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Amado e odiado, Trump completa um ano no poder

Mais que apoiadores e opositores, empresário gerou fãs e inimigos

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 Trump
Mais polêmica. Trump quer mudança no acordo nuclear de 2015, mas o Irã disse que não aceita
PUBLICADO EM 14/01/18 - 03h00

MILWAUKEE, EUA. Ninguém ficou indiferente a Donald Trump. Em seu primeiro ano de Casa Branca, que será completo neste dia 20 de janeiro, o presidente aprofundou a divisão no país com um estilo nunca visto antes na Presidência norte-americana e gerou fãs e inimigos, mais que apoiadores ou opositores. Surpreendeu o mundo. E agora tende a enfrentar riscos turbinados: nunca se falou tanto em impeachment num primeiro ano de mandato.

Em poucos lugares essa polarização é tão presente como no gelado Wisconsin, Estado que em 2016 protagonizou a maior virada eleitoral: elegeu Trump por uma diferença de apenas 22 mil votos, interrompendo uma sequência de sete vitórias democratas – desde 1988. Ao mesmo tempo em que vive uma onda de otimismo econômico, o Estado de 6 milhões de habitantes enfrenta o agravamento de racismo e conflitos sociais.

“Falo aos meus poucos conhecidos que não votaram em Trump: nós estávamos certos. Teremos uma enxurrada de empregos!”, bravateia John Tacker, que já sente a diferença na loja de tintas onde trabalha em Kenosha, cidade que cresce à espera da Foxconn. A gigante asiática que fabrica aparelhos da Apple emprega 1,3 milhão de pessoas no mundo, e promete 13 mil empregos diretos e 30 mil indiretos na cidade. Mas os críticos desmerecem o feito. Lembram que a Foxconn virá com subsídios de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões), pode gerar mais empregos no Estado vizinho e tende a aumentar a imigração, dificilmente gerando riqueza para a população do Norte do Estado, rural e conservador, base dos eleitores de Trump.

Avaliação. A aprovação local de Trump está entre 35% e 40%, em linha com as pesquisas nacionais. “As eleições de meio de mandato (em novembro, renovando as 435 cadeiras da Câmara e um terço dos cem senadores) sempre são ruins para os presidentes. Apenas duas vezes no último século o partido na Casa Branca cresceu no Congresso. A questão é saber qual será o tamanho da perda”, explica Thomas Holbrook, professor da Universidade de Wisconsin-Milwaukee.

E isso será um desafio extra para Trump. “Vai ficar difícil para Trump aprovar projetos como a reforma migratória ou seu pacote para investimentos em infraestrutura. Todos vão pensar nas eleições e fugir de polêmicas”, aposta Michael Traugott, professor da Universidade de Michigan.

Trump tem outros riscos em seu segundo ano, em que pode ter menos resultados do que nos primeiros 365 dias na Casa Branca – quando conseguiu indicar um juiz à Suprema Corte, aprovar a reforma fiscal e retirar os Estados Unidos do acordo do clima, mas não acabou totalmente com o Obamacare nem construiu seu muro na fronteira com o México. Ele agora terá a investigação sobre o conluio de sua campanha na interferência russa nas eleições, um cenário externo arredio e um país mais dividido.

Vai piorar

“Eles comemoram coisas que não vão melhorar as suas vidas. Enquanto isso, voltamos a ver aumento de mortes e conflitos raciais. Isso aqui virou um inferno e só deve piorar.”

Jerry Johnson

Moradora de Sherman Park, reduto negro na segregada Milwaukee

Vai melhorar

“Você realmente acredita que as pessoas vão votar contra quem está gerando empregos, negócios? Isso vai só melhorar.”

Deborah Thomas

Comerciante na cidade

Rompimentos

Trump tentou derrubar o programa federal de saúde Obamacare. Fracassou duas vezes em tentar anulá-lo, mas o enfraqueceu ao cortar subsídios e desregular preços para planos de saúde.

Obama tentou impulsionar leis de controle ao porte de armas. Trump abandonou o apoio a essas medidas.

Fomento à energia renovável, limitação à extração de petróleo e gás e um papel de liderança no Acordo de Paris (2015) foram agendas de Obama. Trump cortou o financiamento da Agência Federal de Proteção Ambiental (EPA), assinou medidas de fomento à indústria do carvão, relaxou restrições à extração de petróleo e gás e saiu do Acordo de Paris.

No governo Obama, os EUA expandiram o acolhimento a refugiados de zonas de guerra e pobreza. Trump chegou a suspender a realocação de cidadãos de países de maioria muçulmana nos EUA.

No governo Obama, a pauta LGBT virou central. Já Trump vetou a aceitação de trans nas Forças Armadas e banheiros mistos, e apoiou juízes desfavoráveis ao casamento gay.

 

“Países de merda” estão indignados

Washington, EUA. Vários países africanos e representantes de organizações internacionais criticaram duramente o presidente Donald Trump por se referir a Haiti, El Salvador e nações africanas como “países de merda”. Trump recorreu a sua arma favorita, o Twitter, para negar que tenha usado esta expressão, mas rapidamente foi desmentido por um senador democrata que estava na reunião e confirmou que o presidente proferiu as ofensas.

“O primeiro representante dos Estados Unidos se expressando nesses termos é indigno, preocupante e ofensivo”, afirmou no sábado (13) a secretária geral da Organização Nacional de Francofonia (OIF), a canadense Michaëlle Jean, de origem haitiana.

Em poucas horas, o assunto se transformou num escândalo internacional. “Se forem confirmados, são comentários escandalosos e vergonhosos por parte dos Estados Unidos. Lamento, mas a única palavra que se pode utilizar é racista”, afirmou, em Genebra, o porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville.

 

Palestinos buscam resposta ao apoio de Trump a Israel

Ramallah, Territórios Palestinos. Os dirigentes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) se reunirão domingo (14) e segunda (15) em Ramallah para preparar uma resposta ao presidente Donald Trump depois que ele reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

A possibilidade de uma resposta contundente daria um sinal claro da indignação provocada por Washington quando, em dezembro, Trump anunciou que reconhecia Jerusalém como capital de Israel. Foi uma ruptura unilateral com o trabalho diplomático de décadas por parte de Estados Unidos e a comunidade internacional, interpretada como negação das demandas palestinas, e desatou uma onda de violência.

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