Recuperar Senha
Fechar
Entrar

'O Rei do Show'

Musical estrelado por Hugh Jackman romantiza história de P. T. Bamum

Roteiro é centrado no período em que protagonista adquiriu um museu fracassado e o transformou em um circo de 'aberrações'

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
o rei do show
PUBLICADO EM 21/12/17 - 03h00

Phineas Taylor Barnum – ou P.T. Barnum – foi um famoso diretor de circo, homem de negócios, escritor e político da Nova York do século XIX. Mas quem conhecê-lo pela biografia “O Rei do Show”, em pré-estreia na cidade, vai achar que ele se limitava apenas ao primeiro dos créditos acima.

E essa nem é a pior das simplificações do filme. O que menos interessa ao musical do diretor estreante Michael Gracey é a história. Ela está ali apenas como uma desculpa capenga para as músicas, muitas músicas – compostas especialmente por Justin Paul and Benj Pasek, dupla que recebeu um Oscar por “La La Land” –, aparecendo entre uma e outra para lembrar que, por mais que pareça, o longa não é o último clipe da Taylor Swift com duas horas de duração.

O roteiro é uma romantização da vida de Barnum (Hugh Jackman), centrada no período em que ele adquiriu um museu fracassado e o transformou em um circo de “aberrações” batizado com seu nome. O filme narra essa jornada como um calvário de superação do protagonista, filho de um pobre alfaiate que se casa com a rica Charity (Michelle Williams) e luta para se afirmar frente à descrença e ao desprezo dos pais esnobes dela.

Se Mia e Sebastian levaram duas horas para atingir o sucesso em “La La Land”, porém, a ascensão de Barnum é mais rápida. No começo de uma música, ele é um garoto pobre e, no final, já é um adulto com duas filhas. Começa a próxima passando fome e a termina sob os holofotes da fama. O maior problema de “O Rei do Show”, porém, nem é como Gracey acelera e simplifica sua trama com os números musicais. Mas o fato de que o filme atira para vários temas, sem nunca se aprofundar em nenhum deles e se decidir sobre o que é. O longa começa explorando o confronto entre alta e baixa cultura e, quando Barnum busca o reconhecimento e aceitação social, ao se associar com o rico Phillip Carlyle (Zac Efron) e promover a turnê da cantora lírica Jenny Lind (Rebecca Ferguson), se torna o retrato de um homem sendo consumido pela própria ambição. Mais tarde, flerta com a questão da aceitação da diversidade e do diferente, com o protagonista contratando atrações como a mulher barbada, um anão e um gigante para seu show. E termina reafirmando a velha importância da família.

Para cada um desses momentos, há uma música respectiva: “Never Enough”, no primeiro caso, com Ferguson fazendo uma imitação involuntariamente cômica de Celine Dion entoando “My Heart Will Go On”; “This Is Me”, no segundo, um hino de empoderamento pessoal com o refrão grudento e a profundidade de uma letra de Katy Perry; e “From Now On”, no último.

Cada canção é acompanhada de uma elaborada encenação coreográfica, filmada em planos gerais sem o mínimo de criatividade, que lembram um palco da Broadway. E o objetivo é exatamente esse, das músicas no estilo hits da Jovem Pan à artificialidade dos figurinos e cenários: ser um musical da Broadway feito para o cinema. Se a ideia te faz revirar os olhos, o filme definitivamente não é para você.

Não haveria nada necessariamente errado com isso, se a parte dramatúrgica e cinematográfica do longa se sustentasse. Mas “O Rei do Show” é um amontoado de clichês interpretado por personagens rasos e caricatos – como o amor proibido entre o garoto branco rico, Carlyle, e a garota negra pobre, Anne (Zendaya) – com os quais o público nunca se importa. A talentosa Michelle Williams tem o papel ingrato de uma esposa que não tem nada o que fazer, e o carisma de Jackman é desperdiçado com um protagonista insosso e incoerente. Se você é do tipo que fica em polvorosa com a perspectiva de um clipe novo da Taylor Swift, pode até curtir a baranguice pop chiclete da coisa toda. Mas se a ideia de um “La La Land” farofa é seu pior pesadelo, não ande – corra para o outro lado da rua.

FOTO: Fox / divulgação
hugh jackman
Showman. Indicado ao Oscar por “Os Miseráveis”, Hugh Jackman retorna aos musicais com filme inspirado em personagem real

 

O que achou deste artigo?
Fechar

'O Rei do Show'

Musical estrelado por Hugh Jackman romantiza história de P. T. Bamum
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter