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Entrevista

Menos Estado, menos leis e menos ‘jeitinho’

Rodrigo Constantino, economista

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PUBLICADO EM 26/07/16 - 03h00

Economista e colunista de grandes revistas de circulação nacional, Rodrigo Constantino, 40, está em BH hoje para o lançamento de seu livro “O Brasileiro é Otário?: O Alto Custo da Nossa Malandragem”, pela editora Record. Com formação em economia, Rodrigo Constantino já fez parte do time da revista “Veja” e hoje é colunista da “IstoÉ”. Amado pela direita e execrado pela esquerda, ele se auto-intitula um “liberal sem medo da polêmica” e assina também os livros “Contra a Maré Vermelha”, “Liberal com Orgulho” e “Esquerda Caviar”.

À reportagem de O TEMPO, o autor falou sobre seu posicionamento acerca da “malandragem brasileira”, de como acabar com o famoso “jeitinho” e das comparações entre o Brasil e os EUA. O economista mora há um ano e meio em Miami, na Flórida.

Constantino também fala sobre o futuro das eleições norte-americanas, admite que Donald Trump não é o “candidato dos sonhos” dos republicanos, mas afirma que, se votasse nos Estados Unidos, o polêmico empresário mereceria seu voto.

Sobre a conjuntura política brasileira e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o colunista acredita que a petista não volta à Presidência e diz que Michel Temer surpreendeu “de forma positiva”.

O “jeitinho brasileiro” é motivo de orgulho para muitos. Como ele é abordado em seu livro?

É uma análise, com um viés negativo, do que ficou conhecido como “jeitinho brasileiro” e que me incomoda muito. Algumas pessoas até elogiam, dizem que somos descolados, sabemos levar a vida sem estresse, mas isso gera um alto custo para a sociedade brasileira, como a burocracia, a alta criminalidade, um ambiente de negócios hostil. E eu consegui encontrar o DNA do “jeitinho brasileiro” em vários desses problemas. Mas eu também evitei cair no outro extremo, que é daquele complexo de vira-lata – e reconheço que há alguma vantagem nesse lado mais emotivo, mas o tiro saiu pela culatra.

No livro você cita exemplos, inclusive de comparação entre os EUA e o Brasil.

Vivo há mais de um ano na Flórida e consegui observar algumas coisas, principalmente no cotidiano das classes média e média-baixa. Na concepção da esquerda, os EUA são um país que não deu certo, e é o que se aprende com os professores de esquerda, mas eu tento mostrar que é o contrário. Lá, um lixeiro, por exemplo, vai dentro do caminhão no ar-condicionado, ele só tem que apertar alguns botões para recolher o lixo. A faxineira chega para trabalhar de carro, em carro que até é considerado bacana para os brasileiros.

Você acha que esse jeitinho pode ser a base para a corrupção na política?

Acho que há algum elo. As eleições são um jogo de cartas marcadas, você tem um menu de opções muito ruim. Há, obviamente, essa ligação entre a cultura da malandragem e o que acontece na corrupção, mas não se resume a isso.

Quais são as causas do “jeitinho brasileiro”?

Isso se deve em parte à cultura. Mas também se deve às instituições perversas que nós temos. Quem quiser ser um cidadão que segue as regras vai viver num inferno. Em parte, o “jeitinho” também é um mecanismo de defesa da população, e uma coisa vai alimentando a outra.

Podemos dizer que, nos últimos anos, o brasileiro está mais consciente desses problemas?

É difícil mensurar, mas acho que há uma tentativa de reação. Tem cada vez mais gente irritada reagindo, mais gente ousa sair da toca e se pronunciar, dizer: “Pô, não pode parar nessa vaga que não é para você”, “Não pode furar fila”.

Qual seria a solução para o “jeitinho”?

No Brasil temos essa ideia de que tudo vai se resolver com lei. Começa a ter lei pra tudo. Como no caso dos idosos. Na fila, um deveria respeitar o outro, deixar os mais velhos passarem na frente. Aí cria essa lei, e vem um cara de 60 anos, que nem podemos mais considerar idoso, que acabou de chegar da academia, todo saudável, e a lei perde o sentido. Só conheço duas saídas. Uma é uma mudanças cultural, e a outra são reformas institucionais que reduzam o excesso de governo, o excesso de lei, o excesso de burocracia.

E sobre as eleições nos EUA? Qual é a sua opinião?

Eu não vou negar que o (Donald) Trump está longe de ser o candidato ideal que qualquer republicano gostaria, ele é uma espécie de bufão, um cara personalista que gosta de slogans simplistas. E a imprensa filtra tudo com um viés de esquerda. Tanto ele quanto a Hillary (Clinton, candidata democrata) são ruins, na minha opinião. Nos EUA, o povo está muito irritado com os democratas, a Hillary é vista como uma grande mentirosa. E o Trump vem tocando em pontos sensíveis para o eleitorado. O povo está sendo seduzido por um discurso simplista e demagogo, mas não podemos fechar os olhos para o que está acontecendo.

Você acha que o Trump tem chance de ganhar? Você votaria nele?

Acho que ele tem chance de vitória sim. Se eu tivesse que escolher, escolheria o Trump. Brinco que, aqui no Brasil, eu tinha que votar nos tucanos tomando um Engov, então eu votaria no Trump tomando um Engov, ou tampando meu nariz. Porque o Partido Republicano precisa vencer, e os democratas precisam sair. E essa eleição importa para os próximos 40 anos porque teremos a escolha dos novos juízes da Suprema Corte, e o Obama tem colocado juízes com mentalidade progressista, que vai contra a ideia de fazer a América o país que ela é.

O que você pensa sobre o atual momento da política brasileira?

Eu acho que a Dilma não volta. E acho que o Temer surpreendeu a muitos de forma positiva na questão econômica. Mas o tamanho do abacaxi é enorme. Tem que fazer uma grande reforma. Ele consegue? Num governo interino, sem ter sido eleito, a minha opinião é que não.

Serviço

Lançamento. O economista Rodrigo Constantino estará em Belo Horizonte hoje para o lançamento de seu livro “Brasileiro é Otário?”, às 19h, no shopping Pátio Savassi, na região Centro-Sul da capital.

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