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Escolas particulares na Índia chegam a custar apenas US$ 2

Apesar da pobreza, pais preferem que filhos não estudem em instituição estatal

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Saída. O professor M.A. Hakeem, que montou uma escola na comunidade onde mora, mantém as aulas mesmo quando falta luz em sala
Apesar da pobreza, pais preferem que filhos não estudem em instituição estatal
PUBLICADO EM 08/01/12 - 17h53

HYDERABAD, Índia. Na Índia, a escolha de viver do lado de fora da bolha de serviços oferecidos pelo governo, em geral, fica reservada às camadas ricas e de classe média da população, que podem pagar por alojamentos, hospitais privados e escolas particulares. Contudo, com a expansão econômica que vem acontecendo no país nas últimas duas décadas, um número crescente de casais pobres do país tem juntado cada centavo para mandar seus filhos para escolas privadas baratas, na esperança de ajudá-los a escapar da linha de pobreza.

Há mais de duas décadas, M.A. Hakeem, indubitavelmente, substitui parte do trabalho do governo indiano. Sua escola particular, na cidade de Holy Town, já educou milhares de alunos pobres, espremendo-os em salas de aula lotadas de estudantes, nas quais, quando falta eletricidade, as crianças simplesmente aprendem no escuro.

Os pais que vivem no bairro de baixa renda - predominantemente muçulmano - na cidade de Holy Town não se importam com as más condições do edifício. Eles apreciam as modestas mensalidades (que chegam a custar US$ 2 por mês), o currículo escolar, ensinado em inglês, e o sucesso generalizado nos testes escolares do governo.

Responsabilidade. Na realidade, escolas particulares baratas como essa de Holy Town fazem parte de uma rede de novos empreendimentos que já captura cerca de dois terços dos estudantes locais. "Estamos abrangendo uma responsabilidade que deveria ser do governo", afirma Hakeem, com um ar contente e orgulhoso.

Em termos nacionais, a grande maioria dos estudantes ainda frequenta escolas públicas, mas a expansão das escolas particulares criou um tipo de sistema educacional paralelo no país - sistema esse que, apesar de servir à população, agora tende à extinção.

Frente às constantes críticas ao sistema público de ensino, os políticos indianos resolveram implementar uma lei que busca reverter a situação crítica das escolas.

Os céticos, porém, acreditam que as novas exigências para o currículo escolar podem acabar fechando a maioria das escolas particulares, que hoje educam milhões de indianos.

"É impossível preencher todos os requisitos", afirma Mohammed Anwar, que dirige uma rede privada em Hyderbad e atualmente tenta organizar uma manifestação nacional para pedir a flexibilização dos requisitos.

O Ministro da Educação no país, Kapil Sibal, zombou das críticas com relação ao fechamento de escolas privadas. Mesmo assim, em Hyderabad, os encarregados da educação se preparam justamente para essa projeção de futuro: novos edifícios estão sendo construídos, e prédios antigos estão sendo expandidos, em parte para atender às novas diretrizes, e em parte para suprir a demanda de carteiras para os alunos que serão forçados a debandar do sistema particular de ensino, que, conforme deseja a administração escolar da região, vão acabar fechando.

Traduzido por Luiza Andrade.

 

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