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Metade da população diz que mulher que aborta deve ser presa

Posicionamento muda quando assunto envolve um conhecido

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PUBLICADO EM 05/12/17 - 03h00

Metade da população brasileira acredita que a mulher que pratica o aborto deve ir para a cadeia. É o que mostra um levantamento conduzido pelo Instituto Locomotiva de Pesquisa e pela Agência Patrícia Galvão feito junto a 1.600 pessoas de 12 regiões metropolitanas – que concentram cerca de 80% da população.

Esse cenário, no entanto, muda completamente quando o problema envolve um conhecido. Questionados sobre qual medida tomariam ao ver alguém próximo fazer aborto, 7% afirmaram que chamariam a polícia. Dos ouvidos, 47% não fariam nada, 19% brigariam com a mulher e 12% dariam apoio.

“Quando se humaniza o tema, os números são outros”, diz a socióloga Maíra Saruê Machado, diretora de pesquisa do instituto.

Um fator positivo, segundo a socióloga, é que oito em cada dez brasileiros acreditam que a discussão do aborto no Brasil é uma questão de saúde pública ou de direitos. Apenas um em cada dez pensa que o assunto é caso de polícia. “É importante ter essa percepção”, afirma Maíra, explicando que, quando o aborto é legalizado, as mulheres não passam a ser obrigadas a interromper a gestação, mas conquistam o direito de escolher levar a gestação adiante.

Polêmica. O aborto é proibido no país, mas pelo menos 45% dos brasileiros acima de 16 anos conhecem alguma mulher que já interrompeu a gestação. Esse índice sobe para 52% entre as mulheres e cai para 34% entre os homens.

Para Maíra, os dados mostram que a mulher está sozinha quando o assunto é saúde reprodutiva. “Ela conta com uma rede de apoio de outras mulheres. Mas a saúde reprodutiva é um problema apenas da mulher, é ela que resolve sozinha, é ela que tem que arcar com a gravidez não desejada”, analisa.

Os dados mostram ainda que, em cada quatro entrevistados, um é favorável ao aborto.

Retirada de direitos. O levantamento é divulgado no momento em que a Câmara dos Deputados discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 181, que, se aprovada, pode levar à proibição toda as formas de aborto no Brasil, incluindo situações que hoje dispensam punição.

A socióloga ressalta que oito em cada dez entrevistados são a favor de aborto em um dos seis casos apresentados – gravidez não planejada, falta de condições de criar o filho, meninas com até 14 anos, feto com doença grave ou incurável, risco de vida para a mulher e resultado de estupro.

Quando são considerados apenas os casos de gravidez não planejada, falta de condições da família ou se a menina tem menos de 14 anos, a maioria é contra a interrupção da gravidez. Mas nos outros casos – alguns previstos atualmente na legislação brasileira –, a maioria se diz a favor do aborto.

Para a socióloga, o resultado revela que a retirada dos direitos prevista na PEC 181 não é desejo da maioria.

Diferenças. Até o ensino fundamental completo, 67% afirmam ser contrários ao direito de aborto. O índice sobe para 35% entre o público que tem o ensino superior completo.


Direito à vida será votado nesta semana

A comissão especial da Câmara que discute o aborto deve concluir nesta semana a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 29, que prevê a garantia do direito à vida “desde a concepção”. Na prática, isso pode proibir qualquer forma de interrupção da gravidez, mesmo as previstas por lei.

O aborto, hoje, é permitido nos casos em que a mulher for vítima de estupro, a gravidez representar risco à vida da mãe, ou o feto for anencéfalo. A comissão especial foi criada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou não ser crime o aborto até o terceiro mês de gravidez (Da redação)

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