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Em novo pronunciamento

Temer diz que gravação é ‘fraudulenta’ e Joesley, ‘falastrão’

Uma perícia contratada pelo jornal Folha de S. Paulo concluiu que a gravação da conversa sofreu mais de 50 edições

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Temer pede suspensão de inquérito até verificação de áudios
PUBLICADO EM 20/05/17 - 15h33

No segundo pronunciamento feito em dois dias, o presidente Michel Temer disse neste sábado, 20, que vai entrar com petição no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a suspensão do inquérito contra ele por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Temer reiterou que não renunciará ao cargo e tentou desqualificar a delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS. O presidente chamou a gravação de sua conversa com o empresário de “fraudulenta” e disse que a perícia mostra que o diálogo foi adulterado.

Temer chamou Joesley de ‘falastrão’.

“A divulgação dos áudios tenta macular a reputação moral do presidente da República e invalidar nosso País, mas digo com toda a certeza: o Brasil não sairá dos trilhos e eu continuarei à frente do governo”, afirmou.

Para Temer, o áudio feito por Joesley foi montado com o objetivo de prejudicá-lo. “Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos”, disse Temer. “Incluir (isso) no inquérito sem a devida e adequada averiguação levou pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil.”

“Quero pontuar que houve grande planejamento para realizar esse grampo e depois montagem, e criar um flagrante que incriminasse alguns, enquanto criminosos fugiam para exterior em segurança”, disse.

Com o agravamento da crise política e a ameaça de debandada de partidos da base aliada, Temer decidiu dar respostas rápidas às delações premiadas da JBS. Nos últimos dias, o presidente repetiu a aliados do PSDB, do DEM e do próprio PMDB que não tem nada a esconder e que está sendo vítima de uma “conspiração”.

Temer criticou o fato de o empresário estar “livre e solto, passeando pelas ruas de Nova York”. “O Brasil, que já tinha saído da mais grave crise econômica de sua história, vive agora dias de incerteza”, afirmou Temer.

O presidente chamou ministros para estarem a seu lado no pronunciamento, para uma demonstração de força. O chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que já estava em Porto Alegre (RS), voltou, mas não chegou a tempo de aparecer na foto.

A estratégia de defesa de Temer é comandada pelo criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, seu amigo há 40 anos. O governo pediu perícia da delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, e diz ter informações de que o áudio foi editado.

O diálogo 

Na conversa com Temer no Palácio do Jaburu, em 7 de março, Joesley disse que estava “de bem” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso pela Lava Jato. “Tem que manter isso, viu?”, respondeu Temer. Em seguida, Joesley acrescentou: “Todo mês”. Parte do diálogo, porém, é inaudível.

O empresário também contou a Temer que estava comprando um procurador e “dando conta” de dois juízes para barrar uma investigação sobre empresa do grupo J&F, holding que administra a JBS. “Ótimo”, afirmou Temer. À Procuradoria-Geral da República, Joesley disse que, a pedido do presidente, pagou a ele R$ 4,7 milhões de 2010 a março de 2017.

Já o diretor da JBS Ricardo Saud disse à Procuradoria que Joesley e Temer tinham uma senha em comum para se referir às mesadas pagas a Cunha e ao operador Lúcio Funaro na cadeia. “O código era ‘tá dando alpiste pros passarinhos? Os passarinhos tão tranquilos na gaiola?” Temer disse neste sábado que a expressão chula usada pelo delator ofende sua inteligência.

O presidente será investigado no Supremo por suspeita de corrupção passiva, obstrução à investigação e participação em organização criminosa. O pedido de abertura de inquérito foi feito pela Procuradoria-Geral da República e autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, contra Temer, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor especial do presidente que foi filmado com uma mala de dinheiro.

A defesa tenta desqualificar Joesley, sob o argumento de que o empresário se valeu de uma delação falsa com o único objetivo de obter benefícios para ele e sua companhia.

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