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Música

‘O Yes me doeu depois, mas não me matou’ 

Jon Anderson fala sobre sonho de gravar com Tom Zé, mágoas da ex-banda e a volta do “The Anderson Ponty Band”

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JON
Opinião. Em nova fase, Jon Anderson ainda critica o Yes, mas diz não guardar mágoas
PUBLICADO EM 20/10/14 - 04h00

Místico, vegetariano e adepto de pelo menos meia hora de meditação diária, Jon Anderson parece ter deixado a loucura do rock progressivo para se transformar em um cara zen, recentemente apaixonado pelo ukelele (viola havaiana). Mas, muito além de sucos verdes, chás milagrosos e toda uma vida saudável que o músico leva hoje, ele ainda conserva inquietude suficiente para não parar de trabalhar, mesmo aos 70 anos. Em conversa com o Magazine, Jon Anderson falou da volta do projeto “The Anderson Ponty Band” e do sonho de gravar alguma coisa com o compositor Tom Zé, além dos ressentimentos que ainda sente por ter sido excluído da banda Yes.


Entrevista

Você sempre manteve uma vida saudável ou começou a ter esses hábitos mais recentemente?


Eu nunca fui nada saudável, na verdade (risos). Comecei a desenvolver alguns hábitos depois de um show em Londres, se não me engano foi em 1989, quase nos anos 1990. Eu estava muito estressado no palco e, quando o show acabou, um percussionista indiano me aconselhou a ir para o hotel e ficar de olhos fechados em silêncio por dez minutos apenas, ao invés de dar entrevistas, sair para beber ou só cair em algum pub, coisas do tipo. Me senti infinitamente melhor nesse dia e fui mudando várias coisas. Comer carne mesmo, parei há mais de 20 anos porque minha visão mudou quando consegui relaxar comigo mesmo, olhar o mundo sem a pressão que o mundo do rock te obriga a passar. Eu precisava disso.

Em 2008, o Yes resolveu antecipar as comemorações dos 40 anos da banda, que aconteceriam em 2009, e acabaram te deixando de fora. Você tem mágoa disso ainda hoje?

Foi algo que me chateou.

Foi inacreditável! Eu estava hospitalizado em Londres e fiquei sabendo que tinham achado um cara muito parecido com meu estilo: era o Benoit David, que depois acabou substituído por Jon Davison nos vocais, ironicamente porque Benoit também ficou doente, assim como eu estava. Primeiro, o Chris Squire (baixista) tinha dito que era provisório, só para não interromper a turnê. Mas quando me recuperei, ninguém quis falar comigo. O Chris mesmo, que tem o direito do nome “Yes”, não fala comigo. Só tenho contato com o Rick (Wakeman, ex-guitarrista do Yes), que pensa mais ou menos como eu nessas questões. Não tenho mágoa, o Yes me doeu depois, mas não me matou.

Além do show em formato acústico que você faz hoje, tem outros projetos?

Estou prestes a retomar o The Anderson Ponty Band (ao lado do violinista francês Jean-Luc Ponty). Gravamos uma série de canções em um show na Wheeler Opera House (em Aspen, nos EUA), que vão virar um disco duplo a ser lançado no ano que vem.

Desde o Rock in Rio de 1985, quando esteve no Brasil pela primeira vez, sua relação coma música brasileira é forte. Além do Milton Nascimento, tem vontade de gravar com algum artista daqui?

O Milton foi um dos encontros mais especiais da minha vida. “A voz de Deus”, como vocês dizem aí no Brasil. Gosto muito da bossa nova, mas eu gostaria de dividir os microfones com o Tom Zé. Acho que ele tem algo muito original em seus sons inusitados.

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