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Crise

Revista britânica cita ‘traição’ 

Em editorial, “The Economist” critica Dilma, mas afirma que seus rivais chegam a ser “piores” que ela

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Socorro. Na capa da revista britânica, com o Cristo Redentor segurando uma placa escrita “SOS”, manchete diz: “A traição do Brasil”
PUBLICADO EM 21/04/16 - 20h50

Londres, Reino Unido. Com uma imagem do Cristo Redentor segurando um cartaz com a inscrição “SOS” na capa, a nova edição da revista britânica “The Economist” diz que a presidente Dilma Rousseff tem responsabilidade sobre o fracasso econômico, mas que os que trabalham para tirá-la do cargo “são, em muitos aspectos, piores” e cita Eduardo Cunha como exemplo. “No curto prazo, o impeachment não vai resolver isso”. Por isso, a revista defende novas eleições gerais.

O editorial diz que “Dilma levou o país para baixo, mas toda a classe política também”. “O fracasso não foi feito apenas pela senhora Rousseff. Toda a classe política tem levado o país para baixo através de uma combinação de negligência e corrupção”.

A revista afirma que Dilma tem responsabilidade porque houve incompetência na condução da economia, o PT se envolveu no esquema de corrupção da Petrobras e a presidente tentou proteger o ex-presdiente Luiz Inácio Lula da Silva das investigações. As acusações contra a atual presidente, porém, são relativizadas quando comparadas com as existentes contra os nomes que lideram o processo de impeachment no Congresso.

“O que é alarmante é que aqueles que estão trabalhando para o seu afastamento são, em muitos aspectos, piores”, cita o editorial, que lembra que o vice-presidente Michel Temer é filiado ao PMDB. “O PMDB também está perdidamente comprometido. Um dos seus líderes é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que presidiu o espetáculo do impeachment de seis horas no domingo. Ele é acusado pelo Supremo Tribunal Federal de aceitar suborno da Petrobras”, diz a revista.

Longo histórico. Para a “Economist”, “não há maneiras rápidas” de resolver a situação. As raízes dos problemas políticos viriam, segundo a revista, da economia baseada no trabalho escravo do século XIX, a ditadura do século XX e o sistema eleitoral em vigor. “No curto prazo, impeachment não vai consertar isso”.

O editorial diz que a acusação da manipulação contábil de Dilma parece “tão pequena que apenas um punhado de deputados se preocupou em mencionar isso em seus dez segundos” na votação. A revista avalia que, se Dilma for deposta por uma razão técnica, “o senhor Temer vai lutar para ser visto como um presidente legítimo pela grande maioria dos brasileiros que ainda apoiam a senhora Rousseff”.

Por isso, a revista defende que uma maneira de contornar a situação seria a realização de novas eleições que elegeriam um presidente com apoio popular para executar reformas. “Os eleitores também merecem uma chance de se livrar de todo o Congresso infestado de corrupção. Apenas novos líderes e novos legisladores podem realizar as reformas fundamentais que o Brasil necessita”, afirma o texto.

Em pauta

Cobertura. Em editorial de março, a “The Economist” pediu a renúncia de Dilma. Em janeiro, a publicação já havia previsto que o ano de 2016 seria desastroso para a presidente.

Temer diz a norte-americanos que “não há golpe”

Brasília
. Poucos dias após Dilma Rousseff denunciar o “golpe de Estado em curso” no Brasil a estrangeiros, o vice Michel Temer usou entrevistas a veículos norte-americanos, como o “Wall Street Journal” e o “Financial Times”, para defender a constitucionalidade do processo de impeachment.

O pano de fundo é a viagem de Dilma aos Estados Unidos, onde deve reforçar, em discurso nas Nações Unidas, o argumento de que a democracia nacional está em perigo. Enquanto isso, o vice-presidente se defende das acusações enquanto articula uma equipe ministerial.

“Não há golpe, de maneira alguma, ocorrendo aqui no Brasil”, afirmou Temer, em entrevista publicada pelo “Financial Times” (FT). “É um processo constitucional”, acrescentou. “Não estou fazendo nenhum esforço (para o impeachment), nenhuma ação, mas estou ofendido pelas palavras dela”, disse à publicação.

Para o “Wall Street Journal”, o peemedebista ressaltou que “cada etapa do impeachment está em conformidade com a Constituição”, disse. “Como isso seria um golpe?”, questionou.

Instituto Herzog pede que deputados evitem Bolsonaro

São Paulo
. Instituto Vladimir Herzog afirmou nesta quinta, em nota, que os deputados federais devem “expulsar de seu convívio” Jair Bolsonaro (PSC-RJ). No último domingo, o parlamentar, durante votação do pedido de impeachment de Dilma na Câmara, exaltou a ditadura militar e a memória do coronel reformado Carlos Brilhante Ustra, morto no ano passado e que foi chefe do DOI-CODI de São Paulo, um dos mais sangrentos centros de tortura do regime militar.

“Aos deputados federais – todos eles, de todos os partidos, seja qual for o lado em que estiveram na votação do último domingo – incumbe expulsar de seu convívio, imediatamente, uma figura abjeta como essa, que faz a apologia do crime covarde que é a tortura”, afirma o Instituto.

Ustra comandou o Doi-codi entre 1971 e 1974. Nos últimos anos, procuradores da República em São Paulo vinham tentando processá-lo por tortura e morte de vários militantes que foram encarcerados nas dependências daquela unidade militar do antigo II Exército. Há sete anos, Ustra é declarado torturador pela Justiça, após decisão do TJ-SP.

Durante a votação do impeachment, Bolsonaro disse. “Perderam em 1964, perderam agora em 2016. Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim.”

Na nota, a entidade manifestou ‘indignação contra essa abominável pregação’.

“Nossa Constituição é plena de razões explícitas, desde seus Princípios Fundamentais, para se impedir que Jair Bolsonaro continue a ofender e envergonhar o Brasil com sua apologia à tortura por agentes do Estado e incitação ao crime, em plena Câmara dos Deputados – pelo que deveria inclusive ser responsabilizado criminalmente”, sustenta o Instituto.

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