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Kate Winslet voa alto no novo Allen

Parte da crítica norte-americana viu nos conflitos amorosos de “Roda Gigante” relação com as acusações de assédio sofridas por Allen

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Kate Winslet
No melhor papel de sua carreira, atriz é o destaque de “Roda Gigante”
PUBLICADO EM 28/12/17 - 03h00

SÃO PAULO. Alguns diretores são reconhecidos também pelo que conseguem extrair de suas atrizes. No passado, havia, por exemplo, George Cukor, cineasta famoso por interpretações antológicas de estrelas como Greta Garbo, Katharine Hepburn e Joan Crawford.

Nesse sentido, Woody Allen pode muito bem ser considerado um continuador de Cukor. Não por acaso, um de seus filmes prediletos é a comédia “Núpcias de Escândalo”, de 1940, em que Cukor dirigiu Hepburn, James Stewart e Cary Grant. Nos filmes desses diretores, não é raro que as atrizes alcancem seus melhores momentos.

Em “Roda Gigante”, quem brilha é Kate Winslet. E brilha tanto – por mais que esteja acostumada a brilhar – que não seria exagero dizer que é o maior papel de sua carreira. Allen demonstrou muitas vezes seu talento para dirigir atrizes. Podemos pensar inicialmente em Diane Keaton, inesquecível em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977) e “Manhattan” (1979).

Mas a lista é imensa: Mia Farrow, Dianne Wiest e Barbara Hershey, por exemplo, conseguem a tripla proeza em sua obra-prima, “Hannah e Suas Irmãs” (1986). Scarlett Johansson brilhou em “Match Point” (2005), e recentemente tivemos atuações impecáveis de Emma Stone (“Magia ao Luar”, 2014) e Kristen Stewart (“Café Society”, 2016).

Em suma, se os boicotadores de plantão resolverem que este novo Allen não merece ser visto, uma das grandes interpretações femininas dos últimos anos poderá ser jogada no esquecimento. Mas ninguém parece pensar nesse tipo de injustiça.

Parte da crítica norte-americana viu nos conflitos amorosos de “Roda Gigante” relação com as acusações de assédio sofridas por Allen. A tese é um tanto forçada, já que quase todos os filmes do diretor falam de confusões amorosas, na linha do francês Jean Renoir (1894- 1979).

Outra vida. No longa, Winslet é Ginny, mulher próxima dos 40 anos que trabalha em uma barraca de peixes. É casada com Humpty (Jim Belushi), o operador de um carrossel. Ginny tem um filho incendiário, o que já lhe causa uma série de problemas. E ainda tem um caso com o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake), a quem considera um passaporte para outro tipo de vida.

Por outro tipo de vida entenda-se qualquer coisa distante do lugar onde mora: um parque de diversões à beira-mar, em Coney Island, em cima de uma barraca de tiros e diante de uma roda-gigante.

Estamos nos anos 50, num verão flagrado por Storaro em cores berrantes, homenageando o technicolor da época. Nesse cenário, surge a maluquinha Carolina (Juno Temple), filha de Humpty que se casou com um gângster e se arrependeu.

Com seu jeito adorável e seu interesse em literatura, Carolina desperta a paixão do salva-vidas, que também é aspirante a escritor. Com isso ela ameaça, sem saber, o plano de fuga de Ginny.

Desnecessário dizer que a trama é ótima para Allen explorar as paixões e os sentimentos conflitantes dos personagens com uma direção primorosa, baseada em planos longos e muita movimentação da câmera, em um jogo feito de aproximações e afastamentos lancinantes.

O maior exemplo desse jogo está na cena em que Ginny desabafa com Mickey em sua própria casa, um desses momentos que normalmente entram em clipes do Oscar, e que provam como uma encenação adequada valoriza ainda mais uma interpretação.

A verdade é que, se não está à altura dos sublimes “Café Society” e “Magia ao Luar”, seus melhores filmes na década, “Roda Gigante” é bem superior a “Blue Jasmine” e “O Homem Irracional”.

Em grande parte a responsável por isso é Winslet. (Sérgio Alpendre)

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