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Diogo Nogueira lança 'Munduê', álbum totalmente autoral

Disco que comemora dez anos de carreira do músico conta com participações

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PUBLICADO EM 12/01/18 - 03h00

Uma palavra inventada batiza o novo trabalho de Diogo Nogueira, 36. Essa prática de criar expressões foi uma constante na obra de Guimarães Rosa, que tem uma frase pinçada dentro da segunda música do álbum: “O que ela quer da gente é coragem”. Embora possua dez anos de carreira no mercado fonográfico, a tradição de Nogueira, 36, no samba vem de muito antes. É o que ele procura provar em “Munduê”, disco que acaba de lançar e, não por acaso, chega como o décimo de sua intensa trajetória. “O (álbum) ‘Alma Brasileira’ (de 2016) me despertou a vontade de comemorar minha essência, toda essa herança que trago, ir buscar meus antepassados no samba, achei que estava num momento bom para isso”, afiança o compositor.

Tanto a capa quanto a canção que intitula o disco e também abre os trabalhos fazem referência a um universo recheado de conotações africanas. “A palavra ‘munduê’ a gente nem sabia se existia. Ela significa, para nós, essa coisa do astral, de um universo que comanda e auxilia as pessoas, como se fosse um deus, uma entidade”, explica o cantor carioca. “A gente criou a canção e ficou querendo entender os ritmos que ela trazia, como forró, baião, samba. Coisas do nosso povo”, destaca.

As fotografias de Rafaê Silva que ilustram o álbum mostram Nogueira na comunidade quilombola São José da Serra, a mais antiga do Rio de Janeiro. Ele visitou o local durante o processo de concepção do disco. “Quis voltar ao meu chão, ao ritmo no qual nasci e fui criado. O samba vem dos quilombos, das festas que aconteciam nas senzalas com o jongo e as danças. Foi uma experiência incrível, de ancestralidade”, ressalta. “Fui captar um pouco a energia da arte feita pelos negros, pessoas maravilhosas que construíram esse Brasil todo”, garante.

Autoral. Pela primeira vez, o filho de João Nogueira assina todas as faixas do álbum. Ao longo de 14 números, ele apresenta parcerias com nomes da nova geração e dedica o trabalho a mestres do gênero, como Noel Rosa, Zeca Pagodinho, Cartola, Candeia, Monarco, Paulinho da Viola, Jorge Aragão e Nelson Cavaquinho, entre outros. Já Martinho da Vila, também saudado, escreve a elogiosa sinopse, onde define: “Este é o quinto disco de estúdio, mas, na essência, é o seu primeiro de puro samba. (...) Eu, cá na Vila, bato palmas e digo: vá em frente, menino!”.

“Me sinto acariciado com essas palavras porque sou muito fã do Martinho da Vila. Sempre que quero fazer um samba de partido-alto me espelho nele, porque ele é o nosso grande professor, presto muita atenção em tudo que ele faz”, devolve Nogueira. Já a idolatria por Dona Ivone Lara levou o cantor a uma parceria (que ainda traz Bruno Castro e Ciraninho) no samba “Império e Portela”, um dos mais inspirados do novo disco. “Se eu hoje canto é também por causa da Dona Ivone Lara. Ter a oportunidade de escrever uma canção com alguém que você respeita e admira é maravilhoso”, garante.

É na canção que une a escola de samba do coração de Nogueira (no caso, a Portela) à de Dona Ivone Lara (a Império Serrano) que uma das participações especiais acontece. “Eu tinha convidado o Wilson das Neves (1936-2017) para participar nessa música, mas, infelizmente, ele faleceu na época das gravações. Então eu chamei o Arlindinho, que, além de grande compositor, é um jovem que está despontando com muita força”, exalta.

O convidado é filho de Arlindo Cruz, que permanece internado desde que sofreu um acidente vascular cerebral em março do ano passado. Outro que comparece é um parceiro de longa data. Hamilton de Holanda toca bandolim na faixa de abertura. O músico já havia dividido com Nogueira o álbum “Bossa Negra” (2014), pelo qual ambos venceram o Grammy Latino na categoria melhor canção brasileira. “Hamilton é um cara com o qual já tenho amizade de muitos anos, é um grande irmão. Por toda a representatividade desse trabalho, ele não poderia ficar de fora”, assevera o entrevistado.

Para completar, a contagiante “Mercado Popular” ganha o toque da sanfona de Lucy Alves, que também divide os vocais com o anfitrião. “Essa música é uma homenagem às feiras do Brasil, e eu achei que seria bacana ter um sotaque nordestino, trazendo a levada gostosa do forró”, assinala. “Para isso nada melhor do que a beleza e o encanto da música da Lucy”, enaltece Nogueira, que sai em turnê com o disco em abril.

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