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Cultura chinesa

Cineasta constrói centro para formação de roteiristas e diretores

Jia Zhang-ke, que inaugurou festival de cinema no país, investe em megaprojeto de artes

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Jia Zhang-ke
Empreendedor. Proposta de Jia Zhang-ke é promover talentos e um cinema chinês menos comercial
PUBLICADO EM 12/01/18 - 03h00

Rio de janeiro. Um dos mais celebrados cineastas de sua geração, o chinês Jia Zhang-ke pensa grande quando o assunto é o desenvolvimento do setor em seu país. E não só pela parte que lhe cabe nesse latifúndio – ele é um dos que mais têm contextualizado o impacto das transformações econômicas da China sobre o indivíduo comum, em filmes como “Artesão Pickpocket” (1997) e “Ash Is the Purest White”, atualmente em produção. Essa é apenas parte da história. Em outubro, ele inaugurou um festival de cinema em Pingyao, cidade considerada patrimônio da Humanidade pela Unesco, focado no chamado “cinema de autor”. Agora, constrói um centro de artes voltado para a formação de cineastas em Fenyang, sua cidade natal.

A região costuma servir de cenário para os filmes do diretor, geralmente desenvolvido em torno de operários, migrantes e marginais, rodeados por vastas paisagens ou enclausurados em parques temáticos e fábricas gigantescas. Foi uma dessas antigas usinas de Fenyang, há muito abandonada, que Zhang-ke escolheu para abrigar o centro de artes.

Construído com apoio de empresários e do governo locais, o complexo, a ser inaugurado em março, incorpora um prédio próximo, que está sendo adaptado para abrigar salas de cinema. No último verão, o estacionamento entre a fábrica e o anexo serviu de palco para um festival de curtas-metragens promovido pelo diretor, que fez muito sucesso entre os moradores da região.

“Não estamos criando uma escola, mas um espaço para estudantes de cinema e jovens realizadores se encontrarem, interagirem, aprenderem um com o outro. Nossa ideia é criar uma atmosfera educacional, que estimule a troca de experiências”, explica o diretor. “Queremos promover seminários, debates, residências artísticas, oficinas. As salas de projeção exibiram filmes de estudantes, jovens realizadores, e poderá abrigar mostras de cinema também”, acrescenta.

O futuro centro de artes funcionará ao lado de um parque temático, com lojas, restaurantes e atrações inspirados na cultura da região – ano passado, o próprio Zhangke abriu um restaurante de alta gastronomia na área, batizado com o título de seu último filme, “As Montanhas que se Separam” (2015).

“O centro não tem qualquer ligação com o parque, que é uma atração puramente de entretenimento. É um projeto autônomo que, futuramente, abrigará estúdios de filmagem e de pós-produção de filmes. Há muitas áreas da fábrica que podem ser exploradas. Mas, talvez, o parque ajude a trazer mais atenção para o centro de artes, para o trabalho que estamos realizando lá”, diz o diretor.

Complemento. O centro de artes cinematográficas de Fenyang e o Festival de Pingyao são iniciativas que se complementam dentro do projeto maior de promover talentos e um cinema chinês menos comercial. Única na China focado no cinema de autor, e que exibiu cerca de 40 títulos de diversas partes do mundo, a maratona de Pingyao tem papel fundamental nessa estratégia.

“O festival é uma forma de aproximar os jovens realizadores chineses de uma produção que ainda é pouco acessível a eles, dos grandes mestres da arte. Queremos colocá-los em contato com o que é feito em termos de cinema independente, tanto aqui na China como fora do país, e torná-los profissionais mais exigentes”, afirma.

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