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Só cinco setores estão preparados para a indústria 4.0 no Brasil

Indústria extrativa é o segmento com maior potencial para adotar a tecnologia

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Sala de operações da Vale monitora a operação, a produção e a logística no mundo todo
PUBLICADO EM 15/04/18 - 03h00

Entre 23 setores industriais do país, 12, como os de vestuário, máquinas e aparelhos elétricos, artigos de borracha e plástico e máquinas e equipamentos, estão mais sujeitos a sofrerem com a nova onda tecnológica, por apresentarem produtividade e coeficiente de exportação baixos, aponta o estudo “Oportunidades para a indústria 4.0: Aspectos da demanda e oferta no Brasil”, produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Entre os segmentos com maior potencial para serem os líderes na adoção das tecnologias, apenas cinco se destacam e são encabeçados pela indústria extrativa. “As empresas com coeficiente de exportação alto, que competem mais no mercado internacional, precisam ser mais competitivas e, por isso, já adotam as tecnologias. Aquelas voltadas para o mercado interno terão mais dificuldade de implantar as mudanças”, diz o gerente executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Gonçalves.

Veja AQUI o que é indústria 4.0.

“Nossos competidores são globais, e trabalhamos em cima do preço de uma commodity que é o minério de ferro. O custo de produção é determinante. As mudanças da indústria 4.0 vêm proporcionando competitividade e sobrevivência”, afirma o gerente executivo de inovação, tecnologia e processo mineral da área de Ferrosos da Vale, Márcio Junges. Segundo ele, há mais de uma década a mineradora iniciou o investimento em tecnologias digitais que hoje chegam a “dezenas de milhares de dólares por ano”. 

A Vale conta hoje com projetos de robótica, inteligência artificial e realidade virtual e aumentada, além de uma central de controle de operação e logística digitalizada. “Os objetivos dos projetos de tecnologias envolvem três pilares: produtividade, redução de custo e segurança”, diz Junges. O retorno do investimento dos projetos não ultrapassa três anos. “Temos projetos em que o payback (retorno) é de meses. E a tecnologia depois continua gerando benefício até ficar obsoleta”, explica. 

Blockchain além do bitcoin

A tecnologia do blockchain pode ser utilizada pelas empresas para além das criptomoedas. “O blockchain é capaz de controlar qualquer processo e dar transparência, se esse for o objetivo”, explica o sócio da exchange Bitcointoyou, Thiago Horta. Segundo o especialista, a criptografia do blockchain diminui custos com equipamentos e pode ser usada no controle de processos e na logística.

Estrutura ainda gera obstáculos 

A infraestrutura é um dos desafios que a indústria 4.0 terá que enfrentar no Brasil, de acordo com o relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “A adoção das tecnologias tem que ser pensada em larga escala. O governo precisa incluir no seu planejamento a infraestrutura e as pequenas e médias empresas”, afirma o gerente executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio Gonçalves. 

O investimento em internet e banda larga, como a tecnologia 5G, é um dos entraves para adoção da internet das coisas. “Por outro lado, muitas empresas pequenas e médias, acham que indústria 4.0 é só para grandes, e não é. Tem tecnologias acessíveis”, conclui o gerente da CNI. 

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