apresenta uma possibilidade de desvio de rota, logo criam-se barreiras para reconhecer o lado certo da história. É mais fácil deixar do que jeito que está, sempre foi assim...

Rodrigo Caio fez o que muitos não fariam. No futebol brasileiro, não me lembro de caso similar. Na Europa, já vi um ou outro. Noticiou-se que jogadores do São Paulo e até o técnico Rogério Ceni repreenderam o zagueiro. Afinal, o cartão que iria para Jô deixaria o atacante suspenso do próximo jogo. Isso nem passou pela cabeça do são-paulino, que fez somente o que era o mais correto, independentemente das consequências. 

Como um possível prejuízo para o São Paulo aconteceu, logo tratou-se de deixar o ato em si em segundo plano para priorizar os interesses do clube. Ainda há um longo caminho para percorrermos enquanto discussões como estas seguirem ativas.

Fico imaginando como deve ter ficado a cabeça do jogador, que viu uma atitude louvável ser criticada. Certamente, pode ter dúvidas na próxima chance de fazer algo parecido Não só ele, como outros. Atletas não costumam ser fãs de serem o centro das atenções em uma situação como esta. Mesmo com o bom exemplo, podem pensar que não compensa. Fingir que não viu nada, ficar calado e deixar o juiz se virar podem parecer as melhores opções. A que ponto chegamos? 

Enquanto não encararmos a honestidade como algo necessário e que precisa ser praticado por todos no dia-a-dia, vamos ter dificuldades para assimilar como natural lances como o ocorrido. No futebol, a ética em primeira plano faria um espetáculo mais justo e belo. Quem disse que isso rende valores e títulos? O que vale é, a qualquer custo, chegar à vitória, mesmo que a consciência pesa por pouco (ou muito) tempo.

São muitos os casos em que o jogador poderia apontar para o árbitro o que, de fato aconteceu. Sabendo do julgamento que receberá assim que pisar fora do gramado, prefere se abster.

Seria interessante ver que tal lance serviu de inspiração para outros e que ações parecidas acontecessem. Acho que só assim poderemos ver como natural uma situação como esta. Os jogadores fazendo questão de que isso seja uma parte recorrente é uma das melhores maneiras de dar exemplos, um dos papéis dos profissionais da bola.

Rodrigo Caio teve personalidade e isso falta em grande escala em boa parte dos profissionais. O pensamento é de que a obrigação do juiz é acertar tudo e que nada precisa ser feito assim que seu time puder correr algum risco. No dia em que a ética falar mais alto que o interesse, com alguma frequência, começaremos a evoluir. Lances de grande exemplo, mas escassos, podem ser insuficientes.

 


 

27 de Março - Segunda-feira - 11:56

Ideia válida

Depois de tantas polêmicas nos últimos anos, iniciativa poderia fazer com que CBV percebesse como realidade seria pouco afetada dentro das quadras


Marcos Pacheco achou injusto critério usado no ranking da Superliga feminina (crédito: Gaspar Nóbrega-Inovafoto - CBV)




Votados recentemente, os rankings da Superliga masculina e feminina seguirão gerando polêmica. Para a próxima temporada, mais mudanças apareceram. Entre as mulheres, somente as jogadoras de sete pontos entram na lista. Todas as outras serão zeradas, assim como as estrangeiras.

No masculino, porém, todos os jogadores seguem com pontuação. Entra temporada, sai temporada, o assunto gera muita discussão. A ideia, criada há mais de 20 anos pela CBV, é tentar gerar um equilíbrio dentro do maior campeonato do país. Na prática, isso pouco aconteceu.

O que mais pesa é a força econômica de alguns clubes. Quem tem mais recursos, monta um time mais forte e, quase sempre, chega na frente. Dificilmente, o ranking vai interferir tanto a ponto de permitir que clubes de menor expressão consigam fazer frente às potências como Rexona, Sada, Sesi e Taubaté. Sem grandes recursos, os times de menor força econômica terão poucas chances de arcar com os salários de jogadores que podem fazer a diferença.  Essa realidade seguirá presente. 

Aproveitei o jogo entre Minas e Sesi, em BH, para conversar com o técnico Marcos Pacheco. Ele me revelou uma ideia que faz algum sentido e que já havia passado pela minha cabeça: abolir o ranking.

"Acho que pode ser interessante fazermos uma tentativa de uma temporada sem ranking. Aí vemos no que vai dar, como o mercado vai se mexer, se vai mudar muito ou pouco. Eu, como treinador, e pessoa fisica, sou a favor desta ideia", comenta Pacheco. No entanto, como funcionário do clube, Pacheco não pode afirmar que é contra a decisão do time que paga seu salário. Quase todos os clubes são a favor do ranking.

"Acho muito injusto o que foi feito no feminino ao ranquear somente as jogadoras de sete pontos. Se isso for feito no masculino, o Simón, que é um cara que merece pontuação máxima, ficaria zerado", afirma. Menos mal que dias depois a votação do ranking masculino foi diferente e colocou o central cubano do Sada Cruzeiro como sete pontos. 

De qualquer forma, acho que seria muito interessante fazer um teste e ver o que aconteceria. Na minha visão, o contexto seria bem parecido com o das últimas temporadas. Times de mais verba contratando melhor e tendo os jogadores de maior qualidade à sua disposição. Quase a totalidade dos jogadores são contra o ranking e ouvi-los seria, no mínimo, prudente. Dificilmente, as mudanças que apareceriam seriam tão drásticas a ponto de interferir diretamente no resultado final.

Para a CBV e todos os envolvidos perceberem que a abolição pode ser o melhor caminho, custa pouco. Tentativas como estas não afetariam a realidade que está presente há mais de duas décadas no vôlei nacional. Os jogadores são as principais estrelas e precisam não só serem ouvidos, mas terem uma voz ativa ainda maior.

 


 

15 de Março - Quarta-feira - 12:54

Em xeque

Clube prefere omitir informações que acabam vindo a público horas depois; último caso foi garantir presença de Fabiana antes informar que retorno não tem previsão

 

 


Fabiana já vinha sentindo dores nas últimas semanas antes de ver situação piorar contra o Rexona (crédito: Divulgação Praia Clube)



A informação da ausência de Fabiana, central do Dentil Praia Clube, nas quartas de final da Superliga, poderia ser mais bem trabalhada pelo time de Uberlândia, que teve na jogadora sua principal contratação para a temporada 2016/2017.

Após o jogo da última rodada da fase de classificação, no dia 10 de março, contra o Rexona-Sesc-RJ, Fabiana deixou a quadra durante o tie-break com dores no pé. Não demorou para que uma fascite plantar fosse constatada. A reportagem de O Tempo entrou em contato com o supervisor Bruno Vilela, no sábado, dia seguinte ao confronto, para saber a gravidade da lesão. Na oportunidade, Bruno garantiu que tratava-se de um problema simples e que Fabiana estaria presente nas quartas de final.

A tentativa de contato com outro profissional do Praia, especializado na área médica, não foi possível. Somente Bruno responderia pelas questões. Nesta terça-feira, Bruno atendeu aos jornalistas e, questionado, mudou seu discurso, já ciente de que a informação passada em um primeiro momento, viria a ser desmascarada em breve. A lesão de Fabiana é mais grave do que o divulgado. Segundo o clube, a recuperação agora depende de como Fabiana vai reagir ao tratamento.

"Vamos ver se ela vai estar conosco nas quartas, na semi, final. Não tem como eu falar se ela vai ficar 15 dias, um mês ou 60 dias fora, depende do tratamento e do organismo dela", declarou o supervisor.

Antes garantida para o confronto de sábado, contra o Brasília, Fabiana dificilmente estará em quadra no primeiro jogo das quartas de final. "Ainda temos mais cinco ou seis dias até esta partida. Ela vai estar em tratamento 24h, com bota, fisioterapia em dois períodos aqui no Praia, tomando remédios. Vamos fazer uma análise para ver o que vai acontecer. É uma lesão chata, machuca muito, dói, é como uma faca entrando no pé. No lance ela forçou muito e acabou estirando. Agora é tratamento, a chance que temos de ela jogar no sábado é de 50%", recuou. Não seria mais fácil falar a verdade desde o começo? Não teria nenhum problema informar que ainda não era possível precisar o tempo em que Fabiana ficaria de fora. Talvez fosse melhor consultar o departamento médico para saber a real gravidade antes de garantir que a jogadora estaria em totais condições de atuar.

Preferiram agir de uma forma, no mínimo, estranha. Não entendo qual seria o problema em informar que uma jogadora X ou Y estaria ou esteve de fora de determinada partida. Entendo o lado de clube de não querer divulgar algumas informações, mas não vejo que este é um caso necessário. 

O histórico do clube de preferir não passar para imprensa e torcedores as informações corretas não vem de hoje. Quando Alix se lesionou em um dos jogos da Superliga e ficou de fora, o clube preferiu omitir a informação no release que costuma ser enviado somente no dia após as partidas. Questionada, a assessoria de imprensa informou se tratar de uma 'opção interna'. Não consigo ver qual o problema em informar algo que será de conhecimento público em poucas horas. 

Preferem esconder até o final, de todas as formas possíveis.

Ainda no primeiro turno da Superliga, Fabiana e Alix ficaram de fora de algumas rodadas. O clube afirmou que as duas estavam sendo poupadas, mas a ausência de ambas se deu em mais de um jogo.

O caso de Fabiana mostra uma postura desnecessária do clube de Uberlândia, que prefere omitir informações ao invés de falar a verdade e ter uma atitude mais profissional. Mais cedo ou mais tarde, o que se tentava esconder é descoberto e o clube acaba agindo contra si mesmo. Para piorar, em um futuro próximo, o que for passado pelo clube não terá a mesma credibilidade em virtude de um histórico recente. Duvidar será a primeira regra quando o assunto for informações vindas do Praia.  

02 de Março - Quinta-feira - 17:59

Valeu a pena

Alta temperatura não fez falta, ao contrário de uma maior presença do público em torneio realizado bem no meio do Carnaval





Sada Cruzeiro teve maior dificuldade na final; resultado garantiu sexta participação seguida do time no Mundial de clubes (crédito: Fredson Souza)



O Sul-Americano terminou com um final esperado (Sada Cruzeiro campeão), assim como os dias que antecederam a decisão tiveram confirmada a previsão de muito trabalho. Nada que nos surpreendesse em uma cobertura de um campeonato internacional. Mas, preciso ser sincero em relação a alguns pontos. Longe de mim querer apontar culpados.

Há anos, não só eu, como muitas pessoas que acompanham o vôlei nacional sabem da força da torcida de Montes Claros. Pude sentir isso de perto, ao vivo, estando presente no ginásio Tancredo Neves. Quem compareceu, fez seu papel muito bem feito, empurrando o time do começo ao fim, gritando o nome da equipe e dos jogadores. Não conheço outra torcida que grita os nomes dos titulares antes de começar a partida, assim como acontece no futebol.

Mas admito que esperava uma presença maior de público no poliesportivo. Talvez eu tenha ido com uma expectativa alta demais. Creio que o período do ano escolhido para o torneio não tenha sido o ideal. Com capacidade para 7.500 pessoas, o ginásio é grande e possui boa estrutura. Quando recebe 2.000 pessoas, por exemplo, parece estar vazio. Situação parecida com a do Mineirinho, quando recebeu o Mundial de clubes. Achei que veria mais gente prestigiando o maior evento esportivo da história da cidade. O time de vôlei participava do principal torneio da sua história e acreditava que o ginásio estaria lotado na maior parte dos dias. O melhor público, de cerca de 5.000 pessoas, apareceu na quarta-feira, superando a marca do dia da final de 1.500 torcedores. Percebam que estou me referindo à quantidade de torcedores e não qualidade da torcida que compareceu, que fez bem seu papel.

O calor pegou, mas só no último dia, quando os jogos aconteceram no início da tarde. Fomos poupados de um desgaste maior no início da competição, quando as partidas aconteciam no final da tarde e início da noite.

A recepção na cidade foi boa e tive oportunidade de conhecer pessoas que só acompanhamos de longe. Estar ali muda tudo e nos faz ver a realidade local com outros olhos. A organização tentou nos ajudar da melhor forma e o saldo foi bastante positivo. Foi legal ver uma cidade do interior mostrando condições e capacidade para sediar uma competição do nível de um Sul-Americano. 

Lamento só a falta de personagens para matérias que saíssem das quatro linhas. Achei que encontraria mais pessoas diferentes, curiosas e chamativas. Talvez tenha faltado um olhar mais cuidadoso do repórter, que ficou mais preocupado com o que acontecia dentro de quadra. O bom é que as coisas boas e ruins ficam de lição, a gente sempre sai de uma cobertura dessa com uma bagagem maior e mais bem preparado para o que está por vir.

 

 

 

 

 

16 de Fevereiro - Quinta-feira - 14:32

Pra guardar

Temperatura em Montes Claros deve ser ainda mais alto no ginásio, que pode ter recorde de público no sábado, dia da decisão valendo vaga no Mundial


Marilyn Triantáfilo, técnica do San Martín, rendeu uma das matérias mais prazerosas na última edição do Sul-Americano, em Taubaté (SP) (crédito: Douglas Magno)

 

Mais um Sul-Americano que se aproxima. A certeza é de boas disputas dentro de quadra, principalmente nos confrontos diretos entre brasileiros e argentinos. Quando os rivais se encontrarem nas semifinais, os jogos prometem ser bons, valendo vaga na final. No dia da decisão, sábado, prevejo um Tancredo Neves lotado e um calor daqueles. Ócios do ofício. Será que temos a chance de recorde de público por lá? Já ouvi que a turma da cidade é fanática com vôlei e torcida organizada é o que não falta. Uma delas coloca seus participantes para usar perucas coloridas. Deve ser algo, no mínimo, curioso.

Claro que os jogos de alto nível estão entre as maiores atrações do torneio. Mas o que mais chama minha atenção é a possibilidade de encontrar personagens diferentes e interessantes, com histórias atrativas para contar. Normalmente, essa turma aparece nos times de menor expressão, em que os jogadores são amadores e a relação com o vôlei é distinta. Os atletas do San Martin, da Bolívia, por exemplo, estão tirando do bolso US$ 650 para disputar o Sul-Americano, já cientes de que dificilmente vão se classificar. Os registros com os astros de times como o Sada Cruzeiro fazem os bolivianos serem fãs antes de adversários.

Lembro de entrevistar um jogador do Bohemios, do Uruguai, no Sul-Americano realizado no Minas Tênis Clube. O cara era jogador nas horas vagas e sua principal função era ser caminhoneiro. Vivia viajando e nem sempre podia treinar com os companheiros. No ano passado, em Taubaté, sem muitas pretensões, descobri que a técnica do San Martin sofria de uma doença degenerativa. Ela não podia acompanhar o time, nos jogos, de pé, por muito tempo. As orientações eram poucas e vinham mais durante os tempos técnicos.

São personagens que aparecem do nada e ficam marcados. Suas histórias não podem ser ignoradas, merecem um texto legal, do nível da sua determinação e exemplos. Dariam, sem muito problema, matérias especiais.

Tenho certeza que muita coisa legal vai aparecer e espero estar atento a tudo para fazer o melhor material possível. Seria muito legal ver Sada Cruzeiro e MOC na final e sentir de perto o Tancredo Neves pulsar. A expectativa é de temperaturas acima dos 30 graus. Isso, fora do ginásio. 

Com encomendas de carnel de sol já feitas, parto com a prioridade de fazer um bom trabalho e tentar conhecer um pouco do Norte de Minas, região em que minha família possui raízes. Mais um evento que surge com expectativa de boas lembranças. 

 

06 de Fevereiro - Segunda-feira - 19:03

Lado a lado

Marco Antônio Queiroga, que está a frente das seleções infanto e juvenil, foi o responsável por apresentar projeto de continuidade ao técnico campeão mundial de clubes

 


Marco Queiroga fez primeiro contato com Luizomar, que já conhecia representantes da federação peruana (crédito: Divulgação - Minas Tênis Clube)


O técnico do Vôlei Nestlé-SP, Luizomar de Moura, terá a presença de um compatriota para desenvolver bem seu trabalho no comando da seleção feminina de vôlei adulta do Peru. Por lá, desde setembro de 2015, está Marco Antônio Queiroga, que levou o time do Minas até a semifinal da Superliga na temporada 2014/2015.

Queiroga coordena as categorias de base do país, sendo treinador da seleção infanto e juvenil. Ele também é técnico do Geminis, equipe que lidera a liga local.

O comando do time adulto era do também brasileiro Mário Marasciulo, que treinou equipes da Itália por muitos anos, além da seleção da Colômbia entre 2012 e 2013. O final de mandato do antigo presidente, em dezembro, coincidiu com a vontade de Mário em estar perto da sua família nos Estados Unidos. A nova gestão, comandada por uma mulher, é do mesmo grupo do presidente anterior e o maior interesse era trazer alguém de respaldo internacional.

"O Luizomar era um antigo conhecido do pessoal da Federação. O Peru sedia cerca de cinco eventos internacionais por ano e os contatos entre ele e representantes peruanos vem de alguns anos.", comenta Queiroga, responsável por fazer o primeiro contato com Luizomar e apresentar o projeto. O nome do ex-técnico do Minas chegou a ser cogitado para assumir a seleção nacional, mas a vontade maior era por um treinador de mais renome.

Em visita a Lima, Luizomar conheceu melhor a equipe de trabalho e acabou fechando o acordo. A proposta é que a seleção adulta recupere o prestígio perdido recentemente. "O trabalho de base não foi bem feito nos últimos anos e isso acabou afetando o time adulto. Agora estamos retomando este processo. Fomos vice-campeões do Sul-Americano infanto realizado no Brasil, perdendo a final para as donas da casa. Temos uma boa geração infanto e juvenil e queremos que estas gerações se desenvolvam para integrar a equipe adulta. O foco principal é a Olimpíada de Tóquio em 2020", pontua Queiroga. 

Antes disso, outros torneios se tornarão prioridades, caso do Mundial de 2018 e do Pan de 2019. Queiroga será assistente de Luizomar quando a agenda permitir, o fazendo ter uma função ainda maior dentro do vôlei feminino peruano. "A ideia é de continuidade. As coisas estão caminhando bem e boa parte das atletas da minha equipe fazem parte da seleção", completa.

 

 

03 de Fevereiro - Sexta-feira - 14:45

Oceano separando

Exposição de patrocinadores e video-check são apenas algumas das situações que poderiam ser aproveitadas, há alguns anos, pela CBV

 

 

Marca na rede é uma das alternativas que foi encontrada pelos italianos para dar retorno a um dos patrocinadores (crédito: Legavolley.it - Divulgação)



Vendo as semifinais e a final da Copa Itália, em Bolonha, foi inevitável não pensar nas diferenças que existem no país da Bota para o nosso Brasil. A quadra é repleta de patrocinadores, o espaço dentro e fora dela é muito bem usado comercialmente. As empresas que têm seu nome e sua marca expostos ali devem sorrir de orelha à orelha ao ter a certeza da ampla divulgação e de como o retorno está acontecendo, na prática.

Nas arquibancadas, todas as cadeiras ocupadas com uma torcida fanática, com animadores de costas para a quadra usando megafones para animar os outros torcedores. Dentro das quatro linhas, times que existem há anos representando suas cidades, fazendo parte da liga italiana e das principais competições do país há decadas, ininterruptamente. Nada de dúvidas após uma temporada. A prefeitura apoia e o time tem a garantia de participação ano após ano, realidade que não é muito comum por aqui.

Para fechar a conta, o video check, ferramenta que permite o replay de lances duvidosos e que á é usada nos campeonatos locais há alguns anos. Tirando, em partes, a comparação com o ginásio cheio, uma vez que o Taquaral recebeu bom público nas edições masculina e feminina da Copa Brasil, as diferenças de lá para cá são grandes e me fazem pensar nas condições que temos de fazer algo parecido.

As possibilidades existem, mas seguem sendo mal aproveitadas. O video check já foi usado em algumas oportunidades por aqui, mas parece que o alto investimento faz com que ele seja ignorado. Na minha visão, deveria ser uma das prioridades da CBV, que recebe uma boa quantia dos patrocinadores todos os dias. Isso traz credibilidade para o campeonato e 'força' os jogadores a admitirem toques no bloqueio, algo bastante raro no Brasil. Se a imagem vai pegar o lance, o jogador, quase que imediatamente, reconhece que a bola resvalou em sua mão. Já que não vai por bem, vai por mal.

Apenas para adicionar mais um detalhe. Discordo veementemente de quem diz que temos por aqui o melhor campeonato do mundo. Na Itália, quase todos os times contam com representantes das seleções de nível um e dois do mundo. Os dez primeiros colocados mostram um nível de jogo bem superior se comparados com os de mesma posição dentro do Brasil. Em nossas terras, o alto nível aparece de forma mais frequente nos quatro primeiros colocados e para por aí.

Se formos comparar a segunda divisão de lá com a daqui então. Muitos brasileiros não pensam duas vezes antes de jogar a série B italiana, sabendo da oportunidade de crescimento pessoal e profissional que terão fora do país. É melhor atuar em um time da divisão de acesso de lá do que em uma equipe de elite, mas de meio de tabela no Brasil.

Longe de mim querer fazer com que nossa liga tenha todas as características da italiana de uma hora pra outra. Mas muita coisa pode ser usada e não vejo boa vontade para isso. Algumas mudanças poderiam aparecer aos poucos para outras aparecerem posteriormente. A cada ano, não vemos modificações, nos obrigando a pensar nos motivos de tantas diferenças, que poderiam ser diminuídas. Este deve ser a 18ª que escrevo sobre o assunto. Ainda tentando entender o sentimento de estarmos parados no tempo.

Mascotes com marcas de patrocinadores, que também aparecem na quadra, são uma sugestão possível de ser usada na Superliga brasileira (crédito: Legavolley.it - Divulgação)