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Gás de cozinha sobe de novo, e reajuste chega a 51% no ano

De dono de restaurante a fornecedor de marmitex, empresários temem repassar e vão cortar lucro

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Esferas da GLP da refinaria Duque de Caxias, da Petrobras; gás sai mais caro da indústria, mas índice ao consumidor é incerto
PUBLICADO EM 11/10/17 - 03h00

O consumidor pode preparar o bolso. É que a partir desta quarta-feira (11) o gás de cozinha (GLP) em botijão de 13 kg, de uso residencial, vai ficar, em média, 12,9% mais caro nas refinarias. Para o consumidor final, a Petrobras estima que o botijão seja reajustado em torno de 5,1%, ou cerca de R$ 3,09 cada. Apenas em dois meses, o aumento foi de 44,8%. No ano, chega a 51,5% nas refinarias, mas as distribuidoras são livres para colocar o preço que quiserem, repassando ou não o índice. O reajuste anterior havia sido em 26 de setembro.

O novo aumento, anunciado nessa terça-feira (10) pela estatal, não foi bem recebido. “De novo?”, reclama a orçamentista Cristiele Zaneti. Ela conta que pagou R$ 75 pelo botijão de gás na semana passada, mas se recorda da época em que chegou a comprar o mesmo produto na casa dos R$ 40.

Quem depende do gás para trabalhar sente mais o impacto no rendimento do negócio. É o caso da empreendedora Fernanda Moreira dos Santos. Há um ano ela mantém um delivery de marmitex, o Nanda Quitanda. “Tem pouco tempo que aumentou e já vai aumentar de novo?”, questiona.

Com a alta do insumo indispensável para seu negócio e sem poder repassá-la, os ganhos da empresária serão reduzidos. “O preço do gás representa de 6% a 7% do meu custo total”, diz.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel Minas) e proprietário do restaurante Maria das Tranças, Ricardo Rodrigues, afirma que os constantes aumentos no valor do gás só complicam a situação das empresas do setor, que estão se esforçando para continuar no mercado. “Lucro é uma palavra que sumiu do nosso dicionário”, diz.

Ele ressalta que o segmento não tem condições de repassar as constantes altas. “É uma medida descabida, um absurdo. A iniciativa privada está pagando a conta da incompetência de gestão da estatal”, reclama.

Ele observa que o impacto da alta do GLP varia de acordo com o tipo de negócio. “No meu caso, o gás representa em torno de 8% do custo fixo de operação”, diz.

Quem reclama de “um aumento após o outro” tem razão. Foram seis reajustes neste ano, sendo cinco para mais e um para menos. É a quarta alta consecutiva. A Petrobras mudou a política de preços para o gás em junho, quando também alterou sua fórmula de reajuste para gasolina e diesel.

A Petrobras informou que o aumento reflete “principalmente a variação das cotações no mercado internacional”. A companhia acrescentou que, como a legislação brasileira “garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor”.

Na prática. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) calcula que o reajuste oscilará entre 7,8% e 15,4%, de acordo com o polo de suprimento. A entidade explica que a correção aplicada não repassa integralmente a variação de preços do mercado internacional. Diante disso, o Sindigás estima que o preço dos botijões até 13 kg “ficará 6,08% abaixo da paridade de importação, o que inibe investimentos privados em infraestrutura no setor de abastecimento”. (Com agências)

Pesquisa

R$ 55,61 preço médio do botijão de 13 kg no país em janeiro

R$ 63,46 média em BH na semana passada, segundo a ANP

Agora caiu. A Petrobras anunciou queda de 2,60% no preço da gasolina nas refinarias e de 0,20% no preço do diesel, a partir desta quarta-feira (11). Desde junho, a estatal mexe nos preços quase diariamente para acompanhar o mercado.


Opinião

Medo de prejuízo

“O aumento do gás impacta meus custos. Eu vendo salgados, e não dá para repassar para o consumidor. Afinal, se eu aumentar, ele pode deixar de comprar meus produtos.”
Geraldo Conceição Reis
Autônomo

De volta à lenha

“Eu não sabia da alta. Aliás, já está muito caro. Com tanto aumento no preço do gás de cozinha, daqui a pouco vamos ter que voltar a usar o fogão a lenha.”
Ana Carolina Ferreira dos Santos
Dona de casa

Forno elétrico

“Eu soube da alta e não gostei, é um absurdo. Cozinho todos os dias e também faço tortas para vender, só que para o meu trabalho uso o forno elétrico, pois é mais rápido.”
Luciana dos Reis
Autônoma


Será uma ‘pancada’ na inflação, diz FGV

SÃO PAULO. O aumento de 12,9% promovido pela Petrobras para o gás de cozinha deve elevar a inflação oficial deste ano em cerca de 0,12 ponto percentual caso o reajuste seja totalmente repassado ao consumidor. A estimativa é do economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz.

“Pode esperar mais uma pancada no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de outubro”, diz. Mesmo que o repasse não seja totalmente feito, o economista avalia que a inflação deste mês já será pressionada por energia elétrica em razão da mudança de bandeira amarela para vermelha. Em sua estimativa, um repasse da ordem de 8% não poderia ser ignorado.

Se confirmado o reajustado de 5,1% estimado pela estatal para o consumidor final, o IPCA pode se aproximar de 0,50%. “O que não se vê há muito tempo”, diz Braz. Poderá será o nível mais elevado para o mês desde 2011. 

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