Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Erro

Plano minimizou prejuízos 

Documento da Samarco previu que lama percorreria 70 km em caso de acidente; distância foi de 680 km

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
B-J0Q3
Devastação. Lama de rejeitos percorreu o rio Doce até o encontro com o mar, destruindo fauna e flora
PUBLICADO EM 05/12/15 - 04h00

Se as consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, fossem como a Samarco descrevia em seu Plano de Previsão de Cenário, documento com as projeções de um eventual acidente, sem atualização há sete anos, a avalanche de rejeitos não teria passado de Barra Longa, atingindo um raio de apenas 70 km, no dia 5 de novembro. Mas, na prática, a mineradora errou no cálculo. A enxurrada de lama chegou ao oceano, após seguir um percurso de 680 km – dez vezes mais que o previsto pela empresa – devastando praticamente tudo pelo caminho.

Para tentar prever o cenário de outro rompimento, a Samarco deveria ter entregue à Justiça um novo plano, atualizado, na última quarta-feira, considerando as novas condições das estruturas que restaram no complexo da mineradora. Como a empresa não cumpriu o prazo estabelecido na ação ajuizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Samarco pagará multa de R$ 1 milhão por cada dia de atraso.

Em vez da documentação solicitada, a mineradora entregou um cronograma para finalização do plano em janeiro de 2016, prorrogando o prazo por mais seis semanas, e até lá adotaria medidas paliativas como a colocação de caminhonetes em pontos estratégicos na região para o caso de outra barragem romper.

A promotoria, no entanto, considera que as medidas sugeridas não são capazes de atender uma emergência de maior proporção, como foi a de Fundão, e o pedido de postergação feito pela Samarco aumentaria consideravelmente o risco para a população da região, além de agravar os danos ambientais.

“Isso é gravíssimo. Não podemos ficar esperando esse tempo todo. As pessoas não podem esperar. Está chovendo, não sabemos qual vai ser a condição do próximo fim de semana, que dirá de 2016”, afirmou o promotor de Defesa do Meio Ambiente, Mauro Ellovitch.

O plano deve prever os possíveis cenários de uma ruptura e as medidas emergenciais concretas a serem adotadas. Tem que explicar, por exemplo, quantos milhões de litros de rejeitos vão descer montanha abaixo se a barragem de Germano ou de Santarém se romperem, até onde essa lama vai chegar e em quanto tempo atingiria comunidades ainda habitadas.

“Precisamos disso urgentemente, até mesmo para retirar as pessoas. Basta contratar mais profissionais para trabalhar em cima dos dados técnicos. Eles não podem economizar recursos. Que contratem 50, cem equipes. O que eles (Samarco) precisam é dar essa informação com urgência”, defendeu categoricamente o promotor. Segundo ele, a promotoria investiga o fato de medidas essenciais não estarem sendo adotadas para a segurança das barragens. “As estruturas estão em risco. Temos que nos precaver dos piores cenários possíveis”.

Resposta

Plano.
A Samarco disse nesta quinta que respondeu à Justiça sobre o plano de emergência. Ela deve entregar o documento à Secretaria de Meio Ambiente e ao Departamento Nacional de Produção Mineral.

A projeção
Detalhes.
 O plano deve projetar o alcance da mancha de lama e o período de tempo para isso: minutos ou horas. Segundo o promotor Mauro Ellovitch, a composição da barragem de Germano é mais arenosa. “A gente não sabe se vai fazer o mesmo caminho da de Fundão, se vai juntar com a lama que já está depositada lá e vai vir uma onda muito maior”.

Cidades. É preciso ainda que o plano antecipe quais cidades podem ser afetadas no abastecimento de água em caso de contaminação de rios.

Hidrelétrica. Na ação, o MPMG também determinou o esvaziamento da Usina Hidrelétrica de Risoleta Neves (Candonga) para que a estrutura faça a contenção dos rejeitos de uma eventual ruptura das barragens, mas a Samarco pediu à Justiça uma audiência de conciliação para tratar do assunto.

Verba da União
Ações na Justiça.
 O Tribunal de Justiça de Minas (TJMG) suspendeu a análise de três agravos de instrumento impetrados pelo Ministério Público contra a Samarco. A suspensão acontece até que a União diga se tem interesse nos agravos, já que uma ação conjunta foi movida na Justiça Federal pelo governo federal e os Estados de Minas e do Espírito Santo.

Ajuda. O Ministério da Saúde autorizou repasse de R$ 4,4 milhões aos Estados e municípios afetados pela barragem. A verba deverá ser usada em ações de vigilância sanitária.

Acordo para manutenção de empregos

A Samarco assinou nesta sexta, na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Belo Horizonte, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que visa assegurar o emprego de 2.686 funcionários diretos e de 2.400 terceirizados da mineradora até 1º de março de 2016.

O acordo tem abrangência em Minas e no Espírito Santo. Na audiência também ficou decidido que a empresa deverá pagar um salário mínimo com acréscimo de 20% por dependente, mais o valor correspondente a uma cesta básica a 11 mil ribeirinhos que vivem às margens do rio Doce.

A previsão é que os pagamentos comecem dia 11 de dezembro, com valor retroativo até 5 de novembro. Se descumprir o acordo, a multa é de R$ 1 milhão por dia.

O que achou deste artigo?
Fechar

Erro

Plano minimizou prejuízos 
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter