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11 dias na prisão

Família reprova atitude de brasileiro que planejou prisão na Venezuela

Os parentes também se mostraram envergonhados pela força-tarefa criada para libertar o brasileiro

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Jonatan Moisés Diniz
Brasileiro é ligado a uma Ong dos Estados Unidos
PUBLICADO EM 12/01/18 - 17h51

A família de Jonatan Moisés Diniz - o brasileiro que diz ter sido preso propositalmente para chamar a atenção sobre a crise na Venezuela - divulgou um comunicado nesta sexta-feira (12) na qual afirma desconhecer completamente a "atitude reprovável" dele.

Detido na Venezuela no fim de dezembro, ele mobilizou esforços do Itamaraty pela sua libertação para depois dizer que planejou ser detido pelo chavismo. A motivação de Jonatan foi apresentada em um vídeo de pouco mais de cinco minutos exibido durante apresentação de sua ONG Time to Change the Earth (Tempo de mudar a Terra), na tarde de quinta-feira (11) em Balneário Camboriú.

"Jamais imaginamos que sua prisão fosse resultado de um ato premeditado. Ficamos estarrecidos ao tomar conhecimento das declarações contidas no vídeo", diz a família no texto.

Os parentes também se mostraram envergonhados pela força-tarefa criada para libertar o brasileiro. Jonatan passou 11 dias na prisão. "Após recebida a notícia de sua prisão, a família ficou sem chão. Desde 26 de dezembro de 2017 não houve mais contato e as mensagens enviadas apareciam como não tendo sido recebidas. Também não havia qualquer notícia sobre seu real paradeiro. Só restava à família conseguir o apoio possível em busca de notícias", acrescenta o texto. "Por isso, além de agradecer o apoio de todos para tirá-lo da prisão, pedimos sinceras desculpas."

Por fim, eles declaram que não se envolverão mais no caso e não responderão a outros questionamentos da imprensa. "Tudo que tínhamos que dizer já foi dito, e deste momento em diante só quem responde pelo Jonatan é ele próprio. Obrigado, de coração, a todos que nos ajudaram a superar este episódio. Esperamos que Jonatan possa entender e encontrar o melhor caminho para suas ações sociais".

Versão

Em entrevista, Jonatan disse que não queria chamar atenção para si. Segundo ele, "a mídia que desvia o foco". O brasileiro diz ter conversado com a mãe por telefone durante quase uma hora e ela estava aflita, com medo das críticas que ele tem recebido. Jonatan, porém, diz não se importar com isso, pois está convicto de que "fez o melhor para salvar as crianças".

Nas redes sociais, Jonatan diz ter recebido diversas mensagens de ódio. Ele contou que forçou a prisão para que a mídia "voltasse seus olhos para as crianças que passam fome na Venezuela". Também disse que quando morava lá chorava todos os dias por esse cenário trágico e que tem muitas fotos, mas que "não irá divulga-las porque deseja passar apenas mensagens positivas".

Sobre a nota, ele disse que não fala muito com a família. Jonatan disse que havia participado entre maio e agosto de protestos contra o governo Maduro e que para ser preso convocou os venezuelanos a limparem a sujeira das ruas. "Como eu era gringo pensaram que eu estava lá para desestabilizar o governo", explicou.

Sobre a informação de que ele precisou ser internado em clínicas psiquiátricas para tratamento nos EUA, Jonatan disse que não iria comentar. "Não quero desviar o foco", disse.

Veridiana Maraschin, 20 anos, escolhida para ser presidente da ONG, quando ela for criada, também disse que ficou surpresa ao ouvir o relato de Jonatan. "Não tivemos tempo de assistir o vídeo antes da apresentação. Não sabíamos de nada" disse.

Ela conheceu Jonatan quando tinha 17 anos por intermédio de uma amiga em Balneário Camboriú. A ideia de criar a ONG surgiu neste ano em conversas pela internet. A organização tem outros cinco participantes, incluindo, um catarinense, um gaúcho, dois paulistanos e um colombiano.

Segundo Veridiana, a ONG ainda não está formalizada e não tem contas em bancos. A arrecadação para ir à Venezuela foi feito por Jonatan com ajuda de amigos. Ele explicou ao grupo que escolheu a Venezuela por ter uma ligação sentimental. Em 2016, passou dez dias no país durante um mochilão e no ano passado outros três meses.

Críticas

A Comissão de Direitos Humanos da OAB de Balneário Camboriú, que se envolveu nas tratativas para libertá-lo, também emitiu uma nota classificando a atitude do brasileiro de "egoísta, vaidosa, irresponsável, desnecessária e desrespeitosa com centenas de pessoas dos dois países que envidaram esforços para preservar sua integridade física, e obter sua libertação". "Não acreditamos que de uma mentira seja possível nascer algo capaz de fazer o bem às pessoas, e mais que isso, não acreditamos que alguém que seja capaz de tamanha irresponsabilidade, tenha condições de cuidar de quem quer que seja."

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