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Artes cênicas

Luis Lobianco estreia peça baseada na trajetória de transexual

'Gisberta' entra em cartaz nesta sexta-feira (5), em Belo Horizonte

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luis lobianco
PUBLICADO EM 03/01/18 - 03h00

Gisberta, uma transexual brasileira radicada em Portugal, tornou-se símbolo da luta contra a transfobia naquele país, após ser brutalmente assassinada em 2006. Ela residia em Porto, cidade onde sofreu uma série de agressões praticadas por um grupo de adolescentes durante três dias. O caso teve grande repercussão em Portugal e, inclusive, conduziu à aprovação de leis voltadas à proteção de mulheres e homens trans.

No Brasil, contudo, Gisberta quase não é lembrada, apesar de sua história ter ganhado destaque nos noticiários internacionais, em um documentário, além de ter inspirado a canção “Balada de Gisberta”, composta pelo português Pedro Abrunhosa e gravada por Maria Bethânia. Foi essa música, aliás, que levou o ator Luis Lobianco a ter contato com a trajetória da brasileira, em torno da qual gravita a montagem “Gisberta”, a ser encenada por ele a partir desta sexta-feira (5) no Centro Cultural Banco do Brasil.

“Em 2016, eu estava de férias e escutei a música ‘Balada de Gisberta’, que estava na minha playlist. Naquele momento, eu buscava algo para fazer um espetáculo solo e, até então, nunca tinha parado para procurar o porquê da existência daquela canção. Mas eu comecei a fazer isso justamente dez anos após a morte de Gisberta. Eu fiquei muito emocionado, ouvi a música de novo e fui olhar se alguém estava produzindo algum projeto baseado na vida dela no Brasil. Eu vi que não e comecei, então, a trabalhar nisso”, conta Lobianco, que é um dos integrantes do coletivo de humor Porta dos Fundos.

Em Portugal, onde saíram várias matérias especiais sobre Gisberta naquele ano, Lobianco começou sua pesquisa e logo entrou em contato com a produtora Claudia Marques, o diretor Renato Carrera e o autor do texto Rafael Souza-Ribeiro para construírem juntos a peça. Esta, para ele, é uma oportunidade de narrar a para mais pessoas a trajetória de Gisberta.

“Praticamente ninguém conhece essa história aqui, enquanto em Portugal ela virou um ícone de luta para os LGBTs. A relação com Gisberta é tão forte que eles conseguiram mudar algumas coisas, fizeram com que a sociedade se conscientizasse, e hoje Portugal é um dos países mais seguros para a população LGBT, sobretudo para os transexuais. No Brasil, a realidade é oposta, porque o país é o que mais mata LGBTs no mundo. Há ‘Gisbertas’ que morrem todos os dias no nosso país, e nós não ficamos sabendo. Não existe uma mobilização da sociedade”, comenta o ator.

Além de este ter sido um aspecto importante para ele debruçar-se sobre a vida de Gisberta, ele ressalta a própria relação dela com a música e com a noite como outro fator que o atraiu nesse percurso. “Ela foi uma artista da noite, e a peça traz muito disso também. A montagem é bem musical”, pontua ele, que apresenta-se no palco acompanhado dos músicos Lúcio Zandonadi (piano e voz), Danielly Sousa (flauta e voz) e Rafael Bezerra (clarineta e voz).

Lobianco ressalta sua proximidade com essa cena, sendo ele um dos organizadores da ocupação performática que acontece no Buraco da Lacraia, boate localizada na Lapa, no Rio de Janeiro, e é baseada nos cabarés e nos shows de drag queens. “Eu me sinto e sou um artista que está inserido nesse universo. Eu mantenho esse trabalho no Buraco da Lacraia, na Lapa, bairro onde moro e é um lugar de diversidade. A gente se relaciona com todas as pessoas que ali podem expressar sua voz. E eu me sinto muito à vontade para contar e levar essa história adiante porque ela faz parte da minha vida também”, diz Lobianco.

Em seu primeiro monólogo, Lobianco detalha que transita por diversas personagens. Estas trazem diferentes olhares sobre Gisberta, mas em nenhum momento ele encarna a protagonista. “Há alguns personagens reais que conhecemos a partir da pesquisa. Outros são fictícios e, no geral, são eles que dão acesso aos vários momentos da vida dela. Há uma mistura de todos esses elementos, sem necessariamente eu viver a Gisberta. Eu não me sinto à vontade para incorporá-la e falar por ela. Então, eu conto uma história com vários elementos e pontos de vista”, frisa ele.

Agenda

o quê. Luis Lobianco estreia “Gisberta”

quando. Sexta-feira (5), às 20h. Até 5.2, de sexta a segunda-feira.

onde. Centro Cultural Banco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários)

quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia)

Saiba mais

Além do espetáculo “Gisberta”, Luis Lobianco segue em cartaz com outros trabalhos no teatro. Ele mantém uma ocupação performática no Buraco da Lacraia, no Rio de Janeiro, há seis anos; faz o “Portátil”, espetáculo de improviso do Porta dos Fundos; e permanece junto com a atriz Leandra Leal no projeto “Rival Rebolado”. 

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