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Literatura

Cristovão Tezza relembra obra que rendeu filme e fala sobre política

'O Filho Eterno' completa uma década

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cristovão tezza
Pano de fundo. Críticas de cunho político estão sempre presentes nas obras do escritor nascido em Lages (SC) e criado em Curitiba
PUBLICADO EM 20/12/17 - 03h00

O ano de 2017 ficará marcado para Cristovão Tezza não apenas pelo lançamento de seu primeiro livro de poemas, “Eu, Prosador, Me Confesso”, mas também pelo décimo aniversário de uma de suas maiores obras – se não a maior –, “O Filho Eterno”, cuja história fala sobre um pai e seu filho, que tem síndrome de Down. Uma situação vivenciada pelo autor na vida real, o que dá um caráter autobiográfico ao trabalho.

“‘O Filho Eterno’ foi um acontecimento duplo em minha vida. Primeiramente, o fato: o nascimento do meu filho Felipe, com síndrome de Down, em 1980. Vinte e sete anos depois, veio o livro, que, inesperadamente, transformou minha vida no lado prático mesmo. Graças ao sucesso do romance, me demiti da Universidade Federal do Paraná, onde dava aulas, para reatar meu projeto de juventude: viver da literatura”, relata Tezza.

O romance foi levado às telonas no filme de mesmo nome, dirigido por Paulo Machline, em 2016, e que foi elogiado por Tezza. “Considero que um filme, mesmo quando baseado num livro, é sempre obra de seu diretor. É um capítulo do cinema, não da literatura. Gostei muito do filme do Paulo Machline, considerando inclusive a extrema dificuldade que estava em jogo”, diz ele.

“Meu romance é basicamente reflexivo, muito mais que narrativo, e o Paulo teve que resolver problemas difíceis, como a ausência da mãe, que praticamente não aparece no livro. No cinema, pelo realismo natural de sua linguagem, essa ausência ficaria inviável. Da escolha dos atores às opções do roteiro, tudo se equilibrou, e o filme ganhou uma boa autonomia com relação ao romance”, completa o romancista.

Vocação. Nascido em 21 de agosto de 1952, Tezza teve publicados seus primeiros livros – os contos de “A Cidade Inventada” e os romances “Gran Circo das Américas” e “O Terrorista Lírico” – entre 1979 e 1981. Mas foi somente depois desse período que ele começou a ficar conhecido nacionalmente.

“Como sempre, começamos a escrever por infelicidade. Pessoas felizes gostam de ler, não de escrever. Meu pai morreu quando eu era criança, e a família se mudou para Curitiba. Fui morar em apartamento e, logo pelas circunstâncias, eu estava no meio dos anos 60, da contracultura, da ditadura militar, um adolescente contra tudo. A escrita começou aí. Mas nunca fui precoce. Só quase aos 30 anos realmente comecei a escrever coisas que começavam a ficar em pé”, ressalta.

Críticas e opiniões de cunho político estão imersas em suas obras. “Não tenho medo de colocar questões contemporâneas cruciais como pano de fundo dos meus livros. Faço isso desde sempre, às vezes mais, às vezes menos. ‘O Fotógrafo’, por exemplo, tem como cenário a primeira eleição de Lula, mas meus personagens não são políticos; apenas ressoa neles a história presente, como acontece com todo mundo. ‘O Professor’ repassa o período da ditadura até os dias de hoje. ‘A Tradutora’, através dos fragmentos do (Felip) Xaveste, discute pontos de vista conservadores sobre o pano de fundo da organização da Copa do Mundo no Brasil”, pontua Tezza, temeroso do atual cenário instaurado no país.

“Estamos num momento extremamente tenso de passagem política. Estou na torcida para que ela se faça mantendo-se sempre a integridade democrática do país, que vive um limite perigoso de esgarçamento. Tomara que 2018 contrarie as expectativas pessimistas, e o país retome alguma tranquilidade. Não existe milagre nem solução nenhuma fora do sistema democrático e do respeito institucional à diferença. Há alguns sinais assustadores de retrocesso cultural no Brasil, o que mostra o quanto é difícil o país entrar de fato num processo civilizador consistente. A educação é o único caminho”, comenta.

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