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A poesia de ações temporárias

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A poesia de ações temporárias
PUBLICADO EM 17/05/11 - 01h39

Para além de esculturas e objetos de arte que há anos e até mesmo décadas habitam a capital mineira, um amplo conjunto de artistas e grupos tem escolhido espaços públicos da cidade como lugares ideais para a realização e a exposição de criações que nem sempre tem a perenidade como objetivo.


Um bom exemplo disso é o projeto Muros: Territórios Compartilhados. Coordenado por Bruno Vilela e realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura, o projeto selecionou sete propostas interessadas em usar muros da cidade como suporte para a criação artística. Realizadas ao longo das duas últimas semanas, as ações se deram cada uma em seu tempo e espalharam-se por diversos pontos da cidade.


“Alguns trabalhos são mais efêmeros, como o ‘Deslocamentos’, do Guilherme Cunha, que criou uma espécie de nuvem em torno do muro. Outros, como o ‘Muro-Jardim’, de Louise Ganz e Inês Linke, têm duração indeterminada – pois dependem de como o público e o proprietário do muro vão lidar com a situação criada”, exemplifica Vilela.


“Há ainda trabalhos que envolveram obras mais trabalhosas, como aumentar ou diminuir um muro. Nesses casos, estimamos a duração média de um mês, sendo que o próprio ato de construir ou destruir também faz parte do trabalho e pode despertar reflexões”, completa, referindo-se às criações de Sara Lambranho e do Coletivo Rachadura.


“É claro que as obras mais duradouras tendem a ser vistas por mais gente, no entanto, todas elas estão sendo registradas e serão discutidas em um seminário que será realizado em junho”, pondera Vilela.


Descaso.  Alguns episódios, entretanto, deixam de lado a poesia da efemeridade e surgem como exemplos da falta de atenção que, em muitos casos, caracteriza a relação entre o poder público e a arte criada para espaços urbanos.

“Há algum tempo, fiz um monumento vinculado à campanha Desarme BH, que trocava armas de brinquedo por livros. Esse monumento ficou durante muito tempo em frente ao prédio da Câmara dos Vereadores, próximo à avenida dos Andradas, mas quando houve uma mudança na gestão da Câmara, ele foi desmanchado e levado para algum lugar que até hoje desconheço”, relata o artista Jorge dos Anjos.


Situação semelhante foi vivida por Ricardo Carvão Levy, como o próprio faz questão de contar. “Certa vez, fiz uma coleção de trabalhos na alameda da Serra, próximo à região das Seis Pistas. Eram 13 esculturas – um portal e 12 colunas – que deveriam, segundo o projeto original, conviver com um grande gramado e uma pista de caminhada”, relembra.


“A especulação imobiliária, entretanto, tomou conta do local, e, das 12 colunas, agora só existem três. As outras foram sendo sucateadas, sem que me perguntassem ou informassem sobre nada. Só agora vieram me avisar de que também vão precisar tirar as outras três”, lamenta o artista, em meio a uma negociação para que as peças restantes sejam instaladas em outro espaço da cidade. (DT)

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