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Artes plásticas

A arte interior de Lorenzato

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Pintura sobre madeira feita por Lorenzato em 1950
PUBLICADO EM 25/03/11 - 19h47

O artista plástico Amadeu Luciano Lorenzato (1900-1995) vivia a pintura como uma necessidade interior e não como uma atividade profissional. Tocados pelas pinturas de Lorenzato, amigos, outros artistas, colecionadores, galeristas e críticos é que impulsionaram a carreira do pintor.

Desde a morte do artista, essas pessoas que foram próximas a ele se inquietam no sentido de dar à obra de Lorenzato um lugar mais alto no cenário da arte contemporânea, caminho que ganha duas importantes contribuições hoje: o lançamento do livro "Lorenzato", realizado pela editora C/Arte com texto de Maria Angelica Melendi, na galeria Manoel Macedo, e uma exposição reunindo cerca de 70 obras do artista na mesma galeria.

Filho de italianos que vieram para Belo Horizonte no fim do século XIX, Amadeo Lorenzato mostrou talento desde a infância, o que levou seu pai a incentivá-lo a se desenvolver como pintor de paredes, profissão que exerceu até 1956, quando sofreu uma queda e se aposentou.
Passou então a dedicar-se exclusivamente à pintura de paisagens e cenas cotidianas.

Antes disso, foi com os pais para a Itália e percorreu diversos países da Europa numa espécie de trailer puxado por uma bicicleta que construiu com um amigo.

Quando ocorreu o acidente de trabalho, já estava de volta a Belo Horizonte há muitos anos e pintava. Mas só mostrou seu trabalho na década de 60 ao crítico de arte Sérgio Maldonado. A partir daí, começou a participar de exposições coletivas e em 1967 realizou sua primeira exposição individual, no Minas Tênis Clube, organizada por Palhano Júnior, numa promoção da Sociedade Amigas da Cultura.

Mesmo que o trabalho de Lorenzato viesse ganhando projeção, ele ainda produzia em condições quase artesanais e só quando conheceu o colecionador e marchand Manoel Macedo é que sua obra ganhou um caráter mais profissional, até no suporte das telas.

"Ele dizia que gostava era de pintar, não queria nem saber de preço. Então, ao me encantar com a delicadeza e a alegria daquela pintura, e conhecer a honestidade e a verdade daquele artista, tive que entrar de cabeça e acompanhá-lo", conta Macedo.

Para o galerista, no entanto, ainda há muito o que acontecer na obra de Lorenzato. "Pena ele não ter sido reconhecido antes, esse livro vem em ora tardia, mas ainda em tempo para mostrar o conjunto do trabalho que ele deixou e abrir novos caminhos", aponta Macedo. Ele conta que, como colecionador, raramente se dispõe de obras do artista, mas recentemente vendeu seis para um novo museu que a Prefeitura de São Paulo está inaugurando. "Quando é um projeto importante assim, que vai mostrar a obra dele para o mundo, vale a pena", avalia.

Maria Angelica Melendi, que assina o texto do livro e deu a ele o título de "A Pura Pintura de Lorenzato", também enfatiza a oportunidade de essa publicação trazer o reconhecimento devido ao artista. "Embora não tenha feito parte do mainstream da arte brasileira do século XX,
Lorenzato deixou uma obra muito significativa e que não pode ser apagada", alerta ela.

Maria Angelica lembra que Lorenzato foi objeto de uma discussão sobre a fronteira entre arte popular e erudita, e, à margem disso, realizou pinturas que "nos guiam - como os cães guiam os cegos - pelo mundo obscuro da pura pintura".

Agenda

O que. Lançamento do livro "Lorenzato" (editora C/Arte) e exposição de obras do artista
Quando. Hoje, das 11 às 17h
Onde. Galeria Manoel Macedo (rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates, 3411-1012)
Quanto. Entrada franca. O livro será vendido a R$ 80

 


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