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Donos de consórcio de transporte que atua em BH são presos por propina

Roberto José de Carvalho e sua filha Juliana Campos Carvalho Schettino, que estavam foragidos, se entregaram à Polícia Federal; em 2013, O TEMPO revelou que ambos estavam envolvidos em irregularidades no processo licitatório de ônibus em Belo Horizonte

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PUBLICADO EM 31/05/16 - 12h17

Os proprietários da Empresa Valadarense de Transporte Público Coletivo, Roberto José de Carvalho e sua filha Juliana Campos Carvalho Schettino, que estavam foragidos da Justiça, se entregaram à Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte no início desta semana. Ambos são investigados na 3ª fase da operação Mar de Lama por pagamentos de propinas a vereadores e servidores do município do Rio Doce para que sua empresa de ônibus fosse beneficiada.

Em 2013, a reportagem de O TEMPO revelou que os empresários combinaram entre si na licitação que escolheu os consórcios que operam o transporte público em Belo Horizonte. A conduta contraria o princípio de sigilo das propostas, previsto na lei federal que regula as concessões públicas, e levanta suspeitas de que o vencedor do processo, realizado em 2008, já estaria predeterminado.

Porém, o Ministério Público Federal informou que Carvalho e sua filha foram detidos apenas pelo crime cometido em Governador Valadares. "Claro que se durante o processo aparecer algum indício de envolvendo de alguma das empresas da família em corrupção em outras cidades, como Belo Horizonte, o Ministério Público irá investigar", esclareceu o procurador da república Felipe Vale Siman.

Prisões

Os dois empresários estavam foragidos desde o dia 19 deste mês quando uma operação da Polícia Federal foi desencadeada nas cidades de Belo Horizonte, Nova Lima, na região metropolitana, e Governador Valadares, na região do Rio Doce. Na ocasião, sete vereadores de Governador Valadares que recebiam propina foram detidos, mas pai e filha não haviam sido localizados.

Os advogados da família dos empresários do transporte público negociaram para a rendição dos dois. Na tarde desse domingo (29), Carvalho, que estava na Espanha, retornou para Belo Horizonte e foi encaminhado para a sede da PF na capital.

Nessa segunda, ele prestou depoimento e, em seguida, ele foi encaminhado para a penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH.

Já sua filha Juliana, entrou na manhã dessa segunda (30) e foi levada para o Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, no bairro Horto, na Região Leste de Belo Horizonte. Ela deve prestar depoimento nesta quarta-feira (1º).

Os advogados de defesa dos empresários ainda não foram localizou pela reportagem para falar sobre o assunto.

Mar de Lama

As investigações, que foram iniciadas em janeiro de 2015 e se prolongaram por um ano, apontaram que pai e filha realizavam constantes pagamentos para que vereadores barrassem qualquer projeto que pretendesse dar gratuitidade aos passageiros do transporte coletivo. Além disso, os parlamentares deveriam aprovar todos os textos relacionados ao aumento da tarifa.

"Ainda não se sabe qual o valor que foi empenhado para o pagamento desses servidores público e durante quanto tempo durou o esquema. Essas respostas fazem frente de uma outra linha de investigação que ainda serão apuradas", explicou o procurador.

O inquérito da Polícia Federal já foi encerrado e já foi entregue ao Ministério Público. O documento indiciou quarenta pessoas por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Como os réus já estão presos, agora, o órgão terá até cinco dias para apresentar uma denúncia sobre eles. "Esse tempo serve para que seja analisado o inquérito e decida se irá ou não oferecer a denúncia", afirmou Siman.

Em BH

Em 2013, a reportagem de o tempo apurou que a Rodopass Transporte Coletivo de Passageiros Ltda. e a Urca Auto Ônibus Ltda., que fazem parte do Consórcio Dom Pedro II, ganharam a concorrência da licitação que escolheu os consórcios que operam o transporte público em Belo Horizonte que foi disputada com a Empresa Valadarense de Transportes Coletivos Ltda. As três são controladas por membros da família de sobrenome Carvalho.

No processo licitatório, a Valadarense é representada por Ana Paula Carvalho, filha de Roberto José Carvalho, que nos contratos firmados em julho daquele ano com o consórcio vencedor aparece à frente da Rodopass. A empresa de Roberto é uma das nove integrantes do consórcio que teve como única concorrente no certame a Valadarense. Além disso, a representante legal da Urca na época é, segundo o documento, Eneide Carvalho Santos. Ela é irmã de Roberto e tia de Ana Paula. A reportagem ligou para a sede das três empresas, e funcionários confirmaram que elas pertencem ao mesmo grupo e a relação entre os envolvidos. O único contato de Ana Paula, disponibilizado pela Valadarense, é um endereço de e-mail, cujo provedor remete à Rodopass.

Na época, o promotor de Defesa do Patrimônio Público Eduardo Nepomuceno, informou que o fato agrava as suspeitas de irregularidade.

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