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'Compra coletiva' de curso superior ameniza falta do Fies

Oferta de cupons de descontos por site, em parceria com faculdades, cresceu 100% em 2017

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Alívio. Laudileia da Silva conseguiu desconto e paga R$ 547 de mensalidade, metade do preço normal, pelo curso de enfermagem
PUBLICADO EM 14/02/18 - 03h00

Mensalidades altas, poucas vagas ofertadas, má qualidade de ensino e carga horária puxada são alguns dos desafios que milhares de estudantes enfrentam ao ingressarem em uma Instituição de Ensino Superior (IES) no Brasil. E enquanto o número de contratos do Financiamento Estudantil (Fies) vem diminuindo anualmente, as opções de crédito privado e bolsas em instituições particulares vem crescendo. Conforme dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), no ano passado, foram firmados 167.971 contratos entre os estudantes e o governo. E vem caindo. Em 2016, o número foi de 203.626, e em 2015, 287.464. No ano de 2014, o número de contratos bateu recorde, com 732.682 acordos firmados.

O site Quero Bolsa, fundado em 2012, trabalha em parceria com diversas instituições de ensino do país reunindo e ofertando “cupons” de descontos para cursos de graduação e pós-graduação com redução de até 70% na mensalidade, conforme a política da escola. É uma alternativa à crescente dificuldade em se conseguir o Fies.

A opção tem atendido a milhares de estudantes que sempre quiseram, mas nem sempre puderam estudar, como Laudileia da Silva, 31, que cursa o quinto período de enfermagem. Depois de tentar Enem e não atingir a pontuação suficiente para uma instituição pública nem para descontos do ProUni, o site de descontos surgiu como única opção. “Pago R$ 547 por mês, 50% do valor da mensalidade e, como sou autônoma, meu marido consegue me ajudar a pagar as despesas”, conta.

Conforme o gerente de relações institucionais do site Quero Bolsa, Rui Gonçalves, em 2017, o site vendeu 100 mil cupons de desconto em IES, dobrando a marca do ano anterior. Para o gerente, parte do crescimento na busca pelos descontos se atribui ao corte feito pelo governo no programa de financiamento, além da boa oferta de vagas das instituições privadas. Ainda conforme o gerente, para este ano, a expectativa é a venda de 100 mil cupons de desconto só nos seis primeiros meses do ano.

Em 2016, segundo o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), havia 2.407 instituições de ensino existentes no país, sendo 87,7% desse total de instituições privadas. Conforme o levantamento, estas foram responsáveis por 6.058.623 das matrículas feitas em 2016 (75,3%), enquanto a rede púbica de ensino, no acumulado anual, participou com 1.990.078 matriculas (24,7%).

 

Um em cada oito estudantes não completam o curso

Conforme os dados do último Censo da Educação Superior, em 2016, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 8.048.701 pessoas se matricularam no ensino superior no país, enquanto apenas 1.169.449 concluíram o curso no qual já estavam matriculados. São vários os motivos que fazem o estudante abandonar o curso e optar ou não por uma carreira. A questão financeira é um deles.

Sabrina Souza, 27, já abandonou um curso. Ela passou três anos se esforçando para ingressar na Universidade Federal de Minas Gerais. Depois das tentativas sem sucesso, resolveu ampliar o leque de opções e tentar, além da psicologia, o curso de pedagogia. De cara passei na Uemg em um dos primeiros lugares em pedagogia e na Ufop em psicologia, mas, como para estudar em Ouro Preto seria preciso gastar dinheiro com moradia e outros, eu e minha família optamos por eu cursar pedagogia na Uemg”, conta.

Após dois anos e meio, insatisfeita com o curso e com as ofertas de estágio na área, Sabrina resolveu largar a instituição e novamente tentar fazer o que acreditava ter vocação. “Meus pais me deixaram tentar uma faculdade particular para cursar psicologia. Era a faculdade mais barata. Eu passei e ainda consegui uma bolsa que no final do curso chegou a 50% da mensalidade”, relembra a jovem, que pagou os 50% restantes nos últimos semestres.

 

Plataforma tem convênio com 80% das instituições privadas

Segundo a empresa virtual Quero Bolsa, que hoje detém acordo com 80% do mercado de Instituições de Ensino Superior do país, qualquer pessoa pode adquirir um voucher de desconto no site, sem restrição de idade, renda e histórico de cursos superiores anteriores. Desde a fundação da plataforma, em 2012, o site já contribuiu com aproximadamente 200 mil estudantes interessados em ingressar no ensino superior.

O cupom pode ser adquirido em qualquer época, mas, para usufruir do beneficio, é preciso seguir as normas da instituição, vestibular ou análise de currículo. O candidato ao desconto precisa pagar 50% da matrícula ao site Quero Bolsa. As demais mensalidades são pagas à instituição de ensino.

Vale-desconto

Crescente. Em 2015, o site Quero Bolsa atendeu à 16,5 mil estudantes em todo o país. Em Minas Gerais, 2.322 foram contemplados. Já em 2016, dos 51 mil atendidos em todo o país, 4.825 foram mineiros.

No ano passado, quando o site registrou pico de acesso de mais de um milhão de pessoas, 100 mil
estudantes adquiriram um cupom de desconto. Desses, 9.830 eram estudantes mineiros.

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