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Chuva ainda não foi suficiente para encher mananciais

Nascente do rio São Francisco não voltou a correr em seu leito

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SECA/NASCENTE DO RIO SAO FRANCISCO
Setembro. Fiscal do Instituto Chico Mendes observou local da nascente do São Francisco, que secou
PUBLICADO EM 28/10/14 - 04h00

As chuvas que chegaram no fim de semana e que devem continuar nos próximos dias não foram suficientes para aumentar o volume dos rios que abastecem regiões e municípios que sofrem com a falta de água. Em São Roque de Minas, cidade onde está uma das entradas do Parque Nacional da Serra da Canastra, as nascentes ainda não voltaram a correr. “Na região rural, onde os produtores captavam a água das nascentes, as chuvas não tiveram efeito nenhum”, declara André Picardi, secretário de Meio Ambiente e Turismo do município. “No parque, a chuva também não fez diferença e a nascente do rio São Francisco não está correndo. O que melhorou foi a vegetação e houve diminuição das queimadas”, acrescenta Picardi.

Segundo Márcio Pedrosa, coordenador do Comitê dos Afluentes Mineiros do Alto São Francisco, não houve, por enquanto, qualquer diferença do cenário com a chegada das chuvas. “Não impactaram em nada. É muito pouca chuva para isso. Apenas a poluição e a fumaça que diminuíram”, afirma. Pedrosa afirma que a represa de Três Marias continua com um volume de 3,5% a 3,8% do normal. Na represa de Sobradinho, na Bahia, o volume está em 18%.

Vazão. Em Juiz de Fora, segundo a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), a vazão dos mananciais que atendem a cidade subiu 25% com a chuva, mas ainda não é suficiente para armazenar água. Por essa razão, o rodízio de água adotado há mais de dez dias no município deve continuar, sem previsão de término. Atualmente, na cidade da Zona da Mata, a represa de São Pedro, que chegou a secar, tem 8% de sua capacidade ocupada e a represa Dr. João Penido tem 22%, segundo a Cesama.

No caso de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, o volume de água das chuvas resolve o problema por, no máximo, quatro dias. “Se não continuar chovendo, ajuda pouco. O déficit de chuva de 2014 já está em 150%. Isso porque de 2012 para 2013 também houve um déficit de 35%”, esclarece Bernar do Mourão Vorcaro, diretor técnico do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Caeté. A expectativa para melhorar a situação de abastecimento é que as chuvas voltem ao volume de dois anos atrás. “Precisamos que chova como em 2012, pelo menos 600 mm em novembro e dezembro e, de preferência, que não venha tudo de uma vez”, diz Vorcaro.

Márcio Pedrosa chama a atenção para a constante diminuição do volume de chuva no Estado. “Estamos no quarto ano de chuvas irregulares. A média desses anos anteriores foi de 60% a 70% abaixo do esperado. Esse ano não imaginamos uma situação diferente. Provavelmente não vai chover o suficiente”, alerta Pedrosa.

Sem água
BH.
Por causa da manutenção em uma adutora, seis bairros da capital ficam sem água nesta terça: Álvaro Camargos, Califórnia, Dom Bosco, Dom Cabral, Frei Eustáquio e Conjunto Califórnia.

Transposição deveria ter revitalização

Já foram gastos na transposição do rio São Francisco – que não está pronta – R$ 8 bilhões, segundo Márcio Pedrosa, coordenador do Comitê dos Afluentes Mineiros do Alto São Francisco.

Menos de 10% desse valor foi gasto com a revitalização de nascentes e matas ciliares. “Para cada real gasto com a transposição do rio, o ideal seria que fossem gastos R$ 2 com a revitalização dos mananciais. Sem essas ações para recuperar os rios, ano que vem teremos os mesmos problemas”, critica Pedrosa.

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