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Entre uma BH real e outra fictícia

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PUBLICADO EM 24/08/06 - 00h02

Assim como Sebastião Nunes, Manoel Lobato e Wander Piroli, o escritor e jornalista Paulinho Assunção também trabalhou no "Suplemento Literário". Ultimamente, dedica-se à sua editora, a Edições 2 Luas, que privilegia livros artesanais, como "Kafka em Belo Horizonte", em tiragem limitada de apenas 50 exemplares.

Paulinho comenta sua relação com a cidade, onde aportou em 1967. "Digo que cheguei, mas, até hoje, acho que continuo chegando, pois não estou de todo certo se chegamos ou não a uma cidade. Entre 1967 e 2006, vivi também em outros lugares, como São Paulo, Córdoba (Argentina) e Riverside (Califórnia)".

O TEMPO " Se você pudesse eleger uma geografia afetivo- sentimental de Belo Horizonte, que locais e ruas você considera mais importantes"
Paulinho Assunção " Não creio que eu possua uma geografia afetivo-sentimental de Belo Horizonte. Nunca soube, com certeza, se de fato me acolheu ou me acolhe como um dos seus.

Tenho minhas dúvidas. Porém, acolhido ou não por ela, a cidade pela qual tenho hoje mais afeto é a cidade dos anônimos, sem grife, sem pompa, sem fama, dos anônimos por suas ruas.

Sinto-me bem no contato com essa cidade de anônimos porque, nela, começa a nascer o cosmopolitismo. Já a cidade das pompas e das grifes é, paradoxalmente, a cidade mais e mais provinciana.

Agora, na memória, tenho, sim, um mapa de descobertas que foi e ainda vai, pouco a pouco, sendo desenhado, mas é um mapa que se mistura igualmente com imagens de ruas pelas quais andei e ando, em diferentes cidades.

Como é essa topografia da cidade"
Essa topografia íntima e pessoalíssima de Belo Horizonte, se é que posso chamá-la assim, começa na rua Cesário Alvim, no Padre Eustáquio, primeiro lugar onde morei em 1967, ao desembarcar.

Entre uma rua e outra, entre um bairro e outro, tracei o mapa das minhas descobertas de Belo Horizonte, que são descobertas muito pessoais e situadas tanto na cidade real quanto na cidade imaginária, tanto na cidade de fato quanto na cidade fictícia. Pois muitas vezes não sei onde termina para mim a cidade de Belo Horizonte, real, e onde começa a cidade que eu, todos os dias, invento e reinvento.

Você pode citar alguma história que relacione você a um escritor, e um lugar específico de Belo Horizonte"
Murilo Rubião e eu, por exemplo, durante um bom tempo, almoçamos juntos quase todos os dias. Às quartas-feiras, caminhávamos pelo centro da cidade até a rua Tupinambás, até o restaurante do Senac, ou então íamos ao Bar da Esquina, atrás da igreja da Boa Viagem, ou à Cantina do Lucas.

No Bar da Esquina, comíamos um famoso picadinho de carne sugerido ao então dono do lugar, o ator Marcelo Galery, pelo jornalista José Maurício Vidal Gomes.

Com quais escritores você se encontrava na cidade, e quais os lugares mais importantes, nesse sentido" Nos anos 80 e 90, e na década atual, percebe pontos de encontro importantes para os escritores"
Belo Horizonte, desde os modernistas, teve a sua topografia literária situada na região central. Isto não seria diferente nos anos 70 e 80. Todos sabemos que a redação do "Suplemento Literário", na Augusto de Lima, por exemplo, foi um poderoso ponto de convergência para os escritores mineiros, jovens ou veteranos.

Era ponto de encontro para as várias gerações literárias de Minas. Mas igualmente foram importantes a Gruta Metrópole e a Gruta do Alvim, na rua da Bahia; a Lanchonete Nacional e a Gruta Goiás, na rua Goiás; a Cantina do Lucas, o Bar Lua Nova ou o Pelicano, no Malleta; a Casa dos Contos, na Rio Grande do Norte.

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