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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Após bi mundial e medalhas no Pan, Isaquias Queiroz quer ouro no Rio

Canoísta falou sobre Pan, homenagens na Bahia ,adversários, mundial, preparação e a expectativa para representar o Brasil nas Olimpíadas de 2016

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Canoísta brasileiro exibiu os dois ouros e a prata conquistadas no Pan de Toronto
PUBLICADO EM 19/07/15 - 07h00

Bicampeão mundial de canoagem de velocidade, o baiano de Ubaitaba (BA) Isaquias Queiroz segue se destacando pelos feitos nas competições que disputa. Nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, ele conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata. Se cada vez mais ele passa a ser reconhecido no mundo esportivo, fora dele o atleta ainda tem uma rotina tranquila. Na chegada ao Brasil, o assédio foi pouco. Depois de ser entrevistado por um canal de TV em sua chegada a São Paulo, o canoísta chegou a Belo Horizonte sem alarde de torcedores e sem o cerco da imprensa no aeroporto.

O retorno de Isaquias Queiroz ao país, porém, não passou despercebido pela reportagem do SUPER FC. Mesmo com a falta de informações sobre o horário de desembarque e de onde o atleta reside, a equipe se empenhou e foi até Lagoa Santa para entrevistar o medalhista, que é uma das grandes esperanças brasileiras de medalhas nas Olimpíadas de 2016.

De volta à capital mineira, o descanso foi apenas de algumas horas, já que, em apenas cinco semanas, o atleta já estará em ação de novo para disputar o mundial na Itália, em agosto. Para não perder tempo e seguir colecionando títulos e medalhas, o canoísta não se descuida da preparação, que tem como grande objetivo os Jogos do ano que vem.

Tranquilo e confiante, o canoísta falou sobre a repercussão de seu feito no Pan, as homenagens que irá receber na Bahia, sobre os principais adversários, sobre a preparação e a expectativa para representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

CONFIRA A ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O CANOÍSTA ISAQUIAS QUEIROZ


Você esperava por todas essas conquistas no Pan?

A gente já imaginava o que podia vir pela frente (de conquistas), pelo trabalho do dia-a-dia, pelo que a gente vem conseguindo ao longo dos anos. Mas sabíamos que não ia ser fácil, porque o canadense (Mark Oldershaw) estava treinando muito e, além disso, ele era o porta-bandeira do seu país. Então, ele não queria deixar ninguém ganhar dele dentro de casa, mas no C-1 1.000 metros a gente já esperava essa medalha de ouro. Lógico que também esperava a medalha de ouro no C-2 1.000 metros (duplas). Nós chegamos muito próximo dos canadenses, brigando pelo ouro. Agora vamos treinar mais no C-2 1000 metros (duplas) para, quem sabe, a gente conquistar o ouro no mundial. No K-1 200, a gente não sabia o que podia conseguir porque eu não sou um atleta de 200 metros. Depois, vimos o vídeo da prova e tanto eu quanto meu treinador ficamos surpresos porque eu coloquei um barco de distância do segundo colocado. E nos 200 metros não tem como você colocar um barco de distância.

Dá para descrever a emoção que você sentiu quando ganhou essas medalhas?

Na hora não senti tanta emoção porque eu não sabia como ia ser a repercussão. De repente, quando cheguei no hotel, a repercussão foi um trem absurdo. No Brasil, no mundo e até na minha cidade mesmo. Não esperava tanta repercussão porque eu não vi os jogos Pan-Americanos serem tão divulgados no Brasil. Ganhei a medalha de ouro, depois a de prata e o pessoal já começa a reconhecer, a dar os parabéns. E quando eu ganhei a terceira medalha, outra de ouro, aí explodiu (de repercussão). Eu fique muito feliz. Eu não fui lá pra ganhar medalhas pra mim. Fui lá para ganhar medalha para o país, para uma nação. Estava lá brigando para ajudar o Time Brasil a conseguir o feito de conquistar o máximo de medalhas possíveis.

Você teve dificuldades de adaptação nas provas do Pan, já que elas são diferentes das provas que você foi bicampeão mundial?

Muita gente pensa que vou fazer uma preparação especial para as Olimpíadas do Rio por ser bicampeão mundial do C1-500. Na verdade, eu não treino para o C1-500, eu treino para o C1-1.000. Como o C1-500 é uma prova menor do que a C-1 1.000 e eu tenho uma prova de C-1 1.000 boa, o C-1 500 acaba fazendo parte do C-1 1000. Minha prova específica é o C-1 1.000, onde ganhei medalha de bronze em 2013 e, no ano passado, quase ganhei a medalha de ouro. A C1-500 é uma prova que a gente faz porque não vai adiantar ir para o mundial, remar uma prova de 1.000 metros e depois colocar o pé pra cima, porque acabou o campeonato. Eu remo o C-1 1.000 metros, nas eliminatórias e as finais, e depois eu remo as eliminatórias e as finais do C-1 500 para não ficar sem fazer nada.

Você já está classificado para as Olimpíadas do Rio?

O Brasil já tem a classificação garantida para as Olimpíadas, mas eu não estou classificado. Hoje, eu estaria nos Jogos porque sou o melhor do Brasil no C-1 1.000. O canadense (Mark Oldershaw) até falou que vai tentar me dar o troco aqui no Brasil, já que eu ganhei dele no Canadá. Agora, vamos olhar um pouco mais para as outras provas como a C-1 2.000 metros, C-1 200 metros, que são provas em que não estamos classificados. Vamos ver o que fazemos para qualificar essas embarcações para ir o máximo de atletas possível para as Olimpíadas.

O tempo está muito corrido por causa das conquistas que têm obtido?

Tem alguns convites para ir na minha cidade, já que a minha cidade está fazendo 62 anos. Agora também tem uma comemoração de canoagem lá, que está fazendo 30 anos, e o prefeito quer que eu vou lá festejar com o pessoal. O governador da Bahia quer que eu e o Erlon (de Souza Silva) na Bahia para ele nos homenagear. Só que o tempo está muito corrido. Faltam cinco semanas para o mundial. Algumas pessoas podem falar que é muito, mas para um atleta é um tempo muito curto.

O nível dos atletas no mundial é mais alto do que no Pan-Americano?

Vamos dizer que sim. Porque tem outros rivais no mundial. Eu e o canadense sabíamos que a briga ia ficar entre eu e ele no Pan porque a rivalidade vem há bastante tempo em copas do mundo, em mundiais. Era o único que eu sabia que ia brigar comigo nos C-1 1.000 metros. No C-2 1.000, a gente sabia que a rivalidade ia ser com os canadenses (Benjamin Russell e Gabriel Beauchesne-Sévigny). No C-1 200 não tem tinha tanta disputa. O nível não estava tão alto, mas agora a gente vai pegar um nível forte no mundial. Sei que a disputa da medalha de ouro está entre eu e o alemão (Sebastian Brendel). A gente já vem se batendo há algum tempo e ele acaba ganhando. Ele têm mais experiencia que eu, é mais velho, tem mais resistência, tem muito mais tempo de canoagem do que eu. Mas a idade pra mim não importa. O importante é treinar. E se eu fizer o treinamento correto, lógico que eu vou ganhar dele, independentemente da idade.

O que representa essas conquistas do Pan-Americano para você e para o Brasil?

Pra mim, o mais importante é mostrar pra todo mundo que o nosso trabalho está sendo feito. Para as pessoas não falarem que o Brasil está investindo na canoagem, mas não tem resultado. Espero que eles vejam que nosso resultado esta aí, a gente está mostrando para o Brasil e para o mundo que estamos trabalhando pra conseguir os melhores resultados. Ainda bem que a gente não é daqueles atletas que chegam na final e ficam só nisso. A gente vai lá e entra na final para brigar por medalha. Isso pra mim é o que importa, e o bom é isso, que a gente tem a cabeça focada pra disputar medalhas.

O que você acha que dá pra melhorar e o que precisa evoluir para a disputa do mundial?

A gente não treinou especificamente para ganhar o mundial. Foi como a gente avaliou: não adianta ganhar o mundial e chegar nas Olimpíadas e perder. O meu treinador me disse: 'Calma, eu não vou colocar treino pesado porque eu não quero que você mostre nada agora. Quero que você mostre nas Olimpíadas. Então, é focar mesmo. Os treinamentos para ganhar a medalha de ouro nas Olimpíadas vão acontecer no ano que vem. Neste ano, a gente sabe que, melhorando um pouco mais no final da prova, a gente pode bater o alemão, porque a gente sempre chega junto nos 750 metros de prova. Quem estiver menos cansado no fim, leva a medalha. Os adversários pensam que nós dois vamos “morrer”, mas eles não esperam que a gente vá subir ainda mais o ritmo nos metros finais, e é isso que acontece. A gente está se preparando para acabar batendo o alemão.

Você falou que o foco das Olimpíadas é só no ano que vem. Mas já tem a expectativa por poder disputar os Jogos?

Já sim. A expectativa fica por conta de saber que eu tenho chance de medalha nas Olimpíadas. Lógico que quero ganhar a medalha de ouro, principalmente dentro de casa. Mas eu não vou arriscar prometer nada ainda porque o alemão é muito bom, não é qualquer atleta. Tem o húngaro, o canadense também, não são atletas quaisquer. Assim como eu também não sou qualquer atleta. Mas eu acho que a gente tem grandes chances de chegar na final das Olimpíadas e ganhar medalha. É treinar bastante porque são quatro anos de preparação para chegar naquele minuto específico e lutar pela medalha. E não pode passar daquele minuto porque é o momento decisivo do atleta. Por isso, vou treinar bastante no próximo ano para conseguir a medalha para o Brasil.

É mais especial por ser uma Olimpíada no Brasil?

Com certeza. As Olimpíadas serão mais especiais por serem no Brasil, dá um gostinho melhor, principalmente por ouvir o hino nacional dentro de casa. Acho que é como o pessoal da minha cidade falou: 'Isaquias, quando você apareceu na televisão, eu chorei'. O pessoal falou que chorou de emoção. Então, imagina só chegar nas Olimpíadas em casa, ganhar a medalha de ouro e ouvir o hino? Acho que vai ser uma alegria muito grande pra mim e pra todo mundo do Brasil que puder ver isso pessoalmente.

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