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Mercado de streaming para artes cênicas ganha força em plataformas que superam fronteiras geográficas

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Cena. ‘Tio Vânia’, do Galpão, está no catálogo da Cennarium
PUBLICADO EM 14/02/18 - 03h00

RIO DE JANEIRO. Teatro e casa são palavras difíceis de se reunir em uma mesma frase. Diferentemente do cinema, que há tempos já fincou alternativas no conforto do lar (na TV aberta e fechada, e também por meio das locadoras de vídeo nas décadas passadas), peças ainda são, quase sempre, experiências presenciais.

Mas num momento em que o entretenimento digital, indoor e sob demanda cresce sem parar, a relação das artes cênicas com o mundo digital está mudando. Teatro, dança e ópera começaram a enfrentar certos tabus e passaram a habitar as telas e plataformas de streaming digital.

No Brasil e no mundo, executivos de tecnologia e do campo das artes têm pensado juntos como podem tirar proveito deste cenário. Em vez de enxergar a revolução digital como um problema – ou até o culpado pelo esvaziamento de salas –, eles se perguntam de que forma as artes cênicas podem surfar nas ondas da transmissão (ao vivo ou gravada) para ampliar suas audiências.

Como resultado disso, nos últimos anos surgiram diferentes plataformas exclusivamente dedicadas às artes performativas, como a Cennarium (com sedes no Brasil e nos EUA), a e-americana BroadwayHD, a argentina Teatrix, a StageRussia HD e a inglesa National Theatre Live (as duas últimas dedicadas a transmissões ao vivo em salas de cinema).

Criada no Brasil em 2010, a Cennarium se tornou a primeira grande plataforma nacional deste tipo. Em seu portal, oferece compra avulsa de espetáculos e um pacote de assinatura mensal, que dá acesso irrestrito a conteúdo próprio, assim como de parceiros internacionais.

Após seis anos de operações no Brasil, no fim de 2016 se estabeleceu em Nova York, e há um ano também passou a operar com domínio internacional (.com), como plataforma acessível a espectadores de todo mundo. Agora prepara a operação de um escritório em Paris e tem captado espetáculos em nove países.

Catálogos. Além de ampliarem suas operações em diferentes países, essas empresas têm catálogos que vem sendo encorpados e se tornando mais acessíveis, inclusive com o uso de legendas. É uma aposta com suporte em dados: composto por diversos produtos, o mercado de entretenimento global terá, até 2020, os segmentos de banda larga e “vídeo em casa” responsáveis por 49% de seu alcance, segundo a relatório da empresa de consultoria Mc Kinsey & Company Global Media Report publicado em 2017.

“Só o campo do ‘vídeo em casa’, que inclui as plataformas de streaming, gera cerca de US$ 360 bilhões por ano no mundo. As plataformas teatrais podem e devem ampliar a sua fatia neste nicho”, diz Themis Gomes, CEO da Cennarium.

Quando se fala de serviços de streaming de espetáculos, além de pouca familiaridade com o assunto, uma cartilha de “contras” ainda surge aqui e ali. Frases como “legal, mas não é teatro”, ou “não é a mesma coisa...”. Afinal, falta sentir de perto a respiração e o suor do ator, a atmosfera da sala, a reação do público, com aplausos e vaias.

O que executivos destas plataformas insistem em deixar claro é que essa experiência não ambiciona substituir o acontecimento teatral, mas oferecer uma outra forma de entretenimento. O serviço é útil tanto a quem não pode ir ao teatro – por limites orçamentários, físicos e geográficos –, como para quem vai ao teatro e gostaria de ver de outro modo o espetáculo.

Para a Cennarium, as artes cênicas ainda apresentam, por limites geográficos, de espaço e de tempo, “barreiras para o público”. Neste sentido, seus executivos acreditam que se trata de um “mercado mal servido” e, por isso, com “potencial de crescimento”. “Do nosso público, 39% são millenials, e esta geração jovem é mais engajada em artes de todos os tempos”, diz Themis, citando dados da pesquisa “Americans Speak Out About the Arts: Arts Education & Government Arts Funding”, de 2015.

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