Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Rating

Rebaixamento do Brasil coloca Meirelles no centro dos debates

Nota mais baixa dada por agência de classificação de risco atrapalha planos eleitorais do ministro

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
henrique meirelles
Meirelles joga a culpa em parlamentares e reação é imediata
PUBLICADO EM 13/01/18 - 03h00

Brasília. O rebaixamento do Brasil pela agência de avaliação de risco Standard & Poor’s Global Ratings colocou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), na berlinda. Nos bastidores de Brasília, o que se evidenciou é que, dessa vez, não dá para pôr a culpa no governo Dilma Rousseff ou nos petistas. O rebaixamento do Brasil se deve à demora em recuperar o equilíbrio fiscal. A habilidade de Meirelles em negociar com as próprias agências também foi questionada. O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Efraim Filho (PB), disse na sexta-feira (12) que o rebaixamento afeta negativamente os planos eleitorais do ministro da Fazenda, que cogita ser candidato à Presidência da República pelo PSD.

“Afeta principalmente a campanha de Meirelles, pela repercussão que isso causa e pelo ‘delay’ na retomada da economia, ou pelo menos num ritmo menos acelerado. A campanha do Meirelles está extremamente vinculada ao desempenho da economia. Os desdobramentos do rebaixamento da nota geram isso”, afirmou o democrata. “O fato de a economia do Brasil desacelerar só facilita a vida de quem é oposição, num primeiro momento”, complementou.

Colega de partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Efraim buscou rejeitar a responsabilização de Maia pelo fato de a base aliada não ter conseguido viabilizar a votação da reforma da Previdência, fator destacado pela S&P para justificar a mudança na avaliação do país. O próprio Meirelles reclamou dessa morosidade, na quinta-feira, e foi prontamente rebatido pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e pelo presidente da Câmara, que disseram que o Parlamento está fazendo sua parte.

“Isso mostra que o Maia (Rodrigo) estava certo nas suas convicções. Acho que toda a sociedade brasileira reconhece que o discurso do Maia sempre foi franco, aberto e transparente, defendendo a necessidade das reformas. Então, não pode ser depositado nos ombros dele o fato de a reforma da Previdência não ter sido votada ainda. Ele é apenas um deputado de 513 no total”, defendeu o líder do DEM.

As declarações de Meirelles contra o Parlamento teriam irritado o presidente Michel Temer, que o convocou para uma reunião ma sexta-feira. O conteúdo do encontro entre os dois, no entanto, não tinha sido divulgado até o fechamento dessa edição.

Em defesa. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), admitiu que a base aliada do governo Temer “não fez a lição de casa” em relação à votação da reforma da Previdência. Mansur procurou responsabilizar os próprios deputados, diante do rebaixamento da nota de crédito brasileira pela S&P, na quinta-feira.

“Rebaixamento prejudica o Brasil, não prejudica exatamente as candidaturas. Prejudica o país de uma maneira geral. Não diria para você que a culpa é do ministro da Fazenda ou de quem quer que seja. A culpa é nossa, que não fizemos a nossa lição de casa”, afirmou, ao ser questionado se o resultado atrapalharia os planos eleitorais do presidente da Câmara, e do ministro da Fazenda – os dois tentam viabilizar candidatura ao Palácio do Planalto.

Mansur afirmou também que, até o momento, o governo continua não tendo os 308 votos suficientes para alterar as regras da aposentadoria. Mas disse que os parlamentares estão trabalhando para conseguir aprovar a proposta no próximo mês. 

 

Fator político teve peso na decisão

Brasília. Incertezas que rondam as eleições deste ano, o “desencanto com a classe política” e dúvidas sobre a experiência dos possíveis candidatos no Brasil são o “fator-chave” por trás da decisão da agência de avaliação de risco Standard &Poor’s Global Ratings de rebaixar a nota de crédito do país na última quinta-feira. O Brasil caiu de “BB” para “BB-”, três pontos abaixo do grau de investimento – categoria de países que são bons pagadores.

“O cenário parece mais incerto como efeito colateral das investigações de corrupção”, diz Lisa Schineller, diretora-executiva de rating soberano da S&P. Ela insistiu na necessidade de o país implementar “medidas corretivas estruturais na área fiscal”, lembrando a reforma da Previdência parada no Congresso, o aumento da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), e dúvidas sobre a “regra de ouro”, o mecanismo que impede a União de emitir dívida em volume superior aos investimentos.

Schineller disse ter dúvidas sobre o avanço da refor ma da Previdência num ano eleitoral, mas lembrou que “a mera aprovação de uma reforma não vai reverter o curso” de revisão para baixo da nota do país.

 

Ministro diz que nota vai voltar a crescer

Brasília. Um dia depois de a agência (S&P) rebaixar a nota do Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a decisão já estava precificada pelo mercado financeiro e, por isso, teve pouco impacto sobre os indicadores econômicos. Segundo ele, não houve “nenhuma surpresa”. A Bovespa caiu na sexta-feira apenas 0,02%. Já o dólar fechou em baixa de 0,27%, a R$ 3,2068, no menor valor desde 20 de outubro de 2017.

O ministro lembrou que agência apontou a necessidade de o Brasil avançar na agenda de reformas e de o Congresso aprovar medidas fiscais importantes, como a reforma da Previdência e as propostas de reequilíbrio orçamentário de 2018. Segundo ele, o governo está otimista de que isso vai ocorrer e que a revisão da nota do país pela S&P é uma questão de tempo. “A decisão de tudo isso me parece que será favorável. O Congresso aprovou o teto de gastos, a reforma trabalhista e a lei das estatais. Existe um histórico de aprovação de medidas relevantes que nos leva a continuar seguros de que essas melhoras continuarão ocorrendo e que a melhora do rating é uma questão de tempo”, completou.

Glossário

O que é rating

É uma nota que as agências internacionais de classificação de risco de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de acordo com sua capacidade de pagar uma dívida. Serve para que investidores saibam o grau de risco dos títulos de dívida que estão adquirindo.

O que achou deste artigo?
Fechar

Rating

Rebaixamento do Brasil coloca Meirelles no centro dos debates
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório

comentários (1)

Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter