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Literatura

Livro-reportagem de Cony retorna

Obra que o escritor, morto na última sexta, lançou em parceria com Anna Lee em 2003 vai ganhar versão ampliada

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Carlos Heitor Cony
Corpo de Carlos Heitor Cony, morto na última sexta, será cremado nesta terça-feira (9) em cerimônia privada
PUBLICADO EM 09/01/18 - 03h00

SÃO PAULO. Em 2004, Carlos Heitor Cony e Anna Lee levaram o segundo lugar do Prêmio Jabuti de livro-reportagem com “O Beijo da Morte”. A obra, que tem um fio condutor ficcional na figura do personagem do Repórter, fazia uma investigação sobre as mortes aparentemente naturais ou acidentais de João Goulart (1918-1976), Juscelino Kubitschek (1902-1976) e Carlos Lacerda (1914- 1977). Ainda em 2018, o livro, que saiu em 2003 pela Objetiva, terá edição ampliada pela Nova Fronteira, sob o título “Operação Condor” – nome da ação coordenada entre governos militares do Cone Sul, com apoio dos EUA.

Em 19 de julho de 2013, Cony rememorava, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”, o nascimento do livro, dizendo que fora instigado pela percepção de Anna Lee de que havia, em artigos dele à época publicados na revista “Manchete”, material para dar ímpeto a um livro. “Estudei em uma época que não se contava essa parte da história”, conta a escritora e jornalista, parceira de Cony também em livros infantojuvenis. “Era uma coisa muito distante que eu queria saber. Quando tive contato com o Cony, que participou disso tudo, falei que ele devia me contar essa história e contar para minha geração, porque não está nos livros. Tudo foi feito no sentido de legado”, diz.

A dupla entrevistou mais de 50 pessoas para a obra. “Não chegamos a nenhuma conclusão historicamente final, mas levantamos todas as hipóteses que cercaram o desaparecimento, em pouquíssimos meses, das nossas lideranças mais expressivas: Lacerda, pela direita, Jango, pela esquerda, e Juscelino, pelo centro”, escreveu Cony, em 17 de novembro de 2013.

Anna Lee, que está finalizando o novo original, explica as diferenças do novo livro em relação ao publicado em 2003. “‘Ensanduichamos’, o primeiro livro nessa nova versão, tem uma primeira parte, que já está escrita e que traz a Verônica, nome em homenagem à filha do Cony, que no livro é o nome da companheira do Repórter”, conta.

A narradora, diz Anna, quer trazer a história da exumação do Jango e assim reviver o trabalho do seu companheiro. A exumação do corpo do presidente derrubado pelos militares ocorreu em 2013, e, a partir dela, Ana foi a campo colher novas informações. “O Cony ficou com toda a parte do Juscelino” – o escritor conviveu com o ex-presidente e finalizou seu livro de memórias, publicado pela “Manchete”. Anna, conta, se encarregou de João Goulart: “Refiz o último caminho que ele fez”. “Sobre o Lacerda, nós dividimos o trabalho”. A segunda parte do livro está a cargo dela agora, que, diz, espera “honrar Cony”.

Cremação. O corpo de Carlos Heitor Cony, morto na última sexta-feira, será cremado nesta terça-feira (9), em uma cerimônia no Rio de Janeiro. Em respeito a um pedido dele, a cerimônia será privada. Por isso, a família não quis divulgar horário e local, mas entraria em contato com alguns convidados. Ele deixou também o pedido de não ser enterrado no mausoléu da ABL (Academia Brasileira de Letras), no cemitério São João Batista, também no Rio, onde os imortais costumam ser sepultados. Já há articulações para que o jurista Joaquim Falcão ocupe a vaga de Cony na ABL. Mas a Sessão de Saudade, quando a cadeira é declarada vaga, só acontecerá em março.

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