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Indie 2014

Casais, garotas espiãs e punks 

Programação de hoje da mostra traz diversidade etária e geográfica, com destaques de Inglaterra, Japão e Suécia

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Rebeldia. “Nós Somos as Melhores!” segue três garotas que querem ser punks sem saber tocar nada
PUBLICADO EM 05/09/14 - 03h00

Um casal moderno e solitário, que não consegue mais dialogar. Um trio de adolescentes que quer ser (ou ao menos parecer) punk. E uma jovem japonesa que pode ser uma mulher apaixonada ou uma espiã. Poderia ser a descrição das pessoas em uma fila do Indie Festival, mas são na verdade os destaques da programação de hoje da mostra.

O primeiro deles será exibido já às 15h, na sala 1 do Belas Artes. Apresentado na seleção competitiva de Locarno em 2013, “Exibição”, da inglesa Joanna Hogg, recebeu uma das descrições insólitas por um crítico no festival: “Michael Haneke segundo Miranda July”.

“Tem o mal-estar e o vazio dos diálogos dela, de deixar as coisas meio nuas e sem se encaixarem. Mas não é um filme fácil, não dá pra rir como nos longas da Miranda”, descreve a curadora do Indie Francesca Azzi. A produção inglesa retrata um casal de artistas, sem filhos, que vive em uma casa de arquitetura moderna em Londres. Divididos por concreto e vidro, os dois trabalham em áreas separadas, comunicando-se pelo interfone.

Para Azzi, “Exibição” reflete a vida a dois contemporânea, com a solidão e o vazio que invade um casal há muitos anos juntos. “Tem uma coisa meio soturna de que rapidamente todo mundo pode entrar em pânico e surtar, mas, ao mesmo tempo, nada acontece, e o filme explora esse desconforto”, analisa.

Para quem quiser algo menos existencialista e um pouco mais surreal, melhor esperar até as 19h20 por “O Sétimo Código”, de Kiyoshi Kurosawa. “É daqueles diretores que, independentemente de ser um filme maior ou menor, tem que ver e prestigiar porque é um nome muito importante do cinema japonês”, atesta Azzi sobre o diretor, que já recebeu uma retrospectiva no Indie.

Kiyoshi Kurosawa, por sinal, venceu o prêmio de melhor diretor no festival de Roma pelo longa sobre uma garota japonesa que vai até Vladivostok atrás de um homem por quem ela se diz apaixonada. Mas a trama pode não ser bem o que ela promete. “É uma história de espionagem com um toque do Kurosawa. Não é um thriller porque tudo dele tem uma temporalidade diferente”, avisa a curadora.

E para os fãs da cultura japonesa, Azzi adianta que “O Sétimo Código” é também um estudo interessante do universo do j-pop, com um quase videoclipe no meio do filme e personagens que lembram desenhos animados. “A construção da protagonista é quase um mangá de tão absurda, e o longa tem uma leveza e uma coisa jovial bem diferente dos filmes dele”, comenta.

Jovial também é a palavra-chave de “Nós Somos as Melhores”, às 21h10. História de três adolescentes que tentam montar uma banda punk nos anos 80, o longa marca o retorno do cineasta sueco Lukas Moodysson (“Para Sempre Lylia”) ao universo jovem do início da carreira.

“É uma comédia de erros sobre a geração da década de 80, que não teve nenhum movimento próprio e acabou vivendo um punk tardio”, avalia Azzi. Apesar de a trama soar como uma história bobinha, a curadora afirma que não há nada perfeito no filme, que fala da questão da identidade adolescente, um mal-estar universal. “No fundo, elas estão buscando um caminho como qualquer menina da idade delas. Elas se olham no espelho, veem uma imagem muito neutra e resolvem mudar”, define.

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