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Esportivamente por Daniel Ottoni
08 de Novembro - Quarta-feira - 11:01

Caminho sem volta

Iniciativa da Rádio Inconfidência deu oportunidade para que Isabelly Morais comandasse transmissão de jogo da série B, não deixando dúvidas de que as mulheres ocupam um lugar cada vez maior dentro e fora dos gramados

 

Frio na barriga deve ter sido inevitável para a mais nova narradora do futebol nacional (crédito: Marcelo Neves)

Chegou um dia que eu nunca esperava que fosse acontecer. Não por falta de esperança, mas porque nunca havia passado pela minha cabeça que uma mulher seria narradora de um jogo de futebol. Preconceitos inconscientes que aparecem em nossa mente em virtude de anos enraizado dentro de um padrão burocrático e retrógrado.

Na última terça-feira (7), justamente no dia do Radialista, o jogo entre América e ABC foi narrado por Isabelly Morais, de apenas 20 anos e ainda estudante de jornalismo. Imagino o frio na barriga que ela deve ter sentido quando veio a confirmação e também nas horas antes de entrar no ar para transmitir uma partida oficial. Tive a oportunidade de ouvir os gols narrados por ela e fiquei bem impressionado. Claro que ainda é estranho para muitos escutar uma mulher narrando um jogo de futebol, mas bastaram poucos segundos para ver seu potencial. Na minha visão, ao mesmo tempo em que ela foi bem, ainda há muito para crescer. Falo isso mais como um torcedor e apreciador de transmissões do que um especialista na nova atividade da mineira de Itamarandiba.

Os méritos devem ser dados a ela, que teve a coragem de encarar o desafio e treinar em casa, sozinha, por quatro meses, além da Rádio Inconfidência, que tem no colega José Augusto Toscano o capitão da náu esportiva e condutor da nova missão, que foi muito bem sucedida. A tendência é de evolução, não há dúvidas. Iniciativas como esta merecem os aplausos e reconhecimento, principalmente por sair do lugar comum e quebrar paradigmas que foram construídos ao longo do tempo em nossas cabeças. Sinto-me um tanto envergonhado de nunca ter pensado nessa possibilidade.

Isabelly não foi a primeira, mas certamente terá seu nome marcado como uma das responsáveis por quebrar mais essa barreira no mundo do futebol, tão machista e ainda com dificuldades de aceitar a presença feminina. Aos poucos, as coisas vão mudando. Já temos mulheres comentando jogos e até atuações de árbitros. Apresentadoras são várias, que mostram sua competência como fator primordial para estar ali. Só a beleza não é suficiente para exercer tal função.

Nas redes sociais, foram várias as mensagens aprovando e comemorando a ideia. Muitas jornalistas fizeram questão de compartihar e comentar a ação, entusiasmadas pela novidade, que vem para quebrar barreiras que pareciam, antes, intransponíveis.

Fico abismado como muitos ainda não conseguem ver algo de positivo nesta nova e bem-vinda transgressão. O que não faltaram foram comentários preconceituosos, que já estamos acostumados a ouvir e ler, afirmando que lugar de mulher não é ali e que trata-se de algo que nunca dará certo. Para o descontentamento, creio que já deu e começamos a trilhar um caminho sem volta. Torço muito para que novas Isabellys apareçam nos próximos anos e que a ideia da Inconfidência ganhe repercussão e inspire atitudes parecidas. Passou o tempo em que futebol, dentro e fora de campo, era lugar somente para os homens.

 

Confira a narração de Isabelly Morais

24 de Outubro - Terça-feira - 17:06

Além da coragem

Estar presente na última etapa no Chile mostrou boa parte dos bastidores do Mundial de salto em penhasco, que conta com histórias e personagens que fizeram valer a pena uma viagem de apenas quatro dias

 


O frio que até os profissionais passaram com a água gelada me fez ter a certeza de que tomei a decisão correta ao agradecer o convite da organização para saltar de plataforma de cinco metros (crédito: Dean Treml)



Dos quatro dias fora, dois foram passados viajando desde as primeiras horas da manhã até as últimas horas da noite. Sendo assim, restaram somente dois dias para acompanhar de perto a sexta e última etapa do Red Bull Cliff Diving, o Campeonato mundial de salto em penhasco, em Lago Ranco, no Chile.

Um atraso na conexão, na ida, nos fez perder um jantar de boas vindas logo no primeiro dia, com a presença da diretoria, dos atletas e de toda a imprensa convidada. Nada poderíamos fazer diante do imprevisto. 

As informações prévias que tínhamos eram de frio, chuva, vento e de uma água com temperatura abaixo dos 10 graus. Em condições normais, eu pouco me importaria com a água gelada, que seria útil apenas como uma ou outra pauta. Mas eu havia feito o favor de aceitar o convite para saltar de uma altura de cinco metros nas mesmas águas que os atletas encarariam. A ideia era relatar parte do que os profissionais sentem na pele, mesmo de uma distância bem menor. Um atleta brincou comigo que eu teria hipotermina, mas acabei levando a sério. Não só na pele, mas senti na cabeça a pressão psicológica para se saltar de quase 30 metros após um mortal pra trás e três piruetas e meia pra frente antes de explodir na água. 

Antes mesmo de chegar ao local da competição, já recebi a informação do 'gelo' que me esperava. Só pensava em como falaria para a minha editora e para a assessora de imprensa que eu gostaria de mudar de ideia. A aceitação da minha desistência aconteceu de uma forma bem mais tranquila do que esperava.

No lugar do evento, não havia como não se impressionar com as quedas das cachoeiras Riñinahue, que fizeram os atletas redobrarem a concentração ao lado do forte barulho. Mais legal ainda foi ver os vários saltos de 20m e 27m que aconteciam em direção a uma água que fez gritos ecoarem assim que os participantes colocavam a cabeça para fora d´água. Várias fotos mostravam como eles estavam sofrendo com a temperatura.

Respirava aliviado cada vez que lembrava que não precisaria entrar nessa jogada, mesmo ciente da experiência inesquecível. Depois que duas atletas se contundiram ao se chocarem com a água, os homens preferiram adiar suas apresentações para o segundo e último dia. Foi a deixa para eu e todos os outros que haviam aceitado o convite pensar duas vezes e deixar o traje de banho. Querendo ou não, havia algum risco envolvido e preferi evitar.



O mexicano Sergio Guzman também sofreu com a água de Lago Ranco na casa dos oito graus (crédito: Dean Treml)


Corajosos saltadores


Para compensar, os personagens que sempre busco e suas histórias que saem um pouco do lugar comum apareceram e renderam boas pautas. Mesmo não fazendo um bom ano, não poderia deixar de falar com o colombiano Orlando Duque, uma das maiores referências da modalidade. Praticando o esporte desde 1997, ele está prestes a se aposentar e foi simpático e muito solícito. A brasileira Jaki Valente também foi atenciosa e competiu até onde era possível. Um quinto lugar ficou de bom tamanho após chegar na final. Ela não deixou de lembrar da diferença de realidade para outros atletas que contam com mais de um patrocinador, podendo focar exclusivamente na sua evolução.

Jaki ainda corre atrás deste privilégio e as dúvidas são constantes na sua cabeça sobre até onde sua paciência e seu esforço podem compensar. Pode ser que uma hora abrir mão da família por tanto tempo não valha mais a pena. Torço muito para que ela consiga um apoio que a deixe focada no que sabe fazer de melhor e no que a deixa feliz. O título de Jonathan Paredes não estava na conta. Com ajuda de uma nota zero do favorito Gary Hunt, que fez o salto final diferente do inicialmente informado, o mexicano aproveitou a brecha que apareceu. A australiana Rhiannan Iffland não deu chances para as adversárias para conquistar o bi.

Em um dos poucos momentos de folga, fui com a reportagem da TV Record até a cidade de Futrono, onde estávamos hospedados. Nada demais em um município de 10 mil habitantes. Mas foi legal pra ver um lugar pacato, de gente tranquila e hospitaleira, incravada bem nos pés nos montes andinos. De perto, pude acompanhar a apreensão de familiares do lado de fora nos segundos antes e depois das apresentações. Até mesmo os adversários não escondiam o nervosismo ao ver os colegas se apresentarem. Na plateia, eles pareciam torcedores normais que se impressionavam com a coragem de quem estava na plataforma.

Tentei aproveitar bem a oportunidade, fosse na cobertura ou no contato com outros membros da imprensa, atletas e direção da prova. Deu pra treinar o espanhol, portunhol e inglês com alemães, chilenos, norte-americanos, mexicanos, colombianos e gente de tantos outros países. Mais uma viagem pra conta que me faz ter a certeza de que aceitar o convite foi uma decisão acertada. Chances como esta não podem ser perdidas.

A organização mostrou-se precisa para que nada fugisse do controle. A festa de encerramento mostrou os atletas longe da apreensão de uma competição que exige precisão e coragem. Uma família existe no Red Bull Cliff Diving, um esporte em que os impressionantes saltos são o carro-chefe, mas onde histórias e personagens mostram como muito aparece por trás de cada apresentação a muitos metros de altura.



Confira vídeo de um dos saltos

 

11 de Outubro - Quarta-feira - 16:51

Desnecessário

Incômodo de oposta, antes garantido, se transforma em lesão, evidenciando postura precipitada da diretoria


Jogadora terá que aguardar por um período maior antes de fazer sua estreia pelo novo clube (crédito: Divulgação - Praia Clube)

O Praia Clube parece não ter aprendido com os erros recentes. Na reta final da última temporada, uma lesão da central Fabiana foi desmentida pelo clube por vários dias até a situação se tornar insustentável. Depois da última rodada da fase de classificação, Fabiana deixou a quadra chorando com dores na sola do pé.

A fascite plantar fez com que Fabiana se tornasse desfalque para a maior parte dos play-offs, momento mais decisivo do campeonato. A direção do clube, no entanto, garantiu que o quadro não era preocupante e que ela estaria em quadra nas quartas de final. O que se temia, foi confirmado. Fabiana não jogou as quartas e só entrou em quadra no último jogo da semifinal, quando o Praia foi eliminado, sentindo falta de sua capitã. O incidente me fez escrever aqui no Esportivamente.

Não seria mais fácil o clube abrir o jogo? Ou informar que não se tinha uma informação precisa? Pior do que bancar, foi mentir. O tiro no pé foi inevitável dias depois quando ficou claro que a situação não era tranquila como o clube desejava. 

Há poucos dias, situação similar acontece. A lesão na panturrilha da oposta norte-americana Nicole Fawcett vai além do 'incômodo' que a diretoria fez questão de garantir. A ausência da jogadora das últimas rodadas do Mineiro não aconteceu em vão. Além de pequenas dores, a jogadora está em tratamento intensivo na fisioterapia, fazendo o técnico Paulo Coco ser pessimista em relação a sua presença na estreia da Superliga, contra o Valinhos, na próxima terça-feira. Segundo o globoesporte.com, o clube não quis, informar, se a lesão seria na panturrilha direita ou esquerda, algo sem relevância alguma e que só mostra a conduta precipitada na condução do assunto.

O episódio similar faz lembrar a atitude recente e desnecessária da direção, que só trouxe arranhões para imagem do clube quando o assunto é a condição física das suas atletas. A perda de credibilidade foi apenas um dos pontos perdidos. Como vamos acreditar no que for passado quando novas lesões apareceram? 

Queria entender o motivo de esconder uma situação que virá à tona mais cedo ou mais tarde. Não que seja obrigação do clube passar a informação precisa. Pode-se fazer como os clubes de futebol e não comentar sobre a expectativa de recuperação. Sou contra esse tipo de postura, mas ela é menos prejudicial do que seguidas derrapadas sobre assuntos de interesse dos torcedores. Um dia, talvez, o Praia aprenda a ter uma postura mais profissional. 

 

03 de Outubro - Terça-feira - 08:59

Aprendizado

Fazer parte da delegação era algo que nunca havia imaginado que aconteceria, mesmo acompanhando o time de perto há seis anos

 Ajudar nos treinos do Sada foi algo que aconteceu de um jeito natural e espontâneo; preocupação maior era não atrapalhar os treinos de Mendez (crédito: Ana Flavia Goulart)


 

Claro que eu sabia que acompanhar o Sada Cruzeiro, o maior time brasileiro de vôlei de todos os tempos, de perto, seria uma experiência valiosa. Na Argentina, fiz parte da delegação da equipe do técnico Marcelo Mendez por nove dias, vendo de perto como funciona a rotina de jogadores e comissão técnica. Uma coisa é ter uma noção de como vai ser. Outra é sentir na pele e vivenciar uma experiência que faz um novo tipo de visão acontecer. Estar no dia a dia do time nos permite perceber detalhes que costumam passar despercebidos quando acompanhamos os rotineiros treinos e jogos.

Talvez eu não teria aproveitado a oportunidade se os integrantes da delegação assim não permitissem e abrissem espaço para que eu interagisse e me entrosasse. O contato seria bastante diferente daquele que temos nos treinos semanais. Café, treino, descanso, almoço, descanso, lanche da tarde, jogos e treinos, muitos treinos. A turma não teve descanso e não é à toa que foi construído um time multicampeão. Nesta rotina, percebemos que são os jogadores mais tranquilos, os mais divertidos, quem são os mais próximos e os mais contidos. O que não faltou foi tempo para conversar com os jogadores e descobrir uma novidade aqui e ali. Sempre tinha a preocupação de tentar não incomodar e saber a hora certa para puxar assunto e me sentir mais à vontade.

A quebra de paradigmas nos permite uma nova percepção. Quando eu poderia imaginar jogar tênis de mesa com o melhor central do mundo? Ou dividir algumas cervejas com jogadores que costumam fazer estragos nas quadras adversárias? Marcelo Mendez é um treinador rígido e competente, que sabe bem diferenciar a hora de trabalhar e de brincar. A percepção de um cara sério pode aparecer para muitas pessoas, que o ‘conhecem’ somente pelas imagens na beira da quadra. Mendez passa longe disso fora das quatro linhas. Talvez seja um dos mais brincalhões da comissão. Mas quando os treinos começam, é primordial saber que o momento é de foco e concentração. Uma disciplina essencial para o sucesso de um time que ainda não teve os feitos repetidos por qualquer outro rival no país.

Tive a sorte e o privilégio de acompanhar uma sessão de vídeo para os jogadores antes da decisão contra o Bolívar no campeonato que levava o nome da cidade. Indo além, fui premiado ao ver, de perto, como a comissão técnica estuda os adversários antes de passar as imagens para os jogadores. Algo que eu sempre tive vontade, mas nunca havia imaginado que aconteceria. Nestas horas, vemos como o vôlei é recheado de detalhes, sempre tendo as estatísticas como uma base fundamental.
Não tive dúvidas de como sei pouco de tudo que envolve o vôlei. Alguns termos e dados eram desconhecidos por mim, mesmo vivendo o esporte praticamente todos os dias nos últimos seis anos. Conhecimento é uma benção e ninguém pode nos tirar o que sabemos.

A abertura que os jogadores e membros da comissão me deram foi extraordinária. Me fizeram sentir em casa, não pensavam duas vezes para me convidar para sentar-me à mesa com eles. Confesso que tive o receio de me sentir deslocado, algo que não aconteceu. Sempre que precisava, estavam à postos para tirar dúvidas e me ajudar com o que fosse. Sinto que a relação com o time, depois de uma viagem desta, é outra. Mas ela não me dá o direito de fazer nada de diferente do que fiz até hoje. Tenho a obrigação de seguir meus passos da mesma maneira e continuar buscando evoluir e aprender mais, de perto ou de longe. Vez ou outra, somos premiados com alguns privilégios que ficam na memória e nos fazem ter um novo grau de percepção. Ossos nem tão complicados do ofício.
 

20 de Setembro - Quarta-feira - 11:55

Voo solo

Nova ação do clube permitirá que torcedores tenham acesso exclusivo a conteúdo digital em parceria com a empresa Hotmart


Marcone Barbosa lembrou da ação conjunta entre os vários departamentos do Cruzeiro na ação lançada nesta semana (crédito: João Godinho)

Na noite desta terça-feira, tive a oportunidade de acompanhar o lançamento de mais uma ação de marketing do Cruzeiro. O departamento do clube estrelado parece funcionar muito bem nos últimos anos, principalmente quando tem a presença de Marcone Barbosa. A iniciativa divulgada ontem vai aproximar os torcedores do clube em parceria com a empresa Hotmart, que trabalha somente com produtos digitais.

Por uma mensalidade de R$ 6, quem se cadastrar vai ter acesso a conteúdos exclusivos de bastidores do clube, histórias de torcedores e ídolos, conhecer melhor a base e seus jogadores, saber o que os jogadores estarão fazendo fora de campo, etc, por meio de fotos e muitos vídeos. Nada de outro mundo, algo que procede demais nos dias de hoje, com a tecnologia tão presente e o desejo da torcida de estar cada vez mais perto do seu clube do coração. 

Conversando com o vice-presidente Bruno Vicintin, ele lembrou do receio que muitos clubes têm de realizar ações parecidas, talvez por não acreditar no sucesso da iniciativa. Algo que já passou da hora de ser abraçado e feito de uma forma efetiva pelo clubes. Em Minas Gerais, vejo o marketing do Cruzeiro sobrando sobre os rivais. Ainda não consigo entender a dificuldade para que os clubes de todo o Brasil realizem com frequência ações similares, aproveitando um potencial inegável nos dias de hoje. Falta de dinheiro certamente não é. Pra mim, não cabe um time de elite do país não ter um departamento específico voltado para o marketing.

Enquanto as direções de muitos times preferem se atentar, exclusivamente, em contratações e outros fatores relacionados aos gramados, fechando os olhos para o poder do marketing, clubes como o Cruzeiro nadam de braçada, sabendo bem como o retorno pode aparecer em um curto espaço de tempo. Esta foi apenas uma das ações que o Cruzeiro fez nos últimos anos. Nem todas podem ter a visibilidade e a aprovação desejadas, mas somente o fato de sair do lugar comum já mostra como o clube pensa um pouco à frente. Como disse anteriormente, é algo bastante natural de ser realizado nos dias de hoje. O clube da Toca da Raposa apenas acompanha uma tendência e tentar tirar proveito de tudo que está sendo oferecido, com todos acessando redes sociais a cada minuto na palma da mão.

Um dia, quem sabe, teremos um bom número de clubes despertando para a realidade e engajados nesta causa, fazendo o mercado se tornar mais dinâmico e competitivo, exigindo um poder de criatividade que será favorável para todos. Será necessário pensar em ideias atrativas e diferentes para chamar atenção e buscar estar em evidência. Neste momento, O Cruzeiro faz isso sem muito esforço, graças ao desinteresse de boa parte dos clubes por uma área que merece investimentos e ações constantes.


 

31 de Agosto - Quinta-feira - 00:00

Dificuldade

Parte comercial, que poderia ser explorada e dar suporte para os clubes, é um dos entraves para que participantes se envolvam na iniciativa




Transmissões realizadas no Campeonato Mineiro pela Sempre Editora confirmaram potencial de iniciativa que pode ser implementada pelos clubes na Superliga (crédito: Reprodução)



Aproveitando a folga do domingo, resolvi dar um pulo na Praça da Savassi, onde aconteceu o Voleibol Day, evento de lançamento do Campeonato Mineiro masculino. A organização foi muito boa e a oportunidade foi interessante para reunir representantes da Federação Mineira de Vôlei (FMV) e de todos os clubes. Chance para marcar presença, conversar com muita gente do meio e colher algumas entrevistas. 

Fiquei feliz ao ter o retorno de muitas pessoas sobre a primeira transmissão que a Sempre Editora fez, na última sexta-feira, do jogo entre Sada Cruzeiro e Montes Claros, abrindo o Estadual. Os números foram positivos e mostram o potencial que temos diante dos olhos para seguir trabalhando firme, com a certeza de que existe um público cativo, sedento por ver os jogos em tempo real. "Essa iniciativa é um passo muito importante para o desenvolvimento e a continuidade da paixão pelo vôlei, o segundo esporte do país. Fico muito feliz com essa presença, mas elas, aqui no Brasil, estão chegando de forma atrasada. É algo que já acontece com frequência na Europa há muitos anos", comenta o levantador Marlon, do Minas, com experiência pelo vôlei italiano e russo. Antes tarde do que nunca, certo?

O assunto das transmissões seguirem acontecendo na Superliga foi inevitável. Apesar da autorização que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) dará aos clubes para que ações similares aconteçam durante a Superliga, algumas exigências podem restringir o potencial da ideia. Além de exigir que as transmissões tenham uma qualidade mínima, as coberturas poderão acontecer somente via plataforma da CBV. Este é o ponto crucial.

Desta forma, o que poderia ser uma chance para a parte comercial dos clubes, ao buscar contatos com empresas da região, pode não acontecer. A busca por patrocínios pode se mostrar desnecessária, já que a CBV não autorizará a divulgação de marcas parceiras dos clubes. Procurei o departamento de marketing da entidade, que me informou que "o regulamento sobre as transmissões será publicado em breve, mas, a princípio, não será possível inserir marcas dentro da transmissão, que deverá ser realizada via plataforma da CBV".

Penso que isso pode desanimar uma possível intenção dos clubes em realizar as transmissões, uma vez que terão que arcar com todos os custos para uma ação deste porte. "Estes entraves podem segurar o momento de transição que estamos passando. Temos que buscar alternativas para colocar o vôlei na mídia de uma forma em que todos tenham acesso. Isso só ajuda a popularizar o esporte, é algo muito positivo para a modalidade. Na Europa temos canais específicos para as transmissões, é algo que faz o vôlei se tornar um produto. Já passou da hora disso acontecer. Sabemos bem que temos um público consumidor por aqui. Quantos torcedores não gostariam de ter uma camisa, um tênis ou um boné dos seus times e atletas preferidos. Estes entraves precisam ser banidos", sugere Marlon.

Uma ideia seria a CBV solicitar testes, antes da Superliga começar, para ter a certeza de que os clubes atenderão aos pré-requisitos técnicos, deixando a parte comercial com os times, que poderiam buscar uma nova forma de renda, algo que eles tanto procuram. Seria uma opção a mais para os clubes aumentarem seus recursos. Duvido que a CBV vá abrir mão disso. Poderia muito bem facilitar as coisas, mas faz questão de centralizar as ações. Tais determinações poderão fazer com que o potencial de transmissão, que se mostra enorme, não seja aproveitado por uma questão que não me parece fazer muito sentido.

O que deveria ser prioridade era a visualização dos jogos para o maior número possível de torcedores. Regras comerciais têm tudo para impedir o potencial que já é mostrado no Campeonato Mineiro. 

 

 

21 de Agosto - Segunda-feira - 14:06

Adiante

Com suporte da Agência Espacial, torcedores terão proximidade que tanto desejam e pouco possuem com a modalidade



Ginásio do Riacho vai receber jogo de abertura da edição deste ano do Estadual (crédito: Pedro Vilela - agência i7)


Indo além de fazer a maior cobertura do país, o Jornal O Tempo vai levar o vôlei para muito perto dos torcedores que gostam e acompanham este esporte. Até o último ano, o veículo era o único do país que divulgava a Superliga diariamente em suas páginas, dando tabela e classificação do maior torneio do país, tanto no masculino como no feminino. A ideia é seguir com o formato, mas agora em novas frentes. 

Para esta temporada, a coisa vai ficar ainda melhor. Vamos transmitir, ao vivo, pelo facebook do jornal, todos os jogos do Campeonato Mineiro, que começa na próxima sexta-feira, dia 25, com o jogo entre Sada Cruzeiro e Montes Claros, em Contagem. De lá, partiremos para presenças em outras cidades como Mariana, Sete Lagoas, Juiz de Fora e Montes Claros. Em cada uma delas, vamos tentar levar para o torcedor muita coisa que, ás vezes, não é possível transmitir por meio de um texto. Pra mim, pessoalmente, será interessante a experiência como repórter de quadra, algo que aparece como novidade na carreira. 

Com a transmissão em aúdio e vídeo, ficamos mais perto do torcedor. Teremos a colaboração fundamental da Agência Espacial, já acostumada com coberturas e transmissões similares. A estrutura de uma empresa que já atua no ramo será de grande importância para o sucesso desta empreitada.

A carga de trabalho que aparece é proporcional à experiência que vamos levar. Sempre deixando a marca do jornal por onde passemos, para que todos tenham a certeza de que, quando o assunto é vôlei mineiro, não existe outro veículo que acompanha e faz os torcedores terem a proximidade que tanto desejam e sentem falta. Que comecem os trabalhos!

 

08 de Agosto - Terça-feira - 10:59

Caindo de para-quedas

Aprendizados foram constantes na primeira vez fazendo um jogo de modalidade que ainda se apresenta para público e mídia brasileiros


Má intenção dos jogadores do Flamengo foi criticada por atleta do Cruzeiro (crédito: Lincoln Zarbietti)


Mesmo fazendo o que gosto, nem sempre as coberturas que nos são apresentadas colocam esportes que somos familiarizados no caminho. No último sábado, tive o desafio de cobrir, pela primeira vez, um jogo de futebol americano, esporte que havia visto poucas vezes na TV.

Claro que dúvidas apareceram, uma vez que não sou especialista no assunto e precisaria evitar que essa impressão fosse passada ao leitor. No jogo entre Sada Cruzeiro e Flamengo Imperadores, já me chamou atenção o fato de cada time ter mais de 30 jogadores. A primeira coisa que imaginei foi nos altos custos de viagens com alimentação e transporte pra tanta gente em um esporte que ainda não é dos mais populares em nosso país. A narração e o comentário, que aconteciam ao vivo, para todos os presentes acompanharem (com a presença do colega Josias Pereira na cabine) contribuíram para que eu tivesse uma melhor noção do que acontecia.

A previsão de um jogo de 2h30 se extendeu e a partida durou quase três horas, algo que eu não esperava nem estava acostumado. Ócios do ofício. Sabia que estava diante de um novo aprendizado e creio que foi até melhor do que eu pensava. Não foi tão difícil quanto imaginava e creio que consegui dar uma geral na vitória cruzeirense, sem entrar em detalhes para não me complicar. Aos poucos, vou tendo novos conhecimentos e me sentindo à vontade para usar termos e ser mais específico.

Mesmo diante do novo (nunca imaginei que faria um jogo de futebol americano ao vivo), preferi olhar pelo lado positivo e aproveitar a oportunidade. Na entrevista, pós jogo, um jogador do Sada Cruzeiro relatou algo que eu não havia percebido: na maldade dos jogadores adversários, que pareciam estar mal intencionados, sedentos por machucar um colega de profissão. De longe, vi os choque constantes como algo normal, mas não foi bem assim em algumas das ocasiões, mostrando a necessidade de um olhar clínico mais apurado. De qualquer forma, foi uma experiênca válida para quem 'caiu de para quedas' em mais um esporte que chega e pede passagem para a mídia e torcida brasileiras.

 

 

02 de Agosto - Quarta-feira - 19:00

Nem assim

Depois de se classificar pela primeira vez aos play-offs, time da Zona da Mata viu recursos se reduzirem para a temporada que se inicia


Presença do JF Vôlei na temporada 2017-2018 só foi possível graças a continuidade da parceria com Sada Cruzeiro (crédito: Divulgação)


Por mais contradizente que possa parecer, a primeira pessoa da lista que diria que o Juiz de Fora Võlei enfrentaria ainda mais dificuldades nesta temporada, após o melhor resultado da sua história, é o diretor do time Maurício Bara.

Maurício, que foi treinador do time nas suas primeiras participações na Superliga, conhece bem o contexto que a equipe veria meses após se classificar, pela primeira vez, aos play-offs e terminar a temporada com a sétima melhor campanha do país, mesmo com um orçamento bem abaixo dos principais clubes. "Não me surpreendi com tudo que encontramos novamente. Apesar do resultado que tivemos ter sido tão expressivo, mostrando o crescimento do projeto, sabia bem que isso não significaria um aumento do apoio", lamenta Bara.

Para a temporada que se inicia, o JF Vôlei, assim como ano passado, não ficou de fora por muito pouco. A diretoria não teve outra opção a não ser 'enxugar' a folha e os custos para que as condições mínimas de participar acontecessem. "Neste ano, o risco foi maior. Levamos em consideração a possibilidade de não colocar o time em quadra. Estudamos a situação com calma, tivemos parceiros que fecharam de última hora, no meio de julho. O jeito que encontramos foi jogar com este modelo", analisa.

Uma única contratação foi feita, ao contrário da última temporada, quando a equipe trouxe nomes experientes como do oposto Renan, que acabou retornando à seleção após ser um dos maiores pontuadores do campeonato e do levantador Rodrigo. O elenco segue com 11 jogadores, com um número abaixo do ideal, que são 12 ou 14 à disposição. Todos os outros 10 atletas foram cedidos pelo Sada Cruzeiro mantendo a parceria que estreou no ano passado.

Sem este suporte, o JF precisaria ver Mineiro e Superliga de fora, lamentando por uma situação que se arrasta e que não faz os resultados serem suficientes para uma melhora mínima na condição financeira. Se uma outra classificação aos play-offs da Superliga vier, o mérito será ainda maior dos jogadores e do técnico Henrique Furtado, outro cedido pelo time celeste. Creio que trata-se de uma tarefa difícil, mas não impossível.

 

Confira parte da engenharia financeira realizada pelo JF Vôlei

- Menos contratações

- Redução de salários da preparação física e fisioterapia

- Jogos com seu mando contra o Sada Cruzeiro, em Contagem, e contra o Montes Claros Vôlei, serão realizados na casa do adversário, que arcará com despesas

de alimentação e hospedagem. Deslocamento será custeado pelo próprio JF.

- Salário dos 10 atletas que foram emprestados pelo Sada Cruzeiro é pego pelo time de Belo Horizonte

Veja a lista de atletas anunciados pelo JF Vôlei

Levantadores: Henrique Adami e Felipe Hernandez
Ponteiros: Felipi Rammé, Vítor, Raphael Marcarini e Leozinho
Centrais: Bruno, Franco e Matheuzão
Líberos: Juan Mendez e Athos

 


 

21 de Julho - Sexta-feira - 12:37

Escola boa

Brasileiro foi treinador do cubano que marcou história no Minas Tênis Clube

 

Escobar treina no antigo rival Sada Cruzeiro, aproveitando a estrutura do CT do Barro Preto (crédito: Lincoln Zarbietti)


O potencial do oposto cubano Escobar, mostrado nas duas temporadas em que defendeu o Minas, foi comprovado na sua primeira passagem pelo Suntory Birds, do Japão. Recém profissionalizado no time de Belo Horizonte, ele foi o maior pontuador das duas Superligas que disputou e quase repetiu a dose na terra do sol nascente, terminando na segunda posição no ranking dos melhores atacantes. O bom desempenho que ajudou o time a terminar a liga na quarta posição enche Escobar de motivação. 

Boa parte dos seus ataques tinham o dedo de um conhecido personagem do vôlei brasileiro: Gilsão Mão de Pilão, ex-oposto da seleção brasileira na década de 1990. Depois de marcar seu nome na história do Suntory, com seguidos títulos japoneses, Gilson virou treinador, comandando Escobar na equipe nipônica. Depois de três anos no banco de reservas, Gilson está se despedindo do clube. 

"Aprendi muito com ele, principalmente para saber que não precisava ser tão 'ignorante' para atacar. Aquela ideia de 'cabeça baixa e mão pesada' não funciona tão bem por lá. Era preciso saber cadenciar, explorar o bloqueio, dar uma pingada. No começo, eu tinha dificuldade nas viradas de bola e ficava louco. Os japoneses defendem muito bem e precisei me virara", conta Escobar. O cubano está de passagem por BH, durante um mês, mantendo a forma no CT do Sada Cruzeiro.

Antes de ir para o Japão, o oposto chegou a escutar que o nível na liga local não tinha um nível tão alto. "Falaram que os jogadores de lá não eram muito altos, o que não procede. Fiquei surpreso ao chegar lá, eles gostam do vôlei e sabem jogador. Uma das coisas que mais aprendi foi a ter disciplina tática", pontua.

O estrago feito no Japão fez a torcida do Suntory criar uma faixa em homenagem a 'Jan', algo parecido com seu primeiro nome (Yadrian). No dia 15 de agosto, ele parte para Cuba, onde ficará cinco dias ao lado da esposa e da filha de três anos. De lá, retorna para o Japão, que o acolheu bem.  "Osaka é uma cidade bonita e tranquila. Minha filha se adaptou muito rapidamente, eu e minha mulher que tivemos um pouco mais de dificuldade. Ela, principalmente, com a alimentação. Mas, aos poucos, as coisas vão se ajeitando", comenta.

No Japão, é autorizado apenas um estrangeiro por equipe. Por lá, Escobar foi bem recebido e mantém boa relação com os companheiros. Morando em uma casa de dois andares (seu tradutor vive no primeiro), ele está do outro lado da rua do ginásio onde acontecem os treinos diários, em um ritmo um pouco menor do que o brasileiro. "O time trata muito bem seus atletas, eles foram incríveis comigo", esclarece. 

Sem Gilson, que foi demitido, Escobar precisará se virar por conta própria para virar as várias bolas que recebe na saída de rede. A ausência do treinador será sentida, mas os ensinamentos aprendidos na temporada seguirão vivos na memória do cubano.