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Conflito

ONU faz apelo a Mianmar e denuncia limpeza étnica

Repressão a minoria muçulmana já matou 400 e levou à fuga de 380 mil

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Indianos protestam em Bangladesh contra cerco aos rohingyas
PUBLICADO EM 14/09/17 - 03h00

NOVA YORK, EUA. O secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo nessa quarta-feira (13) para que as autoridades de Mianmar suspendam suas atividades militares contra a minoria muçulmana rohingya. O conflito no país, que se agravou nos últimos dias, já deixou ao menos 400 mortos e forçou a migração de mais de 380 mil pessoas para a vizinha Bangladesh – número que triplicou em apenas uma semana.

“A situação humanitária é catastrófica”, disse Guterres em coletiva à imprensa. “Mulheres e crianças estão chegando famintas e desnutridas (a Bangladesh). Faço um apelo a todos os países para fazerem o que puderem para que a assistência humanitária seja provida”.

Guterres condenou os ataques das forças de segurança do país contra civis, o que, em seu entendimento, é “completamente inaceitável”. “Faço um apelo para que as autoridades de Mianmar suspendam a ação militar, acabem com a violência, cumpram a lei e reconheçam o direito de retorno de todos aqueles que tiveram que deixar o país”, afirmou. Para ele, a crise “dramática” exige um plano efetivo de solução: “As pessoas estão morrendo e sofrendo e os números são horríveis. Temos que interromper isso”.

Na última segunda-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Raad al Husei, disse que o tratamento dado pelo país ao grupo minoritário se assemelha a “um exemplo clássico de limpeza étnica”. Questionado nessa quarta-feira (13) pela imprensa se também vê a situação dessa forma, o secretário geral respondeu: “Quando um terço da população rohingya é obrigada a deixar o país, você consegue encontrar uma palavra melhor para descrevê-la?”.

No início do mês, o secretário geral enviou um ofício ao Conselho de Segurança da ONU para expressar sua preocupação com o conflito –- a última vez que uma carta oficial foi enviada pelo mais alto líder da ONU para o órgão foi em 1989. Nessa quarta-feira (13), após a entrevista concedida por Guterres, os 15 membros do Conselho de Segurança se reuniram e Mianmar estava na pauta. A reunião, no entanto, aconteceu novamente a portas fechadas, o que tem sido criticado por organizações de defesa dos direitos humanos.

A dirigente de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, cancelou sua viagem a Nova York para a Assembleia Geral da ONU por causa da crise. Nobel da Paz, ela tem sido duramente criticada pela comunidade internacional por seu silêncio e sua posição ambígua em relação ao drama da minoria muçulmana em Mianmar.

A repórter viajou a convite da ONU

Crise começou em agosto

SÃO PAULO. A atual crise começou no dia 25 de agosto, quando rebeldes rohingyas atacaram cerca de 20 delegacias de polícia no Estado de Rakhine, no oeste do país, onde se concentra os rohingyas.

Em resposta, o Exército tem conduzido o que chamou de “operações de limpeza”, que afirma ter como objetivo deter “terroristas extremistas” e proteger a população civil. A ONU defende que governo conceda imediatamente nacionalidade ou status legal à minoria. 

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