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Internet domina hora do lazer

Seja com música, filmes ou séries, consumo online não para de crescer entre brasileiros

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Tela na mão. Hilmara Fernandes utiliza seu celular para consumir os mais diversos conteúdos
PUBLICADO EM 14/01/18 - 03h00

Imortalizada pela abertura de “Os Simpsons”, a cena da família correndo para se reunir em frente à TV se tornou um quadro obsoleto. Uma pesquisa da Markets and Markets, de 2017, apontou que 50% dos consumidores já assistem vídeos sob demanda, como séries, programas e filmes, diariamente. O estudo ainda mostra que 50% dos entrevistados, que assistem a TV tradicional, afirmaram que não conseguem achar nada pra ver pelo menos uma vez por dia. “Convenhamos, pagamos caro e, muitas vezes, incrivelmente não se acha nada pra assistir em 180 canais. Já na internet você escolhe o que quer ver, a hora que quer ver. Netflix é barato, tem todas as séries que eu gosto. E no YouTube assisto aos programas que gosto sem precisar estar na grade da programação do dia”, avalia a cantora Hilmara Fernandes, que assiste, em casa e no celular, serviços como Netflix e YouTube.

“O consumidor está cada vez mais acostumado a assistir programas em vários dispositivos, seja uma TV conectada ou o celular. O segmento de mídia foi o mais impactado pela digitalização”, afirma o CMO (diretor de marketing) da Samba Tech, Pedro Filizzola. A Samba Tech tem uma plataforma de distribuição de vídeos na internet.

Mariana Hermeto, 4, nasceu em uma casa sem TV aberta ou a cabo. “Há cinco anos não temos TV, usamos serviços de streaming e investimos em internet de banda larga e para os celulares”, conta o arquiteto Cassiano Rabelo, 41, pai de Mariana e de Pedro, 6. Além de Netflix, ele é assinante do Spotify, Audible (assinatura de audiobooks) e um plano pago do YouTube. “Tenho mais controle do YouTube Kids com esse serviço”, conta.

A professora de história Fabiana Nascimento, 39, diz que usa a TV apenas para assistir os vídeos sob demanda. “Tenho um computador ligado na TV para ver Netflix e YouTube. Há muito tempo não assistimos mais TV aberta”, relata Fabiana, mãe de Clarice, 13.

Essa mudança tem passado pelo celular. Em novembro de 2017, 32% dos usuários de smartphones – quase um em cada três – tinham alguma assinatura de serviço de entretenimento para assistir no aparelho, segundo a pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, sobre uso de apps no Brasil. “O smartphone teve o seu uso potencializado. Cada vez mais, ele é utilizado para vídeos, ouvir música, assistir e comentar programas. E atende à necessidade de mobilidade na hora de se deslocar para o trabalho ou para a faculdade”, analisa Felipe Schepers, COO (diretor de operações) do Opinion Box.

Para a professora Lays Moreira, as brigas pela TV e pelo rádio do carro ficaram no passado. “(Em casa) Eu assisto no notebook, meu pai na TV e (a filha) Elanor no celular ou tablet. Se ela não gosta da playlist que eu estou tocando no carro, ela acessa no celular dela e ouve o que ela quer”, conta.

Preferidos

Aplicativos. WhatsApp, Facebook, Instagram, Banco do Brasil e Google são os aplicativos preferidos pelos brasileiros, segundo o Panorama Mobile Time/Opinion Box, sobre uso de apps no Brasil.

 

Empresas aliam TV e conteúdo para web

Empresas tradicionais de mídia e entretenimento já entenderam que é necessário investir em novos formatos. “A TV continua sendo a mídia mais presente entre todos os brasileiros, mas é visível que novos formatos de mídias têm crescido e, inclusive, fazendo que empresas tradicionais se reinventem. Exemplo disso é o próprio Globo Play”, afirma o COO do Opinion Box, Felipe Schepers.

Para o CMO da Samba Tech, Pedro Filizzola, a tendência é que um formato híbrido se mantenha. “Hoje, todo mundo ainda liga a TV para ver futebol”, exemplifica. Outro exemplo que Filizzola cita é da liga de futebol americano dos Estados Unidos, a NFL. “Eles têm contratos exclusivos para distribuição dos jogos na web e outro para mobile, além do contrato da televisão”, diz.

As empresas podem monetizar seus produtos “aproveitando as janelas de distribuição”, diz Filizzola. Elas lançam conteúdos nos seus canais e depois expandem para “serviços de streaming até chegar ao YouTube”, avalia.

Expectativa

Como será o mercado de mídia no Brasil, segundo pesquisa da Pricewaterhouse (PwC)

Mercado. No Brasil, a receita de entretenimento e mídia deve chegar a US$ 44 bilhões em 2021. Ela foi de US$ 35 bilhões em 2016.

Smartphones. Mídia e entretenimento consumirão 56% de toda a internet móvel do Brasil em 2021.

Internet. Os vídeos serão responsáveis por 68% de todos os dados transmitidos pela web no país nos próximos três anos.

População. O país terá 177 milhões de assinantes de internet móvel em 2021. 

 

Vídeos sob demanda incentivam nichos

O mercado de vídeo na internet está criando o que os especialistas chamam de “supernichos”, segundo o CMO da Samba Tech, Pedro Filizzola. “As pessoas estão dispostas a pagar por conteúdo raro, exclusivo e relevante”, diz.

É o caso da professora Lays Moreira, 45, que assina o Crunchyroll, um canal só de animes japoneses. “(O serviço) tem política de acesso completo para assinantes. Como tem série que acompanho e não quero esperar, acabei assinando”, afirma.

“Os serviços estão cada vez mais personalizados para vários tipos de públicos, inclusive o público geek. No entanto, ainda existe um potencial de mercado expressivo”, avalia a sócia da PwC Brasil e especialista em mídia e entretenimento, Estela Vieira.

Para o mercado de games, Estela afirma que a expectativa é que atinja mais de US$ 1,4 bilhão em receitas em 2021, ou seja, um crescimento médio ponderado de aproximadamente 17% ao ano.

 

Pirataria também perde espaço

Uma pesquisa da Market and Market apontou que, entre 2011 e 2015, o número de consumidores que admitiam baixar filmes e séries na web caiu de 8% para 2%.

“Baixar conteúdo na internet, além de dar trabalho, ainda fica mais caro por causa do gasto com internet”, opina o arquiteto Cassiano Rabelo, 41.

Ainda assim, uma pesquisa realizada pelo instituto Ibope mostrou que sites que oferecem downloads de filmes de maneira ilegal tiveram, em média, 135 milhões de visitas mensais de brasileiros em 2016.

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