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aproximação histórica

Fidel desconfia dos EUA, mas não critica acordo com Obama

"Não confio na política dos Estados Unidos, nem troquei uma palavra com eles. Isso não significa - longe disso - uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos", disse o líder cubano, por meio de carta

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FIDEL CASTRO
Líder cubano Fidel Castro divulgou carta e disse que apesar de acordo entre os dois países, não confia nos EUA
PUBLICADO EM 27/01/15 - 07h24

O líder cubano Fidel Castro rompeu seu silêncio de quase seis semanas sobre a histórica reconciliação entre Estados Unidos e Cuba para declarar que, embora desconfie de seu velho inimigo, não rejeita os acordos para normalizar as relações entre os dois países, o que foi considerado um "sinal positivo" por Washington.

"Não confio na política dos Estados Unidos, nem troquei uma palavra com eles. Isso não significa - longe disso - uma rejeição a uma solução pacífica dos conflitos", disse Fidel, de 88 anos, afastado do poder desde 2006, em uma carta lida na noite de segunda-feira na televisão cubana e reproduzida nesta terça-feira em todos os meios de comunicação estatais.

No entanto, o pai da revolução cubana não criticou o histórico acordo para normalizar as relações anunciado no dia 17 de dezembro por seu irmão e sucessor, Raúl Castro, e pelo presidente americano, Barack Obama, que foi comemorado em todo o mundo.

"O presidente de Cuba deu os passos pertinentes de acordo com suas prerrogativas e com as faculdades que a Assembleia Nacional e o Partido Comunista de Cuba concedem a ele", escreveu na carta, dirigida à Federação Estudantil Universitária cubana.

"Defenderemos sempre a cooperação e a amizade com todos os povos do mundo e, entre eles, os dos nossos adversários políticos. É o que estamos reivindicando para todos", completou Fidel Castro, o grande ausente no histórico processo de aproximação entre ambos os países, após meio século de inimizade.

Estas declarações foram consideradas um sinal positivo por Washington.

"Tomamos suas referências às normas internacionais e os princípios como um sinal positivo e esperamos que o governo cubano os implemente para uma Cuba democrática, próspera e estável", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

Dissidentes: Fidel "só confia em si mesmo"
"Os irmãos Castro só confiam em si mesmos. Mas Washington, os cubanos e o mundo livre têm muitíssimas outras razões para não confiar nele, nem no regime do seu irmão", disse à AFP o dissidente José Daniel Ferrer, que dirige um grupo opositor ativo no leste da ilha.

A carta de Fidel, intitulada "Para meus companheiros da Federação Estudantil Universitária", foi publicada na íntegra nesta terça-feira no jornal Granma e nos demais meios de comunicação estatais da ilha, que não destacaram seus comentários sobre o processo de normalização com Washington.

O silêncio de Fidel havia alimentado rumores sobre sua saúde e inclusive sobre sua morte no início do mês, até que o ex-jogador de futebol argentino Diego Maradona, seu amigo pessoal e que estava de visita em Havana, anunciou há duas semanas ter recebido uma carta do líder cubano, cujo conteúdo não foi divulgado.

O acordo para normalizar as relações foi precedido por conversas secretas realizadas durante 18 meses sob os auspícios do Vaticano e do Canadá.

O "Comandante em chefe" havia enviado primeiramente sua carta à federação estudantil, e ela foi lida na televisão por seu presidente, Randy Perdomo, na véspera da "marcha das tochas", que conta todos os anos com a participação de milhares de universitários.

Nesta ocasião a marcha também servirá para lembrar o 70º aniversário do ingresso de Fidel Castro como aluno na Universidade de Havana, onde se formou como advogado em 1950, três anos antes de iniciar a luta armada com o assalto frustrado ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba (sudeste da ilha).

Castro abordou diversos tópicos na longa carta, da Grécia Antiga à incursão militar cubana na África nas décadas de 1970 e 1980, e encerrou com seus comentários sobre a reaproximação com os Estados Unidos.

A carta foi datada na segunda-feira, quatro dias após Cuba e Estados Unidos realizarem em Havana suas primeiras negociações de alto nível em 35 anos no âmbito da retomadas das relações diplomáticas, rompidas em 1961, dois anos depois da vitória da revolução de Fidel Castro, que marcou uma guinada da ilha em direção ao comunismo.

As históricas negociações contaram com a participação da chefe da diplomacia americana para a América Latina, Roberta Jacobson, a funcionária americana de mais alto escalão que visita a ilha desde 1990.

Sem aparecer em público há um ano
Fidel Castro não comentou em sua carta os rumores sobre sua morte, que circularam pelas redes sociais e em alguns meios de comunicação estrangeiros, em especial em 9 de janeiro, um dia após sua última aparição em público completar um ano.

Em ocasiões anteriores, ele havia ironizado estes rumores.

Além disso, chamou a atenção em Cuba e no exterior a ausência de Fidel Castro em meados de dezembro no momento do histórico anúncio do degelo das relações com os Estados Unidos e no retorno dos três agentes cubanos libertados por Washington.

Fidel Castro publicou sua última coluna de imprensa em meados de outubro, quando propôs que os Estados Unidos cooperassem para enfrentar a epidemia de Ebola, e fez sua última aparição pública em 8 de janeiro de 2014, quando acompanhou a inauguração de uma galeria do artista cubano Alexis Leyva "Kcho", seu amigo pessoal.

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