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Maioria usaria arma em caso de ameaça a pessoas próximas

Percentual dos que teriam coragem de atirar em uma briga de trânsito equivale a 1,5 milhão de mineiros

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Para proteger sua família, Jefferson Guimarães não pensaria duas vezes antes de atirar contra alguém
PUBLICADO EM 26/03/18 - 03h00

A pesquisa Minas no Brasil de 2018 também questionou os entrevistados sobre em quais situações eles teriam coragem de atirar. Se por um lado a maioria das pessoas só usaria a arma de fogo em caso de ameaça às pessoas próximas ou invasão de suas residências, por outro, o percentual dos que disseram que usariam a arma em situações banais, como uma briga de trânsito, não chega a ser irrelevante.

Entre as situações apresentadas aos entrevistados, a que teve o maior percentual de respostas afirmativas foi em caso de assalto a sua casa, com 56,3%. “Eu teria coragem de atirar se percebesse que alguém está invadindo minha casa. Mas, se tivesse uma arma, certamente teria treinamento e buscaria não atirar para matar, talvez buscando acertar a perna”, disse o padeiro Arthur Gonçalves, 34.

Já 50,4% disseram que não hesitariam em apertar o gatilho caso estivessem em uma situação de estupro de alguém próximo. Essa foi a segunda situação com o maior percentual.

O funcionário público Jefferson Guimarães, 50, é um dos que não pensariam duas vezes em atirar caso flagrasse pessoas próximas sendo vítimas de estupro. “Teria coragem de atirar, sim, para me defender. Mas atiraria. Para proteger minha família, não teria problemas em usar uma arma. Por isso, certamente eu teria um revólver caso o Estatuto do Desarmamento fosse revogado”, disse Guimarães.

O sequestro de um familiar também teve um percentual alto de respostas. Do total de entrevistados, 43,3% disse que atiraria nessa situação. Outros 36,6% usariam a arma de fogo para reagir a uma tentativa de assalto no meio da rua, e 27,2% apertariam o gatilho caso um amigo ou parente estivesse sendo agredido fisicamente.

Do outro lado da pesquisa estão situações que tiveram menos de 10% de respostas positivas. Porém, são casos banais que poderiam transformar um pequeno incidente em tragédia. Do total de entrevistados, 7,2% responderam que teriam coragem de atirar até mesmo em uma briga de trânsito. Já 6,2% usariam uma arma de fogo em uma ameaça em briga de bar.

Apesar dos percentuais baixos, o resultado pode assustar quando se analisa o que os números podem representar na população. Tendo como referência os dados da pesquisa, 1,5 milhão de pessoas que vivem em Minas teriam coragem de atirar em uma briga no trânsito. Isso é mais do que a metade da população de Belo Horizonte, por exemplo. Com relação a uma situação de ameaça em briga de bar, seriam 1,3 milhão de mineiros que teriam coragem de usar arma de fogo nesses casos.

Para o mecânico Elias Ferreira Figueiredo, 43, os dados mostram que facilitar a compra de armas aumentaria o número de mortes por motivos banais. “Se colocassem a população armada, provavelmente aconteceriam muito mais fatalidades. Qualquer briga boba poderia terminar em morte. Hoje as pessoas perdem a paciência de forma muito fácil e podem fazer bobagens se tiverem um revólver na mão”, avalia.

Coerência

Disposição. Como o esperado, as pessoas que afirmaram que são a favor de revogar o Estatuto do Desarmamento são também as que mais teriam coragem de atirar em situações de risco.

 

Mulheres têm menor disposição para utilizar armamento de fogo

Quando se analisam separadamente as respostas de homens e mulheres aos questionamentos sobre a coragem quanto ao uso da arma de fogo, há um distanciamento de pensamento, revelando que o público feminino tem um posicionamento bem mais contrário ao uso do armamento. Em alguns casos, a diferença chega aos 25 pontos percentuais.

Entre as mulheres, 66,7% disseram ser contra a revisão do Estatuto do Desarmamento, 71% afirmaram que com certeza não teriam uma arma em casa caso fosse permitido, e 63,3% acreditam que o fato de as pessoas terem o direito de ter um revólver não inibiria a ação de bandidos. Já entre os homens, esses percentuais são, respectivamente, de 48,6%, 45,7% e 38,8%.

As diferenças continuam entre as motivações que levariam as pessoas a atirar. Entre as mulheres, 41,4% atirariam para se defenderem em caso de assalto a sua residência. Já entre os homens, esse percentual é de 72,4%.

Até mesmo no caso de estupro, um crime que atinge muito mais mulheres do que homens, essa diferença de pensamento se mantém. Enquanto no público masculino 60,6% acionaria o gatilho para evitar um estupro, entre as entrevistadas o percentual se manteve em 41%.

Quando se analisa a estratificação por classe social, também é possível perceber uma maior preocupação em proteger seus bens entre aqueles com maior renda. Entre as classes A e B, 55,1% reagiriam atirando contra um assalto na rua, contra 32% entre as classes do grupo C, D e E. Com relação aos casos de assalto à residência, 71% dos entrevistados das classes A e B disseram que apertariam o gatilho, contra 52,7% entre as pessoas do grupo C, D e E.

Representação

Público. Entre os 648 entrevistados na terceira edição da pesquisa Minas no Brasil de 2018, 52% eram mulheres e 48% homens. Das classes C, D e E foram 82,9% e das classes A e B 17,1%. 

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