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Coração Eucarístico

'Perdoo. Ele já tem um inferno na cabeça', diz pai de jovem morta

Religioso, pai da estudante Isabella Perdigão, morta pelo vizinho no Coração Eucarístico, prega mensagem de amor em enterro da filha

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CIDADES - DO DIA - BELO HORIZONTE - MG  .  VELORIO E ENTERRRO DA ISABELLA QUE MORAVA NO CORACAO EUCARISTICO QUE FOI VITIMA DE LEVAR QUATRO FACADAS .  NA FOTO : CEMITERIO RENASCER  FOTO: FRED MAGNO / O Tempo 30042017
CIDADES - DO DIA - BELO HORIZONTE - MG . VELORIO E ENTERRRO DA ISABELLA QUE MORAVA NO CORACAO EUCARISTICO QUE FOI VITIMA DE LEVAR QUATRO FACADAS . NA FOTO : CEMITERIO RENASCER FOTO: FRED MAGNO / O Tempo 30042017
PUBLICADO EM 30/04/17 - 19h33

Momentos antes de enterrar a filha, a estudante Isabella Perdigão Martins Ferreira, 21, morta a facadas por um vizinho, o psicólogo Paulo Martins disse perdoar o caminhoneiro Ezequiel Miranda da Silva, 41, autor do crime. "Eu perdoo ele, porque ele já tem um inferno na cabeça dele. E eu sei que, por minha família ser evangélica, ela está com Deus. Mas ele não está", disse o pai da estudante, em entrevista à Rádio Itatiaia.

Isabella morreu na manhã deste sábado (29) nos braços do pai, a caminho da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, após ser esfaqueada pelo vizinho em seu prédio, no bairro Coração Eucarístico, na região Noroeste da capital. "Ontem eu morri com a minha filha. Ela vai ser enterrada e vou ter que ressuscitar, porque ainda tenho que viver minha vida com minha família", afirmou Martins. Bastante religioso, o pai da garota disse que, neste momento de dor, a família se fortalece pela fé. "Posso escolher duas situações: o ódio ou o amor. Eu prefiro o amor. Posso acreditar em culpar Deus ou achar que Deus tinha um propósito. E eu prefiro acreditar no propósito de Deus", disse.

Isabella foi enterrada no começo da tarde deste domingo (30), no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, na região metropolitana. O autor das facadas foi preso em flagrante pela Polícia Militar e, segundo a Polícia Civil, já foi encaminhado a uma unidade prisional de Belo Horizonte. "O mundo já está muito mau. Vamos falar do amor, vamos pregar o amor. Sempre sou a favor da família e não vai ser nesse momento que vou falar bobagem contra Deus", afirmou à imprensa o pai da estudante.

O crime

Paulo Martins relatou que a filha estava indo fazer uma segunda via de sua carteira de identidade quando a família foi abordada pelo criminoso. "Minha esposa falou que tinha faltado um documento e foi lá em cima buscar, quando desceu, disse que tinha esquecido a chave em cima da mesa. Aí eu fui buscar a chave, mas antes abri a garagem. Ouvi a gritaiada lá embaixo e na hora que desci já vi a Isabella com a faca cravada no peito", disse Martins.

O pai da estudante contou que Isabella segurava a faca desesperada dizendo "não, moço, por favor, não faz isso comigo não". "Ele estava tentando tirar a faca dela na hora que eu cheguei. Comecei a lutar com ele e ele tirou a faca e começou a me esfaquear também", contou Martins. O psicólogo disse que achou que iria morrer: "Ele só parou quando falei assim: 'em nome de Jesus, não vamos morrer, sai daqui'".

Martins e Isabella foram socorridos por um taxista e o vizinho subiu para o apartamento para ir atrás do restante da família. Segundo o psicólogo, o autor do crime começou a quebrar tudo na casa e chegou a ameaçar sua esposa com a faca. Silva não chegou a esfaquear os outros familiares, mas colocou fogo no apartamento da família.

Segundo Martins, a Polícia Militar demorou a agir. "Ele continuou quebrando a casa e a polícia lá embaixo, esperando o Gate chegar para fazer a negociação. Minha irmã que é policial aposentada chegou e aí sim os policiais entraram, quando ele já estava para matar a Cristiana (outra filha do casal) com a faca". 

O pai da menina contou que estava a um quarteirão da UPA quando Isabella acordou e perguntou o que estava acontecendo: "Falei: 'filha, você levou uma facada', aí ela virou e morreu. Não deu tempo de chegar (na UPA)".

Perseguição

Segundo a família da vítima, há muito tempo o vizinho vinha encarando as filhas. "A gente não podia ficar com a janela aberta", contou o pai. "Ele ficava só encarando nosso apartamento, falando palavrão do lado de lá e fazendo atos obscenos". As filhas do casal chegaram a ir à polícia dizer que se sentiam ameaçadas, mas nada foi feito. "Se tinha paixão por ela, isso eu não sei. Mas ele ficava rondando o apartamento. Ela chegava e ele já estava de longe olhando", disse.

Martins afirmou ainda não saber se o autor do crime tinha problemas psiquiátricos: "Isso pra mim agora não importa. Ele já tem o inferno dele". Para a família, agora vão ficar o amor e a alegria da filha. "Há um mês ela falou pra mim: 'pai, se o senhor morrer, todo mundo morre. Peço a Deus para morrer antes do senhor, porque não iria aguentar a sua morte'. E eu falei: 'para, filha, a história é que os pais morrem primeiro. Não vai ser assim'. Mas foi'".

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