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‘Queermuseu’

Destino de mostra pode ser BH

Secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira disse ser simpático à ideia de que exposição venha para a capital

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Protesto. Ato pela liberdade de expressão artística e contra a LGBTfobia foi realizado ontem em frente ao Santander, em Porto Alegre
PUBLICADO EM 13/09/17 - 03h00

Aberta no dia 15 de agosto e cancelada no último domingo, a exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que estava em cartaz no Santander Cultural, em Porto Alegre (RS), pode ser reaberta em Belo Horizonte. O secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, disse ver com “bons olhos” a possibilidade de a “Queermuseu” vir para a capital mineira. “Estamos estudando se seria viável (a vinda da mostra). Não há nada de concreto, precisaríamos levantar quais espaços culturais da cidade poderiam abrigá-la, e tem a questão de financiamento também. Já estamos na metade do ano, os recursos estão comprimidos, mas é extremamente importante dar continuidade a essa mostra. Não podemos legitimar a volta da censura, impedir que seja reaberta essa temporada de caça às artes. Conquistamos esse amadurecimento. A arte precisa de liberdade para se desenvolver”, destacou Ferreira.

Em seu perfil no Facebook, Ferreira, ex-ministro da Cultura dos governos Lula (2008-2011) e Dilma Rousseff, criticou a decisão do Santander Cultural de cancelar antecipadamente a mostra, comparando a pressão feita contra a exposição por grupos ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) com a censura exercida na época do regime militar. “Os ecos do Golpe de 1964 não nos deixam esquecer a tragédia de 25 anos de uma ditadura que se concretizou a partir da fabricação de um ambiente de instabilidade política, moralismo exacerbado, manipulação midiática e ruptura da coesão social. Não podemos nos enganar. A história se repete”, registrou.

Com mais de 270 obras de 85 artistas, “Queermuseu” foi cancelada após uma onda de protestos nas redes sociais, com internautas acusando a mostra de “blasfemar contra símbolos religiosos” e “promover uma apologia à zoofilia e à pedofilia”. As críticas viralizaram nas redes sociais impulsionadas por grupos como o MBL. As obras mais compartilhadas são a de um Jesus Cristo com vários braços, o desenho de uma pessoa tendo uma relação sexual com um animal e a imagem de crianças com as inscrições “Criança Viada Travesti da Lambada” e “Criança Viada Deusa das Águas”, estas últimas de Bia Leite.

“Se vier para Belo Horizonte, vamos protestar e continuar estimulando o boicote. Não existe censura quando não existe aparto coercitivo, somente mostramos nossa indignação e realmente estimulamos as pessoas a boicotarem a mostra. É uma exposição que agride a crença de diversas pessoas”, afirmou o coordenador do MBL de BH, Ivan Gunther.

Ao Magazine, o curador Gaudêncio Fidelis falou que acreditava que a mostra seria bem recebida na capital gaúcha. Para ele, a pressão veio de uma minoria conservadora. Mas Fidelis é simpático à ideia de que “Queermuseu” venha para BH ou para qualquer outra cidade do país. “A questão da logística poderia ser um dificultador, mas eu gostaria que qualquer lugar do país tivesse condições técnicas para receber a mostra. Foi um desrespeito com a curadoria e com os artistas selecionados. É um trabalho realizado desde 2010. Isso abre uma brecha sem precedentes no país. Capturaram e editaram imagens fora do contexto, criaram uma falsa narrativa. Foi um movimento orquestrado e conservador”, afirma.

Nesta segunda-feira (11), dois promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul foram até o Santander Cultural para visitar a exposição. O promotor Julio Almeida, no entanto, avaliou que não existe pedofilia. “Verificamos as obras e não há pedofilia. O que existe são algumas imagens que podem caracterizar cenas de sexo explícito. Do ponto de vista criminal, não vi nada”, salientou, em entrevista ao portal G1.

Reembolso. Na Segunda feira, o Banco Santander comunicou que irá devolver à Receita Federal os R$ 800 mil captados via Lei Rouanet para a realização da exposição. Em nota, a instituição pediu desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

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