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Insegurança

Roubos de bicicletas na Pampulha revoltam ciclistas e moradores 

Frequentadores reclamam da falta de policiamento na orla da lagoa

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Onda de roubos de bicicletas
Perigo. Ciclistas desacompanhados são o alvo preferencial dos bandidos, que atuam principalmente durante a noite
PUBLICADO EM 20/02/16 - 04h00

Passear de bicicleta pela orla da lagoa da Pampulha e pelo seu entorno tem sido um desafio para os ciclistas de Belo Horizonte. A região convive diariamente com assaltos, que têm como alvo os veículos, muitos deles em plena luz do dia. A reportagem de O TEMPO esteve no local e conversou com diversos ciclistas, que denunciaram a falta de segurança da localidade e o pouco policiamento. O caso mais recente aconteceu na última terça-feira, quando um homem de 29 anos foi preso após tentar roubar uma bicicleta de um ciclista na avenida Clóvis Salgado, no bairro Urca, na região da Pampulha.

Segundo os frequentadores, os assaltantes não levam apenas as bikes profissionais, com preços acima de R$ 5.000. Pelo contrário. Até os modelos mais simples, que custam entre R$ 200 e R$ 500, têm sido alvo. O operador de empilhadeiras Wanderson Luiz de Oliveira, 49, pedala diariamente pela orla da Pampulha e já presenciou assaltos diversas vezes. “Os ladrões estão levando qualquer equipamento. Muitos ciclistas estão mudando os hábitos para não serem roubados, como pedalar em grupos”.

Temendo ser roubado, o policial Eduardo Maia Pantuzzo, 38, prefere pedalar com uma bicicleta mais simples, para não levar prejuízo. Ele já foi assaltado em 2013, quando saiu para caminhar, e ladrões levaram um cordão de ouro. “Eu nem me atrevo a comprar bicicletas mais caras porque sei que serei assaltado. Se levarem essa daqui, menos mal”, contou.

Segundo os ciclistas, os pontos com maior incidência de assaltos são próximo ao Clube Belo Horizonte e logo após o zoológico. Eles acreditam que os ladrões são pessoas da própria região, já que os bairros próximos possuem diversas oficinas, que, segundo os moradores, são de desmanche de bicicletas.

Medo. A falta de segurança na região também tem sido questionada pelos ciclistas. Muitos relataram que não costumam ver policiais militares ou guardas municipais. “Sei que os roubos acontecem com maior frequência à noite. Quase não vejo a polícia aqui”, reclamou a professora Mara Rodrigues, 28.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial afirmou que a Guarda Municipal de BH faz rondas 24 horas por dia na orla. Conforme mostrou O TEMPO em 13 de janeiro deste ano, a corporação lançaria no mesmo mês o Grupo Ronda Bike, que faria rondas diárias na orla. A secretaria informou que o grupo já está atuando.

De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Social (SEDS), no último ano, foram registrados em Belo Horizonte nove roubos e 90 furtos de bicicletas. Segundo o site Bicicletas Roubadas, que reúne denúncias de furtos e roubos, BH é a quinta capital brasileira com maior quantidade de registros desse tipo de crime.

A Polícia Militar informou, por meio de nota, que "tem intensificado o patrulhamento na região, efetuando algumas prisões e mapeado os locais onde o problema acontece". 

 

Ladrões tentam vender bikes


Ciclistas acreditam que o destino das bikes roubadas são oficinas da região. A reportagem foi até uma delas.

Um funcionário disse não comprar bicicletas de origem suspeitas, mas confirmou que há oferta. “O pessoal oferece sim. A quantidade de roubos é grande. Há umas duas semanas um rapaz me procurou pedindo para não comprar uma bicicleta Caloi Speed, que foi roubada dele lá na orla”. 

Atacar desmanches pode ser solução

Prender o assaltante nesses casos nem sempre é a solução. Isto porque o assalto a bikes é, na visão do especialista em segurança pública Robson Sávio, um mercado lucrativo para oficinas de desmonte e desmanche, que repassam as peças para outros ciclistas.

“Não adianta só correr atrás de quem rouba, tem que correr atrás dos receptadores. É um grupo de pessoas que atua: os que roubam repassam para oficinas que desmontam e para as que revendem ao público. Ainda, a população brasileira é conivente com isso ao comprar essas peças”, explica.

O próprio especialista, que mora na região, já foi assaltado na orla no ano passado, por dois ladrões munidos de facas que levaram sua bicicleta de R$ 2.300.

“Não adianta trabalhar só com o infrator. Esse tipo de evento tem que ter um embate sistêmico. Os diversos órgãos policiais e de investigação têm que atuar de forma conjunta pra desmanchar o esquema criminoso. O assaltante é o mais visado, mas ele é só a ponta do iceberg”, completa.

Flash

A Polícia Civil (PC) afirmou que os boletins de ocorrência em casos de roubos de bicicleta são feitos pelas delegacias regionais. A PC não contabiliza o total das investigações em andamento.

*Atualizado às 11h23

 

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