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'O Jovem Karl Marx'

Longa sobre Marx é conservador, mas informativo

Filme trata personagens históricos à moda antiga, buscando colar rosto, corpo e gestos meramente verossímeis

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Protagonista. August Diehl interpreta o jovem Karl Marx no longa
PUBLICADO EM 11/01/18 - 03h00

SÃO PAULO. É raro ver filme tão paradoxal quanto “O Jovem Karl Marx”. Por um lado, essa biografia do Marx jovem filósofo, do momento em que encontra Friedrich Engels até a escrita do “Manifesto Comunista” (1848), trata personagens históricos à moda antiga, buscando colar rosto, corpo e gestos meramente verossímeis.

Nesse sentido, trata-se de empreitada conservadora ao extremo. Raoul Peck (do forte “Eu Não Sou Seu Negro” ) talvez tenha pensado, e não sem razão, que o didatismo ainda é a forma mais fácil de levar ao conhecimento de um público amplo momentos centrais da vida de grandes pensadores.

Pode ser. Costuma ser, também, a maneira mais fácil de fazer filmes perecíveis. E, francamente, embora seja possível deduzir que Marx tenha tido vida sexual satisfatória ao lado da mulher, vê-los a fazer amor (ainda que brevemente) é um pouco embaraçoso. Há outras situações menos eróticas e, no entanto, não menos constrangedoras.

No entanto existe outro lado tão forte quanto esse no filme. Estamos em plena Revolução Industrial. Nos países em que se passa a ação (Inglaterra, Alemanha e França), o processo de exploração do proletariado chega a níveis insuportáveis. E isso o filme mostra também: o trabalho infantil, as horas intermináveis, os salários infames...

Eis um retrato que, na pior das hipóteses, nos lembrará do que foi esse momento. É bem plausível a explicação de um capitalista: se eu não usar o trabalho infantil, outros farão, e eu perderei mercado.

Lembra algo? Lembra frases, explicações, medidas de política econômica ou outras muito recentes no mundo contemporâneo. O liberalismo, quer nos recordar Raoul Peck, não é tão diferente assim do neoliberalismo atual.

O filme trabalha aqui, e muito bem, a distância entre essa primeira Revolução Industrial e os vertiginosos momentos de transformação propiciados pela tecnologia contemporânea. E, no entanto, as pessoas largadas ao deus-dará ocupam as metrópoles e morrem de fome cercadas pela mesma indiferença dos capitalistas do século XIX.

A horas tantas, dirá um personagem (Marx? Já não lembro) que as coisas parecem muito mais sólidas no mundo do que realmente são. Pode ser. Hoje certa marcha das coisas parece inelutável. Talvez não seja. Talvez seja isso que o filme pretende, afinal, dizer. Não seria pouco.

Daí “O Jovem Marx” ser um filme ao mesmo tempo muito bom e muito ruim. Estranho. Conservador, porém informativo. Nada incompetente, nem desprezível, de jeito nenhum.

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