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Artes visuais

Entre o familiar e o estranho

Belo-horizontino Chico Amaral inaugura a mostra “Tropikos, Anotações sobre o Entorno e a Pessoa” nesta quarta, dia13/09, no CCBB

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Obra. “Desassossego”, um dos trabalhos de Amaral, lida com as noções de fragilidade e instabilidade
PUBLICADO EM 12/09/17 - 03h00

O belo-horizontino Chico Amaral iniciou sua trajetória artística na década de 90, produzindo pinturas que, ao longo do tempo, não se restringiram às telas. Ele também experimentou criar sobre superfícies, como o asfalto, até chegar a composições com objetos e instalações. Parte das obras representativas desse percurso mais recente poderão ser apreciadas a partir desta quarta, dia 13/09, na exposição “Tropikos, Anotações sobre o Entorno e a Pessoa”, montada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na praça da Liberdade.

“Eu fui me aproximando de uma tridimensionalidade a partir da pintura. Num certo momento, houve uma mudança de foco para objetos prontos, e desses objetos foi surgindo também o interesse pelo relacionamento com as pessoas e pela investigação da noção de identidade. Acho que essa foi uma passagem que aconteceu de maneira natural, como resultado do desenvolvimento do trabalho”, relata Amaral.

A via que ele encontrou para estabelecer um diálogo com o público foi, principalmente, o artifício do jogo. Na mostra, este se configura em dispositivos que provocam a sensibilidade do espectador que, de acordo com ele, responde de várias formas. “As reações são as mais diversas e elas sempre me ensinam muito, especialmente em relação ao fato de que as pessoas não necessariamente têm que ver o que eu vejo. Como esse contato se constrói num jogo, eu também aprendo a estabelecer uma regra que conduz as pessoas até o meu território. Eu não estou fazendo um parque de diversões, mas utilizando o lúdico para despertar nelas algumas reações e reflexões”, observa o artista.

Curadoria. A curadora Ana Avelar acrescenta que Amaral estabelece um jogo com o espectador valendo-se de múltiplas estratégias. Uma delas é a intenção de criar uma ambiência ambígua. “Há uma espécie de mímese de um espaço doméstico que o espectador poderá reconhecer, tendo em vista sua vivência no Brasil. Há tipos de móveis que muitas pessoas reconhecem. Há quase uma cenografia que integra os trabalhos e provoca uma espécie de ilusão. De repente, é como se adentrássemos em espaços que são semelhantes aos muitos da nossa infância. As pessoas podem chegar ali esperando aquela configuração do cubo branco e, depois, se surpreender com um lugar mais aconchegante e próximo de suas memórias”, afirma Ana.

No entanto, ela sublinha que há uma estranheza também presente nesse universo. “Chico Amaral propõe trabalhos com elementos que são familiares e pertencem bastante ao nosso dia a dia. Mas, ao mesmo tempo, ele inclui algo que não seria dessa natureza. Então, você fica numa situação de aconchego, mas que é contrastada pela angústia de, às vezes, não poder mexer em nada”, pontua a curadora.

Um dos exemplos é a instalação “Desassossego”, que ressalta a condição de fragilidade. “Vários trabalhos funcionam nesse sentido, provocando uma sensibilidade delicada. A pessoa pode passar por ali e achar que talvez podem derrubar tudo ao não saber se aquilo é algo estável ou não”, frisa Ana.

Agenda

o quê. Abertura da mostra “Tropikos, Anotações sobre o Entorno e a Pessoa”

quando. 13/09, a partir das 9h. Até 6/11, de quarta a segunda, das 9h às 21h.

onde. CCBB (praça da Liberdade, 450)

quanto. Entrada gratuita

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