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Delação

Vice de Minas levou R$ 25 mi

Funaro afirma que Toninho Andrade alterou regras do Ministério da Agricultura para beneficiar JBS

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Toninho Andrade
Toninho Andrade negou que tenha atuado no ministério para favorecer JBS
PUBLICADO EM 13/09/17 - 22h25

BRASÍLIA. O doleiro apontado como operador de propinas do PMDB afirmou, em acordo de delação premiada firmado com a força-tarefa da Lava Jato, que o vice-governador de Minas, Antônio Andrade (PMDB), recebeu ao todo R$ 25 milhões de forma indevida da JBS quando comandava o Ministério da Agricultura, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Segundo o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, em um dos capítulos da delação, Funaro detalha que as propinas foram distribuídas entre o PMDB nacional e o de Minas. Ainda de acordo com o doleiro, os repasses aos peemedebistas mineiros eram uma “retribuição” à votação do diretório estadual que permitiu a indicação do então ministro como vice na chapa de Fernando Pimentel (PT) ao governo do Estado.

Funaro também declarou que, dos R$ 25 milhões, R$ 4,2 milhões foram pagos em dinheiro diretamente para Antônio Andrade. Apesar dos detalhes, o doleiro disse não ter acompanhado essa operação, da qual teria tomado conhecimento somente depois das eleições.

Em outro esquema, desta vez com a participação do então vice-presidente Michel Temer (PMDB) e do então presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) – cassado e preso pela Lava Jato –, Antônio Andrade teria, segundo Funaro, alterado regras do Ministério da Agricultura para favorecer a JBS. Em troca, Toninho recebeu R$ 3 milhões em propina, e outros R$ 1,5 milhão se destinaram a Cunha. “Temer e Henrique Alves (ex-presidente da Câmara) receberam parte dessa propina”, disse o delator.

Uma das medidas aprovadas dentro da pasta, em fevereiro de 2014, proíbe entrepostos de carnes e derivados de exportar despojos de boi, autorizando somente frigoríficos habilitados a isso, como consta na delação. “É um pedaço do gado que não é utilizado no Brasil, mas que na China e em alguns países asiáticos eles comem”, explicou Funaro.

O delator afirmou que a operação para mudar regras da Agricultura “precisou da ajuda” do então ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT). “Antônio Andrade cuidou do trâmite dentro do ministério, mas ele, sozinho, não conseguiu”, disse.

Segundo escalão. Na conclusão do inquérito que apontou Temer como chefe do quadrilhão do PMDB na Câmara, a Polícia Federal (PF) colocou Antônio Andrade com um dos cinco integrantes do “segundo escalão” que atuaria a serviço do presidente. Eram quatro ex-assessores especiais de Temer: Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala dos R$ 500 mil da JBS, Nelson Tadeu Fillipelli, deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) e José Yunes, além de Antônio Andrade.

Outro lado. Antônio Andrade rebateu as acusações, dizendo serem “falsas e inconsistentes” as suposições de que teria recebido benefício da JBS em troca de apoio político no Ministério da Agricultura. “Afirmo que jamais editei qualquer ato normativo que privilegiasse a JBS ou qualquer outro frigorífico, e que as decisões tomadas na pasta, naquele período, nunca sofreram influências externas. Não sou e nunca fui alvo de nenhuma denúncia, nem acusado pela prática de nenhum ilícito. Os fatos serão esclarecidos no âmbito do inquérito”, afirmou.

Em nota, a Presidência afirmou que as declarações de Funaro não são dignas de crédito: “Versões de delator já apontado pelo Ministério Público Federal como homem que traiu a confiança da Justiça não merecem nenhuma credibilidade”.

Quadrilhão. O relatório da PF sobre o quadrilhão do PMDB da Câmara se sustenta em pelo menos 22 delações premiadas, além de documentos e condenações do juiz federal Sergio Moro.

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