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Frota renovada

Carro velho para reciclagem será crédito para comprar novo 

Programa do governo e do setor quer tirar de circulação veículos leves com mais de 15 anos

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VENDAS EM CONCESSIONARIAS
Melhorias. Setor espera vendas menores em 2016, mas programa de reciclagem e de renovação da frota pode alavancar os negócios
PUBLICADO EM 07/01/16 - 04h00

Brasília. Em pauta desde os anos 1990, o programa de renovação da frota de veículos finalmente será implementado. O projeto, que está sendo elaborado por 19 entidades entre órgãos do governo e empresas ligadas ao mercado de veículos, deve ser aprovado ainda no mês de janeiro. A informação foi divulgada nesta quarta pelo presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção.

Segundo ele, a medida pode gerar um acréscimo de até 500 mil veículos novos vendidos por ano e ajudar na recuperação do setor, que teve queda de 26,6% nos emplacamentos em 2015. O foco é retirar de circulação, de forma gradativa, caminhões com mais de 30 anos de fabricação e veículos leves com mais de 15 anos. Os proprietários poderão repassá-los para as empresas participantes, que farão a reciclagem dos automóveis. Em troca, o cliente receberá uma carta de crédito para abater no valor de compra de veículos novos ou usados (com menos de 15 anos).

De acordo com dados preliminares divulgados pela Fenabrave, está sendo criado um fundo, sem recursos do governo, para garantir o crédito destinado à renovação da frota. O programa está sendo desenvolvido junto ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior e deve ser finalizado até o fim deste mês. Caso seja implementado, o plano buscará atenuar a esperada queda nas vendas de veículos em 2016. A Fenabrave calcula que, sem a renovação da frota, as vendas deverão cair 5,9% no segmento de carros leves na comparação com 2015.

“São 19 entidades do setor automotivo que estão discutindo com o governo um novo programa de renovação de frota, que deverá se chamar Programa Sustentabilidade Veicular, e o anúncio deverá ser feito no decorrer deste mês”, disse Assumpção. Segundo ele, há um “compromisso verbal” para a implementação dessa medida. Assumpção evitou dar mais detalhes sobre o acordo, que ainda está sendo costurado, mas garantiu que não haverá subsídios fiscais por parte do governo. “Isso não existirá, porque o governo não tem condição, não tem caixa”, declarou. “O acordo deve se dar por meio de alguma taxa ou de algum seguro”, disse.

Segundo o presidente da Fenabrave, as discussões tiveram início há alguns meses, a pedido do próprio governo. Entre as instituições envolvidas estão entidades que representam as montadoras, os metalúrgicos e os sindicatos de trabalhadores, além da própria Fenabrave.

2016

Previsões. A Fenabrave também revelou as previsões inicias para 2016. As vendas de automóveis e comerciais leves devem cair 5,9% em relação a 2015, para 2,33 milhões de unidades.

FOTO: Editoria de arte
07
 

Reflexo da crise

Concessionárias fechadas

A queda nas vendas refletiu no varejo. Ao todo, 1.047 concessionárias foram fechadas em 2015. Outras 420 foram abertas, a maior parte ligada às novas montadoras que se instalaram no Brasil nos últimos dois anos. A Fenabrave estima que mais 500 unidades podem fechar se o cenário econômico não se alterar

Demissões
De acordo com a Fenabrave, 32 mil postos de trabalho foram encerrados nas lojas

Setor tem o pior volume de vendas desde 2008

São Paulo. 
O mercado brasileiro de veículos novos confirmou as expectativas do setor e terminou 2015 com a maior queda nas vendas desde 1987. Foram 2,569 milhões de unidades vendidas no ano passado, recuo de 26,5% em relação ao volume de 2014 (3,497 milhões), informou nesta quarta Fenabrave. Com isso, o volume de vendas atingiu o menor nível desde 2008, ano marcado pela crise na economia norte-americana. Por segmento, os emplacamentos de automóveis e comerciais leves somaram 2,476 milhões de unidades no ano passado, baixa de 25,5% sobre 2014.

Entre caminhões, a queda foi de 47,6%, para 71,7 mil unidades. No caso dos ônibus, houve tombo de 36,5%. As baixas nas vendas ocorrem em um cenário de aumento do desemprego, restrição ao crédito e queda na confiança do consumidor. Este é o terceiro ano seguido de queda nas vendas, considerando todos os segmentos analisados.

Medo do consumidor atrapalha

As concessionárias na região metropolitana de Belo Horizonte confirmam o movimento de queda na comercialização em 2015. Na unidades da Reauto, concessionária Volkswagen, em Betim e Contagem, o recuo nas vendas no ano passado foi de 15%, conforme a gerente de novos da empresa, Gisele Parreiras de Oliveira. Para ela, foi um ano marcado pelo receio. “Muita gente, mesmo com dinheiro, ficou com medo de gastar”, observou.

Gisele frisa que o perfil do consumidor mudou. “Há alguns anos, era possível financiar quase 100% do valor do veículo. Hoje, a entrada tem que ser maior. E isso impactou no fluxo da loja. Até 2014, passava pela Reauto Contagem 25 pessoas por dia. Agora, a média é de oito”, ressalta.

Na Valore, concessionária Fiat, o recuo nas vendas ficou na casa dos 25% frente 2014, segundo o gerente da empresa, Leonardo Mello. “Isso para as vendas para o consumidor final. Já para as empresas, tivemos crescimento”, conta. Ele frisa que as condições de financiamento mudaram. “Para os carros populares, antigamente a entrada era menor, uns 10% e havia condições de financiamento até sem entrada. Agora, o valor da entrada varia de 30% a 40%, o que ficou mais complicado para muita gente”. 

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