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Literatura

Intercâmbios literários

Leandro Garcia, professor do curso de letras da UFMG, realiza ação para divulgar a literatura brasileira em Cabo Verde

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PUBLICADO EM 13/01/18 - 03h00

Interessado no estudo de cartas e correspondências, Leandro Garcia, que é professor e diretor do Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, no fim do ano passado, foi convidado pela embaixada brasileira a ministrar duas palestras na Universidade de Cabo Verde, centradas na obra do Padre Antônio Vieira (1608-1697). É que, no século XVII, o religioso e escritor português, radicado em Salvador (BA), teve uma breve passagem pelo país africano, onde produziu uma série de cartas.

Ao todo, Garcia conta ter ficado no país africano uma semana, o que ele conta ter sido suficiente para conhecer um pouco da realidade local. “Eu percebi que lá existe uma carência muito grande de aparelhos culturais. Há duas bibliotecas públicas: a Biblioteca Nacional e a da Universidade de Cabo Verde, onde há o curso de letras. Porém, eu notei que lá se encontra apenas a literatura brasileira mais clássica. Eles têm autores que foram publicados no máximo até as décadas de 50 e 60, como Clarice Lispector. Não existe praticamente nada do que foi feito no Brasil nos últimos trinta anos”, relata Garcia.

Foi a partir dessa constatação que ele resolveu promover uma campanha, principalmente via internet, há cerca de um mês, para mobilizar autores e editoras brasileiros, a fim de reunir, por meio de doações, livros a serem enviados para Cabo Verde. Até o momento, Garcia conta que já recebeu 500 volumes e acredita conseguir alcançar mais de mil até o dia 20, quando esse acervo será levado de navio pela marinha brasileira até Praia, a capital cabo-verdiana, localizada na ilha de Santiago.

“Esse navio vai para Portugal e vai fazer uma parada em Cabo Verde para deixar esses livros. Eu não acho que essa ação vá resolver o problema, mas acredito que deverá minimizar um pouco essa lacuna que existe em relação à produção literária brasileira contemporânea em Cabo Verde”, pondera ele, que, em seguida, frisa como essa ausência também afeta as livrarias.

“Nessas você também não encontra a literatura brasileira contemporânea para comprar. Aliás, em Santiago, só existem duas livrarias. Uma está na Universidade de Cabo Verde, e a outra é privada. Eu estive nas duas, pedi livros de autores brasileiros mais recentes e não encontrei nada, além de alguns títulos do século XIX e outros ligados ao nosso modernismo. Foi isso também que me estimulou a ter essa ideia de buscar reunir o máximo da produção contemporânea nacional para enviar para lá”, completa Garcia.

A remessa com todos os trabalhos deverá alimentar dois núcleos, que são chamados pelos cabo-verdianos de “leitorados”. Um será montado na Biblioteca Nacional, e o outro, na biblioteca da Universidade de Cabo Verde, ambas sediadas na ilha de Santiago. Em razão disso, o professor pediu que os interessados encaminhassem dois exemplares de cada título. “Frei Betto mandou 80 livros. Ele tem uma produção muito grande de teologia e de títulos que abordam a política, mas fez uma seleção de tudo que escreveu de literatura. São 40 obras, dois itens de cada”, exemplifica Garcia, que se diz surpreendido com a adesão das escritores.

“Eu passei a receber não apenas obras de autores independentes, mas de alguns também que foram contemplados nos principais prêmios literários nacionais, como Rafael Gallo e Jacques Fux (vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, respectivamente, em 2016 e 2013). Eu também recebi títulos de Michel Laub, e algo que me tem chamado atenção é a grande participação de autoras de todo o país. Cerca de 80% dos livros que recebi foram escritos por mulheres. Eu tenho guardado os envelopes para fazer um mapeamento por região e posso dizer que tem chegado material de todos os Estados”, diz Garcia.

Entre esses conteúdos, ele ressalta, inclusive, a presença da literatura indígena. “Eu estou percebendo que há uma diversidade de gêneros muito grande, o que me chamou atenção também para universos que até então eu pouco conhecia, como a literatura brasileira em línguas indígenas e que é produzida em Estados como Amapá e Rondônia. Há tanto títulos de poesia quanto de prosa, a exemplo de contos. Além desses, há muitas obras que dialogam com as artes gráficas e visuais”, detalha Garcia.

A criação dos núcleos de literatura brasileira em Cabo Verde será organizada e financiada pela embaixada brasileira. Quem estiver interessado em participar do projeto pode encaminhar os livros para este endereço: rua Marechal Deodoro, 119, apartamento 1.102, centro. Petrópolis – RJ. CEP: 25.620-150.

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