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MÚSICA

4 Pato Fus para 1/4 de século

No aniversário de 25 anos da banda, Fernanda Takai, John Ulhoa, Bob Faria e Débora Falabella relembram a história do grupo, que celebra a data com o aguardado “Música de Brinquedo 2”

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Integrantes. Richard Neves, John Ulhoa, Fernanda Takai, Ricardo Koctus e Glauco Mendes
PUBLICADO EM 04/09/17 - 03h00

“Rashomon”, um célebre filme japonês de 1950, dirigido por Akira Kurosawa, mostra um acontecimento passado sob quatro perspectivas diferentes. Na memória de cada um dos envolvidos, o fato é reinventado a sua maneira. Descendente por parte dos avós paternos da terra do sol nascente, Fernanda Takai, 46, é vocalista do Pato Fu desde o início da banda, há 25 anos, pouco antes da estreia em disco com “Rotomusic de Liquidificapum”, em 1993. Apesar disso, ela não esteve presente no primeiro dos shows.

“Estava terminando um intercâmbio no Arizona (Estados Unidos) quando a banda mudou de nome. Vi depois a fita num VHS, acho que era no Mineirinho, em um evento da UNE (União Nacional dos Estudantes). Minhas lembranças são das coisas que não deram certo, teve muito problema na parte eletrônica”, comenta a cantora, sem evitar os risos.

Companheiro de Fernanda num casamento que já supera as duas décadas, John Ulhoa, 51, idealizador da banda, traz outra versão para a história.
“Fiz uma coisa que quase já não existe, escrevi uma carta para a Fernanda, dizendo que o Bob tinha saído”, diverte-se. “Se eu não me engano, a primeira apresentação foi só comigo e o Ricardo (Koctus) no palco, em alguma calourada ou boteco”, arrisca.

Já o Bob mencionado é hoje comentarista esportivo da Rede Globo. A trama volta a ganhar novos contornos. “Não lembro do primeiro show, tenho memória de algumas coisas, como quando a Fernanda não podia ir e a gente botava um dinossauro inflável para substituir ela. A gente fazia milhões de coisas, já tinha essa coisa da invenção”, sublinha Bob Faria. “Eu me lembro do último show que fiz com o John, numa boate na (avenida) Francisco Sales, demos uma anarquizada geral, a banda ainda chamava Sustados Por Um Gesto, porque eu surtava mesmo, acabava quando parava de gritar”, diz.

Fã de carteirinha da banda, a atriz Débora Falabella, 38, é outra a trazer uma memória única desta primeira vez com o Pato Fu. “Foi num bar bem pequenininho em BH, chamado Squat, eu lembro que eles usavam muitos recursos eletrônicos, já tinham essa pegada que eu adorava, marcou toda minha adolescência”, garante a belo-horizontina. “Assim que saiu o primeiro CD, eu fui à loja comprar. E depois pude ver eles fazendo com instrumentos de brinquedo as mesmas coisas que faziam ali no início, com uma sonoridade única, diferente de tudo. E ainda levei minha filha para assistir junto, foi lindo”, elogia.
 

Marca. Num ponto, porém, os entrevistados concordam. Foi na hora de escolher a principal característica do grupo que o quarteto chega ao consenso. “Para mim a marca do Pato Fu é o uso de linguagens diversas. Todo mundo que trabalha com a gente traz alguma coisa que agregamos”, sugere Fernanda. “Conseguimos preservar a liberdade de fazer o que a gente quiser, temos várias cartas na manga. A gente trabalha, hoje, com pelo menos três repertórios, o que também requer disciplina”, aponta John.

Nessa linha, Bob alinhava os motivos que levam a banda a se destacar: “São ousados, muito acima da curva de mediocridade atual”. “Eles sempre surpreendem a gente”, completa Débora. 
 

Pato Fu volta a ser criança em novo CD

“Música de Brinquedo 2” apresenta sucessos de Ricky Martin, Genival Lacerda, Gilberto Gil e Eduardo Dussek

A “poesia é a infância da língua”. Na visão do poeta pantanense Manoel de Barros (1916-2014), não existia elogio maior do que ser chamado de criança. O poeta, que sempre acudiu à inocência como forma de sabedoria, certamente faria coro ao novo disco do Pato Fu, já disponível nas plataformas digitais e com previsão para chegar ao mercado físico na próxima segunda (11). “Música de Brinquedo 2” dá continuidade ao projeto iniciado em 2010, com registro ao vivo no ano seguinte.

“Não entendo o ‘Música de Brinquedo’ como um disco infantil, para mim é mais um trabalho do Pato Fu que também atinge esse público, mas a maior parcela que ouve não é criança, inclusive porque a maioria delas, hoje em dia, quer outro tipo de conteúdo”, afere a vocalista Fernanda Takai. Uma das canções, aliás, já despertou reações de vários adultos, sem esquecer aí o próprio homenageado, o cantor de forró paraibano Genival Lacerda.

“O Genival é um cara massa demais, ficamos muito felizes e surpresos com o vídeo que ele gravou para a gente, porque ele se dignou a fazer isso só para nos agradecer, usando novas tecnologias, foi muito bacana”, comenta o multi-instrumentista do grupo John Ulhoa.

O episódio é fruto da versão do conjunto para “Severina Xique-Xique”, clássico do repertório de duplo sentido do cantor de forró, famoso, também, pela dança ao mesmo tempo cômica e maliciosa inventada por ele na década de 1970, com uma mão sobre a barriga. “Eu ouvia essa música quando era criança, e várias pessoas passaram por ela nas décadas de 1970 e 1980. Um dos objetivos do trabalho é apresentá-la para as novas gerações”, explica Fernanda.

“A música do Genival é totalmente ‘família’, imagina, nós somos as pessoas mais ‘família’ do mundo, o primeiro crivo pelo qual ela passou foi o nosso”, justifica a cantora, em alusão aos versos que brincam com a conotação da expressão “ele tá de olho é na butique dela”, logo confrontados pela recusa da moça em ceder aos caprichos do pretendente. “A moral da música é positiva, é um duplo sentido que não ofende, ela aproxima a safadeza do empoderamento. A letra dá voz para a Severina, que não vai na onda do tal Pedro Caroço”, assegura John.

Como de costume, as canções contam com os vocais de crianças, filhos e sobrinhos dos músicos da banda. “A gente lida ali com a imperfeição, as músicas não ficam tão afinadas, soam mais como rascunhos musicais divertidos e nos aproxima de outro público que talvez não se interessaria pelo nosso trabalho”, aposta o músico. Em “Severina Xique-Xique”, por exemplo, um porco de brinquedo é utilizado como percussão.

Outra novidade do lançamento na internet são as capas desenhadas por Anna Cunha, que fazem referência aos álbuns em que as canções foram originalmente lançadas. “São resgates que a gente promove, e agora transforma até as capas em brinquedos”, justifica John. Nessa onda para surfar com pés de pato ainda aparecem “Palco” (Gilberto Gil), “Rock da Cachorra” (Léo Jaime), lançada por Eduardo Dussek, “Livin’ La Vida Loca”, sucesso de Ricky Martin, “I Saw You Saing” dos Raimundos e outras poéticas de criança.
 

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