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Entrevista

‘Mulher na posição de poder’

Marília Campos fala das conquistas e desafios que as mulheres enfrentam na política e o que é necessário para mudar esse cenário

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PUBLICADO EM 09/03/18 - 03h00

Marília Campos

Deputada Estadual (PT-MG)

Em entrevista à rádio Super Notícia FM, a parlamentar fala das conquistas e desafios que as mulheres enfrentam na política e o que é necessário para mudar esse cenário.

Quais avanços a Comissão Extraordinária das Mulheres conquistou desde que foi instalada na Assembleia? A comissão é extraordinária, tem dois anos de existência e tem sido um grande espaço para atuação das mulheres. Nós somos 77 parlamentares e apenas seis mulheres. É por meio desse espaço que nós lutamos para colocar a mulher dentro do Orçamento do Estado. Foi pela comissão que nós conseguimos regulamentar na ALMG a lei contra o assédio moral. Conseguimos também reverter uma normativa do Tribunal de Justiça (TJ) que determinava que os casos de mulheres em situação de vulnerabilidade em hospitais públicos deveriam ser comunicados diretamente ao Tribunal de Justiça sem passar pelo Conselho Tutelar. E o que estava acontecendo? Mães estavam separadas dos seus bebês. E nós conseguimos, através da comissão, garantir a interlocução com o TJ, com o apoio da defensoria, com o apoio dos movimentos feministas, para que essa normativa fosse cancelada e esse trabalho fosse feito pelo Conselho Tutelar.

Na quarta-feira, houve uma votação para que a comissão se tornasse permanente. Mas a pauta não foi votada. A senhora também luta para mudar o regimento da Casa, para que haja a presença de ao menos uma mulher na Mesa Diretora da ALMG. Por que é difícil fazer avançar esse tipo de pauta? Todo mundo critica a política, mas é por meio da política que nós teremos a chance de resolver os problemas, não apenas das mulheres, mas do país. Se a gente quer que a pauta das mulheres seja uma pauta disputada na sociedade, nós temos que dar voz às mulheres. Nas Câmaras, nos Executivos municipais, estaduais e federal e também nas Assembleias Legislativas e no Senado. Por essa razão nós queremos mais mulheres na política. Dentro desses espaços, que são majoritariamente masculinos, nós lutamos para que tenhamos comissão de mulheres, para que tenhamos pelo menos uma mulher no principal posto de comando da ALMG, isso é fundamental para dar visibilidade à participação feminina. Nós não queremos a mulher como enfeite, nós queremos colocá-la ela em uma posição comando, de decisão.

Você acha que a exigência de um percentual de mulheres no partido é valida ou aumenta o preconceito? Nós aprendemos desde criança que o lugar da mulher é no ambiente doméstico e o lugar do homem é o espaço público. As mulheres têm que começar a disputar o espaço público, a ter voz, porque é com a sua voz que ela influencia um processo de decisão. Precisamos estimular as nossas meninas a disputar essa representação. Agora, é claro que a legislação tem que favorecer mais as mulheres. Hoje, nós temos apenas um único estímulo, que é 30% das chapas terem que ser de mulheres. Mas as mulheres só são colocadas lá para compor, a gente fala que são as candidatas laranjas. Os partidos não têm dado uma estrutura para que as mulheres possam concorrer de fato.

As mulheres são menos de 10% da ALMG, no entanto, em vários momentos de decisões, algumas das deputadas fazem questão de se ausentar. De onde tem que começar essa pauta, que às vezes não encontra respaldo dentro da própria bancada feminina? Temos casos de mulheres que são escolhidas representantes que têm compromisso com a luta e temos representantes que herdam o eleitorado da família. Nesse caso, elas têm muito mais compromisso com esse legado do que com o trabalho parlamentar. E mudar isso esta na mãos do eleitor. Nós queremos representantes comprometidos com as nossas causas. Quando a gente elege uma mulher, a gente quer é que ela tenha um compromisso com a nossa pauta.

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