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Economia

Dólar avança mais de 2% com cenário externo negativo; Bolsa cai 2,43%

A moeda americana terminou com ganho de mais de 2% sobre o real, impulsionada também por mais uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio

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O dólar comercial subiu 2,26%, a R$ 3,57
PUBLICADO EM 03/05/16 - 19h50

O aumento dos temores em relação a uma desaceleração da economia global fez o dólar voltar a se valorizar ante a maior parte das moedas nesta terça-feira (3). As cotações das commodities recuaram, pressionando principalmente os ativos de países emergentes.

A moeda americana terminou com ganho de mais de 2% sobre o real, impulsionada também por mais uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio.

O Ibovespa seguiu o mau humor generalizado e terminou em baixa de 2,43%, influenciado pela forte queda das ações de bancos, Vale e Petrobras. As ações do Itaú Unibanco caíram mais de 5% após divulgar queda no lucro e aumento da inadimplência no primeiro trimestre.

Analistas destacam que, apesar do otimismo de investidores com um eventual governo de Michel Temer, predomina a cautela em relação aos desdobramentos no cenário político. O mercado aguarda a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário do Senado, na semana que vem.

O dólar comercial subiu 2,26%, a R$ 3,5700; o dólar à vista fechou em alta de 2,13%, a R$ 3,5650.
O Banco Central realizou pela manhã mais um leilão de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares pela autoridade monetária. Foram leiloados apenas 9.800 dos 20.000 contratos ofertados, no montante de US$ 490 milhões.

Com isso, o estoque de swaps cambiais tradicionais do Banco Central, que correspondem à venda de dólares no mercado futuro, caiu para US$ 66,533 bilhões. Em 18 de março, quando foram anunciados os primeiros leilões de swap cambial reverso, a posição vendida em dólares do BC estava cerca de US$ 108 bilhões.

Mas a maior pressão de alta da moeda americana veio do exterior. Os mercados globais reagiram a novos sinais de desaceleração da economia global, particularmente na China.
A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit, divulgada nesta terça-feira, mostrou que a atividade das indústrias da China encolheu pelo 14º mês seguido em abril. O PMI de indústria caiu para 49,4, ante 49,7 em março. A expectativa do mercado era de 49,9.

"Os dados ruins da China pressionam as cotações das commodities, o que afeta os outros mercados emergentes", comenta Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. Ele destaca que a liquidez nos negócios está mais reduzida nesta semana, com os feriados na China e em Londres ocorridos nesta segunda-feira (2) e no Japão desta terça até quinta-feira (5).

Além disso, o BCE (Banco Central Europeu) disse, em boletim divulgado nesta terça-feira, que a fraqueza das economias emergentes pode ser duradoura, representando riscos ao crescimento até das economias avançadas.

Outro fator para a alta generalizada do dólar foi a declaração do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de Atlanta, Dennis Lockhart, de que os mercados financeiros podem estar subestimando as chances de aumento dos juros americanos em junho. "Eu colocaria mais probabilidade de (a elevação dos juros) ser uma opção real", afirmou nesta terça-feira.

O presidente do Fed de San Francisco, John Willians, também fez comentários nesse sentido.
Como consequência da maior aversão ao risco e da alta do dólar, os juros futuros de longo prazo subiram no mercado doméstico. O contrato de DI para janeiro de 2021 subiu de 12,410% para 12,490%.

O contrato de DI para janeiro de 2017 fechou perto da estabilidade, de 13,660% para 13,655%. O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, subia 2,34%, para 345,254 pontos.

Bolsa

O principal índice da Bolsa paulista fechou em baixa de 2,43%, aos 52.260,19 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,8 bilhões. Foi a quarta queda consecutiva do índice.

As ações da Vale recuaram 6,52%, a R$ 14,61 (PNA) e 6,08%, a R$ 18,66 (ON), reagindo à queda de mais de 4% no preço do minério de ferro na China.

Os papéis da Petrobras perderam 3,83%, a R$ 9,78 (PN), e 3,39%, a R$ 12,82 (ON). Em Londres, o petróleo Brent caía 1,61%, a US$ 45,09 o barril, enquanto em Nova York o petróleo tipo WTI recuava 2,39%, a US$ 43,71.

Itaú Unibanco PN caiu 5,75%, cotada a R$ 30,11. O maior banco privado brasileiro anunciou que seu lucro recorrente no primeiro trimestre somou R$ 5,235 bilhões, queda de 9,9% em relação ao mesmo período de 2015.

O banco também informou que o índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,9% no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2015 era de 3%. Foi o maior patamar desde setembro de 2013.

Ainda no setor, Banco do Brasil ON caiu 5,15%; Bradesco PN, -2,08%; Bradesco ON, - 2,45%; Santander unit, -1,42%; e BM&FBovespa ON, -2,27%.

Exterior

Além da queda das commodities, balanços fracos de empresas no primeiro trimestre também foram outro fator de pressão para os índices acionários no exterior.

Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdeu 0,78%; o S&P 500, -0,87% e o Nasdaq, -1,13%.
Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em queda de 0,90%; Paris, -1,59%; Frankfurt, -1,94%; Madri, -2,85%; e Milão, -2,46%.

Na Ásia, as Bolsas chinesas subiram na volta do feriado desta segunda-feira (2), apesar de dados sinalizando a desaceleração da economia do país.

A Bolsa de Tóquio ficou fechada por conta do feriado que durará até quinta-feira. O iene, no entanto, bateu nova máxima em 18 meses ante o dólar, impulsionado pelos temores de desaceleração global.

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