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Autonomia além do dinheiro

Sem proteção de familiares, os mais velhos ficam vulneráveis a ataque de estelionatários e golpistas

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B-G
Estrutura. Águida e a assistente social Cristiane acreditam que grupo de apoio ajuda na autonomia
PUBLICADO EM 20/09/15 - 03h00

“A relação de dependência torna o idoso vulnerável”, na avaliação do presidente do Conselho Regional de Serviço Social de Minas Gerais (Cress-MG), Leonardo David Rosa Reis. E essa relação pode ser tanto com um familiar quanto com uma instituição.

Em junho deste ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) divulgou a decisão judicial de afastar a presidente do Instituto Lar Sagrado, em Nanuque, no Norte do Estado, e a sua filha, secretária da entidade, diante de fortes indícios de crimes apontados pelo MPMG: apropriação indébita, estelionato e formação de quadrilha. O afastamento foi motivado por uma ação civil pública do Ministério Público.

Casos como esse ilustram o que Reis chama de “sistema muito frágil de saúde e proteção social”, que permite, como ele explica, que instituições de longa permanência administrem até 60% dos pagamentos mensais dos idosos que mantêm.

“Faltam políticas públicas que garantam ao idoso, institucionalizado ou não, seus direitos básicos. Inclusive no impacto do seu direito de escolha, que fica comprometido, na sua posição como sujeito, com direito a alimentação, saúde, cultura, lazer”, avalia Reis.

No caso dos familiares, a lógica funciona de maneira semelhante e pode vir acompanhado de outros tipos de violência, como a física e a psicológica. “Quando a pessoa não tem autonomia para gerir seu próprio salário, ela já está sendo violada em outras áreas, porque ela fica sem o direito de ir a um cinema, a um teatro, comprar uma roupa”, afirma Cristiane Gonçalves Temoteo, analista de políticas públicas do Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Petrópolis, no Barreiro, na capital. Além disso, Cristiane afirma que a situação gera “conflitos e agressões psicológicas e físicas, que afetam a saúde do idoso”.

A prevenção, nesses casos, é justamente investir na autonomia do idoso. No Cras onde Cristiane trabalha existe um grupo com 60 idosos em que seus vínculos com a família e a sociedade são trabalhados. “Quando existe alguma ruptura entre o idoso e sua família, nós também atuamos”, explica Cristiane.

Águida Martins dos Santos, 62, frequenta o grupo do Cras Petrópolis há cerca de oito anos, quando se aposentou. Mesmo morando com dois filhos, Águida mantém suas contas separadas e faz questão que os filhos ajudem nas despesas.

“Não peço opinião sobre como gasto meu dinheiro e, quando eles precisam, eu empresto, não dou”, conta Águida. Ela admite, porém, que vê em outros colegas do Cras uma postura diferente. “Alguns não vivem a própria vida, acham que têm que priorizar os filhos”, diz.

“Em alguns casos, os filhos moram com o idoso, mas não ajudam em nada, as contas da casa são todas cobertas por ele. Quando o dinheiro acaba, ele pede provisão alimentar ao Cras”, afirma Cristiane. “Algumas famílias entendem que a renda daquele idoso é de todos, e não para o interesse dele. Como se ele não pudesse usufruir o que conquistou”, analisa Reis.

“Falta-nos um pouco da cultura oriental de reverência ao idoso e a sua experiência”, conclui o procurador de Justiça Bertoldo Matheus de Oliveira Filho.

Parcerias
Denúncia
. Órgãos como o Ministério Público de Minas Gerais e os Centros de Referências de Assistência Social mantêm parcerias para apurar denúncias de violência contra idosos.

Assédio grande dos telemarketings preocupa

O dinheiro não é o único recurso que falta na vida dos idosos brasileiros. “Temos casos de pessoas mais vulneráveis, com 80, 90 anos, que já não têm mais família para ajudar. Fica complicado evitar que eles não sejam enganados”, lamenta a advogada do Centro Nacional de Apoio ao Aposentado e Trabalhador (Cenaat) Vera Brigatto.

“Atendi um casal de bastante idade, que me pediu que os acompanhasse nas movimentações financeiras que faziam, até para vender um imóvel”, relata Vera.

A advogada orienta que aposentados não forneçam nenhuma informação por telefone, para evitar fraudes. Sempre que possível, deve-se ir às instituições financeiras acompanhado e não assinar um contrato sem uma avaliação independente.

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