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Foco voltado para o novo

Periscópio, uma das mais jovens galerias de BH, conquista espaço entre público da cidade e desperta olhares de fora

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Mostra. Obras de Eder Oliveira, que expôs na galeria, poderão ser vistas em maio no Palácio das Artes
PUBLICADO EM 21/04/17 - 03h00

Entre os estandes das seis galerias de Belo Horizonte que estavam presentes na SP-Arte, promovida no início deste mês, o da Periscópio era o mais modesto. Apesar de menor, o espaço expositivo não passou despercebido pelo público do evento, e grande parte do interesse dos visitantes era devido aos trabalhos do paraense Eder Oliveira, em especial a tela “Autorretrato”, exibida pela galeria que o representa na capital mineira.

A pintura de Oliveira – nome que também foi um dos destaques da 31ª Bienal de SP, realizada em 2014 –, já havia, inclusive, ilustrado as matérias de alguns dos principais veículos da imprensa brasileira sobre a feira de arte considerada a maior do Hemisfério Sul. “Eu fiquei impressionado com a quantidade de gente que aparecia e fazia selfie em frente ao quadro”, relata Rodrigo Mitre, um dos sócios da Periscópio ao lado de Altivo Duarte e Alexandre Romanini.

Além das obras do paraense, que teve uma individual na Periscópio em 2016 e que, no próximo mês, vai ocupar a galeria Genesco Murta do Palácio das Artes, com uma série de pinturas conhecidas entre outras inéditas, estavam reunidas ali criações do paulistano Guto Lacaz, do mineiro Lucas Lupin e do maranhense Marcone Moreira. “Nós tivemos que escolher quatro artistas de um time de 19, e essa seleção foi sendo construída aos poucos. Nossa participação na PARTE (Feira de Arte Contemporânea) em São Paulo, no ano passado, serviu para testarmos o que poderíamos levar para a SP-Arte”, diz Mitre.

Nas duas iniciativas, a Periscópio integrou a lista de expositores pela primeira vez. Afinal, a casa foi inaugurada no final de 2015, mas, embora seja uma novata no ramo, ela vem despertando os olhares locais e a curiosidade de pessoas de outros Estados também.

“Às vezes, a gente não tem muita noção do que está fazendo, e, frequentemente, quando chego a São Paulo e ao Rio de Janeiro, noto várias pessoas querendo saber quem são os donos da Periscópio de Belo Horizonte. A gente sempre quis fazer algo com muita responsabilidade, que cumprisse esse objetivo, mas eu fico surpreso com o resultado do que a gente está fazendo”, completa Mitre.

No período de aproximadamente um ano e meio, a galeria concebeu seis mostras individuais (Marc Davi, Fabio Tremonte, Marcone Moreira, Eder Oliveira, Marcelo Drummond, Ivens Machado) e duas coletivas, incluindo a que está em cartaz, “Um Piano na Selva”. Nesta figuram obras da artista paulistana Maria Thereza Alves, mundialmente reconhecida, além de fotografias de Pedro Motta, instalações de Rafael RG e Ricardo Carioca, entre outros.

Foi por meio dessas individuais que a Periscópio, aos poucos, foi construindo o elenco de profissionais representados. De acordo com Altivo Duarte, o objetivo era chegar a 20 nomes, tendo em vista a própria condição física do espaço – a galeria está localizada num casarão da década de 20. “A partir do fim do ano passado e do início deste ano, a gente começou a sentir uma demanda maior dos artistas que queriam fazer parte da galeria. Então, a gente está aumentando o time sem muito espaço para fazer exposição. Por isso, já temos mostras marcadas até o fim do ano”, diz Duarte.

Em época de crise... Um dos fatores que impulsionaram o percurso da galeria foi a capacidade de enxergar oportunidades num contexto de estagnação econômica. “Houve algumas oportunidades que soubemos aproveitar nesse período. A gente conseguiu alugar uma casa incrível. Se fosse num momento de pujança, ela sairia caríssima ou nem estaria disponível. Outra coisa é que a gente fez exposições que, pelo fato de não existirem muitas outras competindo, se sobressaíram”, contextualiza ele.

“O mercado começou a olhar diferentemente e a querer saber quem é esse pessoal. Se estivéssemos numa curva ascendente de crescimento econômico, talvez isso demorasse mais. As grandes galerias poderiam estar fazendo exposições maiores, e para a gente seria mais difícil aparecer”, completa Duarte.

Artistas jovens. Enquanto dialoga com artistas já estabelecidos, a exemplo de Guto Lacaz e Ernesto Neto, a Periscópio vem se cercando de quem tem uma produção consistente, mas pode ser considerado jovem em relação a sua trajetória. “A gente poderia ter sido uma galeria que começou com um acervo de artistas já falecidos, com uma história embasada. Mas a gente optou por mostrar coisas novas, relacionadas a assuntos que estão sendo tratados hoje. Isso é o que cativa quem está produzindo agora. O fato de estarmos fazendo exposições arrojadas que têm certo risco nessa inovação é algo que consegue ativar muito esses artistas jovens”, conclui Duarte.

FOTO: Eduardo Eckenfels/divulgação
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Trajetória. Individual de Marc Davi inaugurou espaço expositivo

 

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