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Memória

Acervo de um ator gigantesco

Arquivo digital de Sergio Britto, que reúne mais de 20 mil itens, foi doado pela família para o Cedoc da Funarte

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Sergio Britto
Legado. Sergio Britto ganhou dezenas de prêmios e trabalhou em centenas de obras, em sua maioria como ator, mas também como diretor
PUBLICADO EM 16/03/18 - 03h00

RIO DE JANEIRO. Morto em dezembro de 2011, aos 88 anos, o multifacetado ator Sergio Britto também tinha talento para arquivista. Ao longo dos 65 anos que dedicou às artes, não apenas acumulou, como também organizou um acervo que beira os 20 mil itens, com fotografias, recortes de jornal, programas de espetáculos e até folhas de ponto dos artistas nos ensaios para algumas peças.

Essa parte importante da memória do teatro e da TV brasileiros está agora à disposição do grande público, especialmente estudiosos e pesquisadores, para consulta. Doado por sua família, o acervo digital de Britto acaba de ser incorporado ao Centro de Documentação (Cedoc) da Funarte, que já possuía cerca de 2.000 fotos do ator, doadas por ele mesmo.

Os registros da obra de Sergio Britto vão desde o Teatro Universitário – quando ele atuou em “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, em 1945 – até seu último espetáculo como ator, “Recordar É Viver”, em 2011. Entre os destaques, estão fotos do Grande Teatro Tupi, consideradas raras, já que as cerca de 400 peças de grandes autores nacionais e estrangeiros exibidas no extinto canal de TV não eram, no início, gravadas.

Mais tarde passaram a ser registradas, mas as fitas, em grande parte, se perderam em dois incêndios na década de 70. No Grande Teatro foram projetados para a fama atores como Ítalo Rossi, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, entre muitos outros.

Base de dados. Sergio também tinha entre os seus guardados fotografias e diários das viagens que fazia, incluindo comentários sobre os espetáculos a que assistia. E legendava as fotos, identificando quem estava em foco, além de contextualizar a cena retratada.

Todo o material está catalogado e digitalizado em uma base de dados, por meio do Projeto Sergio Britto Memórias, graças a recursos da Petrobras, do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, em 2014. “Sergio guardava tudo em sua casa, em Santa Teresa. Dele e dos parceiros. Guardava coisas até de espetáculos que não tinham nada a ver com ele. A Fernanda Montenegro, por exemplo, vai lançar sua fotobiografia (‘Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico’) e muita coisa que está lá foi consultada no acervo do Sergio”, conta Marília Brito, sobrinha do ator, que combinou com o tio de cuidar de seus guardados.

Marília diz que o tio sempre quis disponibilizar sua coleção para o mundo, o que agora se tornou possível. Antes, era preciso ir ao Instituto CAL de Arte e Cultura, na Glória, onde o arquivo físico está guardado e era o único local em que o acervo digital podia ser acessado até então. Além disso, o custo de manutenção do acervo digital era muito alto. “Eram R$ 1.000 mensais só para o material ficar na nuvem. Agora, fica hospedado na Funarte, uma entidade que lhe dá maior visibilidade e abrangência. Doamos tudo para eles, até o software de gestão”, afirma.

O tal software não é dos mais amigáveis para consulta pelo público. Mas a coordenadora do Cedoc da Funarte, Ana Saramago, assegura que já é conhecido dos pesquisadores, que têm mais facilidade para buscar o que querem. “Quem é pesquisador e sabe o que quer pesquisar já tem um referencial”, diz ela, que elogia a organização de Sergio Britto. “Quando a gente pega uma doação como a dele é maravilhoso. Facilita muito nosso trabalho”.

Pioneiro

Na TV, Sergio Britto foi um pioneiro ao dirigir “Ilusões Perdidas”, a primeira novela exibida em 1965 pela Rede Globo. Ele foi ainda criador, diretor e ator do programa “Grande Teatro Tupi”, um espaço que adaptou obras teatrais famosas na TV e foi ao ar entre 1954 e 1961 pela extinta TV Tupi.

Troféus

Sergio Britto recebeu o prêmio Mambembe de melhor ator coadjuvante por “A Cerimônia do Adeus” (1987); o Moliére especial por “Rei Lear” (1987); em 1972, obteve dois prêmios de melhor ator, inclusive o Moliére em “Tango”, de Slavomir Mrozek; com “Fim de Jogo” (1970), de Beckett, ganhou o de melhor ator.

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